Desde a sua criação, em 1995, que o modelo WebQuest se tem expandido com incrível rapidez e aceitação. Para Pérez Torres (2004a) dois factores concorrem para isso. O primeiro deve- se à importância que a WWW alcançou na comunidade educativa, o segundo, ao facto dos seus criadores, Bernie Dodge e Tom March, terem partilhado o projecto desde o primeiro momento, possibilitando que um grande número de educadores se tornasse igualmente participante e colaborador.
Mentxaka (2006) estabelece três fases do processo de divulgação da metodologia WebQuest. Num primeiro momento tratava-se fundamentalmente de dizer em que consistiam, apresentando alguns exemplos e elogiando as suas potencialidades. A segunda fase corresponde ao “boom” das WebQuests com seminários, oficinas e cursos de formação que têm por objectivo não só a definição do modelo e a divulgação das vantagens da sua aplicação didáctica mas principalmente a construção de WebQuests. Na terceira fase, procede-se a um trabalho de selecção e correcção:
En ese sentido, se establecen criterios para optimizar las diferentes partes de una WQ; se evalúan las realizadas y su mayor o menor utilidad, su posible generalización; se extraen consecuencias de su aplicación práctica que sirven para replantearlas; o se analiza su posible integración curricular tanto desde la perspectiva de área como multidisciplinar o transversal. (Mentxaka, 2006: 1)
Na maioria dos casos a informação existente sobre esta estratégia educativa especificamente desenhada para a Web, encontra-se também ela disponível na Web, o que faz com que, hoje em dia, uma simples pesquisa da palavra WebQuest num motor de busca ou num portal educativo devolva um número impressionante de alusões ao conceito. Os próprios documentos e artigos de Bernie Dodge e Tom March estão editados apenas em formato digital, nas suas páginas ou
blogs
.Ora, a publicação crescente destes documentos pode tornar a pesquisa, localização e reutilização de WebQuest num problema complexo para os interessados. Provavelmente apercebendo-se deste facto, algumas pessoas ou organizações tomaram a iniciativa de compilar WebQuests e ao fazê-lo aplicaram tão-somente uma das vantagens da própria metodologia: rentabilizar o tempo de procura de informação relevante. Um professor que pretenda utilizar esta metodologia nas suas aulas pode assim escolher ou adaptar uma das WebQuests disponíveis ou encontrar inspiração para conceber uma WebQuest que melhor se ajuste às suas necessidades, dado que a maioria delas foram desenhadas de acordo com os programas oficiais do seu país de origem (Adell, 2004).
Sites sobre WebQuests
De seguida apresentaremos alguns
sites
na Web onde é possível encontrar estas listas de WebQuests, assim como a entidade responsável, uma breve descrição e o respectivo endereço URL.a) A Universidade Estatal de São Diego mantém desde 1996, um banco de dados acessível através da ligação
Find WebQuests
noblog
WebQuest News
de Bernie Dodge com mais de 2500 WebQuests, que permite uma pesquisa organizada por assunto ou por área e nível de escolaridade. http://www.webquest.org/b)
Best WebQuest
é umsite
construído por Tom March com a evidente preocupação de avaliar WebQuests. Um professor pode visualizar WebQuests classificadas e comentadas ou se quiser pode também enviar e submeter a sua própria WebQuest e obter sugestões para a correcção de eventuais erros de acordo com a intenção pedagógica da metodologia.http://bestwebquests.com/
c) A Dr. Alice Christie, da Universidade Estatal do Arizona, concebeu uma página Web inteiramente dedicada a WebQuests que inclui uma matriz organizada por área e nível de conhecimento com mais de 400 WebQuests construídas pelos seus alunos.
