Chapter 3 Face Detection using an a contrario approach
3.5 A short cascade of classifiers with adaptive detection thresholds
Conforme podemos depreender Tabela 3, os números das desigualdades regionais parecem buscar acolhida também no campo das instituições brasileiras que se firmaram como proscênio de pesquisas.
Contudo, é preciso que se leve em consideração que cada instituição abaixo especificada tem um determinado contexto de surgimento e trajetória, ademais também contam a seu favor a região e a cidade onde estão situadas, uma vez que se posicionar em locais mais avançados, em relação ao desenvolvimento econômico, é quase sempre garantia de maior prestígio, mais fomentos, elevação de pessoal qualificado, maiores índices de produção acadêmica, entre outros.
Verifica-se na Tabela 3 como essa dinâmica se comportou nas instituições de pesquisa, quando os eixos são os grupos que pensam o gênero no Brasil.
25 Trata-se da formulação de políticas institucionais que visavam dentre outras coisas, a formação acadêmica das/os pesquisadoras/es brasileiras/os. Desde 1975 vêm sendo elaborados e postos em prática os Planos Nacionais de Pós-Graduação (PNPG), através deles se objetivou a construção e desenvolvimento da pós- graduação no Brasil, conforme consta no documento oficial do Plano Nacional de Pós-Graduação 2005-2010 (BRASIL, 2004).
26 Conforme Silva, Bittar e Veloso (2004), o I PNPG estava previsto para ser efetivado no transcorrer de um período que compreendia cinco anos, entretanto, prolongou-se até o ano de 1982, época em que foi aprovado o II PNPG, em plena vigência governamental do General e Presidente João Batista Figueiredo.
Tabela 3 – Distribuição institucional dos grupos de pesquisa no Brasil que realizam estudos concernentes às questões de gênero, 2006
Fonte: CNPq (2006)
Do total de 494 grupos distribuídos de maneira dessimétrica por 136 instituições que realizam pesquisa no Brasil, em 2006 a Universidade de São Paulo (USP) com 4,67% (23) se mostrou como aquela que continha a maior soma em grupos de pesquisa que assumem também ou nomeadamente o gênero como uma de suas categorias fomentadoras. Para efeitos de comparação, conforme os índices divulgados pelo CNPq 28 no ano de 200429 dos 19.470
27 CEBRAP, FBDC, FCC, FCMSCSP, FEAD, FEE, FIC, FTC, IAPAR, IBICT, MPEG, PUC/MINAS, UCAM, UCB-DF, UCB-RJ, UCPEL, UEFS, UEG, UENF, UEPA, UERN, UESPI, UFGD, UFJS, UFLA, UFMS, UFRB, UFSJ, UFV, UNAERP, UNC, UNESA, UNIABC, UNICEUB, UNIFAL/MG, UNIFESP, UNIFRA, UNIGRANRIO, UNIJUI, UNILASALLE, UNIOESTE, UNIPAC, UNISAL, UNISUAM, UNITAU, UNITINS, UNIVALE, UNIVATES, UNIVILLE, UNP, UPF, URCAMP,UTP, cada uma contendo 01 grupo de pesquisa, correspondendo a 0,2% do total.
28 Consultar o site http://dgp.cnpq.br/censo2004/sumula_estat_/index_grupo.htm 07/07/06.
29 Em razão do CNPq não fornecer os dados de quantos grupos brasileiros atuaram no período correspondente a 2006 foram cotejadas as quantidades do total nacional dos grupos no ano de 2004 com os números dos grupos que estudam gênero cadastrados até o ano de 2006.
