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Experiment 5. A Comparative Study between Human and Machine using FE-

Chapter 3 Face Detection using an a contrario approach

4.5 Experiments and Analysis of Results

4.5.5 Experiment 5. A Comparative Study between Human and Machine using FE-

Nessa parte do trabalho, indicamos algumas características estruturais do capital comercial que nos permitirão num momento posterior singularizar os processos e as relações sociais que tornam específicas tanto a valorização quanto a acumulação de capital nesse campo. Para tanto, fizemos um resgate das posições clássicas da economia política marxiana, não por uma opção dogmática mas muito mais pelo condicionamento imposto pela baixa produção acadêmica sobre nosso objeto que adota o respectivo referencial e por representar o capital comercial o “primo pobre” do capital industrial e financeiro em nosso contexto social.

Capital comercial14 e capital financeiro encerram tudo aquilo a que Marx (1985) chamou de capital mercantil15, ou seja, capitais que adquiriram relativa autonomia no circuito

14 Marx (1985) tratará do capital comercial com mais detalhamento no v. 5 de O Capital.

15 Por capital mercantil entendemos todo aquele capital circunscrito à esfera da circulação da produção capitalista e não aquele capital que num determinado momento histórico dominou a sociedade através da mediação e do controle das trocas entre produtores.

do capital industrial desenvolvendo funções particulares na esfera da circulação e que em função disso se transformam em atividades particulares de uma categoria específica de capitalistas.

O propósito dessa parte do trabalho é apontar elementos que possibilitem compreender os supermercados como uma manifestação particular da materialização do capital comercial. Para tanto, importa perceber como no circuito de cada capital individual se processará o fracionamento na divisão social do trabalho, pois, é no interior desse movimento que a parte que assume especificamente a forma/função de capital-mercadoria se transformará em tarefa especializada de uma camada de capitalista.

A personificação do capital comercial nos mais diversos tipos de comerciantes se instalará autonomamente nos interstícios do processo de reprodução do capital para então, em seu interior, na esfera da circulação, desenvolver um capital de tipo específico cujo movimento se resumirá apenas a “D – M – D’, a forma simples do capital, por inteira encerrada no processo de circulação, sem interromper-se pelo intervalo de produção, que se situa fora do movimento e da função que dela são próprios” (MARX, 1981, p. 312).

Na relação estabelecida entre o capital mercantil e o capital industrial este terá como função realizar o seu capital-mercadoria na forma capital-dinheiro do comerciante. Após essa troca, e já nas mãos do comerciante, o capital comercial, convertido agora à forma mercadoria, prosseguirá na esfera da circulação até que a tarefa de realizá-la cumpra-se parcialmente, se transferida a outro mercador, ou de maneira definitiva ao ser inserida na esfera do consumo individual ou do consumo produtivo se nas mãos de outro capitalista.

O setor supermercadista localiza-se especificamente no derradeiro ato do processo de circulação, naquele que cabe ao comerciante a função de realizar definitivamente o valor de troca que antecede o valor uso das mercadorias na esfera do consumo, não interessando aqui se ao longo do processo de circulação, para a efetiva realização do capital-mercadoria, tenha havido muitas, poucas, uma única ou nenhuma outra intermediação entre os supermercados e o capital produtivo.

Marx diferencia a circulação do capital-mercadoria, M’ – D – M, conduzida pelo capital produtivo da circulação do capital-mercadoria efetuada pelo capital mercantil D – M – D’. Na circulação promovida pelo produtor mesmo após a mercadoria transferir-se para as mãos do comerciante ela ainda não foi definitivamente realizada; só quando ela é vendida ao consumidor final pelo comerciante varejista é que está plenamente realizada. A circulação que

no circuito do capital produtivo representa para o produtor apenas o ato M – D, para o comerciante representa seu circuito completo D – M – D’.

O processo de troca conduzido pelo produtor, na condição de vendedor, para converter seu capital-mercadoria em dinheiro através do adiantamento de capital-dinheiro do comerciante, e sua posterior atuação, na condição de comprador, na metamorfose de dinheiro em meios de produção e força trabalho, permite a continuidade do processo de produção e esgota toda atividade desse capital industrial na esfera da circulação. Se fosse depender do consumo individual improdutivo ou do consumo produtivo de outro capital para a transformação de seu capital-mercadoria em dinheiro, seu processo de produção sofreria permanente redução de escala ou interromper-se-ia a cada ciclo constantemente.

Considerando que no processo de reprodução de todo capital da sociedade, uma parte sempre estará na esfera da produção na forma de capital produtivo enquanto outra circula nas formas de capital-dinheiro ou capital-mercadoria, o capital mercantil interfere positivamente nas proporções em que o capitalista industrial reparte seu capital entre a produção e a circulação, fazendo pender sempre a favor da produção a interferência provocada pelo adiantamento de capital-dinheiro do comerciante frente ao capital-mercadoria do industrial.

