4.3. Interfaces with other resources
4.3.2. Facility vs. Business units
Botwin, Buss e Schackelford (1997) buscaram identificar como os traços de personalidade podem influenciar na preferência por parceiros e na satisfação conjugal. Para responder a esta questão, dois estudos paralelos foram conduzidos. O primeiro contou com uma amostra de casais de namorados (118) e outra com parceiros casados (216), utilizando-se o modelo CGF (big five) para avaliar características de personalidade por meio de três fontes de dados: autorrelato, relato do parceiro e relato de entrevistas independentes. O segundo incluiu participantes que responderam a um instrumento com 40 itens, que avaliavam as suas preferências com respeito às características de
personalidade ideal de seus parceiros. Os resultados foram consistentes em ambos os estudos, apontando que os indivíduos diferem nas características que desejam, preferindo parceiros que são semelhantes a si mesmos. Especificamente, as mulheres expressaram maior preferência por homens com uma ampla gama de características de personalidade socialmente desejáveis. Finalmente, as características da personalidade de um parceiro foram preditores da insatisfação conjugal e sexual, a maioria nomeadamente quando o parceiro pontuou menos do que o desejado em amabilidade, estabilidade emocional e abertura à mudança / intelecto.
Nesta mesma direção, Furnhan (2009) realizou pesquisa com 250 participantes, com idade média de 22 anos, os quais descreveram de próprio punho características suas e de seu parceiro ideal. Os resultados indicaram que as características de personalidade dos participantes foram bons preditores da preferência por traços de personalidade dos parceiros, evidenciando a ideia de que as pessoas buscam parceiros com características semelhantes às suas próprias. Segundo Ellis, Abram e Abram (2009), há evidências de que o fator amabilidade, em parte, covaria com inclinações para o compromisso, ou seja, indivíduos com pontuações altas neste fator seriam aqueles que buscam parceiros para relacionamentos duradouros. Ademais, Buss (1989) aponta que as tendências do outro para cooperar, retribuir e empenhar-se em objetivos comuns são preditores centrais dos critérios de seleção de um parceiro para ambos os sexos no contexto de relacionamento em longo prazo.
Apesar das evidências previamente indicadas, parece que os dados quanto às similaridades entre características de personalidade de um casal são inconclusivos, uma vez que Botwin et al., (1997) encontraram que as pessoas unem-se àquelas que possuem características similares às suas, enquanto que autores, como, por exemplo, Klohnen e Mendelson (1998), constataram que as similaridades entre os parceiros não seriam maiores do que o esperado pelo acaso. Além disso, estes autores identificaram que, levando-se em
consideração variáveis como autoestima, encontrou-se que parceiros que demonstravam estar satisfeitos com eles mesmos tendiam mais a se parecer um com o outro do que aqueles que revelavam insatisfação quanto às suas características pessoais. Tal achado forneceria apoio simultâneo às teorias baseadas na similaridade e na complementaridade, visto que a busca por uma ou outra opção dependeria da forma como a pessoa se sente em relação a si mesma.
Ainda no que se refere a estes aspectos, Zentner (2005), em dois estudos desenvolvidos com estudantes universitários que responderam escalas para a avaliação da própria personalidade e das características desejadas em um parceiro, constatou que, embora haja uma tendência pela busca de traços de personalidade semelhantes aos próprios, este desejo por similaridade varia de acordo com as características consideradas e a própria personalidade do indivíduo. Desta forma, alguns tipos de pessoas tenderiam a buscar certas características semelhantes às suas, enquanto que outras priorizariam aspectos complementares no parceiro.
A respeito do anteriormente comentado, Figueiredo, Sefcek e Jones (2006) realizaram dois estudos com estudantes universitários. No primeiro, verificaram a relação entre a personalidade, o sexo e a percepção do parceiro ideal, identificando que, em relação ao sexo, os resultados não apresentaram diferenças. Entretanto, observou-se que os indivíduos buscam um parceiro ideal que compartilha características de personalidade semelhantes às suas próprias, contudo procuram também aqueles que pontuam mais alto em traços de personalidade que evidenciam orientação, sociabilidade e equilíbrio (conscienciosidade, extroversão e baixo neuroticismo, respectivamente). No segundo estudo, investigaram as relações entre a personalidade e o valor de companheiro do próprio participante; e entre o valor de companheiro de um parceiro real e ideal. Os resultados foram na direção daqueles antes descritos, nos quais os indivíduos indicaram como sendo um parceiro ideal aquele que pontua mais que ele próprio em
conscienciosidade, extroversão e amabilidade, e menos em neuroticismo, ocorrendo o mesmo no que se refere à avaliação do parceiro ideal em relação ao real. Assim, percebe- se que, embora os indivíduos relatem preferência por parceiros com tipos específicos de personalidade similares a si mesmos, e no mesmo nível em valor de companheiro, os resultados sugerem que as pessoas manifestam o desejo de se relacionarem com alguém com uma personalidade parecida com a sua, apesar de existirem fatores outros referentes ao valor do companheiro que, na prática, talvez substituam tais preferências.
De maneira geral, Figueiredo et al. (2006) concluem que as pessoas estão a procura de parceiros que sejam semelhantes a elas e ainda que pontuem mais alto que elas próprias em quatro dos CGF (O, C, E e A) e em valor do companheiro, e pontuem menos que elas no traço neuroticismo (N). Ressalta-se, entretanto, que apesar de ser evidente a busca por similaridade de personalidade entre parceiros ideais, ao menos a partir de autorrelatos, na prática ou propriamente vida real, da relação cotidiana, não precisamente os parceiros demonstram personalidades similares.
