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O foco da teoria evolucionária é na dinâmica, sobretudo a tecnológica, e seus impactos sobre a competição, tendo como referência teórica fundamental a abordagem Schumpeteriana do processo de inovação. Segundo Schumpeter (1985) a inovação é um processo caracterizado pela descontinuidade com o que está estabelecido, englobando cinco casos: novas combinações que são concebidas pela introdução de um novo bem, a introdução de um novo método de produção; a abertura de um novo mercado; a conquista de uma nova fonte de matéria-prima; o estabelecimento de uma nova organização de qualquer indústria, como a criação de uma posição de monopólio.

Destacam-se como evolucionários: NELSON; WINTER (1982) e DOSI (1988), que buscam explicar as bases da teoria evolucionária, apresentando o empreendedor, as rotinas, as habilidades e o aprendizado como fatores impulsionadores da inovação. Ao contrário da economia neoclássica, com a preocupação de caracterizar estados de equilíbrio, a teoria evolucionária surge com a proposta de pensar os processos de mudança na estrutura econômica, dentro de uma abordagem que é: sistêmica e evolucionária (FREEMAN, 1991). Segundo Schumpeter (1985) a inovação é um processo caracterizado pela descontinuidade

com o que está estabelecido, englobando cinco casos: novas combinações que são concebidas pela introdução de um novo bem, a introdução de um novo método de produção; a abertura de um novo mercado; a conquista de uma nova fonte de matéria-prima; o estabelecimento de uma nova organização de qualquer indústria, como a criação de uma posição de monopólio.

A partir dos estudos de Schumpeter, ciência e tecnologia, que pelos padrões da teoria neoclássica apresentavam-se como variáveis exógenas ao sistema econômico, se interiorizam como elementos primordiais do processo de acumulação capitalista. É nessa linha schumpeteriana que se desenvolvem os trabalhos de Dosi (1988) e Nelson e Winter (1982). Segundo Dosi (1988) as inovações implicam em novas soluções técnicas em produtos, processos e organizações, representadas por um processo contínuo de mutações, que dificultam o atingimento de um mesmo e único estado geral de equilíbrio. Ainda de acordo com o autor, a inovação diz respeito à busca, descoberta, experimentação, desenvolvimento, imitação e adoção de novos produtos, processos de produção e formas organizacionais. (DOSI, 1988). Destaca-se na abordagem evolucionária de Nelson e Winter (1982), a visão de firma e o papel das rotinas no comportamento das firmas. Segundo os autores, as firmas são heterogêneas porque nenhum agente é perfeitamente racional e porque apresentam diferentes habilidades, aprendizado e rotinas. A maneira como a rotina funciona na organização pode contribuir para a emergência da inovação, que surge na forma de problemas ou anomalias nas rotinas prevalecentes; a inovação nas rotinas organizacionais consiste, em grande parte, em novas combinações da rotina existente, sendo entendida como um processo incremental. A sobrevivência e o crescimento da firma estão ligados à sua habilidade de aprender como alterar suas rotinas de ação.

Outro conceito fundamental na abordagem evolucionária é o de Sistema Nacional de Inovação. “É um conceito síntese da elaboração neo-schumpeteriana: expressa o complexo arranjo institucional que impulsionando o progresso tecnológico determina a riqueza das nações” (FREEMAN1991).

Este conceito foi se desenvolvendo ao longo do tempo, a partir dos anos 70, estando embasado na noção de que o progresso nos campos da ciência e da tecnologia são essenciais para a competitividade dos atores econômicos. Nos anos 80 e 90 foram desenvolvidos estudos visando desvendar os aspectos centrais envolvidos entre a integração entre Pesquisa e Desenvolvimento, as atividades produtivas e as necessidades do mercado. Neste contexto Lundvall (1992) postula que o Sistema Nacional de Inovação é formado por um conjunto de

agentes e interações em determinado marco de produção, difusão e utilização de novos conhecimentos relacionados a uma área geográfica. Outro ponto essencial a ser discutido refere-se aos aspectos institucionais de inovação. Neste sentido, pode-se afirmar que o Sistema Nacional de Inovação busca a inovação tecnológica através da interação eficaz entre os atores públicos privados conjuntamente com as instituições de ensino.

O conceito de Sistema Nacional de Inovação se desdobra em outros níveis, tais como: Sistemas Setoriais de Inovação, Sistemas Regionais de Inovação, Sistema de Inovação e Sistema de Inovação da Firma.

