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2.12 Management Considerations
Segundo Santos (2009), em circunstâncias normais, toda empresa mantém algum volume de dinheiro disponível sujeito a variações diárias. Esse dinheiro funciona como reserva de caixa da empresa e sua manutenção é recomendável. Outras empresas, por venderem à vista e pagarem seus fornecedores a prazo, tendem a conservar um volume elevado de disponibilidades financeiras.
No sistema financeiro brasileiro, existe grande diferença entre as taxas de juros de captação e da aplicação de recursos financeiros. Esse fato deve ser averiguado adequadamente nas decisões de investimento das sobras de caixa. Santos (2009) doutrina que os seguintes princípios devem orientar as aplicações das sobras de caixa de uma organização:
Aplicar em investimentos sem risco: toda decisão de investimento defronta com a escolha entre risco e rentabilidade, fatores que variam em sentido contrário. As aplicações das sobras de caixa são temporárias. Às vezes, por um dia apenas. Por isso, devem ser canalizadas para ativos financeiros sem risco;
A precisão do fluxo de caixa afeta o retorno dos saldos de caixa: nos casos em que os saldos de caixa informados pelo fluxo de caixa não são confiáveis,
existirá precisão de manter sobras de caixa ociosas ou realizar aplicações financeiras de resgate diário;
O prazo de cobertura do fluxo de caixa afeta o retorno dos saldos de caixa: é o prazo de cobertura que define o horizonte de visibilidade do fluxo de caixa. Dessa forma, à medida que cresce esse prazo, aumenta a visibilidade dos saldos de caixa, possibilitando melhor alocação de eventuais sobras de dinheiro;
Aplicações fora do mercado financeiro podem ser atrativas: se uma empresa utiliza as sobras de caixa para antecipar pagamentos a fornecedores, por exemplo, poderá conseguir uma taxa de desconto bem maior do que a rentabilidade das aplicações financeiras;
Usar financiamentos pode ser vantajoso: em algumas situações, o saldo de caixa pode ser insuficiente para completar um período exato de aplicação. Se a diferença for pequena, pode ser vantajoso usar financiamento de curtíssimo prazo para completar o prazo;
Manter uma margem de segurança: mesmo quando o fluxo de caixa gera dados confiáveis, é recomendável manter pequena margem de folga nas aplicações das sobras de caixa, objetivando prevenir eventuais erros de previsão A justificativa para a manutenção dessa margem é a grande diferença entre as taxas de captação e aplicação.
A insuficiência de caixa é o primeiro sintoma da existência de problemas financeiros na empresa. Vários fatores, isolados ou em conjunto, podem colaborar para o aparecimento dessa insuficiência. Entre esses fatores, podem ser citados: inadimplência dos clientes, queda nas vendas, prejuízo nas operações, desembolsos extraordinários, aumento das despesas com juros, entre outros. A solução permanente dos problemas de caixa ordena mudanças profundas na empresa. Um problema de caixa é quase sempre reflexo de problema maior com o capital de giro da empresa. Santos (2009) ainda descreve que as medidas no âmbito da administração financeira para a solução dos problemas de caixa são as seguintes:
Aceleração das entradas de caixa: desde que não provoque perda de mercado, a redução do prazo de faturamento é a ação mais direta para acelerar as entradas de caixa;
Agilização do processo de recebimento e depósito: é uma medida de natureza operacional destinada a encurtar o prazo entre os pagamentos feitos pelos clientes e sua disponibilização para a empresa;
Retardamento e suspensão das saídas de caixa: para os pagamentos aos fornecedores e prestadores de serviço, é possível renegociar o alongamento dos prazos mediante o pagamento de custo financeiro. Outra solução mais radical é a suspensão do pagamento. Entretanto, esse procedimento prejudica a imagem da organização e sua relação com os credores;
Renegociação dos financiamentos: o alongamento do perfil da dívida da empresa permite adiar ou desfazer as saídas de caixas referentes a seu pagamento. As operações de engenharia financeira são usadas para proporcionar o reescalonamento personalizado da dívida da empresa.
As oscilações acentuadas dos saldos de caixa e também suas constantes mudanças de sinal são desaconselhadas. O fato das taxas de captação serem bem maiores do que as de aplicação tornam as inversões do sinal do saldo de caixa desvantajosas financeiramente. Do ponto de vista administrativo, as oscilações nos saldos de caixa tendem a criar um impacto desfavorável sobre o trabalho na área financeira. (SANTOS, 2009).