No que diz respeito ao pressuposto da complementaridade, Markey e Markey (2007), partindo da noção de que esta poderia ser analisada por meio de traços de personalidade, realizaram dois estudos utilizando três modelos diferentes de compreensão da complementaridade: (1) o Modelo de Carson (1969) de complementaridade interpessoal, apontando que indivíduos semelhantes entre si em calorosidade, mas opostos em dominância, seriam mais compatíveis; (2) o Modelo de Wiggins (1979), pressupondo que os indivíduos cujas personalidades ocorrerem de forma prevista pela teoria de troca sociais seriam mais compatíveis; e, finalmente, (3) o Modelo de Similaridade (Bryne, 1971), indicando que indivíduos com personalidades semelhantes seriam os mais compatíveis. Tais modelos foram investigados em três contextos diferentes de relacionamentos românticos: na busca pelo parceiro romântico ideal, na obtenção do parceiro romântico real e na qualidade do relacionamento amoroso entre o casal.
No primeiro estudo, Markey e Markey (2007) buscaram avaliar qual dos diferentes modelos de complementaridade melhor prediria a busca por parceiros românticos ideais, relacionando os traços de personalidade de indivíduos solteiros com os traços de personalidade que eles desejariam como futuros parceiros amorosos. Os resultados indicaram que homens e mulheres solteiros pensaram em seu parceiro romântico ideal como alguém com uma personalidade muito parecida com a deles, apoiando, portanto, o modelo de similaridade. No segundo estudo, estes autores procuraram avaliar as personalidades de casais envolvidos em um relacionamento amoroso por, no mínimo, um ano, a fim de conhecer qual dos modelos seria mais aplicável na obtenção do parceiro romântico e na qualidade do relacionamento. Os resultados indicaram que o modelo de similaridade foi o que melhor descreveu a personalidade dos casais românticos reais. Entretando, verificou-se que embora as pessoas desejem obter parceiros românticos parecidos com elas, os mesmos não são tão semelhantes a si próprios como desejariam. Tais achados podem ter ocorrido porque outros critérios também são relevantes para a obtenção do parceiro, como localização geográfica ou caracteríscas sociodemográficas, por exemplo. Também é possível que as pessoas tendam a estabelecer relações com indivíduos que não sejam o seu ideal porque companheiros desejáveis são um bem raro e, simplesmente, não sendo acessíveis a todos (Botwin, Buss & Schackelford, 1997).
Finalmente, no que se refere à qualidade do relacionamento, esperava-se que os casais que experimentavam níveis altos de qualidade do relacionamento seriam mais complementares em suas características de personalidade do que aqueles que apresentavam níveis baixos. Dos três modelos de complementaridade examinados, apenas o de Carson apoiou esta previsão. Estes resultados sugerem que embora os indivíduos tendam a desejar um parceiro romântico que tenha uma personalidade parecida com a deles, as pessoas que realmente experienciam um relacionamento amoroso e harmônico têm parceiros românticos que são semelhantes a si em algumas características, mas não em
todas. Neste sentido, as díades românticas que experimentavam níveis altos de amor e harmonia estavam propensas a apresentar um dos memdos como mais dominante e o outro mais submisso, do que as díades românticas que apresentavam níveis baixos de amor e harmonia (Markey & Markey, 2007).
Tais resultados corroboram, em certa medida, os previamente descritos com respeito aos relacionamentos interpessoais (Carson, 1969; Sullivan, 1953 citados por Markey & Markey, 2007), sugerindo que quando um indivíduo é capaz de interagir com um parceiro que complementa o seu próprio comportamento, ele ou ela provavelmente experimentará uma sensação de autovalidação e segurança. Isto é baseado na noção de que as pessoas se sentem mais confortáveis interagindo com parceiros que lhes permitem manter o seu próprio estilo preferido de comportamento. Neste sentido, pode-se dizer que enquanto o modelo de similaridade pode explicar as características que as pessoas desejam em um parceiro romântico, os outros modelos de complementaridade podem melhor prever com quem uma pessoa vai realmente iniciar e manter um relacionamento. Indica- se, portanto, que as similaridades entre as pessoas são importantes para a escolha do parceiro, mas também as complementaridades ajudam na manutenção de uma relação amorosa.
Em resumo, os estudos descritos neste capítulo revelam que casais com personalidades e valores semelhantes são identificados como tendo maior satisfação com a vida, melhor relacionamento íntimo e relações mais duradouras (Gaunt, 2006; Robins, Caspi, & Moffit, 2000). Desta forma, verifica-se a importância de estudos que tenham em conta tais construtos na explicação da preferência por atributos desejáveis na escolha de um parceiro, sobretudo considerando diferentes contextos sócioculturais. Neste sentido, o objetivo principal da presente tese foi conhecer como diferenças de gênero, valores humanos e traços de personalidade podem explicar atributos desejáveis de um parceiro
ideal, considerando dados tanto de capitais como interiores da região Nordeste. Com tais propósitos, descrevem-se a seguir os três estudos realizados.
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4. ESTUDO 1. COMPARAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS AFETIVAS E COGNITIVAS ENTRE HOMENS E MULHERES