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2 Material and methods

2.4 Single nucleotide polymorphisms

A RBS é afiliada da Rede Globo em Santa Catarina. O grupo gaúcho chegou ao Estado, em 1979, com a inauguração da TV Catarinense em Florianópolis. Os detalhes desta história constam do item 1.1.4 deste capítulo, que trata especificamente do telejornal RBS Notícias, um dos objetos deste estudo. Importante ressaltar que o grupo RBS não atua sozinho no Estado. Os

telespectadores catarinenses recebem nas suas casas o sinal das principais redes de TV do país. A Rede SC representa o grupo SBT, a TV Barriga Verde retransmite o sinal da Rede Bandeirantes, a Rede Record possui duas emissoras em SC e a Rede TV exibe o sinal, através da Rede TV Sul, uma empresa com emissoras de TV em Santa Catarina e no Paraná.

A Rede SC (SBT) tem quatro emissoras regionais, instaladas nas cidades de Florianópolis, Joinville, Blumenau e Chapecó, com o comando na capital. O proprietário do grupo é o empresário Mário Petrelli, um dos pioneiros na área da Comunicação em Santa Catarina, ex-sócio da primeira emissora do Estado, a TV Coligadas de Blumenau, inaugurada em 1969 (CRUZ, 1996).

A Rede SC (SBT) é o único grupo que ameaça a liderança de audiência da RBS em SC. Na cidade de Blumenau, no horário do meio-dia, o SBT Meio-Dia alcança 27% de audiência contra 42% do Jornal do Almoço. Esse desempenho levou a RBS a abrir mais espaço para o programa feito em Blumenau. O diferencial da Rede SC é que, no meio-dia, o espaço local tem uma hora de duração. O programa começa com o noticiário dia, depois o Esporte e, na seqüência, um quadro dedicado à Comunidade. As notícias do Esporte são ancoradas por um apresentador e um comentarista. Dois Âncoras apresentam as notícias da região. Além deles, há o apresentador do quadro Comunidade, que mostra os problemas do dia-a-dia: a falta de água num bairro, acidentes de trânsito, assaltos, entre outros tipos de ocorrências urbanas.

Em 2006, a Rede SC (SBT) ganhou um novo aliado. O grupo lançou o jornal Notícias do Dia em Florianópolis e Joinville. Com estilo sensacionalista, o periódico é dirigido às classes populares, com edições específicas para cada uma

das cidades. A publicação assemelha-se ao jornal Diário Gaúcho, lançado, em Porto Alegre, pela RBS em 2000. O novo jornal catarinense repete a fórmula do jornal gaúcho, transformando os apresentadores e comentaristas da Rede SC em colunistas do jornal.

O radialista Hélio Costa, que apresenta o SBT Meio-Dia em Florianópolis, assina uma coluna de Polícia no jornal. O jornalista Evandro Saad comanda um programa, voltado aos jovens e, no jornal Notícias do Dia, escreve para o mesmo público. O ex-comentarista político da RBS, Paulo Alceu, é o Âncora do telejornal Rede SC Notícias. No jornal, tem uma coluna sobre os assuntos políticos de Santa Catarina. A edição nº 155, de 10 de setembro, saiu às ruas com 24 páginas e a seguinte manchete: CAVALO É MOTIVO DE HOMICÍDIO EM PALHOÇA. Apesar do estilo sensacionalista, o que podemos esperar é que o jornal traga credibilidade e audiência para Rede SC, para que o grupo tenha força para enfrentar as outras empresas de comunicação que atuam no setor em Santa Catarina.

A Rede Record, controlada pela Igreja Universal, possui três emissoras de TV em Santa Catarina: TV Vale do Itajaí, na cidade de Itajaí; TV Xanxerê, em Xanxerê, e a TV Cultura, em Florianópolis. Segundo Pereira (1992), a Cultura foi a primeira emissora de TV da capital, concedida a um grupo de empresários locais, liderados por Darci Lopes. A sua inauguração ocorreu em 1970. Já a TV Vale entrou no ar em 1986, cuja concessão foi dada três anos antes, ao empresário catarinense Manoel Dillor de Freitas, que, mais tarde, formou o grupo RCE – Rede Catarinense Eldorado. Ainda fazia parte da Rede, a TV Xanxerê, autorizada a operar em 1989 e inaugurada oficialmente em 1991.

Por atingirem significativo contingente populacional, as três emissoras de TV são independentes. O sinal da TV Vale chega a todo Vale do Itajaí e à região Norte do Estado, onde moram 2,5 milhões de catarinenses. A TV Cultura de Florianópolis envia o sinal à Capital e à Região Sul do Estado, atingindo um público estimado de 1,5 milhões de pessoas. Já a TV Xanxerê leva o sinal da Record a todo o Oeste de Santa Catarina, onde há uma população estimada em 850 mil pessoas (KURTH, 2006). Com apenas três emissoras em SC, além de diferenças culturais e regionais, a TV Record tem dificuldade em conquistar audiência local.

