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The Simulation Model For The Pilot Test

In document Silicate injection for IOR (sider 32-48)

1.3 Single Well Injection Pilot

1.3.3 The Simulation Model For The Pilot Test

Estando claro que a práxis tem papel primordial na formação dos mecanismos perceptivos, é interessante saber como esta influência ocorre sobre o indivíduo, ou seja, é necessário o exame do processo cognitivo existente na ocasião da simeose. Schaff parte do conceito marxista de homem cognoscente – ele conhece a realidade na medida em que age sobre a mesma e a transforma – para buscar elementos que possibilitem a identificação de como a práxis determina a percepção:

“... sabemos que a estrutura da percepção sensorial e o modo de articulação do mundo exterior por nossos sentidos dependem de esquemas conceituais adquiridos nos processos cognitivos do mundo...” (1974, p. 182)

“...os conteúdos e os modos da percepção e do conhecimento humanos dependem igualmente do gênero de práxis de que o homem dispõe...” (1974, p.221)

O exame dos trechos de Schaff levam à noção de que, dentro do contexto da práxis, o indivíduo, cognoscente, desenvolve mecanismos não-verbais de diferenciação para assegurar sua existência e sobrevivência. Blikstein adiciona ainda que “para mover-se no tempo e no espaço de sua comunidade, o indivíduo estabelece traços de diferenciação e de identificação, com os quais passa a discriminar, reconhecer e selecionar, por entre os estímulos do universo amorfo e contínuo do “real”, as cores, as formas, as funções, os espaços e os tempos necessários à sua sobrevivência” (1990, p. 60).

Os traços de diferenciação mencionados por Blikstein são essenciais no sentido de compreender o mecanismo de influência da práxis sobre a percepção. Visto que tais traços possuem caráter de discriminação e seleção, eles assumem, dentro do contexto

da práxis, um valor positivo em oposição a um negativo; ou um valor meliorativo frente a um pejorativo. Esse conjunto de valores, por sua vez, forma um conjunto de traços ideológicos, que desencadeia a configuração de “corredores” semânticos, por onde fluem as linhas básicas de significação – as isotopias da cultura de uma comunidade. Conforme descreve Blikstein:

“Em nossa cultura, por exemplo, ‘em pé’ ou ‘vertical’ é um traço de valor meliorativo, enquanto ‘deitado’ ou ‘vertical’ teria, em princípio, um valor pejorativo; a partir de tais traços ideológicos, constituem-se os corredores semânticos ou isotópicos da verticalidade meliorativa vs. horizontalidade pejorativa. Assim, na arquitetura das catedrais góticas, das pirâmides maias ou dos arranha-céus urbanos ocidentais, a verticalidade é um índice evidente da ‘superioridade’ ou da ‘majestade’. Ainda a título de exemplo, vale lembrar outros grandes corredores

isotópicos que recortam o universo de formas, cores e espaços em nossas

comunidades ocidentais: superatividade (meliorativo) / inferatividade (pejorativo),

frontalidade (meliorativo) / posterioridade (pejorativo), retitude (meliorativo) / tortuosidade (pejorativo), dureza (meliorativo) / moleza (pejorativo), branquitude

(meliorativo) / pretidão, negritude (pejorativo) etc.” (1990, p.61)

Os exemplos mencionados por Blikstein são bastante ricos e nos permitem, de imediato, experimentar os efeitos da prática social sobre nossa percepção. Assim, uma pessoa arqueada, é vista como “derrotada”, “desanimada”, mesmo que seu comportamento seja vivaz. Do mesmo modo, quando um indivíduo resolve um problema, é comum dizer algo do tipo “as idéias agora estão mais claras; a coisa antes estava preta”. Tais ícones nos parecem extremamente naturais e impregnados de significado: isso se deve à inclusão dos corredores isotópicos na nossa percepção da realidade, que formam modelos de apreensão perceptiva-cognitiva – os chamados “óculos sociais” – terminologia elaborada por Schaff: “... o indivíduo percebe o mundo e o capta intelectualmente através de ‘óculos sociais...” (1974, p. 223)

