4.3 Kommunikasjon og tillit
4.3.2 Skriftlig dokumentasjon
necessário analisar a categoria do trabalho relacionada com a sua concretização pois é uma categoria social que efetivamente tem vínculo com o Estado, para quem executa atividades relacionadas às políticas públicas de saúde, educação, segurança, entre outras. É um trabalhador das relações sociais públicas, cuja natureza é política e social.
O trabalho apresenta-se de várias formas, natureza e sentidos, para cada momento histórico e ordem societária. Mas é sempre um momento de construção de relações sociais, determinando a produção e a reprodução social da humanidade. Nesse sentido, o trabalho é uma condição para a existência do ser humano e desenvolvimento de qualquer sociedade.
Assim, Lukács (1981, apud ANTUNES, 2009) apresenta a categoria trabalho, como a primeira forma do agir humano, em que a essência é a expressão da ação teleológica existente em toda a práxis humana.
Todo trabalho humano é necessário à sociedade, à humanidade. Não há trabalho sem sentido social, por que, em sua essência, atende a uma finalidade da práxis humana, ou seja, busca conhecer e transformar a realidade em que vive e habita.
Segundo Antunes (2009, p.139), o trabalho, em seu sentido mais genérico e abstrato, como produtor de valores de uso, expressa uma relação metabólica entre o ser social e a natureza, no seu sentido primitivo e limitado, por meio do ato laborativo, em que objetos naturais são transformados em coisas úteis. Mais tarde, nas formas mais desenvolvidas da práxis social, com a complexificação do homem e da natureza, multiplicam-se as inter-relações com outros seres sociais, com os mesmos objetivos de produção de valores de uso.
Assim emergem as relações sociais, nas interações com os seres, que se inter-relacionam para realizar determinada ação teleológica. Isso ocorre porque a base das posições teleológicas intersubjetivas tem como finalidade a ação entre os seres sociais.
Conforme a formulação de Lukács (1981, apud Antunes, 2009), o problema surge assim que o trabalho se torna suficientemente social, passando a depender da cooperação entre muitas pessoas e isso independentemente do fato de já ter emergido o problema do valor de troca ou se a cooperação é ainda orientada apenas para a produção de valores de uso.
Desde as plataformas do trabalho humano que as pessoas reuniram-se, a princípio, com o intuito de sobrevivência, a exemplo da caça, enfrentando os animais, abrigando-se em cavernas, construindo ferramentas para a caça, pesca e roupas de peles de animais para proteger o corpo.
Baseando-se justamente na divisão social do trabalho é que Lukács (1981,
apud Antunes, 2009) diz que, nessas formas da práxis social, a posição teleológica
não é mais dada pela relação direta com a natureza, mas atua e se inter-relaciona com outros seres sociais, visando à realização de determinadas posições teleológicas.
O objeto agora posto não é mais um elemento próprio da natureza, mas a consciência de um grupo social (humano), que tem como objetivo a transformação direta do objeto natural. Ao contrário, tem como finalidade alguns objetos naturais, ou seja, os meios já não são intervenções imediatas sobre objetos naturais, mas pretendem provocar essas intervenções por parte de outras pessoas.
As posições teleológicas secundárias estão muito mais ligadas à práxis social nos níveis mais evoluídos do que o próprio trabalho, no seu sentido mais genérico. A consciência humana deixa de ser, então, uma mera adaptação ao meio ambiente e configura-se como atividade planejada.
Para o ser social primitivo, ou contemporâneo, o planejamento que antecede e orienta o agir é uma reflexão, uma construção do pensamento, de conjunção de ideias, ou seja, uma prévia imaginação dos fatos decorridos da relação que são idealizadas subjetivamente na consciência, antes mesmo de se operacionalizarem.
Portanto, o trabalho não é um mero ato decisório, mas o processo de contínua cadeia temporal, que busca sempre novas alternativas. Afirma Lukács (1981, apud Antunes, 2009), que o desenvolvimento do trabalho, a busca das alternativas contidas na práxis humana, encontra-se fortemente apoiado sobre decisões entre elas. O ir além das animalidades, por meio do salto humanizador conferido pelo trabalho; o ir além da consciência epifenomênica, determinada de modo meramente biológico, adquire, então, com o desenvolvimento do trabalho, um momento de refortalecimento, uma tendência em direção à sua universalidade (LUKÁCS,1981, apud ANTUNES, 2009).