http://alicechristie.org/edtech/wq/matrix/
d) A Universidade de São Paulo tem uma
Galeria de WebQuests
organizada por idiomas ou por áreas de ensino e ainda ligações, agrupadas por países, para listas de WebQuests publicadas por pessoas ou organizações.http://webquest.futuro.usp.br/menu.html#
e)
Babylonia - The Swiss Journal of Language Teaching and Learning
é como o nome indica um jornalon-line
empenhado na promoção da aprendizagem das línguas modernas. Na secção WebQuest é possível encontrar uma base de dados de WebQuests em Inglês, Alemão, Francês e Italiano.f) A Comunidade Catalã de WebQuest apresenta uma fonte muito completa de informação sobre WebQuests e um crescente número de WebQuests disponíveis em catalão, castelhano e outras línguas no
WebQuestCat
. É também possível comunicar com outros utilizadores, através de um fórum, partilhando experiências e recursos.http://webquest.xtec.cat/enlla/
g) Francisco Castrillo é o autor da
Aula XXI
, umwebsite
com vários recursos tecnológicos educativos, uma biblioteca de WebQuests e uma vasta compilação de ligações asites
com informação sobre WebQuests.http://www.aula21.net/
h)
Uso Didáctico de Internet
da autoria de Santiago Blanco é uma outra página especificamente dedicada a WebQuests que apresenta vários exemplos.http://nogal.mentor.mec.es/%7Elbag0000/
i) Merece a nossa atenção a
Biblioteca Semântica de WebQuest
, por se tratar de uma proposta salutar de organização e classificação de WebQuests. A nova versão (2006), que resulta do projecto final de curso em Engenharia Informática na Universidade de Valladolid de José Antonio Luengo Alvarez, inclui mais facilidades na pesquisa de WebQuests, ferramentas de avaliação com referências directas à qualidade das WebQuests emanadas da comunidade de utilizadores e ainda diversas oportunidades de aumentar o conhecimento neste domínio através da comunicação entre utilizadores, apontamentos, recursos e ligações, possibilidade de sugerir artigos, opiniões e ideias. http://cfievalladolid2.net/webquest/common/Em Portugal existem vários
sites
na Web com informação sobre WebQuests e listas de exemplos ajustados ao nosso currículo, dos quais destacamos os seguintes:a) O site
WebQuest: um desafio aos professores para os alunos
(Carvalho, 2002) disponibiliza uma vasta informação sobre WebQuests - incluindo a conveniente tradução para português da grelha de avaliação “Rubric for Evaluating WebQuests” de Bellofattoet al
. (2001) e da lista de verificação “Fine Points Checklist” de Dodge (1999c) -, apresenta sugestões para melhorar a qualidade gráfica e funcional da WebQuest, uma selecção de exemplos de WebQuests realizadospor alunos de licenciatura em ensino e pós-graduação em educação da Universidade do Minho e ligações a outros
sites
onde também é possível encontrar WebQuests em português.http://www.iep.uminho.pt/aac/diversos/webquest/
b) No
site
da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular as WebQuests aparecem também com o nome Aventuras na Web. A página constitui um trampolim para um conjunto de documentos sobre WebQuests.http://www.dgidc.min-edu.pt/inovbasic/proj/actividades/
c) O Núcleo Minerva – Centro de Competência Nónio Século XXI, da Universidade de Évora disponibiliza um catálogo de actividades entre as quais constam WebQuests ordenadas por ciclo de estudos e disciplinas.
http://www.minerva.uevora.pt/historico/subm03_3.htm
d) Mantém-se acessível na rede o projecto
À bolina
, da Escola Superior de Educação de Setúbal, financiado pelo programa Nónio Século XXI. Na opção Actividades, da área Traçar a Rota, é possível encontrar uma lista de WebQuests desenvolvidas entre 1999 e 2001/02 e alguma informação sobre o assunto.http://www.ese.ips.pt/abolina/rota/
e) O Centro de Competências da Universidade do Minho, o Centro de Formação Terras da Feira sedeado na Escola Secundária de Santa Maria e o Centro de Competência CRIE Alda Guerreiro, do Centro de Formação Contínua de professores de Santiago do Cacém, Sines e Grândola, são três exemplos de instituições que instalaram nos seus servidores o programa educativo PHP WebQuest pensado para criar WebQuest, Miniquest e Caças ao Tesouro sem necessidade de conhecer programas de edição de páginas Web. Os professores interessados podem solicitar uma conta para conceber a sua actividade que ficará alojada no servidor da instituição e disponível para uso público. A procura é feita por nível e área de conhecimento. O resultado está organizado por tipo de actividade, título, nível de escolaridade, disciplina ou área de conhecimento e autor, sendo ainda possível obter uma listagem por data de concepção.