2.3.4 Aspectos econômicos
De acordo com Santos (2009), algumas medidas da administração de caixa são motivadas por seus aspectos econômicos, principalmente aqueles relacionados aos custos. Assim, uma decisão no âmbito da gestão de caixa pode ser explicada através de uma análise de custo-benefício.
A antecipação ou o retardamento do fluxo de caixa acarreta, respectivamente, um ganho ou uma perda financeira para a organização. Santos (2009) explica que o resultado financeiro de uma alteração permanente no fluxo de recebimento ou pagamento pode ser calculado de acordo com a Equação 15 a seguir.
(15)
Onde: r é o resultado do deslocamento de caixa, c é o valor do deslocamento de caixa, n é o número de dias do deslocamento do fluxo de caixa e i é a taxa de juros diária calculada com base na taxa de atratividade da empresa.
Um dos objetivos da gestão de caixa é conseguir o nível ótimo de caixa para a empresa. É recomendável que a empresa, ainda conforme Santos (2009), possua um bom grau de liquidez, mas esse deve ser limitado devido ter um custo. Os ativos permanentes das empresas têm retorno maior dos que os ativos correntes, como é o caso das disponibilidades financeiras.
Dessa maneira, quando uma organização mantém um saldo e caixa elevado, aumenta sua proteção contra imprevistos, mas diminui a rentabilidade média de seus ativos. Um mesmo volume de vendas pode ser conseguido de vários volumes de caixa. O menor volume de caixa que pode ser mantido para gerar certo volume de vendas é o nível ótimo de caixa. A maioria das empresas não usa métodos matemáticos para determinar o volume de caixa ótimo. Isso é realizado de maneira intuitiva, muitas vezes com base no processo de tentativa e erro. (SANTOS, 2009).
3 METODOLOGIA
Na metodologia procurou-se observar a coerência e a coesão com o problema proposto, com o objetivo geral e os objetivos específicos, bem como com a fundamentação teórica, estabelecendo o nexo teoria e prática.
Segundo Beuren (2008 apud MACIEL, 2012), a palavra metodologia tem diferentes sentidos, mas sempre está relacionada ao método e aos procedimentos.
Dessa forma, Lakatos e Marconi (1990 apud MACIEL, 2012) afirmam que a seleção do instrumental metodológico está diretamente relacionada com o problema a ser estudado. A escolha dependerá dos vários fatores relacionados com a pesquisa, ou seja, a natureza dos fenômenos, o objeto da pesquisa.
Nas acepções mais comuns, Ramos (2009) explica que pesquisa significa:
Investigação ou indagação minuciosa; Diálogo crítico e criativo com a realidade;
Procura de soluções para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos;
Fundamentar o ensino e evitar que este seja simples repasse copiado; Indicar a direção correta da aprendizagem;
A elaboração própria e a capacidade de intervenção.
A pesquisa é desenvolvida através do concurso dos conhecimentos disponíveis e a utilização minuciosa de métodos, técnicas e outros procedimentos científicos. (GIL, 1996
apud MACIEL, 2012).
A metodologia usada na pesquisa baseou-se nos critérios abordados por Beuren (2008 apud MACIEL, 2012) que classifica os tipos de pesquisa quanto aos objetivos, aos procedimentos e à abordagem do problema.
3.1 Objetivos do problema
Quanto aos objetivos desejados, trata-se de pesquisa exploratória, pois se procurou solucionar um problema pouco abordado, que necessita amadurecimento, de maneira a reunir mais conhecimento.
A pesquisa exploratória refere-se ao primeiro estágio de uma pesquisa científica. Seu objetivo é proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo mais explícito. Nela, nem sempre é preciso levantar hipóteses em resposta aos problemas formulados. Lançam-se questões propulsoras que se dirigem ao entendimento do tema e explicação do problema. É realizada através de levantamentos bibliográficos, entrevistas com profissionais da área, visitas a instituições e empresas, a sites da internet. Normalmente, assume a forma de pesquisa bibliográfica e estudo de caso. (RAMOS, 2009).
Para Vergara (2007 apud MOTA, 2009), a pesquisa exploratória é realizada em área na qual existe pouco conhecimento acumulado e sistematizado.
Por sua vez, Beuren (2008, p. 80 apud MACIEL, 2012) considera que “uma característica interessante da pesquisa exploratória consiste no aprofundamento de conceitos preliminares sobre determinada temática não contemplada de modo satisfatório anteriormente”.
A pesquisa assume característica de exploratória, explanando o tema proposto, com a identificação e descrição dos aspectos relacionados à utilização da gestão de caixa no processo de tomada de decisões da empresa objeto de estudo.
