4.2 Folkets politi
4.2.2 Skytevåpen er et aggressivt element
Os empreendimentos solidários são as unidades económicas da Economia Solidária.
Cruz (2004: 15) define os empreendimentos económicos solidários como
... iniciativas económicas associativas, nas quais o trabalho, a propriedade de seus meios de operação (de produção, de consumo, de crédito, etc.), os resultados económicos do empreendimento, os conhecimentos acerca de seu funcionamento e o poder de decisão sobre as questões a ele referentes são compartilhados por todos
aqueles que dele participam diretamente, buscando relações de igualdade e de solidariedade entre seus partícipes.
Para Gaiger (2000: 21), o conceito dos empreendimentos de Economia Solidária gira em torno de oito princípios: “autogestão, democracia, participação, igualitarismo, cooperação no trabalho, autosustentação, desenvolvimento humano e responsabilidade social”.
Esses empreendimentos costumam organizarem-se, juridicamente ou informalmente, na forma de cooperativas, associações de produtores e de consumidores, empresas de autogestão, bancos populares, clubes de trocas, postos de comercio justo, entre outros (Bertulucci e Silva, 2003).
Os empreendimentos de Economia Solidária têm por objetivo a organização e inserção coletiva dos trabalhadores no processo de produção de bens para seu consumo ou de mercadorias e serviços para venda ou troca, seja no mercado capitalista tradicional, ou em formas alternativas de comércio, como o comércio justo ou comércio de trocas.
Nestes empreendimentos, as atividades devem ser desenvolvidas em conjunto pelos participantes, sendo a gestão e o planejamento decididos coletivamente, através de instrumentos que permitam estabelecer processos democráticos, justos, transparentes e éticos.
Veronese (2009: 162) cita etapas de desenvolvimento de empreendimentos de economia solidária e suas características, oriundas da observação de seis empreendimentos:
1ª etapa: desorganização, falta de clareza do papel de cada um, do que se espera deles como grupo e como trabalhador. Falta de controlo de documentos, das entradas e saídas de dinheiro, dependência de agentes mediadores (técnicos responsáveis pelo processo de orientação) para encaminhar essas questões, dificuldade de comprometimento com os horários de produção e do grupo como efetivo espaço de trabalho. Ausência de apropriação dos pressupostos da economia solidária ... Ausência de lideranças que possam estimular e empoderar os demais membros do grupo a tomar decisões e responsabilizar-se pelas atividades de produção e da gestão do empreendimento. … Renda insuficiente e irregular. … Baixa autoestima dos participantes, descrença das suas potencialidades, muito tempo perdido em brigas e discussões estéreis. Medo de enfrentar novas realidades.
2ª etapa. Existe uma presença mais definida de lideranças, bem como mais união do grupo. Presença forte de conflitos relativos à liderança, ainda não completamente explicitados. Ainda existe desconhecimento significativo sobre princípios autogestionários. Certa concentração de poder e saber na pessoa do líder. Maior compromisso com horário de trabalho, não sem dificuldades. Espaço físico, se não totalmente adequado, pelo menos específico da atividade do empreendimento. Existência de apoio mútuo e também de conflitos diversos, sendo bastante contraditória a relação entre os sócios (amigos num dia, brigados no outro). Renda insuficiente para manutenção familiar, mas com perspectiva de melhora. ... Maior autoestima dos sujeitos. ... Sensação de liberdade. … Relação mais igualitária, de maior autonomia com os agentes mediadores e fornecedores.
3ª etapa. Presença de metas melhor definidas, objetivos a serem atingidos, envolvendo ganhos para o grupo e responsabilidade social com as comunidades das quais fazem parte. Maior apropriação dos princípios da economia solidária. Presença de um sentimento de liberdade em relação ao sistema capitalista. Presença marcante de lideranças, com conflitos mais evidenciados e discutidos.
4ª etapa: Clareza e apropriação dos pressupostos da economia solidária pelos membros do empreendimento, sendo um fator propulsor para a elaboração de diretrizes e metas. Participação ativa nas redes de economia solidária ... Forte presença de lideranças no empreendimento, sendo estas facilitadoras nas tomadas de decisão provindas das
reuniões coletivas. Existência de conflitos interpessoais pertinentes ao processo coletivo da produção. Existência de carga horária validada pelo coletivo para as atividades produtivas, bem como local apropriado para a sua execução. Maior autoestima e participação em eventos de economia solidária. Início de preocupações com o bem-estar e com a saúde ocupacional … Construção de identidades no âmbito associativo à luz das atividades realizadas e consciência da prática eficaz das mesmas.
Dada sua especificidade, o desempenho e os resultados obtidos pelos empreendimentos de economia solidária devem ser avaliados de forma distinta daqueles que “absolutizam o lucro como impulso único da atividade económica,” e devem levar em conta a solidariedade, ou seja, não somente reproduzir a forma social atual, mas considerar “a necessidade de transformação que a aproxime de uma sociedade justa …” (Namorado, 2009: 71).
Assim, desenvolver critérios para avaliar os empreendimentos de economia solidária é um desafio a todos aqueles que se dedicam em estudar a dinâmica económica e a ótica da firma.
Partindo-se dos oito princípios propostos por Gaiger (2000) é possível estabelecer alguns critérios de avaliação.
Assim, é possível aferir a existência de autogestão, democracia e participação ao avaliar a “composição societária” dos empreendimentos de economia solidária, o papel dos participantes no processo de tomada de decisão e a forma como são conduzidos esses processos.
Se todos os integrantes ou “donos” do empreendimento participam de forma democrática dos processos decisórios, que são freqüentes e conduzidos de forma
transparente, com todos tendo acesso às informações, pode-se dizer que os princípios de autogestão, democracia e participação estão aplicados.
O princípio do igualitarismo pode ser aferido ao avaliar de que forma são distribuídos os direitos (resultados) e deveres (responsabilidades) no empreendimento. Se essa distribuição for equânime, o princípio do igualitarismo está aplicado.
A cooperação no trabalho pode ser aferida através da mensuração do conhecimento ou saber fazer que é transferido durante o momento da produção do bem ou da prestação do serviço. Não há marginalização de tarefas e todas têm igual importância e remuneração, sem incentivo a competição, mas sim a cooperação.
A autosustentação do empreendimento pode ser aferida pela verificação de que ao fim do processo houve a criação de valor, que deve ser maior que a soma das matérias-primas, mão-de-obra e insumos utilizados. Isso permite que o processo produtivo se reproduza e que todos os agentes sejam remunerados. A remuneração pode ser em dinheiro, em produtos ou serviços ou mesmo em moedas próprias (moedas sociais) de uma comunidade particular.
O desenvolvimento humano e a responsabilidade social podem ser aferidos avaliando-se a situação dos participantes e da região em que o empreendimento solidário está inserido antes e depois do início das atividades.
A medição regular das melhorias ocorridas permitirá a avaliação desses princípios, que são multidimensionais e que se relacionam.
Um espaço de trabalho liberto e democrático permite que o homem integral se manifeste, não somente o “trabalhador parcial”. E esse homem integral também vai interagir em outros momentos sociais, em família, em sociedade. E são as práticas solidárias e de cooperação, ao invés da competição, que irão permitir a manifestação da sociedade integral, sem exclusões.
As práticas solidárias permitem ainda, mais que resgatar a cidadania das populações excluídas, proporcionarem momentos “de salto”, momentos em que as pessoas conseguem canalizar todo seu potencial, energia e criatividade para criar, o que resulta em ideias e soluções novas e simples para problemas antigos e complexos.