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6. NBIS-PROSJEKTARKIV

6.5 A NALYSE AV DATA

6.5.4 Skader, boligbygg i hele landet

A psicoterapia breve nasceu do método psicanalítico. Com a sua evolução, no entanto, o método breve começou a expandir-se para outras abordagens, entre elas, para a abordagem Junguiana.

Como ocorreu na Psicanálise, a psicoterapia Junguiana de longa duração ficava restrita a poucos, não atingindo grande parte da população. Deste modo, a aplicação da dinâmica do método da psicoterapia breve na abordagem Junguiana foi fruto da necessidade de se apresentar maior flexibilidade em seu emprego. Mais uma vez, recorrendo a BLOOM, “é breve por necessidade, não por falta” (Bloom, citado por Lemgruber, 1997, p.29).

Hall (1995) referiu que a análise Junguiana encontra-se em processo de enriquecimento e expansão, integrando novas técnicas à visão clássica, sem distanciar-se de seus princípios:

À medida que a análise Junguiana for se tornando um campo mais estável de prática, encontrará aplicações mais amplas em modalidades de tratamento diferentes da abordagem clássica (...) influenciados e orientados pela compreensão da psique fornecida pela análise clássica. (HALL, 1995, p.156)

Termina sua idéia, ressaltando que os analistas Junguianos enriquecem duplamente a prática da psicologia analítica com a inserção de modalidades diferentes da clássica: promovendo maior compreensão da psique e possibilitando que a análise Junguiana seja levada a “uma gama mais ampla de aplicações clínicas.” (p.156)

Encontrar elementos de afinidade entre a psicoterapia breve psicanalítica e a Psicanálise de longa duração é relativamente óbvio, dada a sua origem. Encontrar elementos afins entre a psicoterapia breve e a abordagem Junguiana torna-se mais complexo.

No entanto, um olhar cuidadoso e atento consegue encontrar vários elementos comuns entre as filosofias do método breve e da psicologia Junguiana, tornando a união destas duas modalidades não apenas possível, mas, aconselhável. A seguir, será realizada uma aproximação entre os elementos essenciais da psicoterapia breve psicanalítica e alguns elementos importantes da abordagem

Junguiana, de forma a explicitar a congruência entre os pressupostos dos dois métodos terapêuticos.

7.1 Afinidades entre a psicoterapia breve e a abordagem Junguiana

Melo (1997) observo afinidades entre a postura do terapeuta na a psicoterapia breve e na abordagem Junguiana. Ambos os métodos pressupõem a fundamental importância da qualidade do encontro analítico, propiciam condições para que ele ocorra de forma próxima e calorosa e não se preocupam com as regras de abstinência e neutralidade do terapeuta. Tem-se um terapeuta participativo, mais falante e que se apresenta mais humanizado.

Tanto na psicoterapia Junguiana quanto na breve, como se pode ver, há uma relativa diminuição da distância entre paciente e terapeuta, mantida e promovida pela Psicanálise clássica. Tal padrão verticalizante promotor de uma relação de poder entre ambos é substituído por outro, horizontalizante, no qual a hierarquia é minimizada através de uma parceria, visando o bom andamento do processo terapêutico.

Jacoby (1995) ressaltou que terapeuta e paciente sentam-se proximamente, num interesse mútuo e consciente.

O setting terapêutico Junguiano é frente a frente como na Psicoterapia breve e o contato visual possibilita que o paciente veja o terapeuta, perceba suas reações, ao contrário de quando da presença do divã psicanalítico, no qual o terapeuta se torna uma voz, não é visto. Tal distância facilita a regressão transferencial, o que nem na Psicoterapia breve nem na Junguiana se busca (JACOBY, 1995; MELO, 1997; STEINBERG, 1995).

Em ambos os métodos, procura-se o estabelecimento do rapport e do contrato terapêutico desde o início – acreditando-se numa aliança de trabalho e num tipo de vinculação terapêutica onde o paciente é parte ativa (MELO 1997).

A atividade do paciente a qual pressupões a Psicoterapia breve apresenta- se em perfeita sintonia com o conceito Junguiano de individuação: trata-se de uma jornada solitária. Tal característica decorre da natureza do processo de individuação

que visa, primordialmente, a diferenciação de padrões da psicologia geral coletiva – embora, como meta também contemple a integração com a coletividade (JUNG, 1982 [1934]).

