2 North Sea Herring .1 The Fishery
2.7 Short term projection by fleets
Para Gitman (2010, p. 105), “o planejamento de caixa envolve a elaboração do orçamento de caixa”. Esse orçamento de caixa, ou projeção de caixa, é uma demonstração das entradas e saídas de caixa previstas da empresa. Serve para estipular as necessidades de
caixa no curto prazo, dando especial atenção ao planejamento de superávits e déficits de caixa. Geralmente, esse orçamento visa abranger o período de um ano, dividido em intervalos menores. O número e o tipo de intervalos dependem da natureza da atividade da empresa.
Assaf Neto (2008) explica que é importante ressaltar que a elaboração de um modelo de projeção (orçamento) de caixa deve possibilitar, em última análise, que a empresa possa antecipar-se a eventuais necessidades futuras de recursos, bem como melhor programar suas aplicações com os excedentes de caixa que vierem a ser projetados. Em síntese, o orçamento de caixa representa um importante instrumento de controle da liquidez e, em sua elaboração, a organização deve dedicar uma atenção permanente, evitando, ao máximo, que apareçam saldos insuficientes ou excessivos de maneira inesperada.
Gitman (2010) ainda complementa que quanto mais sazonais e incertos os fluxos de caixa, maior o número de intervalos. Como várias organizações se deparam com um padrão sazonal de fluxo de caixa, o orçamento de caixa é muitas vezes elaborado mensalmente. Companhias com padrões, de fluxo de caixa, estáveis podem utilizar intervalos trimestrais ou anuais. Resumindo, o orçamento de caixa informa se é esperado um saldo excedente ou um déficit de caixa em cada um dos meses abrangidos. O valor para cada mês se baseia nas necessidades internamente estimadas de saldo mínimo de caixa e representa o saldo total no fim do mês.
Além de estimar cuidadosamente os dados de entrada, existem duas formas de lidar com a incerteza em relação ao orçamento de caixa. Conforme Gitman (2010), elas podem ser descritas da seguinte forma:
Elaborar vários orçamentos de caixa: com base em premissas otimistas, prováveis e pessimistas (faixas de fluxos de caixa), o administrador financeiro pode determinar o montante de financiamento necessário para cobrir a situação mais adversa, e, baseados em diferentes cenários, também deve dar a esse administrador uma ideia do risco da diferentes alternativas; Simulação: através da simulação de ocorrência de eventos incertos em relação às vendas e outros aspectos, a empresa pode desenvolver uma distribuição probabilística dos fluxos de caixa finais de cada mês. O responsável pelas decisões financeiras pode, então, utilizar essa
distribuição para encontrar o montante de financiamento necessário para dar, à organização, proteção adequada contra um déficit de caixa.
Especificando-se agora o fluxo de caixa, para Santos (2009), este é um instrumento de planejamento financeiro que possui como objetivo fornecer estimativas da situação de caixa da empresa em determinado período de tempo à frente. As necessidades de informações sobre os saldos de caixa podem ser em base diária para o gerenciamento financeiro de curto prazo, ou períodos mais longos, como mês ou trimestre, quando a empresa precisa realizar um planejamento por prazo maior. O fluxo de caixa é o instrumento capaz de traduzir, em valores e datas, os diversos dados gerados pelos demais sistemas de informações da empresa.
De acordo com Matias (2007), o fluxo de caixa é um instrumento que averigua o resultado entre o fluxo de entradas e o de saídas de moeda corrente em determinado período de tempo ou pode ser definido como o conjunto de procedimentos que permite, de forma antecipada, avaliar as decisões referentes à gestão de recursos financeiros.
Já segundo Ross, Westerfield e Jordan (2000), fluxo de caixa nada mais é do que a diferença entre a quantidade de dinheiro que entrou no caixa e a quantidade que saiu.
Ross, Westerfield e Jordan (2000), esclarecem com base em estudos de Samuel C. Weaver Ph.D., diretor de planejamento e análise financeira da Hershey Chocolate North America, que ao se tomar uma decisão de investimento, o fluxo de caixa é uma medida crítica. Ele é o que determina o sucesso de uma decisão econômica. Decisões contábeis analisam o projeto somente ano a ano. Muitas decisões de grandes empresas reduzem o lucro no primeiro ou nos dois primeiros anos, pois a recompensa pelo investimento começa a vir apenas em períodos posteriores, quando o investimento torna-se totalmente operacional. Com uma visão apenas voltada para o lucro, novos investimentos, novas pesquisas, novos produtos e novas aquisições podem não ser realizados.
