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valores humanos e traços de personalidade, hipotetizou-se a viabilidade de se pensar em modelos de mediação para explicar a importância dada aos atributos desejáveis do parceiro ideal, tomando em conta os construtos valores humanos e traços de personalidade, buscando comparar os mesmos modelos entre os participantes residentes nas capitais e no interior de cada estado do Nordeste.

Neste sentido, primeiramente, foi formulado um modelo geral de mediação considerando como variáveis independentes os traços de personalidade: abertura à mudança, extroversão, conscienciocidade e amabilidade, com exceção apenas do traço neuroticismo,

uma vez que este não apresentou correlação positiva e significativa com os atributos desejáveis do parceiro em análises anteriores; os valores humanos foram considerados como a variável mediadora, neste caso, incluindo nas análises as subfunções de valores: experimentação, realização, interativa e normativa, não considerando as subfunções existência e suprapessoal, uma vez que estas indicaram correlação positiva e significativa com a maioria dos atributos, não oferecendo, portanto, clareza quanto à que atributos seriam mais desejáveis na escolha do parceiro e; finalmente, tendo como variável dependente os atributos desejáveis do parceiro: afetuosa, atlética, sociável, tradicional e realizada.

Ressalta-se que este mesmo modelo geral de mediação foi testado com os dados da amostra total do Nordeste, bem como com os dados advindos tanto das capitais quanto do interior, através de modelagens por equações estruturais. Frequentemente, a estatística empregada para analisar efeitos de mediação é a regressão hierárquica (Lester, Meglino, & Korsgaard, 2002; Schaubroeck & Lam, 2002, citados por Cheung & Lau, 2007), onde estudos que utilizam esta abordagem têm contado com o teste z de Sobel (1982). Entretanto, existem evidências de que a distribuição do efeito da mediação não é normal (MacKinnon & Dwyer, 1993), e a utilização de um teste de significância, como o indicado, que assume uma distribuição normal quando se examina o efeito de mediação, não seria apropriado.

Considerando o anteriormente comentado, MacKinnon, Lockwood e Williams (2004) têm realizado vários estudos de simulação para examinar a precisão de testes sobre os efeitos de mediação estimados com a abordagem de regressão hierárquica. Mais recentemente, estes mesmos autores examinaram a precisão de intervalos de confiança para o efeito indireto e demonstraram que o viés corrigido por meio do método bootstrap (BC) produz intervalos de confiança mais precisos. Assim, no presente estudo, optou-se por testar os efeitos de mediação entre os construtos investigados tomando em conta modelagens por equações estruturais (SME), efetuadas com o programa estatístico AMOS. A seguir é apresentado o modelo padrão testado das mediações, em que os valores aparecem mediando a relação entre os traços de personalidade e os atributos do parceiro ideal.

Figura 3. Modelo de mediação dos valores entre personalidade e atributos

Primeiramente, este modelo foi testado de forma conjunta, com os cinco fatores de personalidade (abertura à mudança, extroversão, amabilidade, conscienciosidade e neuroticismo), quatro subfunções de valores (experimentação, realização, interativa e normativa) e as cinco dimensões de atributos do parceiro (afetuosa, atlética, sociável, tradicional e realizada). Neste caso, o efeito indireto observado foi de 0,487 com intervalo de confiança de 0,380 a 0,568 sendo este significativo (p < 0,001). Este modelo apresentou índices de bondade de ajuste moderados: GFI = 0,874 e AGFI = 0,815.

Posteriormente, foram testados os modelos individualmente, tendo cada dimensão de atributos desejáveis do parceiro (afetuosa, atlética, sociável, tradicional e realizada) como uma das variáveis dependentes. Os resultados são apresentados na Tabela 25.

Tabela 24. Modelos de mediação dos valores entre traços e atributos no Nordeste.