http://www.nonio.uminho.pt/webquests/ http://www.cf-terras-feira.org/phpwebquest/ http://www.capag.info/wq/index_busqueda.php
Além da dificuldade de manutenção e actualização destas bases de dados o mais complicado porém refere-se à qualidade didáctica das WebQuests recenseadas. Tomando como exemplo o serviço proporcionado por March,
Best WebQuests
ou aBiblioteca Semântica de
WebQuests
seria interessante a construção de umwebsite
, em português que, para além de apresentar ligações com informação sobre e como conceber verdadeiras WebQuests, considerasse duas possibilidades: a avaliação das WebQuests por uma equipa multidisciplinar de especialistas e alguma forma de classificação pelos professores que as aplicaram.Comungando da mesma ideia, Bottentuit Júnior6 está actualmente a coordenar o desenvolvimento de um Portal das WebQuests em Língua Portuguesa (PWLP), dirigido essencialmente a educadores, alunos e investigadores lusófonos. O PWLP conta com o auxílio financeiro do Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho e deverá ter as seguintes componentes: i) informação sobre e como conceber uma WebQuest; ii) exemplos de WebQuests das várias áreas disciplinares e anos de ensino avaliadas por especialistas; iii) busca organizada das WebQuests por área temática, título, autor, conceito de avaliação, país, assunto, etc.; iv) hiperligações para outros sites relacionados; v) interacção entre os utilizadores através de fóruns,
chats
,blogs
e questionários; vi) notícias sobre congressos; vii) artigos e teses publicadas; e viii) actividades científicas e outros assuntos relacionados (Bottentuit Júnior & Coutinho, 2007).O conjunto alargado de
sites
sobre WebQuests, do qual focamos aqui apenas uma parte, reflecte bem o impacto que esta metodologia tem na comunidade educativa quer nacional quer internacional.Um contributo importante para a divulgação e partilha de investigação e experiências de utilização de WebQuests foi, sem dúvida, o
Encontro sobre WebQuest
7, organizado pela investigadora Ana Amélia Amorim Carvalho, que ocorreu em Outubro de 2006 na Universidade do Minho. O Encontro incluiu conferências, comunicações científicas, divulgação de experiências eworkshops
que versaram sobre como utilizar WebQuests na sala de aula e como produzir WebQuests utilizando ferramentason-line
ousoftware
de construção de páginas Web. O professor e mentor das WebQuest, Bernie Dodge, expôs uma reflexão pessoal sobre a evolução do modelo WebQuest ao longo dos tempos e deixou antever novos formatos baseados no vídeo, nos6 Veja-se http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4757078U6#LinhaPesquisa 7 Veja-se http://www.iep.uminho.pt/encontro.webquest/index.htm
dispositivos móveis, e em 3D, acompanhando assim a evolução da Web e das tecnologias (Dodge, 2006). O elevado número de participantes foi revelador da aceitação e interesse do modelo WebQuest na comunidade educativa.
Para terminar este ponto faremos referência a um aspecto que nos parece importante dado o interesse e reconhecimento das potencialidades da metodologia WebQuest como estratégia de ensino aprendizagem que faz uso das TIC. Morais & Paiva (2006), autores do Caderno de Apoio ao Professor, que acompanha um manual escolar de Ciências Físico-Químicas do 7ºano de escolaridade, tiveram a iniciativa de incluir uma versão em suporte papel de três WebQuests e sugestões de exploração das mesmas junto dos alunos. A versão on-line encontra-se disponível no