O conceito de Sistema Setorial de Inovação (SSI) permite obter uma visão multidimensional integrada e dinâmica da inovação em diferentes setores da economia (MALERBA, 2004). O SSI contempla:

• A análise das diferenças e semelhanças da estrutura, organização e limites dos setores;

• A compreensão da forma de trabalho, a dinâmica e transformações entre os setores;

• A identificação dos fatores que afetam a inovação, comercialização, competitividade entre as firmas e países em diferentes setores;

• O desenvolvimento de novas políticas públicas.

Segundo Malerba (2004), os Sistemas Setoriais de Inovação sugerem três dimensões que afetam a geração de novas tecnologias e da inovação, a saber: o conhecimento, os atores/redes e as instituições. Um setor é composto por vários atores que podem ser organizações/firmas (fornecedores, produtores, usuários), indivíduos (clientes, cientistas), instituições (universidades, instituições financeiras, agencias governamentais) e grupos de organizações. Estes agentes são caracterizados por processos de aprendizagem específicos, por competências, objetivos também específicos.

Uma questão importante são os processos pelos quais se dá esse aprendizado e os papéis desempenhados pelos diferentes atores envolvidos. Em decorrência de estruturas heterogêneas os atores se relacionam de várias maneiras. A interação sistemática entre os distintos atores possibilita a troca de conhecimento relevante para a inovação. Estas interações podem ocorrer

de diferentes formas (ex: aliança entre firmas, redes etc...). Os tipos e as estruturas de relacionamentos das redes diferem para cada sistema setorial em função das particularidades de conhecimento, dos processos de aprendizagem, das tecnologias específicas e das demandas. As formas de relacionamento entre instituições nacionais e os sistemas setoriais podem variar de setor para setor na medida em que as instituições nacionais podem desempenhar papeis diferentes em sistemas setoriais específicos. Frequentemente as instituições nacionais favorecem alguns setores específicos em função das prioridades estabelecidas no âmbito de suas políticas de comércio exterior, industrial e de tecnologia.

De acordo com Malerba (2004), esta abordagem foca a inovação em um setor específico, concentra-se dentro dos limites setoriais. “A abordagem dos sistemas setoriais de inovação usa uma visão multidimensional, integrada e dinâmica de setores a fim de analisar a inovação” (MALERBA, 2004).

De acordo com o autor, a noção de SSI “tem origem no conceito de setor, tradicionalmente utilizado na economia industrial” (MALERBA, 2004), em que “um setor é um grupo de atividades unificadas por algum grupo de produtos relacionados e direcionados a uma dada ou emergente demanda e que compartilham uma base de conhecimento comum. As firmas em um dado setor possuem características comuns e, ao mesmo tempo, são heterogêneas” (MALERBA, 2004b: 385).

Franco Malerba define um sistema setorial conforme o parágrafo a seguir:

Assim, um sistema setorial de inovação e produção é composto de um conjunto de produtos novos e estabelecidos para uso específico, e um conjunto de agentes que realizam atividades e interações de mercado e de não-mercado para a criação, produção e venda desses produtos. (…) Os agentes são caracterizados por processos específicos de aprendizagem, competências, crenças, objetivos, estruturas organizacionais e comportamentos. Eles interagem por meio de processos de comunicação, troca, cooperação, competição e comando, e suas interações são moldadas pelas instituições (regras e regulamentos). No decorrer do tempo, os sistemas setoriais existentes são objetos de diversos processos de mudança e de transformação por meio da co-evolução de seus diversos elementos, e novos sistemas setoriais podem emergir (MALERBA, 2004).

O conceito de sistemas de inovação está relacionado, conforme o termo sugere, a ‘sistemas’ – trazendo a idéia de complexidade e multiplicidade de conexões – e à ‘inovação’ – trazendo a idéia de dinamismo e mudanças tecnológicas. A complexidade está relacionada à multiplicidade de atores, às suas características e funções e às conexões existentes, sua intensidade e qualidade. O dinamismo está relacionado às mudanças e às melhorias

tecnológicas, com as quais as firmas se adaptam e se modificam constantemente, buscando a sustentabilidade a longo prazo. É um conceito no qual a característica da localidade e da proximidade física não exerce influências maiores. Sistemas setoriais não possuem limitações geográficas, sendo estudados em termos globais ou em países que possuem destaque no setor.