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Sexuality - Need and ‘Nature’

O último capítulo Şconsidera a natureza reĆexiva de uma sistema de signos no- vamente, mas desta vez do ponto de vista de todo o sistema [. . . ]. Aqui, a noção de reĆexividade é um caso especial de uma interação do sistema consigo mesmo via o mundo externoŤ (TANAKA-ISHII, 2010, p. 176).

Inicia aĄrmando que a linguagem natural é reĆexiva em vários níveis. ŞNo nível do ser humano, um sistema de linguagem evolve produzindo uma saída interpretável por si. O entendimento comum de que aĄrmar/escrever é entender mostra que a produção de uma expressão objetiĄca um pensamento como uma composição de signos, que reĆexivamente se torna a entrada inĆuenciando o pensamento, desse modo alimentando o entendimentoŤ. Segundo ela, através da reconsideração reĆexiva da saída (output) auto-produzida, Şum ser humano pode mudar, melhorar, e evoluirŤ. Continua aĄrmando que ŞreĆexividade ocorre entre múltiplos sistemas de linguagem natural, a saber, entre múltiplas pessoasŤ Ůo que nos indica que a autora considera que uma pessoa é um sistema de linguagem natural. Segundo ela, a reĆexividade do sistemas de linguagem natural decorre da sua natureza estrutural (ver Capítulo 9 - Humanos estruturais versus computadores construtivos). E no caso das linguagens de computador a reĆexividade no nível do sistema não é óbvia, em parte por sua natureza construtiva (idem), mas garante que os sistemas de linguagem computacional poderosos são todos reĆexivos. Com isso especiĄca melhor o objetivo do capítulo, que é olhar a respeito da reĆexividade de vários sistemas de linguagem computacional (p. 177Ű179).

Começa introduzindo o conceito de homoiconicidade, a característica dos sistemas de linguagens de programação que denota um programa de computador que tem o mesmo formato que os dados que são entrada e saída do programa. Um exemplo é a linguagem de programação Lisp. O termo homoiconicidade portanto indica se um computador pode produzir programa auto-interpretáveis. E a autora estende a signiĄcação do termo homoiconicidade para signiĄcar reĆexividade, até para evitar confusão nos leitores de outros domínios que não a computação (p. 179Ű180). A respeito de deĄnições a autora esclarece:

O termo sistema de signos neste livro [. . . ] signiĄca uma relação entre signos e suas interpretações. Interpretação [. . . ] signiĄca processar uma expressão de acordo com as regras interpretativas pré-deĄnidas do sistema de signos. Um sistema de linguagem é um tipo de sistema de signos consistindo de uma relação entre signos linguísticos e suas interpretações. Linguagens naturais e linguagens computacionais, ambos, consistem-se sistemas de linguagem. Alguns sistemas de signos, incluindo sistemas de linguagem, são produzidos pelo uso de um sistema de linguagem. No caso de sistemas de computador, a maioria é escrito em alguma linguagem de computador. Um sistema de linguagem reĆexivo adquire alguma expressão como entrada e produz outra como saída, e partes da saída formam expressões interpretáveis pelo próprio sistema. [. . . ] Linguagens naturais são sistemas de linguagem reĆexivos [. . . ]. A capacidade de um sistema de signos interpretar sua própria saída envolve auto-aumentação, ou seja, a capacidade do sistema mudar-se ou modiĄcar-se, estender-se, melhorar, ou, possivelmente, evoluir (TANAKA-ISHII, 2010, p. 180).