Esse complexo processo tem como intenção precípua acelerar tanto o tempo de circulação do capital comercial particular quanto o tempo de rotação do capital industrial total, determinantes fundamentais para o necessário processo de valorização e acumulação ampliada que move o capital desde tempos imemoriais.

Partamos agora então do seguinte pressuposto: o comerciante, ao se ocupar apenas com as operações de compra e venda de mercadorias, enquanto libera o produtor do gasto improdutivo tanto de seu precioso tempo quanto de seu escasso capital por um lado, por outro converte mais rapidamente o capital-mercadoria em dinheiro para o produtor do que ele mesmo o faria.

É na relação estabelecida entre produção e realização que encontramos a principal determinação do capital comercial sob o capitalismo: a abreviação do tempo de circulação16 do capital nas formas dinheiro e mercadoria.

16 Rosdolsky (2001) distingue a circulação real, aquela que transforma a existência espacial do produto por meio da indústria do transporte acrescentando-lhe com isso valor novo, da circulação econômica, na qual há apenas mudança na forma do valor de mercadoria para dinheiro ou vice-versa.

Considerando que é só no tempo de trabalho efetivado dentro do processo de produção17 que reside a fonte de valorização do capital, quanto menor for o tempo de

circulação gasto fora da produção melhor será para sua produtividade.

Ao tempo gasto em circulação corresponde o tempo que parte do capital que circula não produz e deixa de se valorizar; a circulação limita negativamente a produção e nesse sentido “Tempo de circulação e tempo de produção excluem-se mutuamente” (MARX, 1985, v. 3, p. 91).

É somente dentro dessa perspectiva temporal, soma de tempo de produção e circulação, do circuito do capital, que se pode considerar seu ciclo isolado, completo em si mesmo, ou ainda a repetição sucessiva do mesmo, sua rotação18.

Se a rotação do capital industrial implica na soma dos tempos de produção e circulação no qual se renovava a totalidade de capital investido, a rotação do capital comercial se limita à metamorfose M – D de um circuito qualquer do capital industrial, encerrando a mesma, nessa função, os atos de compra D – M e venda M – D de uma mercadoria.

Por não se identificar com a rotação ou reprodução isolada de nenhum capital individual, consideremos por exemplo à plêiade de produtos disponibilizados nos supermercados, a rotação do capital comercial propicia a aceleração da rotação de vários capitais industriais dos mais diferentes ramos; contudo, “A velocidade da circulação do capital-dinheiro adiantado pelo comerciante depende: 1) da velocidade com que se renova o processo de produção e se engrenam os diferentes processos de produção; 2) da rapidez do consumo” (MARX, 1981, p. 320).

Independente de realizar uma ou dez rotações anuais, a cota parte de mais valia destinada ao capital comercial é constante. Se essa cota corresponde a 10% sua rotação realizará esse lucro de uma vez caso seja feita numa única rotação, ou 1% de cada vez, se forem realizadas ao longo de dez19. Assim, se a aceleração da rotação do capital industrial implica num maior montante de lucro sobre seus adiantamentos, na rotação do capital comercial em nada modifica sua cota de lucro.

O capital comercial se apresenta alternativamente sob a dupla forma de capital- mercadoria ou capital-dinheiro, mas sua característica mais marcante é que, por funcionar

17 Não confundir tempo de produção (todo tempo gasto na produção de uma mercadoria), com tempo de trabalho (apenas o tempo de trabalho vivo efetivado na produção). Ver Rosdolsky (2001, p. 279) e Marx (1985, v. 3, p. 89/ 90).

18 A rotação do capital envolve o tempo total de renovação do capital constante (meios de produção); não apenas sua parte circulante, aquela que se transfere integralmente às mercadorias a cada circuito do capital, como também a sua parte fixa, aquela que se transfere somente aos poucos às mercadorias.

apenas na esfera da circulação, é estéril, não produzindo qualquer valor ou mais-valia, atributos exclusivos da esfera da produção, ele pode no máximo abreviar o tempo de circulação do capital industrial e com isso contribuir indiretamente para aumentar o tempo de produção e a mais-valia nele produzida ampliando assim o volume de mais-valia que servirá de base para o cálculo das taxas de lucro geral e média.

Até aqui vimos como o capital comercial atua essencialmente na esfera da circulação, convertendo capital-mercadoria em capital-dinheiro sem com isso acrescentar qualquer valor a mercadoria permutada; que a autonomia relativa do capital comercial implica numa forma particular de divisão do trabalho social no campo do capital; que a função particular desenvolvida pelo capital-comercial é determinada pela necessidade de reduzir o tempo de circulação do capital industrial que está em processo. Passemos agora, a partir do próximo tópico, a analisar o trabalho na esfera da circulação, caracterizando-o e indicando suas peculiaridades, no sentido de especificar a natureza dessa atividade de trabalho, essencial à produção capitalista, que só pode ser entendida enquanto subsumida a lógica da acumulação de capital.