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SIFA (Årvåkenhetskontroll)

A literatura pesquisada evidencia uma diversidade de discussões e de posicionamentos favoráveis, ou não, à gestão de CoPs. Por exemplo, Brown e Duguid (1991), Wenger (1998a), Lesser e Storck (2001), Roberts (2006), Probst e Borzillo (2007), Venters e Wood (2007), entre outros, descrevem que a própria auto-organização é uma característica essencial para esse tipo de comunidades, por tal motivo, elas não podem ser dirigidas.

Nessa linha de pensamento, Braga (2008, p. 38) observa:

Comunidades de Prática são essencialmente

espontâneas, livres, autogeridas. Por essa razão, a sua criação deve ser feita obedecendo a certos princípios que visam, basicamente, ao seu cultivo. A palavra mais adequada para descrever este processo é justamente essa: cultivar. O administrador moderno é como um jardineiro. Muitos processos organizacionais exigem mais uma espécie de cultivo do que propriamente gestão. Comunidades de Prática é um deles.

Wenger, McDermott e Snyder (2002) analisaram o ciclo de vida das CoPs em diversas organizações e, a partir deste estudo, os autores propuseram sete princípios para um efetivo cultivo dessas comunidades, os quais são: (1) desenhar a CoP pensando na sua evolução; (2) manter o diálogo entre as pessoas de dentro e de fora da comunidade; (3) convidar as pessoas para diferentes níveis de participação na comunidade; (4) desenvolver espaços abertos e fechados para a comunidade; (5) focar no valor da CoP; (6) combinar familiaridade e estimulação, pois espaços comuns e a introdução de novas ideias estimulam o interesse das pessoas e (7) criar um ritmo para a comunidade.

Posteriormente, Terra (2003) adicionou a esses princípios uma série de novos elementos, baseados em pesquisas e na experiência prática de sua equipe. São eles: (8) valorizar também a comunicação

oral; (9) desenvolver as regras de participação para a comunidade; (10) desenvolver mapas de especialização e garantir que os perfis dos usuários estejam atualizados; (11) reconhecer níveis diferentes de participação; (12) liderar pelo exemplo; (13) criar, treinar e motivar um grupo central de pessoas que irá ‘gerir’ a comunidade; (14) estabelecer um sentimento de identidade para a CoP (15); promover os sucessos da comunidade; e (16) monitorar o nível de atividade e satisfação.

De acordo com Terra (2003), as CoPs não oferecem uma alternativa às estruturas formais das organizações, mas sim um complemento a elas. A existência das CoPs, em função de um caráter voluntário, não hierárquico e de auto-gestão e, na maioria das vezes, sem objetivos e métricas bem definidas, representa um desafio para a instalação dessas entidades e para a necessidade de controle, existente nas organizações. As CoPs são estruturas sociais, neste sentido, a gestão delas tem um caráter orgânico, multi-dimensional – não necessariamente linear – e altamente dependente do seu capital social.

O Capital Social se refere ao conjunto e à qualidade dos intercâmbios que os indivíduos fazem/desenvolvem ao longo de seus contatos. A saúde global dessas trocas tem um grande impacto no estabelecimento de um ambiente de criação e compartilhamento de conhecimento. O Capital Social é afetado por uma série de aspectos relacionados a estes contatos como a frequência, conteúdo, tons e canais de comunicação escolhidos pelos indivíduos, pelos pequenos grupos, pela organização e ou organizações envolvidas. CoPs, com elevado Capital Social, se caracterizam por níveis elevados de confiança entre seus membros e, de uma certa maneira, um conjunto de valores e percepções comuns sobre o mundo. O desenvolvimento de Capital Social, no entanto, requer tempo e motivação de um grupo amplo de pessoas, espaços coletivos (físicos e virtuais) e certo grau de planejamento por parte de indivíduos particularmente empenhados em aumentar a conectividade e o desenvolvimento de objetivos e valores comuns entre os membros da comunidade (TERRA, 2003, p. 08).

Os elementos citados por Terra (2003) confirmam as afirmações de parte da literatura pesquisada, as quais sugerem que as CoPs podem ser gerenciadas, como demonstram Gongla e Rizzuto (2001), Swan, Scarbrough e Robertson (2002), Dubé, Bourhis e Jacob (2005), Andrade (2005), Anand, Gardner e Morris (2007), entre outros.

Para Andrade (2005), a gestão das VCoPs devem levar em conta os fatores relacionados às motivações humanas, à natureza específica

da comunicação mediada por computador, além de equacionar os modelos de criação e de desenvolvimento adequados, os ciclos de vida, os papéis a desempenhar pelos promotores desses projetos e a adequação da tecnologia (ANDRADE, 2005).

Compreendem Damião e Kato (2005) que os bons resultados de uma Cop não aparecem de forma aleatória, mas são resultantes do intenso trabalho de semear, cultivar e colher. Para cumprir esta meta, é necessário construir uma boa estrutura para a comunidade, para gerenciá-la e para medir os resultados.

Os resultados devem estar diretamente relacionados com os objetivos da comunidade, o que denota a necessidade de uma gestão eficaz, uma vez que as atividades de planejamento clássico, tais como organização, direção e controle, possibilitam um ambiente propício para o desenvolvimento da CoP. Além disso, em uma comunidade, alguns recursos precisam ser gerenciados, tais como: o conteúdo, os participantes, a tecnologia, os trabalhos em grupo, as experiências dos participantes, os relatórios, as estatísticas, as formas de comunicação, entre outros (DAMIÃO; KATO, 2005).

