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A teoria neo-institucional busca analisar a eficiência das organizações utilizando o conceito de custo de transação (COASE, 1937). Williamson (1985) definiu os custos de transação como os “custos de funcionamento do sistema econômico”. Entende-se este conceito como os custos relacionados indiretamente com a produção, que surgem a partir do relacionamento entre os agentes, em virtude de problemas de coordenação. Em linhas gerais, afirma-se que tais custos decorrem destes dois condicionantes. Os pressupostos comportamentais são a racionalidade limitada e o oportunismo.

A racionalidade limitada deriva da convicção de que os agentes econômicos, embora tentem pautar suas ações em moldes estritamente racionais, só conseguem fazê-lo de modo parcial, dada a assimetria informacional e a restrita capacidade de processamento das informações. A

assimetria informacional pode inclusive estimular o aparecimento de práticas oportunistas, à medida que um determinado agente, dispondo de alguma informação privilegiada, pode tentar se aproveitar disto como forma de elevar seus ganhos. Depreende-se, pois que o oportunismo está vinculado à noção de que os agentes econômicos buscarão sempre obter o maior ganho possível no decorrer das transações, ainda que isto implique perdas aos demais, admitindo-se mesmo a deflagração de condutas antiéticas.

Na visão de Williamson (1985), os custos de transação envolvem dois grupos: os gerados antes da transação, ex-ante, como a elaboração e negociação dos contratos e a procura e o conhecimento da outra parte contratante; e os custos ex-post, originados após a concretização do negócio, tais como o monitoramento das imposições contratuais, da resolução de conflitos que possam ocorrer e das readaptações que poderão ser necessárias.

Outra contribuição de Williamson foi a definição dos principais atributos de uma transação, que são o grau de especificidade do ativo, a freqüência e a incerteza, sendo a especificidade o atributo mais relevante na determinação dos custos de transação.

Compreende-se que um ativo apresenta especificidade quando seu uso alternativo não pode ser efetuado sem que haja uma perda considerável de seu valor (Williamson, 1985; 1998). Desse modo, quanto maior for a especificidade de um ativo, tanto maior será a possibilidade de ocorrência de custos de transação. Segundo o autor, são seis as condições que conferem especificidade a um determinado ativo: a) localização, nos casos em que a localização próxima de firmas de uma mesma cadeia economiza custos de transporte e armazenagem; b) ativos físicos; c) ativos humanos; d) ativos dedicados, relativos ao montante de investimentos cujo retorno depende da transação com um agente em particular; e) marca; f) ativos temporais, em que o valor de uma transação depende sobretudo do tempo em que esta se processa, aspecto estrutural na negociação de ativos perecíveis.

A freqüência com que uma transação é realizada pode influenciar o estabelecimento de um contrato. Transações mais recorrentes tendem a criar relações de confiança, desestimulando a emergência de práticas oportunistas. Concomitantemente, quanto maior a freqüência, maior o conhecimento constituído acerca da conduta dos agentes, reduzindo a incerteza e, conseqüentemente, os custos de transação, à medida que continuidade da transação passe a ser um evento desejável.

Através das características das transações é possível a mensuração dos custos de transação e, logo, a escolha da estrutura de governança que mais se adéqua em cada circunstância. Estas estruturas são divididas em mercado, hierarquia e formas híbridas, ou contratos (Williamson, 1985; 1996). Custos de transação pouco expressivos usualmente implicam transações realizadas no âmbito do mercado. Ativos com alta especificidade, que por isso tendem a fomentar elevados custos de transação, estimulam sua internalização no interior da organização. Finalmente, as formas híbridas consistem em uma posição intermediária entre o mercado e a hierarquia, sendo a principal estrutura de governança adotada na atualidade. A correlação entre especificidade dos ativos e estruturas de governança é apresentada na Figura 1.

Figura 2- Correlação entre especificidade dos ativos e estruturas de governança. Fonte: Williamson, 1985

A teoria dos custos de transação buscou evidenciar como as redes se comportariam economicamente. Sob essa perspectiva a formação e sucesso das redes podem ser explicados pela ênfase na economia dos custos de transação, ou seja, a redução da ineficiência nas transações da organização com outros atores econômicos. Dessa forma, as redes podem ser consideradas como ótimas formas para reduzir a incerteza e o risco inseridos nas transações econômicas da empresa com o seu ambiente. As principais contribuições surgem a partir dos estudos de Williamson (1985, 1995).

O próprio sistema de organização cooperativista pode ser visto como parte dessa nova visão da economia da firma, já que faz parte do que Coase (1993) chamou de coordenação. A cooperativa pode ser vista como forma de coordenação das relações contratuais, ou seja, uma forma de organização entre seus membros para produção de bens finais. A questão toma outra forma quando a própria cooperativa assume o papel de industrializar a produção dentro da estrutura do SAG, estando na posição de empresa e, ao mesmo tempo, de entidade organizacional. Um Sistema Agroindustrial (SAG) é visto como um conjunto de relações contratuais entre empresas e agentes especializados, cujo objetivo final é disputar o consumidor de determinado produto.

Com a missão de maximizar os rendimentos de seus associados via produção integrada e, ao mesmo tempo, permanecer no mercado (cada vez mais globalizado e competitivo). No papel de empresa, a cooperativa também encontra formas de se organizar, unindo-se em Cooperativas Centrais para produção de algum ativo específico e, ou, racionalizando custos no gerenciamento de algum processo produtivo ou gerencial.