3.2 Procedimentos do problema
Já quanto aos procedimentos adotados, optou-se pelo estudo de caso em uma empresa do segmento comerciário de minimercados, objeto alvo de estudo mais detalhado, que permitiu focalizar o problema como um todo.
De acordo com Gil (1996 apud MACIEL, 2012), referente ao estudo de caso, este é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de pouco objetos, de maneira que permita o seu amplo detalhado conhecimento, tarefa praticamente impossível através dos outros delineamentos considerados.
Conforme Gil (1991 apud ARAÚJO, 2004), o estudo de caso pode ser definido como uma técnica de grande flexibilidade, mas de difícil delimitação do objeto, exigindo-se do pesquisador um bom exercício da intuição para compreensão do mesmo. Ele pode se servir da observação, documentos, entrevistas e história da vida, sendo um método que possibilita a investigação do fenômeno da mudança, que dificilmente é obtido por outro meio de pesquisa.
Suas vantagens podem ser assim descritas, segundo Gil (1991 apud ARAÚJO, 2004):
Grande flexibilidade na aplicação e interpretação dos dados; Possibilita a investigação do fenômeno de mudança.
E suas desvantagens são:
Dificuldade de traçar os limites do objeto em estudo;
Possibilidade do investigador de chegar a uma falsa sensação de certeza de suas conclusões.
Na maioria dos estudos de casos é possível distinguir quatro fases, de acordo com Gil (1991 apud ARAÚJO, 2004):
Delimitação da unidade-caso; Coleta de dados;
Análise e interpretação dos dados; Redação do relatório.
Gil (1991 apud ARAÚJO, 2004) explica que essas fases podem ser sintetizadas da seguinte maneira:
a) Delimitação da unidade-caso
O primeiro procedimento consiste em delimitar a unidade que constitui o caso em estudo. Este pode ser uma pessoa, uma família, um conjunto de relações ou processos, ou mesmo uma cultura.
Exige-se do pesquisador certo grau de intuição para notar quais dados são suficientes para se alcançar a compreensão do objeto como um todo.
Para isso, algumas regras devem ser observadas, tais como:
Buscar casos típicos: trata-se de explorar objetos que, em função de informação prévia, pareçam ser a melhor expressão do tipo ideal de categoria;
Solucionar casos extremos: a vantagem da utilização de casos extremos está em quem pode fornecer uma ideia dos limites dentro dos quais as variáveis podem oscilar.
Tomar casos marginais: trata-se de encontrar casos atípicos ou anormais para, por contraste, conhecer as pautas dos casos normais e as possíveis causas do desvio.
b) Coleta de dados
A coleta de dados no estudo de caso é realizada através do concurso dos mais variados procedimentos. Os mais comuns são: a observação, a análise dos documentos, a entrevista e a história de vida. Geralmente, utiliza-se mais de um procedimento.
c) Análise e interpretação dos dados
Com relação ao estudo de caso, não se pode falar em etapas que devem ser observadas no processo de análise e interpretação dos dados. O observador pode finalizar a pesquisa com a simples apresentação dos dados coletados ou partir dos dados diretamente para a interpretação, isto é, para a procura dos mais abrangentes significados que os dados possam ter.
Este plano deve considerar as limitações dos dados obtidos, sobretudo no referente à qualidade da amostra. É muito importante também, para a análise dos dados, usar categorias analíticas, que por sua vez devem ser provenientes de teorias que gozem de razoável grau de aceitação.
d) Redação do relatório
Embora não se possam determinar regras a serem observadas na redação do relatório de um estudo de caso, algumas recomendações, de ordem geral, podem ser realizadas. Dessa forma, é conveniente que no relatório fique claramente indicado como foram coletados os dados.
Quando a categorização dos dados, bem como a sua interpretação, estiverem vinculadas a alguma teoria, convém que esta seja esclarecida e devidamente fundamentada. Também se faz conveniente esclarecer acerca da fidedignidade dos dados obtidos. Tudo isto para que o leitor do relatório possa analisar a qualidade dos resultados apresentados.
Dessa forma, com relação à delimitação da unidade-caso, temos que a empresa em estudo é um minimercado localizado em Fortaleza, cujo nome fantasia é minimercado “O Louro”. A escolha do objeto de estudo se deu, principalmente, por se tratar de uma empresa
de pequeno porte que vem conseguindo se desenvolver bastante nos últimos anos, diferenciando-se dos seus concorrentes das proximidades.
Já a etapa de coleta de dados ocorreu através de visita, mediante entrevista ao gerente financeiro da organização. O instrumento de pesquisa está dividido em duas partes. A primeira parte constará do preenchimento de um formulário com dados da empresa e do respondente. Na segunda parte, ocorrerá a entrevista, com 37 questões, que será gravada, para posterior transcrição.
