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4. Methodology

4.6 Limitations of the survey

As unidades produtivas da cadeia sucroenergética podem ser chamadas de usinas (quando produzem apenas açúcar), usinas com destilarias anexas (quando produzem açúcar e etanol) ou destilarias autônomas (quando produzem apenas etanol). Até abril de 2010 existiam 426 unidades produtivas no país, sendo 16 usinas, 161 destilarias autônomas e 249 usinas com destilarias anexas (BRASIL, 2010).

Segundo informações da ÚNICA (2009), houve um investimento em torno de US$ 20 bilhões nos últimos cinco anos para a construção de 11 usinas de cana. A ocupação média se situa torno de 2,5% do total de terras aráveis no país (o que equivale a aproximadamente 340 milhões de hectares), ou cerca de 8,7 milhões de hectares destinados ao plantio da cana.

Números mais recentes indicam 434 usinas (ÚNICA, 2012) sendo que, de acordo com a safra 2011/2012, apenas dez estados são responsáveis por 97% do total de cana moída no país, a saber: São Paulo (54%), Minas Gerais (9%), Goiás (8%), Paraná (7%), Mato Grosso do Sul (6%), Alagoas (5%), Pernambuco (3%), Mato Grosso (2%), Paraíba (1%) e Espírito Santo (0,75%), conforme detalhes evidenciados no anexo um.

Após o açúcar e o etanol, surge no início deste século, a energia elétrica, emergindo como um dos principais produtos da cadeia em questão, ainda que comercializada de forma incipiente, frente ao potencial existente.

Conforme Jank afirma (2009, p.A14), “as últimas décadas têm sido marcadas pela geração centralizada de energia elétrica a partir da construção de grandes centrais hidrelétricas, distantes dos principais centros de consumo”. Naturalmente, tal distância costuma demandar altos investimentos visando expansão dos sistemas de transmissão de energia. Em função dessas dificuldades, cada vez mais os países procuram diversificar sua matriz elétrica, reduzindo eventuais riscos associados a uma matriz muito concentrada, como é o caso do “apagão elétrico”, como o que ocorreu em 2001.

Cabe lembrar que, até o início dos anos 1990, o setor elétrico brasileiro estava estruturado em monopólios integrados verticalmente, com geração de energia centralizada e rígidas regras que não contemplavam a comercialização de energia por agentes independentes das concessionárias energéticas. Em meados dos anos 1990, foi criada a figura do produtor independente de eletricidade. Esse fato criou o marco legal que permite a uma usina “vender” eletricidade para o sistema elétrico público. Assim, foram criadas as condições necessárias para a realização de investimentos em plantas eficientes de cogeração de energia, com o intuito de comercializar excedentes de energia elétrica (SOUZA; MACEDO, 2010).

Na realidade, as mudanças ocorridas ao longo da década de 1990 possibilitaram a mudança – ainda que tímida – de um sistema de “geração centralizada” de energia elétrica para um sistema de “geração distribuída” (JANK, 2009).

Antes disso, porém, todas as usinas existentes no país já era autossuficientes em energia, graças à produção de vapor por meio da queima de bagaço da cana em caldeiras, até porque se não fosse pela autossuficiência, ao menos 75% delas não poderia operar, porque não estão conectadas ao grid energético brasileiro (ibid.).

Contudo, segundo Corrêa Neto e Ramón (2002), tal autossuficiência é alcançada por intermédio de processos produtivos de baixa eficiência, os quais se limitam a gerar somente a quantidade de energia necessária para o autossuprimento da usina e/ou destilaria. Além disso,

outro problema é o baixo aproveitamento do potencial do bagaço, como insumo para a cogeração de energia.

Por meio das usinas, há um potencial de geração de cerca de 15.000 MW9 por ano, o que é equivalente a 15% da demanda nacional. Apesar do número expressivo, somente 20% das usinas (menos de 90) comercializam a energia excedente, sendo 54 delas para o Estado de São Paulo e 34 em outros Estados brasileiros (JANK, 2009).

O termo “cogeração” de energia é empregado no setor sucreoenergético porque as usinas precisam de diferentes tipos de energia gerados de forma simultânea: vapor de alta pressão (oriundo da queima do bagaço nas caldeiras) que é utilizado para gerar eletricidade e energia mecânica (utilizada no processo de moagem); além do vapor de baixa pressão, utilizado para atender às necessidades térmicas das usinas (NEVES; CONEJERO, 2010).

Vale destacar que a bioeletricidade produzida com bagaço ocorre justamente nos meses mais secos do ano, ou seja, no caso da região Centro-Sul, que concentra em torno de 88% da cana moída no país, entre abril e novembro, conforme indicado no gráfico seis.

