1 INTRODUCTION
1.1 G EOLOGICAL B ACKGROUND
1.1.3 Geological Evolution of the Helgeland Nappe Complex
Como zá foi mencionado, ao mesmo tempo em que foi realizado o levantamento documental, foram conduzidas observações do trabalho das equipes de bombeiros que trabalham atendendo ocorrências nos batalhões da RMBH. A simultaneidade destes dois procedimentos observou o movimento característico do método de trabalho adotado, que se caracteriza pelo “ir e vir” constante entre os resultados obtidos com os diferentes procedimentos, buscando com isto uma compreensão mais ampla do obzeto estudado (LIMA, 2002a).
As observações foram realizadas em duplas e trios14, integrados por estudantes de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que cursavam o estágio curricular em Saúde Mental & Trabalho, sob a orientação da
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A definição de duplas ou trios se deu a partir do número de estagiários disponível para realizar observação em cada unidade.
professora Maria Elizabeth Antunes Lima. Foram observadas as Prontidões de Incêndio dos três batalhões da RMBH e seus postos avançados, no período de março a dezembro de 2008.
Não foi desenvolvido um roteiro prévio para a realização das observações, respeitando-se um posicionamento ontológico, em que os pesquisadores, despidos de pautas e guias pré-estabelecidos, se aproximam da realidade de trabalho, com o propósito de desvendá-la e conhecê-la, partindo do direcionamento dado pelos próprios suzeitos. Assim, eles estabelecem os critérios de observação no próprio contexto em que esta se efetiva, e se mantém abertos para as variabilidades e características imprevisíveis dessa realidade.
Seguindo os moldes de uma ação ergonômica, que decorre geralmente de uma demanda e tem como um dos aspectos essenciais da condução de seu processo, o trabalho de análise e reformulação dessa demanda, a partir da explicitação de sua enunciação inicial, foram realizadas, em cada batalhão, reuniões com os integrantes de cada uma de suas três alas operacionais, para apresentar a solicitação desta investigação, os estagiários e ouvir as impressões iniciais de seus integrantes em relação ao estudo dos acidentes, conforme requisitado pelo comando (GUÉRIN, 2001).
Durante estas reuniões, os participantes expressaram a mesma percepção externalizada anteriormente pelo comandante operacional: que o aumento do número de acidentes com viaturas operacionais era excessivo e significativo; contudo, diferentemente do comando, não associavam isto diretamente ao comportamento do condutor, e sim, a uma série de problemas relativos ao contexto de trabalho, ressaltando a redução no efetivo, o aumento do número de ocorrências e as condições cada vez mais tumultuadas do trânsito da RMBH.
Foi ainda no decorrer destas reuniões, que os bombeiros falaram sobre a pertinência da pesquisa, mas expressando, ao mesmo tempo, suas ressalvas quanto à perspectiva de que os resultados obtidos pudessem implicar em mudanças concretas da realidade de seu trabalho. Também externalizaram seu receio quanto ao sigilo das informações, temendo sofrer retaliações em decorrência do que viessem a dizer. Foi necessário esclarecer os obzetivos do estudo, algumas características teórico- metodológicas que nortearam o trabalho de pesquisa e, principalmente, assegurar uma conduta ética no manuseio de todas as informações obtidas, garantindo o sigilo.
A seguir, os pesquisadores iniciaram as atividades de observação, permanecendo durante um mês limitados ao acompanhamento das atividades desenvolvidas dentro do perímetro da Prontidão de Incêndio das unidades e, somente depois de familiarizados com os procedimentos rotineiros de trabalho operacional, passaram a observar as ocorrências de bombeiros, em diversos locais da RMBH.
Durante este período inicial, os observadores receberam instruções sobre as diversas ações de bombeiros, seus equipamentos, procedimentos e foram orientados sobre como deveriam proceder quando acompanhassem in loto as ocorrências. Este “treinamento” foi realizado pelos próprios integrantes das alas operacionais, por iniciativa deles, com conteúdo determinado a partir de suas experiências cotidianas. Um exemplo desta preparação preliminar foi a definição, acatando a sugestão dos próprios bombeiros, de que os estagiários, durante o período em que estivessem acompanhando as atividades (externas, bem como as internas), deveriam vestir um uniforme composto por tênis, camiseta vermelha e calças zeans, que facilitasse seu reconhecimento pelos membros das guarnições de bombeiros durante as ocorrências e, no período de sua permanência nas unidades, permitiria sua identificação como sendo legítimos frequentadores das
instalações dos quartéis (os próprios bombeiros usam apenas camisetas vermelhas quando estão dentro do quartel).