Matias (2007) explana que é através do fluxo de caixa que o gestor financeiro pode administrar o grau de liquidez da empresa, administrando o crescimento a médio e longo prazo. O fluxo de caixa identifica excessos de recursos, que podem ser aplicados, ou escassez de recursos, que demandam dominação.
A periodicidade das operações de caixa varia de empresa para empresa. Dessa forma, dependendo do seu ramo de atividade, pode-se afirmar que a periodicidade de curto prazo é de uma semana até 90 dias, a de médio prazo é de 91 dias a um ano e a de longo prazo é de mais de um ano. Matias (2007) ainda informa que é importante considerar uma visão de longo prazo para a gestão do caixa. Investimentos futuros e crescimento operacional precisarão desta visão mais ampla.
Conforme Santos (2009), as projeções de caixa da empresa têm diversas finalidades. A principal delas é informar a capacidade que a empresa possui para liquidar seus compromissos financeiros a curto e longo prazo. Outras finalidades do fluxo de caixa são:
Planejar a contratação de empréstimos e financiamentos: a contratação de linhas de créditos para suprir as necessidades da empresa precisa ser feita no tempo e quantidade certos;
Maximizar o rendimento das aplicações das sobras de caixa: no mercado financeiro, as taxas de juros por unidade de tempo crescem com o prazo de aplicação. Se a empresa utiliza um fluxo de caixa, poderão existir ocasiões em que as projeções de caixa possibilitarão a ela realizar aplicações de sobra de caixa por períodos de 30 ou mais dias;
Avaliar o impacto financeiro de variações de custo: em certas situações, a organização pode ver-se obrigada a não repassar aumentos de custos, sob pena de perder mercado;
Avaliar o impacto financeiro de aumento das vendas: quando o valor das vendas aumenta rapidamente, em virtude de melhora de preços, ou aumento da quantidade colocada no mercado, é preciso projetar o impacto sobre a posição de caixa.
Os principais fatores determinantes do formato do fluxo de caixa são o prazo de cobertura, sua utilização e a disponibilidade de recursos humanos e materiais a serem alocados à sua implantação e operação. Santos (2009) ainda descreve que na elaboração de um fluxo de caixa, os seguintes aspectos precisam ser considerados:
Prazo de cobertura e período de informação: um fluxo de caixa projeta o saldo de caixa para um horizonte de tempo que é chamado prazo de cobertura. A
unidade de tempo em que se divide esse prazo é denominada período de informação;
Grau de detalhamento das entradas e saídas de caixa: à medida que aumenta a quantidade de funções do fluxo de caixa, ele precisará possuir maior nível de detalhamento para as entradas e saídas de caixa. O fluxo de caixa não deve incluir funções de controle financeiro;
Grau de precisão: o grau de dados do fluxo de caixa varia em função de seu prazo de cobertura;
Funções do fluxo de caixa: o fluxo de caixa deve ser apenas um instrumento de planejamento financeiro, e não de controle de inadimplência, controle bancário ou, até mesmo, controle de gastos;
Item “diversos”: é recomendável que esse item (tanto em entrada como em saída de caixa) não ultrapasse 10% do respectivo total de entradas e saídas; Dinâmica do prazo de cobertura: o fluxo de caixa de curto prazo pode estar
estruturado através de prazos de cobertura, correspondentes a um calendário fixo (1° a 30 do mês), ou por prazos corridos (5 a 5, 6 a 6, entre outros).
Em determinado período de informação, existe a relação entre os elementos de caixa, na qual o saldo inicial de caixa somado à entrada de caixa e subtraído da saída de caixa resulta no saldo final de caixa. Além da relação anterior, há a relação secundária na qual o saldo inicial de caixa de um período de informação é igual ao saldo final de caixa do período. (SANTOS, 2009).
O Quadro 2 apresenta um fluxo de caixa de curto prazo, com o prazo de cobertura de 30 dias corridos e período de informação diário. Habitualmente, para Santos (2009), o fluxo de caixa, diferentemente do orçamento de caixa, que é tipicamente uma ferramenta de controle, não inclui o acompanhamento da realização das projeções. Assim, não tem as colunas identificando, individualizadamente, projetado, realizado e variação.
Quadro 2 – Fluxo de caixa de curto prazo (empresa varejista)
Prazo de cobertura mensal e período de informação diário
Fonte: Santos (2009)
Com relação aos modelos de administração de caixa, Assaf Neto (2008) explana que eles visam, essencialmente, fornecer ao gestor financeiro condições mais científicas para o nível ótimo de caixa de uma empresa. Entretanto, não devem ser aplicados sem restrições. Como todos os modelos teóricos, constituem-se em simplificações da realidade, incorporando os aspectos essenciais de uma decisão sobre o volume ideal de caixa da organização.