De acordo com Cabelleira (2007), no que se reporta à gestão de CoPs, uma visão compartilhada pelos membros da comunidade ajuda a construir a confiança e os relacionamentos. Tal visão é considerada primordial para que as pessoas socializem suas experiências. Para a autora, a visão compartilhada é o primeiro passo para que os membros de uma comunidade confiem uns nos outros.

Cabelleira (2007) também refere-se ao fato de os membros da comunidade serem voluntários ou não. Para a supracitada autora, o sucesso da CoP depende do entusiasmo dos seus membros. Se a pessoa for indicada, ou se ela se apresentar como voluntária, não vai haver diferença, importante é a energia que a pessoa vai depositar em suas ações.

Neste trabalho, já foi destacada a importância da participação nas CoPs, como entendem Lave e Wenger (1991), Ardichvili, Page e Wentiling (2003), Wenger (2004), Handley et al. (2006), Corso, Giacobbe e Martini (2009), e como é evidenciada por Wenger, McDermott e Snyder (2002), ou seja, a participação é essencial em CoPs, uma vez que os membros adquirem conhecimento por meio de interações. Segundo esses autores, a chave para uma boa participação é criar atividades que possibilitem aos membros diversos níveis de engajamento, para que eles se sintam membros efetivos da comunidade.

No que se refere à gestão de CoPs, Garavan, Carbery e Murphy (2007) identificaram algumas estratégias que os gestores dessas comunidades podem utilizar para desenvolver a confiança, facilitar tanto

a colaboração, quanto a negociação de significados compartilhados, e ainda gerenciar as questões de poder. Os citados autores salientam que o gestor deve ter competência para a função, saber trabalhar com a gestão de conflitos e saber buscar o consenso.

O papel do gestor deve se concentrar na criação de condições para a aprendizagem mútua. Isto requer a suspensão de julgamentos, o que permite que diferentes perspectivas sejam consideradas, desse modo abrangendo a compreensão do contexto cultural das comunidades, as expectativas dos principais interessados e as exigências das tarefas (GARAVAN; CARBERY; MURPHY, 2007).

Nesse contexto, vale ressaltar, ainda é necessário, ensina Borzillo (2009), informações constantes dos resultados da CoP; primeiro, para a organização que a apóia; segundo, para reforçar a posição da comunidade como uma identidade legitimada e estratégica.

Apesar do interesse crescente pelas CoPs, na academia e nas organizações, a revisão da literatura sugere que há uma falta de entendimento sobre a abordagem de gestão mais adequada a adotar, para essas comunidades, e sobre o impacto que esse gerenciamento terá sobre as pessoas envolvidas (BISHOP, 2009).

No entanto, a literatura também sugere que há uma maior consciência de que as CoPs podem ser geridas e aproveitadas para a vantagem competitiva, pela criação de recursos de conhecimento, oportunizando encontrar e consolidar conhecimentos de forma a apoiar as pessoas e as organizações (SWAN; SCARBROUGH; ROBERTSON, 2002; WENGER; MCDERMOTT; SNYDER, 2002; ROBERTS, 2006; GARAVAN; CARBERY; MURPHY, 2007). Nesta tese, compartilha-se com este ponto de vista.

Adota-se, para esta tese, um parcial gerenciamento de VCoPs, seguindo as prerrogativas de Wenger (1998a), que postula que a tarefa do gestor da CoP é a de criar condições nas quais um senso de empreendimento comum, um envolvimento mútuo e um repertório compartilhado de ações são possíveis. Neste trabalho, propõe-se promover a criação e o compartilhamento de conhecimentos, em VCoP, por meio de um conjunto de procedimentos desenvolvidos coletivamente, que visam possibilitar a capacitação dos membros de uma comunidade para o conhecimento.

2.5.7 Considerações do tópico

Pelo exposto, percebe-se, contemporaneamente, o direcionamento para a criação de espaços que proporcionem a interatividade, a criação compartilhada do conhecimento e a aprendizagem colaborativa, e que se constituam como comunidades; no caso do presente trabalho, destacam-se as VCoPs.

As VCoPs são formadas por pessoas com diferentes conhecimentos e habilidades, qualquer membro pode, pela Internet, de qualquer ponto, não só trocar informações, mas rearticular ideias, compartilhar seus conhecimentos; enfim, proporcionar a criação de novos conhecimentos sobre um referido tema.

Nas VCoPs, pessoas com idênticos interesses profissionais, informais e sem fronteiras, colaboram entre si. Estas redes podem ultrapassar os limites organizacionais, podendo ser reconhecidas, ou não, apoiadas ou legitimadas pelas organizações.

Existem diversos fatores que caracterizam as VCoPs, sendo os principais os seus elementos estruturais e os níveis de participação de seus membros. As VCoPs apresentam alguns estágios de desenvolvimento, algumas peculiaridades que caracterizam a criação e o compartilhamento de conhecimentos, bem como a aprendizagem, que indicam a necessidade de atenção para diversos fatores críticos de seu sucesso.

Observa-se, assim, que a viabilização de condições, para a criação e o compartilhamento de conhecimentos e a aprendizagem mútua em VCoPs, vai depender, prioritariamente, de um processo ativo de gestão, que seja desenvolvido de forma estruturada e que englobe os diversos elementos que caracterizam e que interferem nas atividades dessas comunidades, contando com a participação dos membros da CoP, objetivando gerar benefícios para as pessoas e para as organizações.

Após a caracterização dos fundamentos sobre comunidades de prática, na sequência, são abordadas as tecnologias que auxiliam tanto essas comunidades, quanto a gestão do conhecimento e a aprendizagem.

2.6 Tecnologias da informação e da comunicação que auxiliam a