Complementando a ideia do trabalho, como possibilidade de liberdade do ser social, Lukács (1981, apud ANTUNES, 2009) afirma que, se concebemos o trabalho gênese, original – como produtor de valores de uso, como forma “eterna” que se mantém por meio das mudanças nas formações sociais, isto é, do metabolismo entre homem (sociedade) e natureza, torna-se claro que a intenção que define o caráter da alternativa está direcionada para as transformações nos objetos naturais, desencadeadas pelas necessidades sociais.
Teleologicamente, o trabalho, em sua origem, atende às necessidades básicas de sobrevivência social, ao construir as relações entre os seres.
O trabalho é, portanto, o elemento mediador entre a necessidade e a sua realização. Dá-se uma vitória do comportamento consciente sobre a mera espontaneidade do instinto biológico, quando o trabalho intervém como mediador entre necessidade e satisfação imediata (LUKÁCS, 1981, apud ANTUNES, 2009).
A práxis social ocorre quando o trabalho, categoria mediadora, transforma a realidade, a natureza, atendendo às necessidades dos seres envolvidos no processo social laborativo. O trabalho mostra-se, assim, como uma experiência elementar da vida cotidiana nas respostas que oferece às carências e necessidades sociais.
Portanto, atende as carências no nível das subjetividades, como as necessidades sociais do cotidiano, para a satisfação do ser social.
Reconhecer o papel fundante do trabalho na gênese e no fazer-se do ser social nos remete diretamente à dimensão decisiva dada pela esfera da vida cotidiana, como ponto de partida da generecidade para si dos homens (ANTUNES, 2009, p.166).
No cotidiano da vida e trabalho é que são geradas as experiências, as formas de labutar, a construção das relações entre os seres sociais no atendimento das necessidades e carências em todas as sociedades, portanto, o cotidiano é complexo e rico em suas múltiplas determinações socialmente construídas.
Ao tratar sobre o cotidiano, Lukács (1981, apud ANTUNES, 2009) indica a seguinte apresentação:
A sociedade só pode ser compreendida em sua totalidade, em sua dinâmica evolutiva, quando se está em condições de entender a vida cotidiana em sua heterogeneidade universal. A vida cotidiana constitui a mediação objetivo-ontológica entre a simples reprodução espontânea da existência física e as formas mais altas de genericidade agora já conscientes, precisamente porque nela de forma ininterrupta as constelações mais heterogêneas fazem com que os dois polos humanos apropriados da realidade social, a particularidade e a generecidade, atendem em sua inter- relação imediatamente dinâmica (p. 166).
Consequentemente, um estudo apropriado dessa esfera da vida pode também lançar luzes sobre a dinâmica interna do desenvolvimento da generecidade do homem, precisamente por tornar compreensíveis aqueles processos heterogêneos que, na realidade social, dão vida às raízes6.
Na análise sobre o cotidiano de Lukács (1971, apud ANTUNES, 2009), observa-se a gênese do ser histórico social agindo e interagindo no cotidiano, transformando a realidade e por ela sendo transformado. A partir desse universo, pode-se compreender a realidade social em sua totalidade.
A história da sociedade mostra que esse ir mais além da genericidade muda biologicamente e objetiva-se nas formas mais elevadas, dadas pela ciência, filosofia, arte, ética, etc. (HELLER, 1971, apud ANTUNES, 2009).
Portanto, as inter-relações e interações entre o mundo da materialidade e a vida humana encontram, no universo da vida cotidiana, nessa esfera do ser, sua “zona de mediação”, capaz de superar o abismo entre a generecidade em si,
marcada pela relativa mudez, e a genericidade para si, espaço da vida mais autêntica e livre (ANTUNES, 2009, p. 167).
No cotidiano dão-se as mediações entre a esfera do homogêneo e a heterogeneidade, e estas só acontecem a partir da negociação dos interesses e no atendimento às necessidades sociais objetivadas entre os seres sociais historicamente determinados. Desde o início que o trabalho, em seu sentido ontológico, tem a concretização estabelecida considerando a possibilidade de liberdade, de uma vida mais livre.