Não há pretensão de se mostrar, mediante os modelos, resposta única e exata dos problemas de caixa, mas explicações que sejam importantes na identificação e avaliação das principais variáveis que compõem o processo decisório. Assim, são importantes tanto para o planejamento quanto para o controle de caixa. (ASSAF NETO, 2008).
Matias (2007) explica que existem alguns modelos de administração de caixa. Destes, destacam-se três:
O modelo de caixa mínimo operacional é o menos sofisticado, mas que pode ser útil no estabelecimento de um padrão de investimento mínimo de caixa, dada a atividade da empresa. O caixa mínimo operacional é encontrado pela divisão dos desembolsos totais de caixa previstos pelo giro de caixa. Este é simplesmente quantas vezes o ciclo de caixa (ciclo financeiro) ocorre num determinado período.
Já o modelo de Baumol emprega o conceito de lote econômico de compras, muito utilizado na administração de estoques. Este modelo é aplicável em empresas que têm fluxos financeiros com pouca variabilidade.
O modelo de Miller e Orr considera que o caixa se caracteriza pela imprevisibilidade. Não há relação entre o futuro e o passado, sendo o comportamento da necessidade de caixa aleatório.
Assaf Neto (2008) complementa que o modelo do lote econômico (modelo de Baumol), geralmente, efetua uma análise do custo relativo à manutenção de dinheiro em caixa, isto é, o custo de oportunidade determinado pelos juros que a empresa deixa de receber ao não aplicar esses recursos em títulos negociáveis, e do custo de obtenção do dinheiro pela conversão de títulos negociáveis da organização.
Já Miller e Orr, de acordo com Matias (2007), diferentemente de Baumol, admitem que o saldo de caixa possa ser aumentado ou diminuído em função de transações desconhecidas com antecedência. Com isso, são estabelecidos limites para as transferências de títulos negociáveis em caixa, ou vice-versa.
Empresas que possuem certa sazonalidade de vendas dentro da semana ou do mês podem adotar o modelo sazonal para ajustar seu nível de caixa. Para um refinamento desse modelo, deverá ser considerada também a sazonalidade anual, extremamente importante para a maioria das empresas. (MATIAS, 2007).
Santos (2009) ensina que o fluxo de caixa é um receptor dos dados financeiros produzidos por todas as áreas da empresa. Projeções de recebimentos de vendas e pagamentos de compras, pessoal, serviços de terceiros, juros, impostos, receitas e gastos diversos são informações importadas de diversas áreas da organização pelo fluxo de caixa.
Quando os mencionados dados estão nos sistemas informatizados da empresa, sua importação pelo fluxo de caixa é menos complicada, visto que pode existir integração entre os
sistemas, de modo que automatize o fluxo de caixa. Ainda conforme Santos (2009), se essa integração não for permitida, os dados necessitarão ser impressos de seus sistemas geradores e então serão novamente digitados para suprir o fluxo de caixa.
Em muitas situações, de acordo com Santos (2009), a gestão de caixa precisa realizar suas próprias projeções com base nos dados atuais e naqueles referentes ao passado. A Figura 3 ilustra um sistema de informações genérico integrado ao fluxo de caixa.
Figura 9 – Sistema de informações do Fluxo de Caixa
Fonte: Santos (2009)
Os principais dados do fluxo de caixa e seus respectivos detalhamentos, ainda em conformidade com Santos (2009) são os seguintes:
o Projeções de receita de vendas: dependendo do prazo de cobertura do fluxo de caixa, será preciso incluir estimativas de vendas ainda não realizadas. As receitas de vendas a fazer são projetadas com base na previsão de vendas físicas e dos respectivos preços;
o Projeções de recebimentos da cobrança: as estimativas de recebimento de cobrança dos clientes representam as projeções de entradas de caixa de curto prazo, sendo sua principal fonte o sistema de contas a receber;
o Projeções de desembolsos com compras e serviços: os desembolsos relativos a compras e serviços, com pagamento já programado, são informados pela área de contas a pagar. Os desembolsos apenas contratados ou previstos são informados pelas áreas de compras e contratos;
o Projeções de despesas com pessoal: são as menos sujeitas a incertezas, pois o quantitativo de pessoal é relativamente estável e o valor dos salários pode ser previsto com razoável precisão;
o Despesas financeiras: as fontes de dados referentes a essas despesas são os contratos de empréstimo e financiamento firmados pela empresa.
O fluxo de caixa destina-se a produzir estimativas numéricas que são utilizadas para apoiar a tomada de decisões. Naturalmente, a qualidade dessas decisões dependerá do grau de precisão dessas estimativas. Dessa forma, é necessária a adoção de medidas especiais para que o fluxo de caixa ofereça um nível apropriado de precisão e seja efetivamente útil. (SANTOS, 2009).