O texto prossegue lembrando que a característica da aumentação não é limitada à auto- aumentação. Múltiplos sistemas podem se alimentar-se mutuamente, e essa alimentação é mais efetiva se esses sistemas são reĆexivos. AĄrma que quando mais de um sistema está envolvido, é importante saber se o sistema de linguagem é aberto ou fechado. É aberto quando o esquema de interpretação é público, ao passo que é fechado quando o esquema de interpretação mantém-se privado. Para sistemas abertos, múltiplos sistemas podem possuir exatamente o mesmo sistema interpretativo. Nesse caso, o resultado Şobtido através do uso de múltiplos sistemas é o mesmo que o obtido por somente um sistema. [. . . ] Em outra palavras, aumentação mútua entre sistemas abertos é qualitativamente equivalente a auto-aumentaçãoŤ. Em sistemas fechados os sistemas possuem diferente esquemas interpretativos, levando a inĆuência adicional no resultado (p. 180Ű181). Sobre isso, aĄrma:

Além disso, quando dois sistemas fechados comunicam-se utilizando linguagem, a inĆuencia de uma expressão permanece indireta, uma vez que cada comunicador tem seu próprio intérprete fechado em si mesmo e o esquema de interpretação da contraparte é desconhecido. Um falante pode apenas gerar uma expressão assumindo como o ouvinte pode interpretar a expressão. Dentro desse assumir, a reĆexividade tem um

3.4. Parte III. Sistemas de Signos 77

papel crucial na simulação do entendimento do outro pelo uso do próprio esquema interpretativo (TANAKA-ISHII, 2010, p. 182).

A autora conclui suas considerações a esse respeito aĄrmando que há controvérsia quanto aos Şsistemas de linguagem naturais serem fechados ou nãoŤ, e parte para o exame de como os sistemas computacionais de signos se encaixam quanto a reĆexividade (p. 182).

Inicia propondo uma categorização das linguagens computacionais quanto à reĆexi- vidade: não reĆexivas, Ąnitamente reĆexivas (caso das linguagens de pré-processamento) e inĄnitamente reĆexivas. Prossegue introduzindo o conceito de compilador e interpretador: o interpretador é um sistema que Şanalisa diretamente as expressões de uma linguagem e as executaŤ. Compilador é Şsoftware que traduz um programa em outra linguagem com um interpretadorŤ, lembrando que normalmente essa segunda linguagem é a linguagem de máquina deĄnida para a CPU, e portanto o próprio equipamento é o interpretador. Portanto, Şa criação de um sistema de linguagem fundamentalmente signiĄca produzir ou um interpretador ou um compiladorŤ. Apresenta então a interessante questão da evolução da linguagem C: o compilador da linguagem foi escrito na própria linguagem. Em resumo, um pequeno subconjunto de C, suĄciente para construir o compilador, foi construído na linguagem de montagem utilizada para controlar a CPU. Esse pequeno subconjunto foi utilizado para construir a versão-zero do compilador, uma versão-um foi compilada a partir desta, e assim por diante, até chegar ao estado atual de evolução. Segundo a autora, esse processo poderia ser automatizado, o que requereria duas funcionalidades adicionais: (1) o sistema de linguagem deveria ser capaz de produzir uma nova versão do programa auto-interpretável. Aqui, o ponto chave é o planejamento da atualização: com estender ou melhorar a linguagem, o que hoje em dia é feito por humanos. E (2) o sistema de linguagem precisaria uma moldura de trabalho para interpretar o programa modiĄcado durante a interpretação do programa anterior, o que segundo a autora pode ser obtido através da meta-programação. Finalmente, a autora faz considerações a respeito da reĆexividade de um sistema de sistemas de computadores, levando em consideração o fato de serem ou não abertos, e demonstrando a reĆexividade presente nesse caso, que tem as mesmas limitação dos casos já vistos (p. 182Ű190).

Sua conclusão é de que os sistemas de signos computacionais são inerentemente reĆexivos, o que é Şa natureza de um sistema de signos em geral. Não se sabe, não obstante, como subordinar a reĆexividade em uma direção especíĄca nos sistemas computacionais, e mais importante, essa direção não é conhecida. Estipular tal direção começa por situar outros sistemas de signos dentro de um sistema de signos, [. . . ] e também por situar o sistema de signos em si mesmo [. . . ]. Nos sistemas de signos naturais, também, tais direções foram encontrados ao longo do curso de muitos anos, e a estipulação não é uma questão simples. A busca por tal direção foi e continuará sendo uma questão crítica na

evolução dos sistemas de signosŤ (p. 191).