Em Lukács, portanto, o fundamental é, além de compreender o papel ontológico do trabalho, aprender a sua função na construção do ser social, dotado de autonomia e, por isso, completamente diferente das forças anteriores do ser pré- humano (apud ANTUNES, 2009, p.141)
A referência à vida cotidiana e suas conexões com o mundo do trabalho e da reprodução social, é imprescindível, quando se pretende aprender as dimensões do ser social que trabalha e vive do trabalho. No cotidiano do trabalhador pode-se compreender a totalidade das relações sociais que permeiam o trabalho e a reprodução do ser social.
Estudar o trabalho do servidor público é percebê-lo enquanto parte do universo dessa categoria social, como resultado de trabalho humano vivo, heterogêneo e possível de ser transformador da realidade social em que está inserido.
Antunes (2009, p. 142) coloca que o trabalho realiza, materialmente, o relacionamento novo metabolismo com a natureza, enquanto as formas mais complexas da práxis social, em seu metabolismo com a natureza, têm na reprodução humana em sociedade a sua insuperável precondição.
O trabalhador possui força criadora, enquanto ser social, histórico que, no relacionamento com a natureza e outros elementos, gera novos mecanismos de ação de instrumentos e de relações que complexificam, mas que não dispensa nem supera o ser humano, ontologicamente o ser social. O trabalho, quer em sua gênese quer em seu desenvolvimento, em seu ir sendo e em seu vir-a-ser (devir), representa uma intenção ontologicamente voltada para o processo de humanização do homem em seu sentido amplo (ANTUNES, 2009, p.142).
Ontologicamente, o sentido do trabalho, mesmo que tenha uma forma de não criação, de repetição, seu objetivo final é a realização e a libertação humana, em seu significado mais amplo, de não exploração humana.
Tem-se, por meio do trabalho, um processo que simultaneamente altera a natureza e autotransforma o próprio ser que trabalha. A natureza humana é também transformada, a partir do processo laborativo, dada a existência de uma finalidade e de uma realização prática.
Nas palavras de Lukács (1981 apud ANTUNES, 2009), o homem que trabalha deve planejar cada momento com antecedência e permanentemente conferir a realização de seus planos, crítica e conscientemente, se pretende obter no seu trabalho um resultado concreto o melhor possível. Esse domínio do corpo humano pela consciência, que afeta uma parte da esfera da consciência, isto é, dos hábitos, instintos, emoções, etc., é um requisito básico até no trabalho mais primitivo e deve dar uma marca decisiva na representação que o homem forma de si mesmo.
O trabalho, em qualquer instância e nível hierárquico, exige direção teleológica, que lhe dê racionalidade e organização. Toda ação humana requer a definição de sua intencionalidade, crítica e consciente de seus resultados para a sociedade em geral.
Uma vida cheia de sentido, no dizer de Antunes (2009, p. 143), encontra na esfera do trabalho seu primeiro momento de realização, o que é diferente de dizer que uma vida cheia de sentido se resume exclusivamente ao trabalho; o que seria um completo absurdo, ou seja, uma vida incompleta de sentido. Na busca por uma vida plena de sentido, a arte, poesia, pintura, literatura, música, o teatro, a convivência com os amigos, vizinhos, o esporte, lazer, momento de criação e inspiração, têm um significado muito especial, cheio de liberdade, verdadeiramente o sentido humano de realização no trabalho e plena vida.
Se o trabalho se torna autodeterminado, autônomo e livre, e por isso dotado de sentido, será também (decisivamente) por meio da arte, poesia, pintura, literatura, música, do uso da autonomia do tempo livre e da liberdade, que o ser social poderá se humanizar e se emancipar em seu sentido mais profundo. Mas isso nos remete a pensar, no nível de abstração, nas conexões mais profundas existentes entre o trabalho e a liberdade (ANTUNES, 2009, p. 243).
Essa excursão pela categoria trabalho no nível de abstração leva-nos a refletir sobre o sentido humano na realização de um fazer social que o conduza a
estabelecer relações de trabalho de interação com o outro, suprimindo limites subjetivos, agregando saberes profissionais, para que, na labuta do cotidiano, conforme o desenvolvimento se complexifica, se concretize o trabalho, pleno de sentido de criação, humano e social.
