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3.2 P ETROGRAPHICAL D ESCRIPTIONS

3.2.2 Siliciclastic Metasedimentary Rocks

Ainda aos 10 anos, Rodrigo começou a trabalhar como servente de pedreiro. Por causa de sua mudança para Goiás, “perdeu um ano na escola”, mas voltou a estudar no ano seguinte e a partir daí, sem deixar de freqüentar a escola, trabalhava, azudando em obras perto de sua casa. Ao mesmo tempo auxiliava um colega a arrancar e plantar grama, apartava vacas para ordenha e tirava cascalho de rio. Conta com orgulho que o trabalho era pesado e que sofria para conseguir fazer o mesmo que trabalhadores adultos faziam.

[...] Eu chorava fazendo isso [retirada de cascalho], porque era muito pequeno e não agüentava o peso. Tinha homens adultos que faziam isso. A gente enchia as latas, punha no carrinho de mão e tinha que subir uma ladeirinha para colocar o cascalho no lugar aonde o caminhão vinha pegar. Eu chorava, mas tinha que acompanhar os caras, senão, eu não recebia.

Por volta dos 12 anos, foi trabalhar num depósito de material de construção onde alguns de seus irmãos trabalhavam. Enquanto eles dirigiam, Rodrigo os azudava a carregar os caminhões. Foi nesse depósito que ele aprendeu a dirigir, aos 14 anos.

Nesse depósito tinha uma área muito grande e, às vezes, precisava carregar um pouco de areia [num local] e um pouco de brita [em outro local]. Aí, ficava eu e um outro rapaz carregando o caminhão. Meu irmão [dizia]: ‘na hora que você terminar de carregar o caminhão, encosta ali para carregar o resto’. Aí, ele saía pra lá. Como a área era muito grande, eu pegava o caminhão e ia aprendendo. Ia treinando naquela área. De vez em quando, eu saía. Naquela época, a fiscalização era mais tranqüila. [Ficava] no bairro mesmo. Ele [o irmão] do meu lado. Eu ia dirigindo e a gente ia fazendo as entregas. E assim, eu fui aprendendo.

Entre os 14 e 15 anos, alguns de seus irmãos montaram uma oficina de lanternagem e pintura, chamando-o para tomar conta. “Tinham os profissionais

qualificados, mas tinha que ter alguém de confiança para tomar conta da oficina”. Ele diz que ficava “..tomando conta, gerenciando e aprendendo também. Aprendi muita coisa de oficina de lanternagem e pintura... Solda. Aprendi muita coisa.”

Antes de completar 16 anos, teve seu primeiro trabalho com carteira assinada, como offite-boy na Secretaria de Estado de Planezamento, onde ficou até os 17 anos. Rodrigo revela que seus chefes na Secretaria gostavam muito dele e conseguiram um artifício para mantê-lo trabalhando lá depois que completasse 18 anos, mas ele precisava sair: a namorada engravidou. “Estavam gostando de mim, mas eu precisava sair. A namorada estava grávida e eu tinha que sair para receber meu acerto, para comprar berço, fogão e a cama. Aí, eu saí da Secretaria de Planezamento e parei de estudar”.

Ele então se casou e começou, a partir deste momento, a trabalhar em tempo integral, só retomando os estudos dez anos mais tarde, quando conseguiu concluir o 2° grau. Voltou a trabalhar na oficina do irmão durante algum tempo (não sabe precisar quanto). Nessa época, chegou a ter 3 trabalhos simultâneos, porque, como nos conta, “[...] ganhava muito pouco em cada um deles, tinha que ter vários para sobreviver. Trabalhava dia e noite!” Durante o dia, começou a trabalhar com limpeza e manutenção de piscinas, como o restante de seus irmãos. “Minha família quase toda mexe com isso. Meus irmãos. Mexem com limpeza e tratamento de piscinas. São bem estáveis nessa área.”. Nas noites, de segunda à sexta, gerenciava uma lanchonete que vendia sanduíches. Nos sábados e domingos à noite, vendia cachorro-quente com um carrinho emprestado.

Ele reconhece que não tinha profissão fixa, mudando quando aparecia uma oportunidade melhor, mas conta com orgulho que se adaptava facilmente, “... tudo que eu pego para fazer, eu aprendo rápido”.

Rodrigo revela sua crença de que todas as pessoas são capazes de aprender tudo, e se dá como exemplo, contando que participou da construção da própria casa. Gastou muito durante a construção e, no final, ficou com pouco dinheiro para o acabamento, resolvendo fazer ele mesmo o reboco. Nunca havia feito isto antes, então, tirou férias, procurou uns colegas que o ensinaram o básico e decidiu fazer uma experiência...

[...] eu aprendi a rebocar e reboquei um pedaço pequeno da parede. Aí, chamei minha mulher e disse para ela que tinha chamado um pedreiro e que ele havia feito aquela amostra. Perguntei o que ela achava. Ela disse que estava muito bom e que eu podia contratá-lo. Aí, contei para ela que era eu mesmo que tinha feito. Reboquei a casa toda.

Depois desta fase, ainda teve uma rápida passagem por um hotel, onde trabalhou como mensageiro e por uma loza de roupas femininas, trabalhando como vendedor.

Ele esclarece que somente em 1993 tirou sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), pois, “[...] não tinha necessidade de carteira, até então. Eu não me preocupei em tirar com 18 anos. Eu trabalhava na lanchonete e não dirigia.”.

Em 1994, quando completou 21 anos, um de seus irmãos mais velhos comprou um táxi, e como era aposentado, colocou o veículo e a licença em nome de Rodrigo. Ele diz: “[...] meu irmão, de novo! Um dos mais velhos. Ele colocou o táxi no meu nome porque era aposentado e não ia mexer. Eu fiquei nesse táxi um bom tempo.” Revelou ainda que naquela época, faltavam táxis em Belo Horizonte e ele trabalhava

muitas horas seguidas, “[...] rodava dia e noite. Minhas pernas desciam até ‘doces’ do carro”.

Desde então, Rodrigo trabalhou dirigindo o taxi, fazendo entregas de caminhão e como motorista executivo em uma multinacional.

Ao ser novamente confrontado com sua frequente mudança de trabalho, desabafa: “[...] minha vida foi muito sofrida desde cedo. Eu casei muito cedo, tive uma filha, depois um filho. Tinha que sustentá-los”.

Esclarece que, apesar deste sofrimento ligado às dificuldades materiais durante a infância, ele, os pais e os irmãos, encontraram através do trabalho a superação destas dificuldades.

Hoze eu fico feliz de ver os meus pais como estão, sabe? Minha mãe e meu pai conseguiram uma boa aposentadoria. Os irmãos estão todos bem. Todo mundo pobre, mas todo mundo bem. Todo mundo tem casa, não mora de aluguel. Todo mundo, sabe? Acho que a felicidade não está nas posses, sabe? Está muito além disso.