Kapittel 2: Moral, emosjoner, kultur og språk
2.4 Kultur og moralitet
2.4.2 Skillet mellom de som er «inne» og de som er «ute»
Se por um lado, nenhum curso, independentemente de sua natureza, quer ter (índices elevados de) evasão, por outro lado, é estudando esse problema que se descobrem pontos de melhoria no curso. Considerando ainda que as causas que contribuem para desistência são diversas, o grau de evasão em cada IES também não é constante, e a falta de estudos aprofundados e conclusivos sobre o tema dificulta o desenvolvimento de estratégias de mudança e também a determinação de um índice aceitável de evasão. Loyola (1999), em estudos sobre evasão, traçou um nível aceitável entre 10 e 20%, sem apontar as motivações que levariam a desistência ou abandono do curso. Esse percentual seria para qualquer curso, a distância ou presencial.
Maia e Meirelles (2003), por sua vez, mostram em suas pesquisas que a evasão no curso a distância varia de 1 a 68% dependendo da estrutura do curso, da tecnologia utilizada, da adaptação do aluno, ou ainda, da natureza do curso (graduação, extensão, aperfeiçoamento). Favero e Franco (2008), como panorama geral da EaD, apontam dados em que a evasão fica entre 21 e 62%, a depender de quem certifica o curso (MEC ou instituições privadas), e de 8 a 30% de acordo com o grau de „presença‟ nos cursos (apenas online ou semipresencial). Comparável com a realidade asiática e europeia, em que a média de evasão em cursos a distância na Ásia é de 50%, e na Europa, de 20 a 30% (ABBAD; CARVALHO; ZERBINI, 2006).
Com tamanha variabilidade, complexa se torna a delimitação de um nível aceitável de evasão. Porém, o Anuário Brasileiro Estatística de Educação Aberta e a Distância (Abraead), com base nos dados coletados até 2006 nos diversos cursos a distância, seja de instituições públicas ou privadas, coloca em 30% o índice aceitável de evasão (ABRAEAD, 2007).
Diante desse parâmetro, analisar o curso-piloto de graduação em Administração da Universidade Aberta do Brasil pode contribuir com algumas respostas, seja por ser um curso único aplicado em universidades diversas, geograficamente espalhadas, ou por apresentar um índice de desistência acima do parâmetro pensado pela ABRAEAD, 42% média de evasão no curso de Administração. Outro ponto importante para o estudo do curso- piloto de Administração é considerar que há universidades dentro do sistema que mantêm índices bem mais baixos. Assim, entender melhor os dados existentes sobre o curso-piloto, tentando levantar razões que levam os alunos a desistir do curso ajudaria a compreender a influência da gestão no processo de permanência dos alunos.
Para tanto, primeiramente será apresentada a Universidade Aberta do Brasil, seguida das particularidades do seu projeto-piloto, o curso de Administração a distância, e das universidades participantes.
3 UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
Diante do panorama das políticas públicas brasileiras de educação, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) merece especial atenção, não apenas por ser sobre educação a distância, mas principalmente por sua proposta e objetivos. Criada em meio ao Fórum das Estatais pela Educação, no ano de 2005, com a missão de formar professores – objetivo antigo do Governo Federal, com programas como PEC e PROCAP (GATTI, 2008) - a UAB não é uma nova universidade, mas uma nova forma de promoção da educação superior. Sua proposta é a articulação das instituições de ensino superior (IES) existentes, “possibilitando levar ensino superior público de qualidade aos municípios brasileiros que não possuem cursos de formação superior ou cujos cursos ofertados não são suficientes para atender a todos os cidadãos” (UAB, 2009b). Do mesmo modo, essa integração das IES permitiu o desenvolvimento de objetivos amplos para a UAB:
O objetivo do sistema UAB é desenvolver a modalidade de educação a distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior no País, além de ampliar o acesso à educação superior pública levando tais cursos às diferentes regiões do país.
É objetivo, também, oferecer cursos superiores para capacitação de dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e apoiar a pesquisa em metodologias inovadoras de ensino superior respaldadas em tecnologias de informação e comunicação.
