2. Literature review
2.1 Public innovation and citizens` attitude and behavior
2.1.3 Citizens` attitudes and behavior in response to innovation
Dentre os principais produtos da cadeia sucroenergética em nível mundial, destacam-se o açúcar e o etanol, cujos mercados serão analisados de forma mais detalhada na sequencia. A bioenergia, apesar de ser um produto de enorme potencial, ainda não se encontra em um nível de comercialização significativo.
Acompanhando o crescimento vegetativo populacional, a produção de açúcar em nível mundial teve o volume duplicado desde a década de 1970, de cerca de 71 milhões de toneladas de açúcar bruto para, cerca de 130 milhões na virada do século e, finalmente, alcançando em torno de 162 milhões de toneladas na safra 2008 (COSAN, 2011).
Um resumo ao longo de dez anos a respeito dos principais produtores em nível mundial, tanto aqueles que utilizam a cana, como outros insumos (por ex. beterraba, na União Européia), foi elaborado na tabela sete.
O Brasil é o maior produtor de açúcar, com uma participação em torno de 20% da produção mundial. O segundo maior produtor é a União Européia, com cerca de 12%, seguida pela Índia com 10% e China, com uma participação aproximada de 9% da produção.
Tabela 7 - Principais países produtores de açúcar (em 1.000 tons).
Fonte: BRASIL, 2011
De forma similar ao que ocorre no etanol, os maiores consumidores de açúcar do mundo são também os maiores produtores. Estimativas indicam que aproximadamente 70% do açúcar produzido em nível mundial foi consumido pelos maiores produtores de açúcar (BRASIL, 2011).
Tabela 8 - Principais países consumidores de açúcar (em 1.000 tons)
No Brasil, foram consumidas aproximadamente 15 milhões de toneladas na safra 2008/09, conforme demonstrado na tabela 8. O consumo de açúcar no Brasil continua a crescer, principalmente em virtude do aumento no consumo dos produtos industrializados com alto teor de açúcar. Os clientes industriais, os fabricantes de alimentos, principalmente refrigerantes, chocolates e sorvetes, são responsáveis por cerca de 50% do consumo doméstico de açúcar (BASTOS, 2007; COSAN, 2011).
Apesar do expressivo aumento no comércio do açúcar mundial, de 18 milhões de toneladas em 1990 para cerca de 50 milhões de toneladas em 2008/09, o setor permanece altamente controlado e protegido em diversos países por meio de cotas, subsídios e restrições à importação. Tais políticas protecionistas refletem o valor estratégico do açúcar dentro da questão de segurança alimentar, dado o fato de o açúcar ser um ingrediente considerado “chave” em muitos tipos de alimentos, além de ser uma fonte de energia relativamente barata (COSAN, 2011).
Em se tratando de exportação, o Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo, com 20,8 milhões de toneladas (basicamente açúcar bruto e açúcar branco refinado) exportadas na safra 2008/09, o que representa mais de 40% das exportações em nível mundial, avaliadas em aproximadamente US$6,0 bilhões, de acordo com a Secex (Secretaria do Comércio Exterior). Dentre os principais destinos das exportações destacam-se: Rússia, Nigéria, Egito e Arábia Saudita (Ibid.).
No que diz respeito ao mercado do etanol, não obstante o expressivo aumento na produção, especialmente ao longo da primeira década deste século XXI conforme foi observado na tabela um (capítulo introdutório desta pesquisa), e reiterado no gráfico a seguir, trata-se de um mercado ainda em desenvolvimento.
Apesar do aumento de 150% na produção global de etanol, na primeira década de 2000, de cerca de 30 bilhões de litros em 2000, para aproximadamente 80 bilhões de litros em 2010, o mercado de etanol, em nível mundial, ainda é considerado incipiente, frente potencial existente.
Gráfico 7 - Evolução da produção brasileira de etanol (milhões de m3) Fonte: BRASIL, 2011.
Cerca de 70% de todo o etanol produzido em nível mundial é utilizado como combustível. Neste sentido, uma das principais vantagens do etanol, é o fato dele ser muito menos poluente que a gasolina. Trata-se de um combustível limpo e renovável, uma vez que a sua fabricação e queima não aumentam o efeito estufa. Adicionalmente, o alto teor de oxigênio do etanol reduz os níveis das emissões de monóxido de carbono em 25% a 30% em relação aos níveis de monóxido de carbono emitidos com a queima da gasolina, conforme Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Misturas de etanol também reduzem as emissões de hidrocarbonetos, um dos maiores contribuidores para o desgaste da camada de ozônio (COSAN, 2011).
Como um estimulador do teor de octanos no combustível, o etanol pode reduzir em níveis acima de 50% as emissões cancerígenas de benzeno e butano, oriundas do combustível fóssil. A questão da sustentabilidade ambiental, que vem ganhando peso e aderência desde início deste século, contribui para aumentar a consciência sobre a necessidade de redução do consumo mundial de combustíveis fósseis e, simultaneamente, adoção de combustíveis renováveis e menos poluentes, como é o caso do etanol (Ibid.).
Assim como no caso do açúcar, o segmento do etanol também é controlado e protegido em diversos países. Todavia, espera-se haja uma ampliação do acesso aos mercados internacionais de etanol no futuro, devido ao aumento do uso dele como um aditivo da gasolina, principalmente em face dos altos preços do petróleo e aos seus benefícios ambientais.