Hipóteses Relação causal A B Relação causal B C Efeitos indiretos p <

Hipótese 4.1 Abertura à mudança

Experimentação Experimentação Atlética

0,039

(0,030-0,048) 0,001 Hipótese 4.2 Conscienciosidade Realização Realização Realizada (0,031-0,050) 0,041 0,001 Hipótese 4.3 Amabilidade Interativa Interativa Afetuosa 0,072

0,057-0,089) 0,001 Hipótese 4.4 Amabilidade Normativa Normativa Tradicional (0,093-0,117) 0,105 0,001 Hipótese 4.5 Extroversão Interativa Interativa Sociável 0,039

(0,031-0,047) 0,001

A Hipótese 4.1 é confirmada indicando a mediação da subfunção experimentação entre o traço abertura à mudança e a dimensão atlética. Foi verificado que no Nordeste, o efeito indireto foi de 0,039, com intervalo de confiança de 0,030 a 0,048, sendo este significativo (p < 0,001). No que se refere aos dados das capitais, para este modelo o efeito indireto observado foi de 0,033, com intervalo de confiança de 0,021 a 0,048, sendo este significativo (p < 0,001). Quanto aos dados do interior, o efeito indireto foi de 0,047, como intervalo de confiança de 0,032 a 0,065, sendo este significativo (p < 0,001).

A subfunção realização é apontada mediando a relação entre o traço conscienciosidade e a dimensão realizada, o que corrobora a Hipótese 4.2. No Nordeste, verificou-se efeito indireto de 0,041, com intervalo de confiança de 0,031 a 0,050, sendo este significativo (p < 0,001). No que se refere aos dados das capitais, para este modelo o efeito indireto observado foi de 0,046, com intervalo de confiança de 0,030 a 0,063, sendo este significativo (p < 0,001). Quanto aos dados do interior, o efeito indireto foi de 0,034, com intervalo de confiança de 0,020 a 0,051, sendo este significativo (p < 0,001).

Por sua vez, a subfunção interativa mediou a relação entre o traço amabilidade e a dimensão afetuosa, tal como esperado por meio da hipótese 4.3. Esse mesmo modelo foi testado com os dados do nordeste em geral, bem como com os dados da capital e do interior de cada estado. Neste sentido, foi observado que no Nordeste, o efeito indireto foi de 0,072, com intervalo de confiança de 0,057 a 0,089, sendo este significativo (p < 0,001). No que se refere

aos dados das capitais, para este modelo o efeito indireto observado foi de 0,089, como intervalo de confiança de 0,060 a 0,104, sendo este significativo (p < 0,001). Quanto aos dados do interior, o efeito indireto foi de 0,063, com intervalo de confiança de 0,047 a 0,081, sendo este significativo (p < 0,001).

Coerente com a hipótese 4.4, a subfunção normativa mediou a relação entre o traço amabilidade e a dimensão tradicional. Neste caso, o Nordeste apresentou efeito indireto de 0,105, com intervalo de confiança de 0,093 a 0,117, sendo este significativo (p < 0,001). No que se refere aos dados das capitais, para este modelo o efeito indireto observado foi de 0,109, com intervalo de confiança de 0,092 a 0,129, sendo este significativo (p < 0,001). Quanto aos dados do interior, o efeito indireto foi de 0,101, com intervalo de confiança de 0,084 a 0,120, sendo este significativo (p < 0,001).

Finalmente, a subfunção interativa mediou a relação entre o traço extroversão e a dimensão sociável, confirmando a hipótese 4.5. No Nordeste, o efeito indireto foi de 0,039, com intervalo de confiança de 0,031 a 0,047, sendo este significativo (p < 0,001). No que se refere aos dados das capitais, para este modelo o efeito indireto observado foi de 0,036, com intervalo de confiança de 0,025 a 0,049, sendo este significativo (p < 0,001). Quanto aos dados do interior, o efeito indireto foi de 0,040, como intervalo de confiança de 0,029 a 0,052, sendo este significativo (p < 0,001).