Os “óculos sociais”, se examinados, nada mais são que estereótipos do processo perceptivo. É com eles que o indivíduo enxerga a realidade, ou seja, é por meio dos estereótipos que a percepção é influenciada pelas práticas sociais de uma comunidade. Dessa forma, podemos enriquecer a representação esquemática do processo de fabricação da realidade:

Figura 18: A fabricação da realidade: o detalhamento da ação da práxis sobre a percepção (adaptado de BLIKSTEIN, 1990, p. 63)

Entretanto, o modelo não está completo. Após o entendimento do modo de ação das práticas sociais sobre a percepção, faz-se necessária, ainda, uma discussão sobre a formação da práxis. Fiorin coloca uma importante observação a respeito deste ponto, ao dizer que, ao mesmo tempo que a linguagem é determinada pelos fatores sociais e ideológicos, ela também é determinante, pois possui a capacidade de criar uma visão de mundo, na medida em que impõe ao indivíduo uma certa maneira de enxergar a

Referência (Interpretante) Símbolo (Representamen) Referente (Objeto) Realidade Percepto (Peirce) Percepção (Greimas)

Julgamento de Percepção (Peirce)

Percipuum (Peirce)

Prática Social ou Práxis

Lin gu ag em Traços Traços Ideológicos Corredores Isotópicos Estereótipos (“óculos sociais”) Semiose (processo da significação)

realidade, criando a consciência do mesmo. Assim, podemos entender que o componente semântico sofre determinações sociais, porém, possui um papel ativo no processo de aquisição de conhecimento. O autor acrescenta:

“É preciso considerar, quando se diz que a linguagem reflete a realidade (seja seu nível aparente, seja seu nível de essência), que o espírito humano não é passivo e que sua função não consiste apenas em refletir a realidade. Isso significa que o discurso não reflete um representação sensível do mundo, mas uma categorização do mundo, ou seja, uma abstração efetuada pela prática social. A percepção pura não existe. Pelo contrário, certos dados da psicologia autorizam a dizer que a

percepção é guiada pela linguagem. Porque o homem age e transforma a

realidade, não a apreende passivamente... A consciência humana depende, pois, da linguagem assimilada” (2000, p.54, grifo meu).

Esta dependência que a percepção possui em relação à linguagem pode ser entendida também observando o exemplo da experiência passada por Kasper Hauser. Uma vez que seu isolamento anulou-lhe a práxis e os estereótipos, restou-lhe apoiar-se na língua como ferramenta de cognição. Na impossibilidade de capturar a semiose não- verbal – devido à falta de traços ideológicos – o indivíduo é levado a recorrer ao universo verbal para dar forma e compreender a significação escondida. Deste modo, a linguagem passa a atuar sobre a práxis, gerando os traços ideológicos que formam os corredores isotópicos e os estereótipos utilizados para a compreensão da realidade. Assim, quanto mais se avança no processo de socialização, mais difícil é a separação da fronteira entre ambas (BLIKSTEIN, 1990, p.77-80).

Portanto, os conceitos levantados sobre a influência da linguagem sobre a práxis nos leva a concluir que, embora o processo perceptivo-cognitivo de significação dos códigos verbais seja realizada por meio da semiose não-verbal, a consciência da significação existente na práxis apenas pode ser tomada com base nesses códigos

verbais: a linguagem, pois, modela o referente. Há, então, um processo contínuo de realimentação entre linguagem, práxis e estereótipos, o que nos leva a completar o modelo de fabricação da realidade como indica a figura:

Figura 19: A fabricação da realidade: a realimentação entre linguagem, práxis e estereótipos (adaptado de BLIKSTEIN, 1990, p. 81) Referência (Interpretante) Símbolo (Representamen) Referente (Objeto) Realidade Percepto (Peirce) Percepção (Greimas)

Julgamento de Percepção (Peirce)

Percipuum (Peirce)

Prática Social ou Práxis

Lin gu ag em Traços Traços Ideológicos Corredores Isotópicos Estereótipos (“óculos sociais”) Semiose (processo da significação)

Capítulo 5

Valores e Estratégias do Banco Itaú

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