Outra reflexão versa sobre a concepção da atividade do servidor enquanto possibilidade de relativa autonomia e certo poder de criação, na sua labuta no Estado. Segundo Antunes (2009), na exposição em sala de aula, o professor universitário detém certa autonomia, e relativa liberdade na execução de suas atividades de pesquisa, extensão e ensino. Supõe-se que no serviço público, a exemplo do professor, outras categorias também gozem de alguns momentos de suspensão, no fazer profissional cotidiano, e de certa autonomia em suas ações, a exemplo do médico, em seu consultório,; do assistente social; em suas análises e organização das políticas na instituição pública, sem o fantasma da produção em massa, da possibilidade da perda do emprego, etc.
Elemento positivo para que aconteça, de fato, a relativa autonomia, é a garantia da estabilidade no emprego. Talvez o principal instrumento que garante autonomia e certa liberdade de escolha por uma ação que leva a uma verdadeira emancipação da humanidade por meio da conquista dos direitos sociais e do atendimento, pelas políticas públicas, das carências e necessidades.
Mas a sociedade complexificou-se e as relações sociais, nos tempo atuais, são permeadas pelos interesses capitalistas da manutenção da ordem vigente, no atendimento da sua fase de financeirização, em que o Estado tem o papel de estrategicamente garantir esse processo do capital financeiro, e as metamorfoses, apesar da “liberação de mão de obra” do trabalho, não significam tempo livre para criação, arte, música, lazer do ser social trabalhador. Mais uma vez se vê obrigado a postergar seus sonhos de uma vida plena de sentido de prazer e satisfação, para quando chegar à aposentadoria e os filhos não mais dependam financeiramente. Assim constroem-se utopias, que alavancam a classe que vive do trabalho na contínua busca da plena realização.
As mudanças que vêm ocorrendo no mundo do trabalho, têm afetado tanto os países capitalistas avançados como os países do Terceiro Mundo, muito embora, nos últimos, isso ocorra de forma mais perversa, devido ao processo de industrialização aqui implantado, que não trouxe a desconcentração de renda, nem mesmo uma melhor redistribuição da riqueza produzida pelos trabalhadores.
Antunes (2009, p. 205) mostra que essas transformações, com repercussões significativas nos países de Terceiro Mundo dotados de uma industrialização intermediária, têm um processo múltiplo: de um lado, verificou-se a desproletarização do trabalho industrial tradicional e paralelamente efetivou-se significativa subproletarização do trabalho, decorrência das formas diversas de trabalho parcial, precário, terceirizado, subcontratado, vinculado à economia informal, ao setor de serviços, etc. Verifica-se, portanto, significativas heterogeneização, complexificação e fragmentação do trabalho.
Mas o autor chama a atenção para a supressão de empregos e eliminação ou redução da classe trabalhadora em seus moldes tradicionais, para a centralidade do trabalho enquanto fonte e reprodutor do processo de produção nas sociedades capitalistas. Também aponta que durante a década de1980 a classe trabalhadora viveu a mais aguda crise deste século, que não só atingiu a sua materialidade, como ocasionou profundas repercussões na sua subjetividade e no íntimo inter- relacionamento desses níveis, afetando a sua forma de ser (ANTUNES, 2009, p. 206).
Década de grande salto tecnológico, a automação e as mutações organizacionais invadiram o universo fabril, inserindo-se e desenvolvendo-se nas relações de trabalho. Novos processos emergem, em que o cronômetro e a produção em série são substituídos pela flexibilização, por novos padrões de produtividade, por novas formas de adequação da produção e lógica do mercado (ANTUNES, 2009, p. 206)
Presenciam-se formas transitórias de produção, cujos desdobramentos são também agudos, no que dizem respeito aos direitos do trabalho. Estes são desregulamentados, flexibilizados, de modo a dotar o capital dos instrumentos necessários para adequar-se à sua nova fase (ANTUNES, 2009, p. 206).
Alguns desses elementos das mudanças organizacionais também são incorporados pelos serviços públicos, a exemplo da flexibilização da carga horária, que pode ser reposta em outro momento, mas nem sempre é possível aplicá-la em todas as escalas hierárquicas, como é o caso da telefonista, e de não haver substituição. Mas a flexibilização no serviço público não segue a lógica mercadológica, não tem como objetivo a produtividade em grande escala, ao contrário, é um instrumento facilitador, que tanto beneficia o servidor/trabalhador público quanto o serviço, que não se acumulará.