A TV Record de Itajaí, por exemplo, enfrenta dificuldades na hora de conquistar a audiência dos telespectadores nos municípios de Joinville e Blumenau. Em Joinville, quando o repórter se apresenta dos lugares, as pessoas dizem: “Ah, o jornal de Itajaí”. Isso porque, o principal telejornal da emissora, o Record em Notícias, que vai ao ar no meio-dia, é produzido e apresentado por pessoas que moram no município. Além do sotaque do litoral, com a pronúncia do “s” e do “r” mais fortes, a maioria das reportagens vem de Itajaí, local que serve de base para a equipe de repórteres. Com tudo isso, os telespectadores das outras cidades se sentem desprestigiados e mudam de canal. Já com a região de Itajaí, parafraseando Dominique Wolton (1996), além do laço social, forma-se um “laço local” entre os espectadores.

A TV Barriga Verde (TVBV) retransmite, a partir de Florianópolis, o sinal da Rede Bandeirantes em Santa Catarina. Seu principal problema refere à falta de emissoras regionais. Até 2005, a TVBV tinha uma emissora de TV em Joaçaba, no meio Oeste catarinense. Mas, em junho daquele ano, a TV foi vendida para o grupo RBS. De acordo com Pereira (1992), a outorga da emissora da capital foi dada em 1979, enquanto o canal de TV, em Joaçaba, foi liberado em 1987 pelo Ministério das

Comunicações. Em 1982, a TVBV foi inaugurada, oficialmente, transmitindo o sinal do SBT. Até 2005, os donos da empresa Perdigão, uma das maiores do Brasil no ramo da agroindústria, eram os acionistas majoritários do sistema Barriga Verde. Depois disso, a TVBV passou a ser dirigida somente pelo empresário Saul Brandalise.

O sinal da TVBV chega ao interior do Estado através de um sistema de repetidoras. Dessa forma, sem emissoras regionais nas principais cidades catarinenses, fica difícil enfrentar a concorrência. O SBT, como já dissemos, conta com emissoras nas cidades mais importantes do Estado. O mesmo ocorre com o grupo RBS, que dispõe de seis emissoras de TV no território catarinense. Para tentar minimizar o problema, a TVBV mantém sucursais em alguns municípios catarinenses, com apenas um repórter e um departamento comercial.

A Rede TV Sul, que exibe o sinal da Rede TV de São Paulo, é o caso mais curioso em Santa Catarina. A empresa possui apenas uma emissora de TV, a TV Planalto, que fica em Lages. No passado, a emissora fazia parte do SCC – Sistema Catarinense de Comunicações, que acabou dando origem à Rede SC, citada anteriormente. Como só tem uma emissora, o sinal da Rede TV chega às outras regiões do Estado, através de estações repetidoras. Por causa disso, os telespectadores de cidades litorâneas, como Itajaí e Florianópolis, assistem no meio- dia, a um telejornal estadual, produzido em Lages, que fica na Serra catarinense. Nesse caso, ocorre, mais uma vez, a falta de identificação. As notícias da Serra não despertam interesse nas pessoas que vivem no Litoral.

Além de não ter emissoras regionais, a Rede TV Sul incorre em outro erro. Exibe programas, produzidos pela Rede TV do Paraná. A maioria é de

colunistas sociais da cidade de Curitiba. E aí fica a pergunta: quais pessoas de Santa Catarina estariam interessadas em saber de fatos/acontecimentos ocorridos, na capital paranaense? Ao insistir neste caminho, a Rede TV Sul desrespeita um dos princípios básicos da Comunicação Regional: estar voltada para o público local. Por outro lado, a emissora acerta, quando transmite os eventos da Festa do Pinhão, em Lages, quando faz o estúdio de Verão em Balneário Camboriú, entre outras coberturas.

Santa Catarina ainda recebe o sinal das duas redes de TV Educativas do país (TVE do RJ e Cultura de SP), através das emissoras educativas locais. De acordo com Fernandes (2003), o Estado conta com cinco emissoras de TV educativa nos seguintes municípios: Itajaí (TV Brasil Esperança), Blumenau (TV Educativa Vale do Itajaí), Rio do Sul (TV Bela Aliança), Florianópolis (TV Cultura) e Balneário Camboriú (TV Panorama). Em 2007, já autorizado pelo Congresso Nacional, deverá entrar no ar mais um canal educativo no Estado: a TV Univali, atingindo as cidades de Itajaí e Navegantes. A emissora, que existe no sistema de TV a cabo desde 2004, será gerenciada pela Universidade do Vale do Itajaí e a programação nacional será do Canal Futura.

O Jornal Nacional (JN) da Rede Globo e o RBS Notícias (RBS N) do grupo RBS são os dois telejornais, que compõem o objeto de estudo desta tese de doutorado. O JN é um dos principais telejornais do país e lidera a audiência no horário. O RBS N ocupa a mesma posição em Santa Catarina. Nos itens seguintes deste trabalho, traçamos um perfil dos dois noticiários.

1.2 Jornal Nacional: o telejornal de maior audiência do