Ninguém, a não ser o próprio indivíduo, pode percorrer sua individuação, o que pede uma postura ativa de confrontação de aspectos internos. Para tal, é fomentada na terapia Junguiana uma relativa independência entre paciente e terapeuta, defendido pela psicoterapia breve, ao contrário da postura psicanalítica tradicional.

A transferência analítica é tratada de modo semelhante na psicoterapia breve e na Junguiana. Em ambas, minimiza-se a importância de processos transferenciais, embora Jung não desvalorize a transferência – considerando-a “um elemento criativo, cujo objetivo é construir um caminho para sair da neurose” (STEINBERG, 1995, P.12).

Não se promove a neurose de transferência e a relação terapêutica é valorizada em seus aspectos do presente. È no encontro e no relacionamento atual entre terapeuta e paciente que se centra o trabalho.

Jacoby (1995) assinalou estes aspectos da relação terapêutica na visão junguiana:

Contrastando com Freud e mais ainda com psicanalistas contemporâneos, Jung dava mais importância às relações humanas na situação analítica do que à transferência e à sua interpretação (p.81).

A proposta de se trabalhar os fenômenos da transferência de forma mais próxima da consciência, conforme propõe a Psicoterapia breve, é ratificada pela psicoterapia Junguiana. Em ambas, o terapeuta trabalha a transferência relacionando seus componentes inconscientes a conteúdos conscientes. Atualiza a transferência com vivências mais próximas da consciência do paciente e a ampliação só ocorre em níveis mais avançados da análise (JACOBY, 1995; STEINBERG, 1995).

O conceito de experiência emocional corretiva (E.E.C.) da psicoterapia breve aproxima-se muito da idéia Junguiana de que a proximidade na relação terapêutica promoveria um temenos analítico dentro do qual se desenvolveria “um sentimento solidário de amizade entre duas pessoas diferentes (...) quando a atitude eu-você é dominante” (JACOBY, 1984, p. 84).

A psicoterapia breve não hesita em integrar o macrocosmo do paciente – seu mundo fora dos limites do setting da análise - como campo para o seu método de ação. O terapeuta indica algumas tarefas para o paciente a fim de propiciar o seu desenvolvimento. Acredita-se que lá fora estão grandes oportunidades de realização de E.E.C., chamadas E.E.Cs extra-analíticas, que estão ao redor do paciente com mais freqüência que na análise semanal. Além disso, após a alta tais oportunidades do meio do paciente continuam a existir (LEMGRUBER, 1987).

Sabe-se que Jung também não tinha receio em determinar algumas tarefas para o paciente realizar fora do contexto analítico – transcrições de sonhos, trabalhos expressivos, etc. Portanto, para ambos os métodos, o setting analítico – embora importantíssimo como o grande temenos da transformação – poderia ser acrescido do macrocosmo do paciente (FADMAN & FRAGER, 1986). Nisto reside uma ampliação do alcance das experiências vitais do paciente, bem como o mobiliza a ser agente no próprio processo analítico.

O método Junguiano ressalta a importância do trabalho com as imagens internas, insistindo na confrontação do ego com tais imagens. O paciente atém-se aos símbolos internos, num movimento de introversão tanto da energia psíquica quanto da sua atenção. Tal centroversão nas imagens facilita a focalização. Conforme assinalou Melo (1997):

A mobilização do processo criativo do indivíduo facilita a agilização e a focalização da psicoterapia, ampliando o campo da consciência e assim, favorecendo o fortalecimento do ego deixando-o mais apto à integração de imagens que anteriormente estavam dissociadas (p.22).

Podemos notar, portanto, várias congruências entre o trabalho proposto pela psicoterapia Junguiana e a psicoterapia breve, justificando, assim, a junção dos dois métodos.

O trabalho criativo característico do método Junguiano apresenta sintonia com a psicoterapia breve. As técnicas Junguianas facilitam a focalização do paciente no conflito, sendo esta uma das premissas básicas do método breve.

CAPÍTULO 8 - AS TÉCNICAS EXPRESSIVAS E A ABORDAGEM