3.3 Ledelse i og av skoler som lærende organisasjoner
3.3.1 Skoleledere og skoleutvikling
Conversar é dialogar? Mesmo considerando as falhas da comunicação e os desentendimentos culturais, pode-se dizer, sim, que é uma etapa do diálogo. No entanto, o diálogo, para Bohm (2005), vai além, pois significa uma corrente de significados, um fluxo que contraria o senso comum, construindo algo novo, criativo.
No ProFEA (Brasil, 2006), o diálogo é apresentado sob a perspectiva habermasiana da comunicação, que cria espaços emancipatórios dos sujeitos e dos lugares, “é um lugar onde todos têm a palavra, onde todos leem e escrevem o mundo” (p. 36).
Nos questionários aplicados, apontou-se majoritariamente a existência ou a busca do diálogo, mas, antes, cabe analisar uma crítica apontada em entrevista:
O padrão Coletivo Educador nem é inovador, é o padrão parceria/diálogo, e tem o lado perverso que esvazia o conflito e a desigualdade, o que parece mais descentralizado, é esvaziamento ...tudo vai sendo invertido na lógica do diálogo, do consenso. Tratar todos como iguais, não se constitui em iguais, ao desconsiderar a desigualdade já existente...não é possível colocar todos para o diálogo, não tem condições materiais. Pra mim o papel do estado não é colocar todo mundo junto, pra mim o papel do Estado é, para ser público, tratar a partir das suas especificidades. (Professor universitário, contrário a proposta dos Coletivos Educadores)
Nesta crítica, evidencia-se o senso comum de que dialogar é entrar em consenso, em acordo, mas o que está presente no princípio do diálogo contido no ProFEA é a ética comunicativa que pressupõe a diversidade, o despir-se dos preconceitos e teorias prontas e enfrentar os conflitos e diferenças inerentes aos coletivos.
É fundamental entender que o diálogo, diferentemente do debate ou discussão que busca ganhadores e perdedores, ou ainda da negociação ou consenso, que procura uma ideia comum, se propõe a tocar o que Bohm (2005) chama de pressuposições de raiz, construídas ao longo da vida, e que são defendidas com vigor quando desafiadas, podendo impor barreiras ao diálogo. O desafio do diálogo é justamente romper obstáculos para este compartilhar de certezas intocáveis.
O trecho abaixo, de um projeto político pedagógico de Coletivo Educador, apresenta maturidade em relação ao conceito do diálogo.
Diálogo - Escolhido para valorizar a importância de todos os atores sociais em sua identidade e saberes, dissolvendo o mito das hierarquias historicamente constituídas: autoridades políticas, acadêmicas, mercadológicas, religiosas, midiáticas, etc. Todos têm uma função necessária ao Sistema Social, logo a valoração histórica de uns em detrimento de outros não cabe mais no contexto atual onde a corresponsabilidade socioambiental é questão emergente para as sociedades. (Princípios do Projeto Político Pedagógico do Coletivo Tem Jeito sim, 2007)
Neste depoimento, é possível ver que os espaços dialógicos criados pelos Coletivos estão relacionados ao fortalecimento das forças instituintes para o diálogo.
Até que ponto exercemos o diálogo no nosso coletivo? As diferenças do capitalismo estão para serem enfrentadas. No coletivo não tínhamos enfrentado tão de perto, pessoas tão opostas, as pessoas que tem mais poder, mais força, não estão em diálogo, não estão nos cursos de formação e nos Coletivos, claro que este diálogo seria interessante, mas não estão confrontados frente a frente...trata-se muito mais de criar condições de luta, de resistência, de condições de vida melhor, melhorar a qualidade de vida na ponta de lá da corda. Tem que escolher de que lado você está e este é o papel da política pública. (Professora universitária, integrante de Coletivo Educador)
Para Bubber (1974) a ocorrência do diálogo exige a percepção do outro, do eu-tu, e do encontro consigo próprio. Do encontro com a natureza, com as outras formas de vida além da humana, e com a sociedade. Exige encontrar tempo para perceber o que se passa sem julgamento, ou conclusões, num processo de revelar pressuposições, permitindo que as pessoas livrem-se delas, ou as analisem criticamente. Aqui está apontado o potencial do
diálogo na perspectiva da diversidade, porém, a prática é um grande desafio e este depoimento sinaliza neste sentido:
Tem um problema com os Coletivos que tem a ver com todo colegiado, como lidar com a diversidade? Conseguimos ter consensos pobres, você consegue pactuar aquilo que todo mundo concorda. Num colegiado aquilo que todo mundo já pactuou, é raso, está dado, não tem poder transformador. As conclusões que a gente precisaria chegar, são objeto de disputa e ai, você chega no gueto, no lobby e começam os jogos... a questão é que se vivemos numa sociedade de conflito, como juntar todo mundo? A resposta não é não juntar...a resposta é um conceito metodológico, é construir condições de avançar na diversidade. (Gestor público, integrante da equipe de formulação e implantação da política de Coletivos)
O diálogo, nos Coletivos Educadores, em sintonia com o previsto no ProFEA, fundamenta-se na dimensão pedagógica, comunicativa, entendendo que seu objetivo é contribuir com a emancipação individual que se dá no Coletivo, através dos processos dialógicos, e não a produção de consensos.
O sujeito precisa perceber sua identidade. Se está numa sociedade que estratifica, cabe ao trabalho pedagógico auxiliar nesta percepção. A diferença de classes ou de interesses não se resolve de maneira simplista, mas não deve ser impedimento para o trabalho dialógico e pedagógico em Coletivos. Como disse um dos entrevistados: “a solução não é não juntar” (gestor público, integrante da equipe de formulação e implantação do programa), mas sim encarar o desafio sob a ótica da complexidade. Analisando a experiência do Coletivo CESCAR, um artigo de Santos, Prudêncio & Oliveira (2010) apresenta a seguinte conclusão
Podemos dizer que o CESCAR é um Coletivo Educador composto por pessoas que atuam em diferentes áreas, com trajetórias e formações diversas, mas que em muitos casos se entrecruzam. São pessoas que pertencem a instituições de diversos setores, que se reúnem para formar um Coletivo com tudo o que um trabalho coletivo implica: divergências, conflitos, impasses, mas também troca de saberes, vivências e aprendizados significativos, e todo esse ambiente é o que o torna tão rico e produtivo de novos saberes. (p.92)
O diálogo, como ocorrência e como busca, está presente nos Coletivos, mas muito há que se exercitar a radicalidade do conceito. Por vezes, o consenso e harmonia são vistos como positivos e o dissenso como “problema”. O diálogo, na sua profundidade, é ser um exercício permanente, tanto interno, na constituição enquanto grupo, como nos planejamentos participativos realizados em diálogo com os sujeitos nas intervenções nos territórios. Não há limite ou ponto de chegada, pois a vida está sempre em transformação.