6. Conclusion
6.2 Further research
O Grupo São Martinho é um dos mais antigos no país: a plantação de cana surgiu em 1914 e a primeira usina de açúcar do grupo em 1936. Atualmente trata-se de um dos maiores grupos da cadeia sucroenergética do Brasil, com três usinas em operação: São Martinho, localizada no município paulista de Pradópolis (região de Ribeirão Preto), Iracema, situada na cidade de Iracemápolis (região de Limeira, SP), e Boa Vista, em Quirinópolis, a 300 quilômetros de Goiânia, em Goiás. Além das três usinas, o Grupo possui uma unidade para produção de ácido ribonucleico, a Omtek, também localizada em Iracemápolis (GRUPO SÃO MARTINHO, 2011).
As usinas São Martinho e Iracema produzem açúcar e etanol enquanto a Usina Boa Vista é dedicada exclusivamente à produção de etanol. Todas elas geram energia elétrica a partir da queima do bagaço da cana, garantindo autossuficiência e venda do excedente. Já a Omtek é fabricante de derivados de levedura por meio de avançados processos biotecnológicos que atendem, principalmente, os mercados de alimentação humana e animal (Ibid.).
Foram processados na safra 2010/2011 cerca de 13 milhões de toneladas de cana, que resultaram em cerca de 870 mil toneladas de açúcar e aproximadamente 565 mil m³ de etanol.
Nesta mesma safra, a Usina São Martinho bateu o seu próprio recorde de moagem ao registrar 8,4 milhões de toneladas de cana processadas em uma única unidade. Isso fez com que a Usina São Martinho mantivesse o título de maior usina de processamento de cana do mundo. O índice médio de mecanização da colheita do Grupo é de 85%, uma referência no setor, chegando a 100% na Usina Boa Vista. A seguir, a composção acionária do grupo.
Ilustração 29 - Composição acionária do Grupo São Martinho Fonte: GRUPO SÃO MARTINHO, 2011.
O Grupo São Martinho possui cerca de 110.000 hectares de área plantada e é responsável por 3,04% do total de etanol produzido no Brasil. A companhia também responde pela produção de 2,41% do volume total de açúcar feito no País e por 2,20% da cana processada em território nacional (ibid.).
Acompanhando a alta do preço de açúcar no mercado de commodities ao final da década de 2000, a julgar pelos números na tabela a seguir, nas últimas quatro safras a empresa parece ter privilegiado a produção de açúcar, qu subiu em torno de 65%, em detrimento da produção do etanol que se manteve relativamente estável, com uma média em torno de 600 mil m3.
Tabela 16 - Principais produtos do Grupo São Martinho (2007 a 2010) Principais Produtos 2007/2008
abr/07 a mar/08 abr/08 a mar/09 2008/2009 abr/09 a mar/10 2009/2010 abr/10 a dez/10 2010/2011 Cana Processada (milhões de
ton) 10,2 12,0 12,9 13,1
Açúcar (mil ton) 527 555 702 873
Etanol (mil m³) 520 674 594 565
Energia Elétrica (MWh) - 89,4 158,5 163
Fonte:GRUPO SÃO MARTINHO, 2011
No que diz respeito a vocação das usinas, claramente a Usina Boa Vista se dedica à produção de etanol enquanto as demais se dedicam à produção de açúcar.
Tabela 17 - Principais produtos do Grupo São Martinho por usina (safra 2010/11) Dados - Safra 2010/11 (até
dez/2010)
Usina Iracema Usina São Martinho
Usina Boa Vista
Cana Processada (milhões de tons) 2,7 8,4 2,0
Açúcar (mil tons) 219,0 654,4 -
Etanol (mil m³) 77,8 311,5 176,1
Energia Elétrica (MWh) - 28,1 135,1
Fonte:GRUPO SÃO MARTINHO, 2011
Em se tratando dos dados financeiros da empresa, evidencia-se um incremento positivo entre as safras de 2007/2008 e 2010/2011, conforme demonstrado na tabela seguinte.
Tabela 18 - Dados financeiros do Grupo São Martinho (2007 a 2010) Principais Indicadores
(R$ milhões) abr/07 a mar/08 2007/2008 abr/08 a mar/09 2008/2009 abr/09 a mar/10 2009/2010 abr/10 a dez/10 2010/2011
Receita Bruta 787,4 867,6 1.282,1 1.079,2
Receita Líquida 712,4 774,4 1.183,3 1.014,5
Lucro Líquido (48,8) (71,9) 93,2 123,4
EBITDA Ajustado 132,8 189,8 363,6 411,4
Margem EBITDA Ajustada (%) 18,8 24,5 30,7 40,6
Fonte:GRUPO SÃO MARTINHO, 2011
De acordo com a empresa, há três principais componentes estratégicos e um deles é o crescimento da empresa, sejam de forma orgânica, por meio de aquisições, parcerias estratégicas ou, ainda, por meio de novos projetos.
