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4.2. Interfaces with other facilities

4.2.1. The Sjursøya terminal and vessels

Em estudo realizado por Kenrich, Sadalla, Groth e Trost (1990), constatou-se que as mulheres são mais cuidadosas na escolha do parceiro para qualquer tipo de envolvimento, o que não ocorre com os homens, exceto quando há interesse de uma relação para casamento. Asseveram estes autores que, em se tratando de selecionar os atributos importantes do parceiro, a mulher considera características como ser compreensivo, gentil e inteligente.

A este respeito, com base no modelo de investimento parental de Trivers (1972, 1985), o qual indica que as preferências por um parceiro seriam afetadas pela biologia da reprodução, Feingold (1992) realizou uma meta análise com o objetivo de corroborar tais diferenças entre gênero na escolha do parceiro. De acordo com o modelo indicado, as mulheres, por terem um número limitado de descendentes, tenderiam a investir mais fortemente em cada um deles, escolhendo parceiros com capacidade de recursos que pudessem maximizar as possibilidades de sobrevivência de sua prole; já os homens, por poderem engravidar um número grande de mulheres, teriam acentuada atração para o sexo oposto, principalmente em razão de sinais visuais (por exemplo, juventude, atratividade física), que sinalizam a capacidade de reproduzir. Acrescenta-se que, na história da evolução, os homens têm mais interesse na variedade de parceiras sexuais do que as mulheres, assegurando a perpetuação de seus genes.

Neste sentido, Feingold (1992) fez uma busca por estudos com esta temática, utilizando as seguintes palavras-chave: mate selection, dating e interpersonal attraction e,

em seguida, comparando os resultados de homens e mulheres nas preferências dadas em relação a alguns atributos desejáveis mensurados tanto a partir de estudos com questionários quanto por meio de análise de conteúdo de anúncios de parceiro. Os resultados indicaram que, tal como previsto, a partir do modelo de investimento parental, as mulheres pontuaram mais do que os homens em atributos como status socioeconômico e ambição, entretanto, não foram encontradas diferenças entre gênero no que se refere à preferência por características não relacionadas com a sobrevivência dos descendentes, como, por exemplo, senso de humor e personalidade.

Em pesquisa recente, Buss (2007) apresenta algumas considerações importantes a serem ressaltadas quanto à escolha do parceiro e ao gênero. Segundo este autor, para relacionamentos de longa duração, a mulher escolhe o parceiro que demonstra mais recursos para investir nela e em seus filhos, assim como aquele que possua habilidade de protegê-los fisicamente e que mostre um potencial para ser um bom pai.

Hatfield e Sprecher (1996), com base na perspectiva da aprendizagem social, encontraram que os homens priorizaram mais a atratividade física do que as mulheres, enquanto estas enfatizaram atributos como inteligência, ambição, potencial para o sucesso, cuidado e compreensão, mais do que os homens, sendo tais achados também verificados em estudos de base evolucionista (Buss, 1989, 2003). Corroborando tais achados na realidade brasileira, Féres-Carneiro (1997) verificou que na escolha do parceiro a maioria dos homens privilegiou a atração física, enquanto as mulheres majoritariamente valorizaram a capacidade econômica. Resultados semelhantes foram encontrados por Gouveia et al. (2010) em estudo realizado na população geral com idade média de 25 anos, quando verificaram que as mulheres valorizam mais a dimensão social na escolha de um parceiro, enquanto que os homens apreciam em maior medida a aparência física.

Silva et al. (2005) realizaram um estudo no estado do Rio de Janeiro com 225 mulheres entre 31 e 60 anos, a maioria casada ou convivente com companheiro,

procurando conhecer os atributos que estas consideravam importantes para um parceiro ideal. Dentre os atributos que as mulheres não consideraram importantes figuraram a aparência física e a relação sexual. Quanto às características mais importantes, referiram- se ao parceiro ideal como uma pessoa de bom caráter, sincero, fiel, asseado e que dialogue. Seguiram-se a estas respostas, embora em menor proporção, que o parceiro fosse compreensivo, carinhoso, inteligente, trabalhador, que dividisse as tarefas domésticas e que gostasse da vida social. Existem também evidências de que as mulheres do mundo contemporâneo, principalmente aquelas que atuam no mercado de trabalho, demonstram ser mais exigentes com relação ao comportamento masculino, seja na área social, afetiva, sexual ou profissional (Perlin & Diniz, 2005).

Há, porém, características ou atributos que parecem ser comuns para ambos os sexos na busca do parceiro, como amabilidade, inteligência, compreensão, gentileza e estabilidade emocional. Estes parecem funcionar como uma espécie de preditores positivos em relação ao trato com crianças frente ao perigo, práticas de socialização adaptadas e habilidade na percepção de mudanças e tendências ambientais, o que seriam características evoluídas do que seria considerado um “bom” companheiro (a) (Borrione & Lordelo, 2005; Buss, 2003).

Em outro estudo, Buss, Shackelford, Kirkpatrick e Larsen (2001) verificaram se entre as décadas de 1930 a 1990 houve mudanças significativas no que se refere ao que seriam atributos desejáveis em um parceiro. De forma geral, estes autores encontraram que para homens e mulheres parece ter havido um aumento global de 1939 a 1996 na avaliação de atração mútua e amor, educação e inteligência, sociabilidade e boa aparência. Em contraste, parece ter ocorrido uma diminuição geral na avaliação de refinamento, limpeza e castidade, independente do sexo de quem escolhia. Além das mudanças que ocorreram para ambos os sexos, algumas mudanças geracionais pareceram ter sido exclusivas determinado sexo. Nesta direção, para os homens houve aumento global na

valorização por uma formação educacional semelhante a sua e por uma boa perspectiva de situação financeira, enquanto se constatou diminuição global na avaliação de boa cozinheira e empregada doméstica. Por outro lado, para as mulheres houve uma diminuição global na avaliação de ambição e diligência. Talvez um dos achados mais importantes deste estudo tenha sido a convergência entre homens e mulheres em seus valores de acasalamento ao longo das últimas três décadas. Concretamente, os sexos mostram similaridade maior em 1977 e 1984/1985 do que em 1967, com maior convergência sendo identificada em 1996 do que na década anterior.

Ainda com respeito ao estudo supracitado, apesar das mudanças descritas, os homens de 1939-1996 apontaram mais importância do que as mulheres em parceiras que são fisicamente atraentes, e as mulheres indicaram maior importância do que homens em parceiros com boas perspectivas financeiras; estas são diferenças de sexo que parecem transcender culturas e gerações (Buss, 1989). A estabilidade das diferenças de sexo, em conjunto com a relativa convergência entre os sexos nas preferências do companheiro na metade do século passado, sugere o valor de uma abordagem interacionista que integre fatores evolutivos com aqueles culturais.

Diante deste contexto, sugere-se que os critérios adotados por homens e mulheres na escolha do parceiro ideal podem ser diferentes, pois visam objetivos e/ou metas distintos. Mas, seguramente, não são apenas fatores concretos (por exemplo, dinheiro, aparência) que vão determinar a escolha. Mesmo que estes fossem preponderantes, provavelmente a decisão acerca de tais atributos passaria por uma contextualização axiológica, isto é, basear-se-ia em princípios que guiam a ação humana (os valores) e/ou características ou traços de personalidade. A relação entre estes construtos e a escolha por um parceiro é enfatizada no capítulo a seguir.

CAPÍTULO 3. ATRIBUTOS DO PARCEIRO: VALORES E PERSONALIDADE