INSTITUIÇÃO GRUPO INSTITUIÇÃO GRUPO INSTITUIÇÃO GRUPO
USP 23 UFRRJ 5 UNOCHAPECO 3
Unesp 21 ULBRA 5 EST 2
UFRJ 18 UNICENTRO 5 UFPEL 2
UFPE 16 USS 5 FURB 2
PUC/SP 14 FURG 4 SEADE 2
UFSC 14 IS 4 PUC/RJ 2
UERJ 13 MACKENZIE 4 UEMG 2
UFBA 13 PUC/RS 4 UESB 2
Unicamp 13 UCG 4 UESC 2
UFRGS 12 UDESC 4 UFAM 2
UFES 10 UFC 4 UFRPE 2
UEL 9 UFT 4 UFSM 2
UFMG 9 UNIR 4 UFS 2
UFSCAR 9 UPE 4 UNEB 2
FIOCRUZ 9 UCS 3 UNEMAT 2
UFF 8 UFAC 3 UNESC 2
UNB 8 UFJF 3 UNIFRAN 2
UFMA 7 UFMT 3 UNIMONTES 2
UFPR 7 UEPG 3 UNIRIO 2
UEM 6 UFRR 3 UNIT 2
UFAL 6 UNIVERSO 3 UVA-CE 2
UFPA 6 UTFPR 3 FNH 2
UFPB 6 UNISINOS 3 UCSAL 2
UFPI 6 PUC/Campinas 3 UFG 2
UFRN 6 UECE 3 UNIPAR 2
UEPB 5 UEMA 3 URCA 2
UFU 5 UGF 3 URI 2
grupos de pesquisa brasileiros, essa academia já denteava 9,7% (1.884) deles, dos quais 1,22% (23) discorrem em torno da temática gênero, mostrando dessa forma, que os grupos de pesquisa também são responsáveis pela magnificente liderança que a USP ocupa no campo da produção científica nacional.
Ainda acompanhando as informações da Tabela 3, veremos que a Universidade Estadual Paulista (Unesp) segue de perto a USP, pois apresenta 2,93% (21) grupos que se esmeram no estudo das questões de gênero em 2006, possuindo no ano de 2004 o indicativo de 3,7% (716) grupos no total das instituições.
No ano de 2006 na terceira posição aparece a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que com o total de 4,9% (963) dos grupos vinculados a essa instituição em 2004, demonstrou a partir daquela estimativa, possuir apenas 1,87% (18) de grupos que se voltaram para preocupações em torno do gênero. Na quarta, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) declarou que na soma de 1,8% (354) grupos ligados à instituição 4,52% (16) deles abordam o gênero.
Já a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aparecem em quinto lugar na tabela acima que em meio a um total nacional de grupos 0,9% (182) e 2,0% (398), respectivamente, extrai-se que destes 7,69% (14) e 3,52% (14) dedicam-se a estudos que se relacionam à temática citada. Ao avançarmos um pouco mais nos dados da tabela avistaremos que a Universidade Federal do Pará (UFPA) em 2006 apareceu, compartilhando com outras cinco universidades, a décima segunda posição, se equipararmos com o ano de 2004 quando a referida instituição contava com 0,8% (157) do total dos grupos de pesquisa brasileiros atuando, concluiremos que 3,82% (6) deles ocupavam-se das questões de gênero no ano de 2006.
Partindo de uma visão panorâmica, não deixa de ser animador que a UFPA tenha algum tipo de destaque na colocação dentre as instituições mencionadas na tabela acima, mormente se lembrarmos que estamos falando de 136 instituições brasileiras de pesquisa que juntas somam 494 grupos que declararam estarem debruçando-se sobre as questões de gênero em âmbito nacional. Sob esse enfoque, arrisco-me na assertiva que garante a UFPA como a representante dos estudos de gênero na região Norte, pois essa instituição é na atualidade a que mais abarca grupos de pesquisa sobre gênero. No estado do Pará essa Universidade ainda divide seus lauréis apenas com outras duas instituições: a Universidade Estadual do Pará (UEPA) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), ambas com 01 (0,2%) grupo de pesquisa atuando.
Não é demasiado reiterar que, com relação à distribuição institucional dos 19.470 grupos de pesquisa brasileiros, continuou-se vendo números ancorados nas desigualdades em que se deram os desenvolvimentos regionais, onde algumas instituições gozam de privilégios acadêmicos e científicos em detrimento de outras. Quanto às unidades da federação a que estas instituições estão atreladas fica evidenciado o predomínio do eixo São Paulo (SP) - Rio de Janeiro (RJ) sobre as demais unidades que parecem não conseguir alcançar os valores absolutos daquelas duas primeiras.
São Paulo toma para si 21,46% (106) dos grupos em foco, dessa forma nos declara que detém sozinha grande parte deles estando inclusive 24 grupos à frente da segunda colocada que é o Rio de Janeiro com 16,59% (82); na terceira posição encontra-se Rio Grande do Sul contabilizando 9,11% (45), na quarta Paraná 8,7% (43), na quinta Minas Gerais 7,7% (38), na sexta colocação Santa Catarina apontando para 5,47% (27), Bahia e Pernambuco sinalizam o sétimo e o oitavo lugar cada uma, marcando 4,45% (22) e 4,25% (21) separadamente. Após quatro posições, na décima terceira ordem situa-se o Pará revelando 1,82% (9) dos grupos sondados.