Gráfico 6 – Complementaridade da hidroeletricidade com o setor sucroenergético

Fonte: CASTRO et al; 2010, p.147

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Em 2008, por exemplo, a energia natural afluente (ENA) foi de 80 a 90 GWmédio de janeiro a março, caindo para 30 a 40 GWmédio de junho a novembro. (CASTRO et al, 2010). De fato, a contratação de fontes de energias complementares à geração hídrica, e que ao mesmo tempo, contribuam para a manutenção do perfil limpo da matriz elétrica brasileira pode ser considerada uma alternativa estratégica para o futuro energético brasileiro.

O destaque para a bioeletricidade derivada da cana-de-açúcar ocorre devido a vários fatores, dentre os quais a competitividade em termos de preço e custos. Até final da década de 2000, o excedente de cogeração das usinas era comercializado em torno de R$ 140,00/MWh nos leilões de energia, sendo que os custos variavam conforme o tipo de tecnologia empregada, desde R$ 100,00 até R$ 130,00/MWh (SEABRA; 2008, p. 66).

Vale salientar que as indústrias nacionais reclamam muito do alto preço da energia elétrica, cujo patamar de preço se encontra em torno de R$ 329,00/MWh, sendo o quarto maior no mundo, atrás da Itália, Turquia e República Tcheca (CHIARASTELLI, 2012), apesar de o país ter uma matriz energética de baixo custo, dada a ênfase nas hidrelétricas.

Além dos pontos positivos acima mencionados, em se tratando de bioeletricidade, existe uma expressiva contribuição na redução de emissões de gases de efeito estufa, conforme indicado na tabela cinco.

Tabela 5 – Emissões de gases efeito-estufa por diferentes tipos de fontes

Fontes de Energia Emissão de CO2 (em kg por MWh)

Gás Natural (ciclo aberto) 440 Gás Natural (ciclo combinado) 400

Óleo 550

Carvão 800

Hidroelétrica 25

Eólica 28

Fonte: CASTRO et al; 2010, p.149

Quanto à tecnologia de cogeração, tradicionalmente as usinas utilizam ciclos de contrapressão capazes de garantir apenas o autossuprimento energético da usina. Contudo, mesmo nesse tipo de solução, algumas modificações, dentre as quais se destaca a utilização de caldeiras com maior pressão, permitem atingir um nível de eficiência energético considerável, com a

geração de algo em torno de 40 kWh por tonelada de cana processada (CORRÊA NETO; RAMÓN, 2002).

A tecnologia que hoje é adotada em vários projetos greenfield10 é a tecnologia de extração-

condensação, que permite gerar significativos excedentes de energia elétrica a baixos custos. Essa tecnologia é capaz de produzir até 96 kWh por tonelada de cana processada, dos quais, em média, 80 kWh podem ser exportados. Esses números têm como base apenas a utilização total do bagaço de cana; ao se adicionar o uso da palha não queimada no campo é possível gerar até 200 kWh por tonelada de cana processada (KITAYMA, 2008). O custo de investimento nessa tecnologia é estimado em cerca de R$ 3 mil por kWh instalado. A Tabela seis apresenta dados relativos ao potencial de geração de bioeletricidade no curto, médio e longo prazo, se todas as usinas adotassem a melhor tecnologia.

Tabela 6 – Estimativas do potencial da bioeletricidade sucroenergética

Safra Cana (milhões tons) Potencial de Geração (MW médio) 2012/13 696 9.642 2015/16 829 11.484 2020/21 1038 14.379

Fonte: CASTRO et al, 201011, p.146

Em resumo, a bioeletricidade oriunda da cana apresenta benefícios econômicos e ambientais, além de garantia do suprimento, considerando-se a oportuna descentralização da energia elétrica. Todavia, aparentemente, tais vantagens não estão sendo devidamente reconhecidas pelas atuais regras dos leilões de energia (CASTRO et al, 2010).

Os mesmos autores destacam que, do ponto de vista externo, existem dificuldades relacionadas ao ambiente institucional, como a realização de leilões de energia dedicados a esse tipo de fonte ou limitados a fontes similares; bem como o planejamento da expansão do sistema de transmissão, visando incluir efetivamente a bioeletricidade na matriz de geração energética no Brasil.

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Termo em inglês utilizado para expressar novas unidades industriais

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Estimativas com tecnologia de extra-condensação, aproveitamento de 75% do bagaço e 50% da palha disponíveis.

Seguindo linha similar a dos autores anteriores, Goldemberg (2012), explicita que o problema relacionado ao setor elétrico é agravado por leilões nos quais todas as fontes de energia competem em âmbito nacional. Em muitos empreendimentos, os vencedores dos leilões de energia não estão localizados onde há demanda, como é o caso da energia eólica nos Estados da região Norte do Brasil. No caso das hidrelétricas, a situação não é muito diferente, na medida em que recentemente foram criadas Santo Antônio, em Rondônia e Monte Belo, no Pará, bem distantes dos principais centros consumidores, o que exige altos investimentos em linhas de transmissão.

Como exemplo, a mesma fonte argumenta que, se bem aproveitado, os canaviais da região Centro Sul poderiam produzir tanta energia quanto Belo Monte, o que dá margem para muita reflexão por parte dos gestores na esfera governamental.