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Sildefisket ved Shetland 1907

In document FlSI{HRIHP FOR (sider 75-82)

A criança 10 é uma menina de oito anos e está internada devido a uma crise falciforme. Já foi internada três vezes só nesse hospital. Estava acompanhada pela mãe, e ambas concordaram em participar da pesquisa e disseram ter gostado da proposta do trabalho.

Esta é uma cliente que já foi internada no mesmo hospital por duas vezes anteriormente.

A mãe ainda acrescentou que a filha adora ir ao jardim do hospital e que sempre vai para lá quando pode. Disse que quando não sabe onde a filha está vai para o jardim porque tem certeza que foi para lá que ela foi.

10.1) Entrevista Semi-estruturada:

Na entrevista, ao ser perguntada sobre o motivo da internação, a criança 10 diz que está com pneumonia e a mãe acrescenta que os médicos disseram que era uma crise falciforme.

Ela relatou que já esteve em outros hospitais além deste, e que já esteve neste outras vezes também. Para ela, esse não era diferente, mas tinha mais brinquedos que nos outros não tinham e que por isso esse era mais legal que os outros. A variedade de brinquedos parece ser importante para ela, pois já era a terceira internação naquele mesmo hospital e possivelmente já conhecia grande parte dos brinquedos disponíveis.

Sobre o lugar preferido dela, a criança 10 disse que era ali no sexto andar mesmo, porque tinha a salinha (de recreação) e o quarto dela no mesmo andar. Disse que já foi no quarto que tem neném e na primeira pediatria também.

Disse que na sala de recreação faz muitos desenhos, diz que isso é o que ela mais faz na sala de recreação, mas brinca com tudo que tem lá. A criança 10 diz que não sabe se desenhar ajuda a melhorar de saúde.

Ao iniciarmos as perguntas referentes ao jardim fica mais ativa, andando pelo quarto enquanto responde as perguntas. Disse que sempre que pode vai ao jardim, todos os dias. Disse também que gostou quando levou uma boneca num carrinho e ficou

passeando com ela lá, mas que só fez isso uma vez e gostaria de levar novamente um dia.

Sobre a possibilidade de fazer mudanças no jardim, disse que não tem nada que ela tiraria de lá. Disse que gosta muito de ir e sempre se sente bem. Sobre o que colocaria, se pudesse, disse que queria mais brinquedos de parque e que colocaria uma balança.

A criança 10 estava aparentemente feliz e saudável, é uma menina agitada, desde o começo da entrevista, enquanto respondia as perguntas, levantava e sentava várias vezes, e também andava pelo quarto e passava em volta da pesquisadora. Olhava para o gravador várias vezes, como se quisesse mexer nele, mas não o fez.

A entrevista já estava encerrada, mas ainda era necessário marcar com a paciente a observação no jardim. No entanto entrou uma enfermeira para trocar o curativo dela, pois a veia havia sido perdida.

A pesquisadora ficou aguardando, sentada ao lado da mãe, porém, ao iniciar o curativo, a criança 10 começou a chorar copiosamente. Balançava os braços sem parar, prejudicando o trabalho da enfermeira. A mãe tentou acalmá-la, pedindo que ficasse tranqüila e quieta, sem se mexer, ou seria ainda pior. Ela parou de se mexer, mas não parou de chorar. A mãe uso a ida ao jardim para tentar acalmá-la, dizendo que assim que arrumassem tudo ela iria ao jardim brincar. No entanto a enfermeira pediu que ficasse um pouco no quarto para repouso.

A enfermeira terminou o curativo e retirou-se do quarto, mas ela ainda estava nervosa. Quando ela se acalmou, a pesquisadora se aproximou e foi perguntado a sobre o melhor horário para se fazer a observação no jardim. Ela disse que gosta de ir sempre, em qualquer horário, mas que gosta mais de ir a tarde. A mãe pediu que fosse no dia seguinte e ela concordou.

10.2) Observação no jardim do hospital:

Conforme foi combinado, no dia seguinte, às 16 horas, iniciou-se a observação no jardim.

A criança chegou junto da mãe no jardim. A mãe ficou parada no portão de entrada observando a filha brincar. Não saiu de lá em momento algum.

Figura 11: Mapeamento da criança10 no jardim do hospital no período de observação.

A criança levou uma boneca para o jardim. Andou até o canteiro de flores em frente a entrada, devagar andava e cheirava as flores e colocava a boneca para cheirá- las também. Cheirar as flores pareceu reforçador. Apesar de não relatar nada nesse momento verbalmente, fazia como que a boneca estivesse as cheirando também.

Depois foi andando pelo centro do jardim até a casa pintada na parede e sentou-se no chão com a boneca em frente a umas flores que estavam próximas à parede.

Ali ficou por alguns minutos brincando com a boneca, chamava-a de filha e mandava se comportar e ser uma boa menina, agradava com carinhos na cabeça da boneca e dava parabéns pelo bom comportamento. Depois a criança 10 levantou-se e foi

até o outro raminho de flores que havia a sua esquerda, os tocou também e foi tocar o outro raminho de flores no outro canto da parede. Sempre sorrindo, demonstrando satisfação em tocá-los.

Depois foi com a boneca até o vaso de plantas que fica no canto e passou a mão dela e da boneca na planta e logo em seguida sentaram-se no banco que está próximo do vaso. Depois se levantou e foi para trás, deixando a boneca num canto. Depois voltou e começou a perguntar “cadê a minha filha? Filha? Onde você está?” e foi andando pelo jardim como se estivesse procurando a boneca. Passou pela grade olhando como se estivesse a procurando do outro lado, parou no canteiro, mexeu nas flores novamente, continuou andando e sentou-se no banco que fica no canto esquerdo do jardim. Arrastou- se de um canto do banco até o outro e de lá gritou Achei a minha filha! E foi correndo até o canto onde havia deixado a boneca.