Algumas medidas capazes de aperfeiçoar a precisão das projeções do fluxo de caixa, ou minimizar as dificuldades para lidar com sua incerteza, segundo Santos (2009), são:
Utilizar análise de sensibilidade: ao invés do fluxo de caixa produzir apenas uma projeção, ele produzirá mais de uma, vinculando cada uma delas a determinada hipótese;
Utilizar tratamento estatístico de dados: abordagem estatística das séries históricas de dados para formular projeções;
Criar a filosofia de planejamento para o fluxo de caixa: para que o fluxo de caixa gere dados e informações de boa qualidade, apesar de toda a incerteza.
Matias (2007) doutrina que a administração do caixa está intimamente ligada à administração das outras contas do giro, visto que a gestão do disponível ou gestão de tesouraria integra os demais componentes do capital de giro na medida em que quase todas as movimentações financeiras passam pelo caixa, sejam de curto ou de longo prazo.
O pagamento de insumos, o recebimento das vendas e outras movimentações passam, quase sempre, pelo caixa da organização, precisando de uma gestão precisa a fim de evitar uma situação de insolvência futura. Ainda segundo Matias (2007), é aconselhável
explorar as transações financeiras em períodos fechados. Ao lado do papel financeiro tradicional e análises estatísticas, os métodos de análise dinâmica, tais como análise de fluxo de caixa e análise de fluxo de fundos, estão crescentemente ganhando importância. A análise de fluxo de fundos, em particular, é progressivamente usada para adquirir informações sobre a origem e o uso de recursos.
Alguns recebimentos e pagamentos não possuem origem no caixa, pois são movimentados através da conta bancos. Algumas empresas ao emitirem cheques dão entrada no caixa gerencial pelo cheque e saída pelos comprovantes de pagamento respectivos.
Segundo Da Rosa (2008), como em todos os tipos de empresa, os fluxos de entradas e saídas das MPE são divididos em três partes:
Fluxos operacionais - pagamentos (saídas) de ganhos acumulados (salários a pagar, mão de obra, produtos em processo, produtos acabados, despesas operacionais, entre outros), pagamentos de compras a crédito (duplicatas a pagar, matéria prima, entre outros) e despesas indiretas;
Fluxos de investimento - suas saídas podem ser, por exemplo, a compra de ativos imobilizados e suas entradas, a venda destes ativos. Geralmente, estão relacionadas com o aumento e diminuição de ativos a longo prazo;
Fluxos de financiamento - as suas entradas podem ser empréstimos, venda de ações, e suas saídas são quitações de empréstimos, recompra de ações, que estão relacionados ao empréstimo de credores e investidores à entidade.
Somando-se a isso, Da Rosa (2008) educa que para que não haja nenhum problema de desenvolvimento de projetos, todas as áreas da empresa devem estar interligadas e com um bom regime de competência. Por exemplo, se o marketing não fizer seu planejamento com dados próximos aos reais, a empresa se baseará em algo irreal, acarretando assim em um enorme prejuízo. Portanto, o administrador financeiro da empresa (ou o proprietário, mais comum em MPE) deverá levar em conta alguns dos fatores internos citados acima.
É de extrema importância o planejamento do fluxo de caixa da empresa, pois a partir de seu capital disponível, saberá se precisará ou não tomar empréstimos de curto ou longo prazo, se precisará entrar no cheque especial no banco ou recorrer a alguma outra forma de recurso financeiro, ou no caso de superávits, o que fará com o dinheiro, onde aplicar, comprar novos equipamentos ou investir. Da Rosa (2008) ainda instrui que a partir do fluxo de caixa pode ser analisada a sazonalidade da empresa, qual será a melhor data para pagamento de fornecedor, pagamentos de funcionários sem atraso, entre outras despesas.
Conforme Vieira (2008), embora seja muito importante que a empresa seja lucrativa, para que esteja equilibrada financeiramente é fundamental que ela disponha de caixa (ou de fluxo de caixa) para realizar os pagamentos necessários, no volume e no momento adequados. O estudo do fluxo de caixa e das variáveis mais significativas que o compõem tem como objetivo enriquecer a análise financeira com um conjunto novo de informações referentes às operações, aos investimentos realizados e às formas de financiamento adotadas. Pode-se afirmar que o fluxo de caixa é afetado pelas operações (vendas, ciclo financeiro, resultado operacional), por fatores estratégicos (aportes de capital, empréstimos de longo prazo, novos investimentos, dividendos) e táticos (empréstimos de curto prazo).