Essa segunda parte é composta por dois blocos: o primeiro destina-se à análise de como a empresa administra o ciclo operacional e, por consequência, o capital de giro e o segundo à investigação de como funciona a gestão de caixa na organização.
A análise e interpretação dos dados, como se trata de estudo de caso, não foi resultado de etapas a serem observadas neste processo. Mas de um plano de análise que considerou as limitações dos dados, para, assim, ter uma base racional para fazer as generalizações, além de fazer uso de categorias analíticas derivadas de teorias reconhecidas e aceitas, como já explicitado anteriormente. Utilizou-se também da pesquisa bibliográfica e documental para a fundamentação teórica referente, principalmente, aos temas da MPE, da gestão do capital de giro e da administração de caixa.
A pesquisa bibliográfica ocorreu com a revisão teórica para fundamentar o trabalho, existente em livros de referências, textos com valor científico, publicados em revistas ou anais de congresso. A pesquisa documental realizou-se através da consulta à legislação pertinente referente às micro e pequenas empresas.
Em conformidade com Gil (1996, p. 48 apud MACIEL, 2012), “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”.
A pesquisa documental, por sua vez, está restrita aos documentos, escritos ou não. Esta pode ser realizada no momento em que o fato ou fenômeno ocorre, ou depois. O que diferencia a pesquisa documental da bibliográfica é a natureza das fontes. A primeira trata-se de fontes que ainda não receberam nenhuma análise, enquanto a segunda se refere aquelas fontes já elaboradas e analisadas por outros autores. (MARCONI; LAKATOS, 1990 apud MACIEL, 2012).
Por fim, em se tratando da redação do relatório, os dados coletados serão apresentados de forma dissertativa, com o intuito de verificar os resultados da pesquisa.
3.3 Abordagem do problema
Quanto à abordagem ou natureza do problema, a pesquisa se caracteriza como qualitativa, pois se preocupou em realizar uma abordagem da relação de uma pequena empresa do setor comerciário de minimercados com o gerenciamento do seu caixa, dada a complexidade e relevância do assunto, e a necessidade de contribuir, dessa forma, com a mudança deste segmento.
Ramos (2009) doutrina que a abordagem qualitativa é muito utilizada no campo das ciências sociais e humanas, principalmente quando o pesquisador encontra fenômenos que, em face de sua complexidade, tornam difícil a sua quantificação. Ela é mais adequada para a compreensão contextual do fenômeno estudado, segue um processo indutivo e não existe hipótese para ser comprovada.
4 ESTUDO DE CASO
Esta seção apresenta a empresa objeto de estudo, assim como as discussões a cerca dos resultados da pesquisa. O estudo de caso foi desenvolvido em uma pequena empresa do setor comerciário de minimercados, localizada em Fortaleza, no Ceará. A reunião foi pré- agendada e o instrumento de coleta de dados apresentado ao respondente no momento da entrevista. A empresa foi visitada no mês de julho. Nessa entrevista, foram investigados procedimentos da empresa em relação à administração de caixa e também de um dos pilares que a fundamenta, a gestão do capital de giro.
4.1 A empresa estudada
A empresa, cujo nome fantasia é minimercado O Louro, possui como nova razão social o nome de Raram Comércio e Distribuição de Produtos Alimentícios Ltda., sendo seu CNPJ igual a 137511980001. Esse minimercado se localiza na Rua Padre Mororó, n°1441, próximo ao mercado São Sebastião. Essa organização foi fundada em 1985 com outra razão social. A partir de junho de 2011, mudou-se para a atual.
A empresa possui um total aproximado de vinte e cinco funcionários, sendo dois pertencentes ao setor financeiro. Ela tem uma filial, na qual esta se localiza dentro do mercado São Sebastião. O seu faturamento anual está entre seis e oito milhões. A sua forma de tributação é o Lucro Real.
O critério de classificação adotado para enquadrar a organização, para efeito deste trabalho, foi o do SEBRAE. Portanto, pela quantidade de funcionários que ela apresenta e por ser do setor de comércio, trata-se de uma pequena empresa. Pode-se ainda afirmar que pelo critério do BNDES também se trata de uma empresa de pequeno porte.
Já com relação ao respondente, este é o gerente financeiro da empresa. Ele está à frente desse cargo desde junho de 2011. Encontra-se no setor de comércio, bem como na empresa, há dez anos. No momento, está no terceiro semestre do curso de Direito na Universidade Federal do Ceará.