As desregulamentações de alguns direitos trabalhistas também vêm ocorrendo, particularmente quanto à previdência social, pois o servidor público perdeu o direito de se aposentar antes dos 55 anos, se mulher, e 60 anos, no caso do homem. Deixou de ser computado o tempo fictício para a aposentadoria, adquirido de licenças-prêmio não usufruídas, e contadas como tempo de serviço total etc.
Identificam-se mudanças também nas várias formas de trabalho no serviço público, como os terceirizados, prestadores de serviços, contratos eventuais, parciais, entre outros, representados pelo setor privado, que atua executando serviços de segurança, limpeza, jardinagem, lavanderia, etc.
E entre esses também se verificam formas precarizadas, serviços mal remunerados, trabalhadores expostos aos danos à saúde e às condições impróprias, pois não há acompanhamento da saúde dos trabalhadores terceirizados, por parte das equipes dos profissionais do Estado, nem da rede de saúde dos trabalhadores em geral, nem dos servidores públicos.
Assim, serviços como saúde, energia, educação, telecomunicação, previdência, etc., também sofreram, como não poderia deixar de ser, significativo processo de reestruturação, que vem afetando fortemente os trabalhadores dos setores estatal e público (ANTUNES, 2009, p. 249).
O resultado parece evidente: intensificam-se as formas de exploração do trabalho, ampliam-se as terceirizações, metamorfoseiam-se as noções de tempo e de espaço e tudo isso muda sobremaneira o modo como o capital produz as mercadorias, sejam elas materiais ou imateriais, corpóreas ou simbólicas (ANTUNES, 2009, p. 249).
Outro tipo de trabalho precarizado, que aflora da telemática, é o conectado em rede, realizado em casa, etc., com as mais distintas formas de improvisação. As repercussões nos planos organizativo, valorativo, subjetivo e ideológico-político do mundo do trabalho são evidentes.
O trabalho extrapolou os muros das empresas, sentou-se à mesa de nossas casas. O espaço não é apenas o institucional, ele nos acompanha pelo celular, aonde formos; nos solicita por e-mails; por mensagens nas esperas nos aeroportos, nos shoppings, nas viagens; em qualquer momento que for necessário somos encontrados e convocados; participamos de reuniões on-line, etc., ou seja, é
trabalho fulltime: são formas de trabalhos virtuais, não pagos, mas que podem também provocar danos à saúde.
O trabalho em rede também é comum nos serviços públicos e quase todo o sistema administrativo na instância federal funciona em rede, por exemplo, o Sistema de Administração de Pessoal (Siape), o Sistema de Contabilidade e Administração de Finanças (Sicaf), entre outros. Os trabalhadores das unidades locais, em cada estado, cidade, município, alimentam os dados, as informações pertinentes ao setor próprio de Recursos Humanos, Financeiro, etc.
Servidores que inserem dados reclamam que os sistemas estão sempre congestionados, ou saem do ar durante o envio de informações, por exemplo, para a folha de pagamento, pois o período é o mesmo para todos os estados. Esses setores estão sempre fazendo horas extras, e trabalham dentro e fora da instituição, em fins de semana, para alimentar as bases de dados.
Esse mesmo aspecto virtual está presente no trabalho intelectual, em sala de aulas virtuais, no ensino a distância, em especializações e orientações de alunos via Internet. São horas de trabalho que extrapolam as cargas horárias remuneradas; formas precarizadas de trabalho, que causam desgastes físico e mental invisíveis, e não são computados como trabalho vivo comum nas universidades públicas e privadas.
Outra alteração contida no trabalho das empresas públicas como nas empresas privadas diz respeito às múltiplas transversalidades relacionadas ao gênero, geração e etnia. O mundo do trabalho vivencia um aumento significativo do contingente feminino, que atinge mais de 40%, ou mesmo mais de 50% da força de trabalho, em diversos países avançados, e tem sido absorvido pelo capital, de preferência no universo part time, precarizado e desregulamentado (ANTUNES, 2009, p. 256).
Entretanto, a expansão do trabalho feminino tem significado inverso, quando se trata da temática salarial e dos direitos, pois a desigualdade do ganho das