7. ANDRE DATAKILDER
7.2 S PØRREUNDERSØKELSE
7.2.2 Konklusjoner fra Fase 1
O presente capítulo é fruto da experiência clínica da autora do presente trabalho, dentro da qual procura conciliar a utilização das técnicas expressivas Junguianas com a psicoterapia breve.
Para isso, será feita inicialmente uma exploração sobre alguns processos mentais.
9.1 A capacidade de atenção
O método da psicoterapia breve necessita do terapeuta e do paciente um manejo especial da atenção. O fato de ambos terem que despender atenção a uma problemática focal e ao conflito nuclear, simultaneamente, faz com que os estados de atenção flutuante e seletiva se sobreponham e se alternem.
A atenção é o estado de concentração da atividade consciente sobre um determinado objeto. Todo estado de atenção possui direção e foco da consciência. A atenção capacita o ser humano a selecionar, filtrar e organizar as informações e seus significados.
O fluxo da atenção tem como base as propriedades de tenacidade e vigilância. A seletividade mantém a atenção orientada de modo permanente em um sentido. A flutuância é a possibilidade de e desviar a atenção para um novo objeto, especialmente para um estímulo do meio exterior.
Essas duas qualidades da atenção são complementares e opostas. Quanto mais tenacidade sobre um determinado objeto, menos vigilância em relação aos demais estímulos.
9.2 A atenção flutuante e a atenção seletiva em psicoterapia breve
A atenção flutuante é multifocal e vigilante. É necessária ao terapeuta e ao paciente em busca de informações abrangentes e extra-focais. Também é a base da associação livre. A atenção seletiva é exigida para que se dê o trabalho focal, visto que por meio dela ocorre a seleção de informações relevantes e específicas. (LEMGRUBER, 1997)
Na psicoterapia breve terapeuta e paciente, no início de cada sessão, reúnem elementos abrangentes e dispersos, selecionam e focalizam para o trabalho focal. Este pode ser um movimento inconsciente para o paciente – mas intencional para o terapeuta – visto que é parte de sua atuação técnica.
Dada a importância fundamental do trabalho focal no método abreviado, a atenção seletiva é a que mais auxilia o andamento terapêutico.
9.3 Fatores de dispersão da atenção
Como em todo processo terapêutico, encontram-se presentes fatores de dispersão da atenção tanto do terapeuta quanto do paciente. Soma-se à esta dificuldade natural, a necessidade de se lidar constantemente com os estados flutuantes e seletivos de atenção e a demanda focal da atenção – que obriga o paciente a permanecer na área que “mais dói”.
9.4 Fatores de dispersão da atenção focal do paciente
Tendo como base a experiência clínica da autora do presente trabalho, colaboram como fatores de dispersão da atenção focal do paciente: a ansiedade por ter que tocar na “ferida dói” - representada pelo foco; o aumento da resistência pelo desconforto em ter que ficar no foco; dúvidas transferenciais que põem em cheque a
capacidade do terapeuta em auxiliá-lo frente ao desconforto; dúvidas quanto ao sigilo; incapacidade de focalizar (hipoprosexia).
9.5 Fatores de dispersão da atenção focal do terapeuta
Tendo igualmente por base a experiência de consultório, a autora percebe que entre os fatores de dispersão de atenção focal do terapeuta: a identificação inconsciente do terapeuta com o tema focal – que faz com que se evite o foco por ser ansiógeno para ambos, impasse na contratransferência por ter que “poupar” o sofrimento do paciente, insegurança quanto ao seu desempenho na área mais frágil da psique do paciente.
9.6 O auxílio das técnicas expressivas na dispersão da atenção focal
Etimologicamente, “pro-jectar”, verbo transitivo, significa: arremessar; incidir sobre uma área delineada; prolongar; planejar.
As aplicações clínicas das técnicas expressivas podem variar desde avaliações em psicodiagnósticos até como auxiliares na construção do pensamento e na expressão não verbal de emoções e sintomas. Ateremos-nos ao último uso.
9.7 Criar, focalizar e reforçar
Conforme assinalou MELO (1997):
A mobilização do processo criativo do indivíduo facilita a agilização e a focalização da psicoterapia, ampliando o campo da consciência e assim, favorecendo o fortalecimento do ego deixando-o mais apto à integração de imagens que anteriormente estavam dissociadas. (p.22)
A autora ressalta três benefícios fundamentais da aplicação de técnicas expressivas em psicoterapia breve: agilização do tempo; facilidade na focalização do que foi representado; reforço do ego através da produção de algo concreto.
9.8 Criar e confiar
Ammann (2003) apontou que quando o terapeuta é testemunha de um ato criativo, tem-se reforçada a transferência positiva. O terapeuta passa a ser continente de imagens internas até então não vistas, apenas pressentidas.
Sabe-se que manter a transferência positiva é crucial para o andamento terapêutico focalizado e breve.
9.9 Criar, se fazer entender, se motivar
A imagem tem a capacidade de “tirar o conflito de dentro” e expô-lo à compreensão do paciente e do terapeuta, facilitando a comunicação entre eles e o entendimento do conflito. (Gouvêa, 1990)
O paciente se sente “compreendido” e é estimulado a trazer mais e mais conteúdos – alimentado pela sensação de ter em mãos o próprio processo, possibilitando a motivação.
Igualmente já se descreveu o quão essenciais para o andamento da psicoterapia breve são a comunicação e a motivação.
9.10 Criar, concentrar e organizar
O ato de criação demanda concentração, facilitando a atenção seletiva.Ao concentrar-se, o paciente organiza conteúdos e emoções (Gouvêa, 1990).
A organização facilita a focalização e baixa a ansiedade.
Um nível ótimo de ansiedade é benéfico a qualquer tipo de terapia.
9.11 Criar e rever a caminhada
Uma forma de se trabalhar com as produções do paciente é a de rever produções criativas anteriores, usualmente ao final do processo. Tais momentos propiciam uma revivência de sua historicidade na terapia (Ammann, 2003).
Igualmente traz o vislumbre da evolução focal e neurótica e dá a segurança de um caminho evolutivo percorrido
Poder olhar para a trajetória terapêutica e para seu progresso, beneficia seu auto-conceito e a crença em sua capacidade de trabalhar pela própria saúde psíquica.