A necessidade de colaboração tornou-se importante para se acompanhar as mudanças tecnológicas e se alcançar economias de escala e de escopo ou de especialização baseadas na flexibilidade. Além disso, o processo de inovação tornou-se muito dispendioso, já que as firmas, para manterem suas vantagens competitivas, precisam inovar em diversos setores simultaneamente (HAGEDOORN & SCHAKENRAAD, 1992). Este é o caso em especial de setores de ciclo rápido (EISENHARDT, 1989), onde os produtos e processos ficam obsoletos cada vez mais rapidamente.
Analisando amplamente os setores intensivos em tecnologia, essas condicionantes representam uma justificativa essencial das alianças estratégicas formadas nesses campos. Na Tabela 1, apresenta-se o número de motivações para a realização de alianças, relacionado ao desenvolvimento tecnológico, que são Complementaridade tecnológica, Redução do prazo de inovação, P&D fundamental, Mercado: acesso/estrutura e Técnicas para prosseguir a implantação no mercado representam a base de um montante significativo de alianças, enquanto que o número de motivações relacionadas a aspectos de custos totais e incapacidade financeira, que são Custos/Riscos elevados e Falta de recursos financeiros, são muito baixos.
Há que de se considerar também a necessidade de recuperar os custos da inovação no curto prazo em função dos problemas impostos à apropriação do retorno dos investimentos em novos produtos que se tornam obsoletos rapidamente. Daí, mais um elemento importante que explica a necessidade de encontrar parceiros para compartilhar estes custos e riscos, bem como desenvolver novos recursos nas diferentes partes do mundo de forma a explorar as diferentes vantagens competitivas de cada região e, com isso, aumentar a capacidade de concorrência global. Conseqüentemente, as alianças estratégicas são, em termos gerais, meios das firmas avançarem na internacionalização de suas atividades, de diversificarem e complementarem suas competências tecnológicas existentes, principalmente quando se destaca a diferença na distribuição espacial de recursos que afeta a capacidade de geração de inovações, o que
acentua a tendência de especialização na produção de firmas e regiões (Hagedoorn & Schakenraad, 1992).
Como se pode observar na Tabela 1 a seguir o segmento de biotecnologia lidera em motivação de alianças estratégicas
Número
de alianças Custos/ Riscos elevados
Falta de recursos financeiros
Complementaridade
tecnológica Redução do prazo de Inovação
P&D
fundamental Mercado: acesso/ estrutura Técnicas para prosseguir a implantação no mercado Biotecnologia 847 1 13 35 31 10 13 15 Tecnologia de novos materiais 430 1 3 38 32 11 31 16 Tecnologia de Informação 1.660 4 2 33 31 3 38 11 Computadores 198 1 2 28 22 2 51 10 Automação industrial 278 0 3 41 32 4 31 7 Microeletrônica 383 3 3 33 33 5 52 6 Sistemas 344 1 4 38 36 2 24 11 Telecomunicações 366 11 2 28 28 1 35 16 Outras 91 1 0 29 28 2 35 24
Conforme definido por Malerba & Orsenigo (1993), a rede de relacionamentos num sistema setorial de inovação é composta pelo conjunto de agentes direta ou indiretamente envolvidos no processo de geração de conhecimento, incluindo:
1) Empresas:
2) Instituições de ensino 3) Instituições de pesquisa 4) Financiadores
No caso do setor sucroalcooleiro, destaca-se o CTC como uma organização civil, proveniente da COOPERSUCAR, com interesse Público. Atualmente o CTC possui mais de 150 pesquisadores, laboratórios, campos experimentais e uma estrutura que requer investimentos anuais da ordem de R$ 30 milhões, sendo R$ 10 milhões somente para o programa de melhoramento genético.
Por ser uma organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), toda a renda arrecadada pelo CTC, por meio das contribuições anuais das usinas associadas, é revertida na transferência de tecnologia que irá gerar valor agregado para o próprio associado.
