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3.6 Forskningsetiske perspektiver

4.1.1 Skoleledernes praksis og forståelse av tilpasset opplæring

Além da hospitalidade, a festa, a alegria e a animação também são características atribuídas à cidade e formam a quinta categoria do corpus. Fortaleza é vista e representada como um ambiente ideal para a Copa do Mundo, por ser uma cidade hospitaleira e animada. O clima de congraçamento e de alegria é típico da cidade, mas é exacerbado durante a Copa e também ajuda a minimizar os problemas infraestruturais. A alegria, como vimos, foi destacada inclusive pela campanha oficial da cidade, o que significa que um discurso referenda o outro.

No calçadão da Beira Mar, no aterro da Praia de Iracema ou nos bares da capital, estrangeiros e brasileiros aumentam a atmosfera de animação e amizade em Fortaleza. A atmosfera festiva colabora. Rolou música? Gente que nem se conhece se mistura e dança junto.

O trecho acima é da notícia Amizade é um dos legados da Copa, de 29 de junho em O Povo. Os pontos da cidade que participaram de forma direta da Copa são bem

marcados no texto, mas a “atmosfera (como algo que envolve a cidade) de animação” é

atribuída a toda a cidade. Um ponto interessante a observar nesse texto, mas que também aparece nos títulos mencionados a seguir, é o reforço dos legados intangíveis, que ganham importância maior do que os tangíveis (as obras). Nesse ponto, mais uma vez percebemos que as dúvidas e as incertezas foram sendo deixadas de lado com o desenrolar do evento: não houve, para os jornais, grandes intercorrências ou problemas que justificassem uma abordagem negativa nos últimos dias de Copa.

Um dos legados que ambos os jornais atribuem à Copa do Mundo é a ocupação dos espaços da cidade, principalmente através da festa. No texto sobre o legado imaterial

deixado pela Copa, o Diário do Nordeste utiliza os termos “reencontro” e “reconquista” para tratar da relação positivamente transformada, segundo o jornal, da população com a cidade. Antes, era como se o fortalezense não tivesse motivos para vivenciar os espaços da cidade, o território da cidade estivesse dominado por outras questões ou os atrativos não fossem suficientes. A Copa é vista e apresentada como um ponto de virada: a partir de então, de uma forma quase mágica, o fortalezense passaria a consumir Fortaleza. É como se fosse necessária a vinda de turistas para ensinar ao cidadão local o que há de bom na própria cidade.

Em O que a cidade está aprendendo com o Mundial, outra reportagem que trata do legado intangível, o jornal O Povo também defende que Copa mudou o comportamento do povo, ao incentivá-lo a ocupar a própria cidade, como na fanfest e nas ruas enfeitadas. No espaço da fanfest, estrangeiros e fortalezenses se misturam como torcedores, na integração que é desejada e à qual se refere a secretaria Patrícia Macedo, em entrevista já mencionada.

Mais uma vez, a palavra “atmosfera” é utilizada para indicar algo que envolve a cidade como

um todo. Os adjetivos escolhidos para qualificar essa atmosfera identificam um espaço internacionalizado e de festa:

O fortalezense está fazendo festa, assistindo aos jogos com tevê na calçada e ocupando um espaço que é seu por direito: a rua. O grande fluxo de turistas estrangeiros – que lotam a avenida Beira Mar e cantam até a madrugada – só faz crescer a atmosfera cosmopolita, divertida e contagiante. [...] A empolgação fez muita gente ir às ruas e preparar a festa.

É interessante perceber, porém, que espaços foram tidos como “ocupados” pela

população: o calçadão da avenida Beira Mar já era ponto frequentado pelos fortalezenses mesmo antes da fanfest e a tradição de enfeitar as ruas de verde e amarelo é um ritual que acompanha – ou acompanhava – a seleção brasileira nas Copas do Mundo. Falar em

“ocupação da cidade” de forma geral quando se quer dizer espaços específicos é mais uma

forma redutora de representar tanto a Copa quanto a cidade.