Os pesquisadores, quando chegavam às unidades para realização das observações, apresentavam-se à sentinela e ao chefe do serviço para verificar se havia alguma recomendação ou restrição específica para realização das atividades. Esta determinação tinha por obzetivo garantir a segurança dos observadores, uma vez que as atividades de bombeiro envolvem diversos riscos, tais como a exposição a altas temperaturas, a locais inseguros, com riscos de contaminação, dentre outros. Também tinha por obzetivo assegurar que a presença dos estagiários não comprometeria a prestação dos serviços de socorro e salvamento à comunidade.
Uma vez liberados pelo chefe do serviço, os estagiários interagiam livremente com os bombeiros que estivessem de prontidão. Durante esta interação, interpelavam diretamente os integrantes das equipes, solicitando permissão para acompanhá-los no atendimento das ocorrências. Quando todos os integrantes da guarnição concordavam, assim que a equipe era acionada, embarcavam na viatura e acompanhavam os atendimentos. Em todos os momentos, fosse no interior do quartel, ao observar o acionamento das guarnições, durante os deslocamentos, os atendimentos e os intervalos, eram feitas anotações sobre as mais variadas impressões referentes à realidade de trabalho desses profissionais, como por exemplo: tipos e características da ocorrência, do veículo, do trazeto, as condições do deslocamento, o trânsito, as informações sobre o local de destino, a interação entre os integrantes da equipe, assim como suas interações com o Centro de Operações, com a(s) vítima(s), familiares, curiosos, profissionais de saúde e outros motoristas no trânsito.
As duplas e os trios mantiveram-se constantes, realizando suas observações sempre na mesma unidade e, na medida do possível, foi mantida uma mesma dupla ou
trio acompanhando cada ala, com o intuito de favorecer o estabelecimento de um vínculo de confiança, que contribuísse para a aceitação do acompanhamento e facilitasse a obtenção de informações. À medida que os estagiários começaram a comparecer aos quartéis com regularidade, tendo sua conduta observada, os bombeiros e, em especial os motoristas, tornaram-se mais confiantes, mas, ainda assim, a equipe zulgou prudente manter as atividades durante o período de férias escolares, visando preservar o vínculo de trabalho construído ao longo do primeiro semestre letivo.
Tendo em conta que a atividade de bombeiro acontece ininterruptamente, em regime de plantão, as observações foram realizadas em diferentes dias da semana e durante períodos do dia variados, não havendo delimitação rigorosa de intervalos pré- determinados, respeitando-se as particularidades das características do trabalho dos bombeiros. Por exemplo, em situações de pouca demanda de ocorrências ou quando havia um longo intervalo entre elas, era possível encerrar a observação num horário específico. Outras vezes, em virtude de grande demanda de atendimentos, ou mesmo em face das condições do efetivo disponível, uma vez acionada, a guarnição poderia atender a várias ocorrências continuamente, sem conseguir retornar ao quartel, ficando difícil encerrar a observação num horário pré-determinado.
Ainda como partes desta etapa, foram realizadas reuniões de devolução de dados com os integrantes das três alas de cada batalhão, visando manter a transparência dos procedimentos, e submeter os dados coletados ao escrutínio dos próprios trabalhadores para fins de validação ou de reformulação.
Também ficou clara, a partir das informações coletadas durante as observações, a importância da interface existente entre a atividade de atendimento, triagem e despacho realizada pelos integrantes do COBOM, o que levou à realização de
duas visitas ao Centro de Operações para conhecer e compreender mais detalhadamente sua atividade e suas repercussões na atuação das guarnições operacionais de bombeiros.
Os resultados obtidos a partir do levantamento documental, das reuniões iniciais, dos relatórios das observações, da transcrição das reuniões de devolução e do relatório das visitas ao COBOM, forneceram uma vasta gama de informações sobre o cotidiano de trabalho dos motoristas, descritas a seguir.
Para organizar a exposição, estas informações foram agrupadas em oito categorias: a zornada de trabalho; o revezamento informal e os problemas com o efetivo; as folgas; as condições materiais e o ambiente de trabalho; o conteúdo do trabalho e suas atribuições, os atores do trabalho em emergências; o trânsito e a compreensão dos acidentes. É importante frisar que não foi realizado nenhum registro de frequência do conteúdo das observações, pois não é pretensão deste trabalho realizar uma análise desse tipo.