Com 141 usinas associadas, a meta da entidade é fechar esta safra, que termina em abril, com 150 associados, o equivalente a 60% de toda a cana moída no Centro-Sul brasileiro. Para isso estão sendo feitos contatos com usineiros de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, além de palestras no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola), outro ator importante no sistema de inovação é a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura de São Paulo, que é composta de seis institutos de pesquisa e 15 pólos regionais. As pesquisas sobre a cultura da cana-de-açúcar são em parte agregadas na programação de P&D em cana-de-açúcar, que deu origem, em 2002, ao Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio da Cana, sediado em Ribeirão-Preto, o qual articula as atividades do programa. A equipe de trabalho, descentralizada nas unidades de pesquisa da APTA (Instituto Agronômico - IAC, Instituto Biológico - IB, Instituto de Economia Agrícola – IEA e Pólos Regionais), atua e forma de rede, mantendo seus membros em constante contato. A interação com outras organizações é complexa incluindo beneficiários como cooperativas de fornecedores de cana, Universidades e a EMBRAPA, dispersos em diversas linhas de atividades, regiões e objetivos. O programa atua em várias áreas de conhecimento
como, melhoramento genético, controle biológico, técnicas de cultivo e manejo, economia, sociologia, estatística e agrometeorologia.
Desta equipe da APTA que figura desde 1933, o IAC desenvolve um programa de melhoramento da cana-de-açúcar. Inicialmente privilegiou o estudo das introduções. No final da década de cinqüenta as primeiras variedades IAC começaram a ser plantadas em São Paulo.
As primeiras fases de seleção são conduzidos nas Estações Experimentais do Centro de Cana em Ribeirão Preto, dos Pólos Regionais de Piracicaba, Jaú, Mococa, Pindorama, Assis, Adamantina e em parceria com a Usina Jalles Machado em Goianésia, no Estado de Goiás. Nas fases seguintes são conduzidos ensaios regionais e estaduais em áreas de Usinas e Destilarias conveniadas, contribuindo assim com o desenvolvimento de clones nas diversas regiões.
No grupo de universidades, participam do sistema paulista a UNICAMP, UNESP e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, uma empresa pública do estado de São Paulo, com desenvolvimento nas áreas de bioquímica de fermentação industrial e serviços de análises laboratoriais de álcool. A Universidade Federal de São Carlos (UFScar) mantém o programa de melhoramento genético no Centro de Ciências Agrárias (CCA) e de tecnologia agroindustrial. A Universidade de São Paulo (USP) passa a incorporar a extinta Faculdade de Engenharia Química de Lorena – FAENQUIL que passou a constituir Escola de Engenharia de Lorena (EEL), que desenvolve pesquisa microbiológica em biotecnologia industrial oferecendo suporte aos processos de fermentação. Outras escolas da USP como a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ têm mantido programas de pesquisa voltados ao setor. O sistema nacional de inovação sucroalcooleiro ainda conta com a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (RIDESA), dando continuidade ao programa de pesquisa em melhoramento genético do Planalsucar, iniciada em 1991, formada por 7 universidades federais com 12 estações experimentais.
No grupo de empresas, podemos citar a Canaviallis, criada por ex-pesquisadores da UFScar que participaram do Programa Nacional de Melhoramento Genético da cana-de-açúcar dentro do Planalsucar do IAA. A empresa desenvolve variedades de cana e implementa o processo de produção nas usinas, desde o diagnóstico até a escolha da variedade, a propagação e a gestão do canavial.
A Canaviallis, juntamente com a Alellyx, são empresas patrocinadas pelo Banco do Grupo Votorantim administradora o fundo de investimento Votorantim Novos Negócios, cujo portfólio é composto por negócios nos setores de ciência da vida e tecnologia da informação.
Outra empresa de destaque é a Dedini é uma empresa privada que possui tecnologia própria para fornecer em regime “chave em mãos” para usinas de Açúcar e Destilarias completas com fabricação própria dos equipamentos e sistemas integrados, desde a recepção, preparo e processamento da cana, extração e tratamento do caldo geração de vapor e co-geração de energia excedente até a produção de álcool e açúcar.