Além disso, pretende-se atingir objetivos sócio-educacionais com a colaboração da União com entes federativos, e estimular a criação de centros de formação permanentes por meio dos pólos de apoio presencial. (UAB, 2009c) [grifo
nosso]
O traçar desses objetivos destaca pontos importantes para entender melhor o modelo de educação a distância desenvolvido pela UAB. Apesar do nome, Universidade Aberta, a UAB se enquadra no Modelo Distribuído em Polos, pois, como disposto no seu objetivo, utiliza-se de polos de apoio presencial para o desenvolvimento dos cursos, promovendo encontros presenciais como forma de impulsionar o aluno a se aproximar do curso, gerando identificação entre as partes (ZUIN, 2006); as tecnologias da informação e comunicação também são essenciais, principalmente as que aprimoram a possibilidade de interação entre professor, tutor e aluno. Além da ênfase na ampliação do acesso à educação, o que exige certa estruturação do curso.
Em termos legais, o Decreto nº 5800/2006 dispõe especificamente sobre o Sistema UAB; nele constam os objetivos da UAB, informações gerais sobre o processo de articulação e a forma de seleção das IES. A partir de então, a UAB lançou dois editais de seleção de polos e cursos, ampliando o acesso à educação superior.
Para o desenvolvimento dos cursos, a UAB (2009e) determina a existência de alguns atores, a saber:
a) Coordenador de curso: administra o curso, coordena a oferta e é responsável pelo contato entre o MEC e os polos.
b) Coordenador de polo: administra o curso em seu polo, responsável pela manutenção das instalações e contato entre coordenadores de curso e MEC.
c) Professor especialista: responsável por ministrar aulas, em geral gravadas em DVD ou disponibilizadas em ambiente virtual. Pode tirar dúvidas dos tutores e ficar de plantão, caso necessário.
d) Professor conteudista: responsável pela elaboração do material didático.
e) Professor pesquisador: realiza pesquisas para o desenvolvimento do conhecimento, em especial sobre a modalidade a distância, experimentando novas técnicas e instrumentos. f) Tutor a distância: “orientador acadêmico com formação superior adequada que será responsável pelo atendimento dos estudantes via meios tecnológicos de comunicação (telefone, e-mail, teleconferência, etc.)” (SEED, 2009)
g) Tutor presencial: “orientador acadêmico com formação superior adequada que será responsável pelo atendimento dos estudantes nos pólos municipais de apoio presencial.” (SEED, 2009)
A depender do desenho instrucional do curso ele pode ter todos esses atores em pessoas diferentes, ou combinando funções, por exemplo, o tutor presencial de uma turma pode ser o tutor a distância de outra, ou ainda, o professor especialista pode também ser o conteudista.
Segundo dados da UAB, já são 74 instituições públicas articuladas – entre universidades federais e estaduais e centros tecnológicos – e 557 polos de apoio presencial ativos (UAB, 2009d), 418 cursos e mais de 100 mil alunos matriculados até março de 2009 (COSTA, 2009). Para tanto, ainda no ano de 2005, o curso-piloto de Administração a Distância foi lançado como teste para o sistema UAB. Também conhecido como projeto- -piloto, o curso de administração iniciou suas aulas em julho de 2006 e tem sua conclusão prevista para o final de 2010, em um total de 9 períodos letivos. Além do curso-piloto, cursos de licenciaturas em diversas áreas e curso de formação e capacitação para gestores da educação compõem o quadro de cursos oferecidos pela UAB.
Segundo Freitas (2007), o direcionamento do sistema UAB para formação de professores e gestores da rede pública de ensino demonstra uma tentativa de
profissionalização do magistério e incremento da qualidade do ensino, assumindo a responsabilidade pelo ensino superior – movimento contrário ao de 1995 com a privatização do ensino e expansão dos cursos de ensino superior nas instituições privadas (DOURADO, 2008) – orientação explicitada com a subordinação da UAB à CAPES, cujo papel é fomentar a formação de docentes e avaliar os cursos de formação existentes (mestrado e doutorado). A estrutura desenhada para o sistema UAB ainda possibilita a integração de uma base comum para as IES, como um consórcio nos três níveis de governo (ZUIN, 2006).
Zuin (2006) destaca que a UAB tem uma meta otimista para 2011: 30% dos estudantes brasileiros tendo acesso à formação superior, sendo que em 2006 (ano de lançamento da UAB) a realidade era de apenas 10% dos brasileiros nas universidades.