Depois, com a boneca no colo, voltou e foi até o outro canto do jardim, deixando a boneca agora em frente ao canteiro de flores do canto e disse que ia voltar para casa, voltando para a casa pintada na parede e sentando-se no chão novamente. Disse que o dia estava maravilhoso para um passeio no parque e que estava com calor. Disse que as flores também estavam com calor e precisavam beber água. Percebemos aqui uma preocupação em aguar as plantas que outras crianças já demonstraram. Realmente o dia estava quente, com sol forte, mas com uma brisa constante e agradável.

Depois de cerca de um minuto sentada, disse que havia perdido a filha novamente e que teria que procurar de novo, levantou-se, andou por volta do canteiro de plantas e pedrinhas pelo lado de fora, tocando as plantas e foi até o canteiro de flores onde havia deixado a boneca.

Voltou com a boneca até a mãe e disse que cansou de brincar.

Foi perguntada a ela sobre o que achou da brincadeira e disse que se sentiu muito bem e que gosta muito do jardim e da casa dela (apontando para a casa pintada na parede).

Sobre tirar alguma coisa, disse que não tira nada, mas falou novamente em colocar uma balança, em frente a casa, segundo ela uma balança só já estava bom, porque não tem muita gente no jardim. Disse que tem balanças na escola dela e que acha que poderiam colocar ali também. Como em outras crianças, o que foi falado na

entrevista foi novamente apontado por ela ao final da observação e também não demonstrou interesse em desenhar o jardim ou a balança.

No dia seguinte a pesquisadora retornou ao hospital e ao quarto da criança 10 para fazer a aplicação da escala.

10.3) Resultados da Escala de Qualidade de Vida:

Sobre os exemplos dados pela criança, os dois exemplos de resposta negativa estavam relacionados ao hospital: a criança 10 disse que fica “muito infeliz” quando vão pegar a veia dela. Uma das funcionárias disse que naquele mesmo dia a enfermeira teve que trocar de braço porque a veia havia sido perdida novamente e ela chorou muito. Disse que fica “infeliz” quando tem que tomar uma injeção. Explicou que fica infeliz porque dói, mas sabe que precisa tomar para ficar bem.

A criança 10 relatou algumas situações onde fica “feliz”: quando brinca, quando está com brinquedos e quando alguém a visita no hospital. Ela disse que fica “muito feliz” quando ganha balas e quando está em casa brincando com as primas. Percebemos que entre os exemplos de respostas positivas houve também uma menção que tinha relação com o hospital para “feliz”. Para “muito feliz” não, pelo contrário, ressaltou o prazer de estar em casa.

Em relação aos fatores que as questões da escala de vida abordam, podemos perceber que, para o fator 1 (autonomia), a criança se mostra bem nas tarefas que deve fazer de forma independente, mesmo assim destacamos que não significa que ela fica bem estando sozinha, como podemos ver nos itens de lazer.

Em relação ao fator 2 (lazer), podemos destacar que a criança disse ficar “infeliz” quando brinca sozinha. Quando marcou essa questão, disse que odeia ficar sozinha. Também disse ficar triste quando os amigos falam dela, porque falam mal, dizem que ela é chata, mas ela gosta de todos eles.

Sobre o fator 3 (funções), podemos ver que ela consegue expressar satisfação em realizar tarefas como fazer as lições de casa e mostrar algo que sabe fazer a alguém, mas sempre como “feliz”. Em geral não fez muitas marcações para “muito feliz”.

Para o fator 4 (família), percebemos uma afinidade grande com os pais e os avós, fala com alegria deles e comentou todas as questões referentes a família. Só colocou que fica “infeliz” quando está longe da família, dizendo novamente o quanto gosta dos pais e avós.

Mesmo sem marcar “muito infeliz” para nenhuma questão, pela pouca quantidade de “muito feliz” e um número elevado de questões marcadas com “infeliz” (8 ao todo), seu escore total foi baixo: 47 pontos.

No jardim do hospital, disse ficar “muito feliz” e acrescentou que é o local que mais gosta do hospital. No entanto, é válido destacar que, ao ser questionada sobre isso na entrevista inicial, a criança 10 havia dito que tinha preferência pelo 6º andar, que tinha o quarto dela e a sala de recreação.

10.4) Análise geral da criança 10:

A criança 10 é uma menina muito ativa. Está sempre se movimentando. Durante a observação no jardim não foi diferente, andou por todo o espaço disponível. Já estava andando durante a entrevista inicial, mesmo no pequeno espaço do seu quarto, onde foi realizada a entrevista. Já era esperado que realizasse várias atividades durante o período em que estivesse no jardim.

No jardim foi percebido que ela já estava apropriada do espaço, sabia onde estavam as flores e ia diretamente para lá. Falou da casa pintada na parede como sendo sua e demonstrou interessem em regar as plantas também.

A criança 10 ficou brincando com a boneca sem a interferência da mãe, que passou o tempo todo no portão de entrada, apenas observando sua filha e a pesquisadora, sem falar nada. Essa capacidade de fazer coisas sozinhas também foi percebida na Escala de Qualidade de Vida, como fazer a lição de casa, no entanto, embora aparentemente ela estivesse bem na sua brincadeira no jardim do hospital, na escala marcou que fica infeliz ao brincar sozinha, e destacamos que nos exemplos dados de situação em que fica muito feliz, falou das primas. Parece, portanto, ser mais uma criança com necessidades de interação com outras da sua idade, ou próximo disso, mas também com a família, pois demonstrou carinho pelos pais e avós.

In document FlSI{HRIHP FOR (sider 75-82)