Tabela 4 – Distribuição dos grupos de pesquisa no Brasil que estudam a temática gênero, segundo as unidades da federação, 2006
UNIDADES DA
FEDERAÇÃO NÚMERO DE GRUPOS UNIDADES DA FEDERAÇÃO NÚMERO DE GRUPOS
São Paulo 106 Alagoas 8
Rio de Janeiro 82 Paiuí 7
Rio Grande do Sul 45 Goiás 5
Paraná 43 Mato Grosso 5
Minas Gerais 38 Tocantins 5
Santa Catarina 27 Sergipe 4
Bahia 22 Rondônia 4
Pernambuco 21 Espírito Santo 3
Ceará 12 Roraima 3
Paraíba 11 Acre 3
Distrito Federal 10 Amazonas 2
Maranhão 9 Mato Grosso do Sul 1
Rio Grande do Norte 9 Amapá -
Pará 8 BRASIL 494
Fonte: CNPq (2006)
Dentre as unidades da federação brasileira, pode-se inferir que os números mais altos dos grupos de pesquisa estão elencados na seguinte disposição: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia e Pernambuco. Essa seqüência itera aquela idéia das regiões Sudeste, Sul e Nordeste no comando expressivo dos estudos em
torno do gênero, enquanto as unidades pertencentes às regiões Centro-Oeste e Norte ficam timidamente posicionadas na composição desse quadro representativo que de maneira profusa cria unidades que não possuem grupos (no sentido aqui discutido) cadastrados no CNPq, como é o caso do Amapá que no mesmo espaço de tempo convive com unidades como São Paulo que pompeia 106 grupos.
A questão que preocupa em decorrência dessa realidade, é que ela delineia os lugares dos financiamentos, do crescimento e da projeção, criando e retroalimentando polêmicos “centros” de produção acadêmica. Para os que estão de fora desses centros parece restar a “periferia”, mas não se pode prescindir que esses lugares alavancam copiosos esforços para avançar em seus empreendimentos de pesquisa.
Portanto, urge que as regiões menos desenvolvidas absorvam mais investimentos, a fim de promover alguma proximidade com as mais avançadas. Em razão disso, o credenciamento de programas em municípios distantes dos grandes centros é muito bem vindo, por certo que isto deve acontecer sem abrir mão dos padrões de qualidade.
A respeito disso, segundo a Assessoria de Imprensa da CAPES30, durante o ano de 2004, em meio às discussões do V PNPG surgiu o programa “Acelera Amazônia” com o objetivo de solucionar a equação que tem provocado desequilíbrios nos investimentos destinados às regiões. Para inaugurar as ações deste programa, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (CAPES/MEC) liberou para a região Norte a quantia de R$ 2 milhões, para “[...] a concessão de bolsas de apoio a recém-doutores, bolsas de iniciação científica para jovens interessados em fazer a carreira científica e desenvolvimento de laboratórios” (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR, 2006, não paginado). Segundo o site da CAPES, José Fernandes de Lima, diretor de Programas da referida Coordenação, assegura que o Acelera Amazônia visa também a estimulação de mobilidade em instituições diferentes e entre grupos consolidados e emergentes.
Como parte da política que fomenta a criação de novos cursos, formação e fixação de mestres e doutores nos estados da região Norte, no ano de 2005, o sinal de positivo da CAPES legalizou o número de 23 novos cursos de pós-graduação (18 de Mestrado e 05 de doutorado), contribuindo para o saudável crescimento de 25% para os programas de mestrado e de 33% para os de doutorado, quando comparado com o ano de 2004.
30 Informações disponíveis em: <http: www.capes.gov.br/capes/portal/conteudo/dez/N_14032006S.htm>. Acesso em: 22 set. 2006.
Com isso a partir do prisma regional, elevam-se as expectativas de um crescimento qualitativo e quantitativo do Sistema Nacional de Pós-Graduação como um todo, levando-se em conta uma política que inclua modelos possíveis e ações focadas nas vicissitudes de cada realidade, fomentando com isso o aumento de pesquisadoras/es e grupos de pesquisa, especialmente nas unidades rotuladas como “periféricas”.
2.2 NOS GRUPOS, AS/OS PESQUISADORAS/ES: O FRONTISPÍCIO DE UMA CIÊNCIA