Outro momento em que se fala de festa e animação diz respeito às comemorações do São João: os jornais veem de forma distinta a relação formada entre Copa do Mundo e festa junina. Para o Diário do Nordeste, que cita a tradição junina em duas reportagens, as

festas e apresentações de quadrilha são opções para “quem não quer gastar muito e ainda aproveitar a cidade”. Em Bairros mantêm tradição de São João durante o mundial, de 30 de junho, o foco é apenas nos ganhos dessa relação, que seriam a inclusão de novos espaços nas rotas turísticas e o aumento da animação:

Para o coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural da Secultfor, Alênio Carlos, os festejos juninos realizados em diferentes bairros nas sete regionais da Cidade, só vêm somar ao Mundial. "A Copa pode se apropriar dos festivais, a medida em que os turistas vindos para os jogos poderão conhecer o restante da cidade, atraídos pelo calendário dessa festa popular". [...] Para Carlos Henrique Oliveira de Almeida, integrante das quadrilhas de Maranguape Paixão Junina e Tradição Serrana, a Copa veio alegrar mais os festivais, com as cores da bandeira e a animação dos torcedores, sem interferir na programação.

Já no jornal O Povo, em Arraiá em tempos de Copa, de 24 de junho, outras influências, positivas e negativas, entre um evento atípico, que é a Copa, e um já tradicional, as festas juninas, são apresentadas. No trecho a seguir, as duas visões são ilustradas. Interessante perceber que, na contraposição de pontos de vista distintos, não há a visão da prefeitura, uma das responsáveis por organizar os festivais. Sem essa fala, não é possível confirmar ou refutar, por exemplo, o que diz Ângelo Tomasini sobre os recursos e a segurança. O jornal usa a citação direta como forma de proteção, mas a checagem das informações é ponto fundamental do jornalismo. O início do trecho corrobora ainda com a ideia da Copa do Mundo como um recorte de espaços.

‘A Copa acabou influenciando na questão financeira, já que recursos foram canalizados para os eventos, e influenciou na questão da segurança, que ficou um pouco falha, por conta de o contingente da Polícia e de todos os outros órgãos se voltarem mais para a área turística da Capital’, afirma Ângelo Tomasini. […] Já para Tárcio Monteiro, sócio-fundador da Junina Babaçu, o Mundial tem influenciado positivamente na temporada junina. Ele afirma que os turistas têm se somado ao público cearense para ver as apresentações.

As perspectivas diferentes estão relacionadas ao que dizem as fontes, mas percebemos também as influências do processo de produção jornalístico por meio da escolha dos entrevistados e do viés de execução da pauta. O jornal O Povo, por exemplo, opta por entrevistar apenas integrantes de quadrilha (quatro no total), enquanto o Diário entrevista uma fonte oficial, geralmente mais propensa à defesa e a destacar o que é positivo, e um quadrilheiro. Nesse ponto percebemos a influência da rotina jornalística nas representações que os jornais produzem e circulam; não há uma representação única, que possa ser definida como o reflexo da realidade, sobre o São João e a Copa, mas sim visões distintas que participam da construção de uma realidade.

De qualquer forma, não há uma associação direta entre as ocasiões, que dividem apenas a mesma época. Nesse sentido, não houve um esforço para incluir e adequar a Copa às

manifestações culturais do país, o que indica um distanciamento entre o evento e sua sede e mostra a padronização do megaevento, que segue o mesmo modelo não importa o lugar em que seja realizado. Ou seja, uma tradição que, pela localização de seus festejos, poderia ser aproveitada para criar novos percursos pela cidade acaba desvinculada do legado da

visibilidade, uma vez que a possibilidade de “apropriação” mencionada pela fonte oficial na

matéria do Diário do Nordeste não se traduz em ações concretas. Isso pode ocorrer pela falta de interesse governamental na inclusão de outros espaços além da rota turística ou pelo próprio fato de ter-se deixado passar uma oportunidade.

Se a Copa é vista como uma vitrine para apresentar o país ao resto do mundo, alguns produtos, os atributos e atrativos, não foram contemplados por essa exposição. No texto de O Povo uma das fontes ouvidas entende haver justamente o contrário: a Copa é

“grandiosa” demais e ofusca as quadrilhas. As visões sobre a cidade passam a ser

monotemáticas, influenciadas diretamente pela Copa. As motivações utilizadas para justificar a realização dos megaeventos podem ser vistas como estratégias discursivas para a propaganda tanto dos eventos em si como do grupo de gestores da cidade que buscam vender a ideia:

O quadrilheiro do Interior diz sentir falta de maior inclusão das quadrilhas nas atividades da Copa. ‘A própria abertura da Copa é prova disso. Não vi nenhuma referência às quadrilhas juninas nas festas de abertura’, reclama. Apesar de apontar a falta de visibilidade como um problema da Copa, ele afirma que o evento não ‘atrapalhou’ a circulação dos grupos de quadrilha junina e que a festa continua até depois da Copa.