Nos EUA, o etanol é primariamente comercializado como um aditivo de combustível, visando reduzir as emissões dos veículos nos programas estaduais e federais de combustíveis menos poluentes, além de também ser comercializado como um estimulador do teor de octano para melhorar o desempenho dos veículos. Aproximadamente 94% do volume de etanol produzido nos EUA é utilizado como aditivo de combustível na gasolina, enquanto o restante da produção é utilizado para fins industriais (Ibid.).
Vale destacar que a indústria do etanol como combustível nos EUA está, desde o início do presente século, passando por um crescimento muito expressivo, saindo de um patamar de aproximadamente 6,5 bilhões de litros produzidos em 2000, para quase 50 bilhões de litros de produzidos em 2010, conforme foi verificado na tabela um. A grande mola propulsora desse expressivo aumento é o governo que, por meio de programas federais e estaduais, vem promovendo uma crescente utilização de fontes de energia “limpa” na matriz energética americana.
A Aliança Global de Combustíveis Renováveis, GRFA12 em colaboração com a empresa de consultoria especializada F.O. Licht, finalizou o levantamento anual da previsão de produção de etanol para 2011 e chegou ao número de 88.7 bilhões de litros, substituindo assim a necessidade um milhão de barris de óleo cru em todo o mundo, o que demonstra o crescente impacto que a produção de etanol tem na redução da dependência atual de petróleo. Tal número acima representa um crescimento superior a 3% na produção global comparada ao ano anterior, que alcançou 85.8 bilhões de litros in 2010.
De acordo com Dinneen (2011), presidente da RFA dos EUA (citado por MAGOSSI, 2011a), o custo líquido de produção do etanol dos EUA, em outubro de 2011, estava em torno de US$ 2,35 por galão, o que é equivalente a US$ 0,62 por litro. Considerando-se o dólar a R$ 1,85;
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esse patamar é muito semelhante ao custo brasileiro. De acordo com a mesma fonte, no curto prazo, a UE continuará a ser o principal destino de exportação do etanol americano, em função da Diretiva de Energia Renovável, que requer um determinado percentual de combustível renovável seja usado para transporte rodoviário.
Em 2011, os EUA exportaram cerca de 3,4 bilhões de litros de etanol, sendo quase 1 bilhão para o Brasil. A mesma fonte acima informa que a produção de etanol já se encontra muito próxima do teto máximo de mistura estabelecido pelo governo (10%), mas pondera que a EPA aprovou recentemente um aumento de 15% em alguns veículos, e lembra que existem ainda algumas questões regulatórias que devem ser resolvidas antes que esse novo teto se materialize de forma expressiva.
Não obstante o poder do principal combustível (gasolina) do século XX, que ainda permanece nesta segunda década do século XXI, o etanol tem um mercado potencial extremamente amplo, pois ele pode ser utilizado misturado à gasolina em uma proporção de até 10%, sem que isso requeira grandes alterações nos motores (tipo Otto) dos veículos, no caso do etanol anidro (BNDES; CGEE, 2008).
Outra vantagem incontestável do etanol, especialmente em relação a outros combustíveis alternativos, como é o caso do gás natural veicular, do hidrogênio e da eletricidade, é o aproveitamento da atual rede de distribuição de postos de combustível, ainda que seja necessária uma adequação no número de tanques e bombas, considerando-se o álcool hidratado.
No que diz respeito à cogeração de energia, de acordo com informações da Secretaria de Energia do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2011), a matriz energética em nível mundial se encontra fortemente amparada em produtos não renováveis, caso do petróleo e do carvão, sendo que as fontes de energia renovável representam, grosso modo, somente 13%.
No Brasil, a situação é bastante diferente, uma vez que as fontes de energia renovável representam quase metade de toda a energia, e no Estado de São Paulo, onde está concentrada a maior parte das usinas e destilarias da cadeia sucroenergética, esse percentual é ainda maior, quase 60%, conforme pode ser observado na ilustração seguinte.
Ilustração 21 – Energia renovável no Mundo, Brasil e São Paulo Fonte: SÃO PAULO, 2011
Considerando-se somente a oferta de energia do setor sucronergético, em 2010 o segmento gerava o equivalente a 2.565 MWmédios, sendo que a oferta potencial para 2035 é de 17.232 MWmédios (ibid.)
Considerando-se questões ambientais e o nível de investimento exigido, é cada vez mais difícil regularizar a oferta de energia apenas com grandes reservatórios hídricos, modelo de fornecimento de enrgia que predominou nas últimas décadas do século XX. Sendo assim, a tendência é de haver uma dificuldade cada vez maior para atender a crescente demanda energética, especialmente no período seco, que é justamente o período onde a cogeração de energia poderia fazer uma grande diferença, em cada uma das principais regiões de colheita de cana no país.
A contratação de geração complementar ao parque hídrico vem privilegiando as termoelétricas movidas a combustíveis fósseis que, em teoria, têm custos fixos baixos e custos variáveis de geração elevados, justamente em função dos altos custos dos combustíveis fósseis. Vale salientar que a lógica da contratação dessas usinas é para back-up do sistema, em caso de falha nas hidrelétricas. Entretanto, com a perda da capacidade de regularização dos reservatórios hídricos, a frequência de utilização dessas térmicas tende a ser maior do que a estimada originalmente, particularmente durante o período seco do ano, o que torna o custo operacional dessa alternativa relativamente alto (CASTRO et al, 2010).