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Significance of participation in the band

Terminada a guerra, Dehon volta rapidamente à Roma, em 1871, a fim de concluir seu doutorado em Teologia e em Direito Canônico, no Colégio Romano, já parcialmente ocupado pelos piemonteses31. No caminho, nos dias 10 a 15 de março, faz uma parada em Nîmes, para se encontrar com Pe. Emmanuel d’Alzon, fundador dos Assuncionistas, que iniciava uma obra voltada para a educação em nível universitário. O próprio Dehon descreve, com detalhes, seu estado de espírito atento à possibilidade concreta de ingressar na vida religiosa a serviço da educação:

Minha parada em Nîmes tinha uma grande importância. Queria ver o que era esta obra. Tinha o desejo de ali entrar. Um profundo trabalho acontecia na minha alma já há dez anos. Por um lado, queria ser religioso; por outro pensava que para a Igreja fosse chegado o momento de se empenhar com novos cuidados aos estudos superiores para difundir sua influência sobre as inteligências. Eu unia estes dois pensamentos. Parecia-me que minha vocação fosse entrar em uma comunidade religiosa dedicada ao estudo e ao ensino”32.

Sabemos que, apesar desta forte inclinação e dos insistentes convites de d’Alzon, Dehon não entrou no projeto por perceber nele um homem “mais de ação, diria mesmo de agitação, do que um homem de estudos”33, enquanto Dehon amava o silêncio, o recolhimento e a pesquisa. Já o conhecia dos tempos do Concílio e juntos haviam percebido a necessidade de

31 Encontramos este importante detalhe em uma carta de Dehon aos seus pais, nesta época. AD.B. 18/11. 32 NHV IX, p. 3. Dehon procura a síntese difícil entre sensibilidade e razão, coração e inteligência, vida

espiritual e vida de estudos.

33 NHV IX, p. 13. Na verdade, ele seguia fielmente as orientações de seu diretor espiritual, Pe. Freyd, que

sempre desestimulava o envolvimento de Dehon com a fundação de universidades na França, por receio de que isso pudesse fortalecer o galicanismo. Lembremo-nos que ele era o reitor do seminário francês, em Roma, de orientação ultramontana.

fazer algo para reparar o baixo nível cultural do clero francês34. Ele entendia que estas iniciativas eram urgentse para fazer frente aos “ideais laicisantes” da Revolução.

Nos meses que se seguiram, Dehon estuda esta questão com muita atenção e cuidado35. Ele conclui que “após a era dos mártires deveria vir a era dos doutores”36. Era necessário combater as “novas heresias” do naturalismo, liberalismo e galicanismo. A Igreja precisava das ciências, da história, da exegese, da economia e da política, para restaurar o catolicismo na França. Afirma ainda que as universidades católicas seriam um ótimo meio para isso, mas deveriam estar sempre ligadas à Roma, ao Papa, “por causa da prerrogativa de Pedro de ensinar e de confirmar os outros”37. Dehon, portanto, acredita na reparação pela via dos estudos38. Ele reconhece um potencial místico no conhecimento. Muitos anos antes de fundar sua Congregação e seu colégio, já tem esta pauta em mente. Quase tudo se torna realidade sem a sua contribuição direta. Ao escrever suas Memórias, revela: “Nossa pequena família religiosa se dedicará também a este tipo de apostolado, quando ela tiver saído da era das dificuldades próprias de todo início”39. Sua alma ficou fortemente marcada pelo desejo de “fundar uma obra de estudos”, que depois unirá à fundação de uma Congregação dedicada à reparação ao Sagrado Coração de Jesus40.

Em outubro de 1871, Dehon coloca-se à disposição do então bispo de Soissons, Dom Dours, e é nomeado vigário paroquial em Saint-Quentin, cidade operária de 35.000 habitantes. Não era exatamente a resposta ao sonho de dedicar-se ao ensino superior41. O sacerdote de vonte e oito anos anos assume os trabalhos cotidianos próprios de um jovem

34 NHV VI, pp. 115;120. Para fazer frente aos “erros filosóficos e sociais que ganhavam terreno”, Dehon

sente a necessidade de criar uma elite católica bem formada. Para isso, os dois meios seriam o estabelecimento de Universidades Católicas e a valorização dos estudos nas Ordens Religiosas.

35 Em suas Memórias Dehon elenca algumas fontes que consultou para se aprofundar neste assunto: Tomás

de Aquino, João Crisóstomo, Agostinho, Jerônimo, Lacordaire, Franzelin, Mabillon, Louis Veuillot, entre outros. NHV VI, p. 119.

36 NHV VI, p. 120. 37 NHV VI, p. 126

38 Dehon assume, para si, as considerações sobre o sistema filosófico de Lamennais, feitas por Henri

Lacordaire: “Agora que a Igreja está organizada é necessário restaurar as ciências religiosas, caso contrário aumentará os gravíssimos perigos que já experimenta”. NHV VI, p. 122.

39 NHV VI, p. 130. Estas Memórias são escritas a partir de 1886. 40 NQT IV/1887, p. 1r.

41 “Era exatamente o contrário daquilo que eu havia desejado por muitos anos: uma vida de recolhimento e de

sacerdote católico. Percebe-se, por seus escritos deste tempo, que ele tinha uma forte capacidade de se encantar até com as coisas mais simples42. Seu olhar sobre a sociedade não é neutro ou indiferente. É um olhar qualificado pelos estudos e animado por sua fé. Colocado diante da realidade operária e da descrença religiosa, Dehon começa a fazer a síntese entre teoria e prática, que marcará seu jeito de educar.

42 NHV IX, p. 87. Esta é outra característica que devemos reter para compreender as raízes da complexa

C

APITULO

III

O contexto prático e teórico – Dehon educador

Neste terceiro capítulo veremos a segunda metade da vida de Dehon que, mesmo com quatro doutorados e uma cultura pouco comum para um padre de seu tempo, acabou dedicando-se às atividades religiosas como um simples vigário paroquial na cidade operária de Saint-Quentin. Porém, o sonho foi mais forte e, ali mesmo, iniciou uma série de obras ligadas ao mundo da educação e fundou, também, uma Congregação religiosa inspirada na mística do Sagrado Coração de Jesus. É neste contexto que surgem seus escritos sociais, místicos e educacionais.