Visando aproveitar a crescente demanda por etanol no Brasil e no mundo, e considerando-se que e empresa operava praticamente no máximo da capacidade nas instalações existentes, a São Martinho construiu uma terceira usina, a Unidade Boa Vista, no município de Quirinópolis (GO), a qual iniciou suas atividades na safra 2008/09; com uma capacidade inicial de 2,25 milhões de tons cana, cujo upgrade previsto para 3,4 milhões deve ocorrer até a safra 2012/2013 com recursos do BNDES. Contudo, o desenho dessa unidade permite novas ampliações, alcançando até sete milhões. Inicialmente, a expectativa é de que essa terceira usina produza somente álcool hidratado, usado como combustível e/ou para fins industriais (BATISTA, 2009).
A unidade Boa Vista era originalmente composta de 90% da S. Martinho e 10% do grupo Mitsubihi, que a vendeu sua parte para a sócia brasileira em 2009, por aproximadamente US$ 14 milhões. Em 2010, a Petrobras adquiriu parte da empresa (ibid.).
A Nova Fronteira, atual dona da Boa Vista, é uma joint venture entre o Grupo São Martinho (51%) e a Petrobrás Biocombustível (49%) formada em Junho de 2010. Na safra 2011/2012, a Usina Boa Vista, que é parte integral da Nova Fronteira, moeu cerca de 2,35 milhões de toneladas de cana e produziu 210 milhões de litros de etanol e 220 mil megawatt/hora de energia excedente, que foram comercializadas para as redes elétricas.
O principal ativo da Nova Fronteira é a Usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis (GO), no valor de R$ 520 milhões, cujo objetivo é se tornar a maior produtora de etanol de cana no mundo. Após tal investimento, da ordem de US$ 70 por tonelada de cana, a capacidade instalada de moagem de cana irá aumentar do atual patamar de 2,35 milhões de toneladas para cerca de oito milhões de toneladas no prazo de três anos, ou seja, até a safra 2014/15. A cana será integralmente convertida na produção de aproximadamente 700 milhões de litros de etanol e 600 mil megawatts/hora de energia elétrica excedente a partir da cogeração. (MAGOSSI, 2011f)
Estima-se que, do investimento total de R$ 520 milhões, cerca de R$ 400 milhões sejam de dívida, basicamente de linhas do BNDES. O restante, em torno de R$ 120 milhões, virá de capital próprio das sócias da Nova Fronteira, além de contar com benefícios do governo de Goiás da ordem de R$ 3 bilhões (ibid.).
O cronograma dos investimentos prevê o aporte de cerca de R$ 180 milhões na safra 2012/13 com a expansão da capacidade instalada da Boa Vista de 3 milhões para 3,4 milhões de cana. Em 2013/14, serão investidos R$ 326 milhões e a capacidade será expandida para quatro milhões de toneladas e; finalmente, em 2014/15, serão realizados mais R$ 15 milhões para totalizar a capacidade de moagem de oito milhões de toneladas. A expectativa é criar três mil novos postos de trabalho diretos e indiretos na região de Quirinópolis até 2014/15 (ibid.).
A Usina Boa Vista está localizada de forma estratégica, próxima do etanolduto que está sendo construído pela Logum, bem como da Rodovia Norte-Sul e de hidrovias que estão sendo construídas pela Transpetro. De acordo com a Petrobras, é possível transportar o etanol produzido para os mercados consumidores do Sudeste via etanolduto ou até o Maranhão via ferrovia e de lá, levá-lo para os mercados do Norte e Nordeste ou para o mercado internacional.
A empresa espera que a Unidade Boa Vista venha a gerar um excedente de eletricidade, que será vendido a terceiros a preço de mercado, visando aumentar a rentabilidade. Destaca-se que bioenergia, derivada da queima do bagaço da cana, não implica custos adicionais, uma vez que é um subproduto da sua produção de álcool. Além disso, é fonte de energia limpa e renovável e complementar à geração de energia no Brasil, predominantemente de origem hidrelétrica.
A Unidade Boa Vista foi projetada para ser altamente automatizada, com grande parte do processo de cultivo e colheita mecanizado, e controle centralizado, o que permitirá à empresa operar com menos colaboradores. Ela é a única empresa que não produz açúcar, toda a cana moída é aproveitada na produção de etanol. É na Usina Boa Vista que está sendo construída uma planta anexa para produção de farneceno em parceria com a Amyris (GRUPO SÃO MARTINHO, 2011).
Outro componente estratégico importante diz respeito à redução de custos operacionais e aumento da eficiência das operações. O Grupo São Martinho pretende continuar e reforçar o aprimoramento da eficiência de suas operações por meio de investimentos adicionais em tecnologia, incluindo processos agrícolas, industriais e logísticos; bem como de tecnologia da informação. Parte desse esforço incluiu elevar o índice de mecanização da Unidade Iracema. Além disso, houve um investimento estratégico nessa unidade que permite a produção de até
70% de açúcar (o máximo era 50%). Também na Usina São Martinho houve um aumento na flexibilidade, saindo de 50 para 55% na produção de açúcar (BATISTA, 2009).
O último componente estratégico sustentado pela empresa diz respeito à expansão da participação da empresa no mercado internacional de açúcar e etanol. O grupo pretende usar sua flexibilidade de produção e a unidade Boa Vista para aproveitar as novas oportunidades de exportação que devem surgir em médio e longo prazo, devido à liberalização das restrições ao comércio e importação que atualmente limitam o acesso a alguns grandes mercados e em decorrência do crescente uso do etanol como combustível alternativo, renovável e limpo, inclusive como aditivo à gasolina (ibid.).