VARIANCE IN SHOT SIZE
5.5. Sexual minorities
De acordo com os exemplos de mídia televisiva apresentados, percebemos a mudança na linguagem que a publicidade utiliza em sua comunicação com, o que chamamos agora, de –consumidor-sujeito.
A mensagem transmitida traz uma aproximação junto ao receptor, assim como o início de uma participação do mesmo no estudo da própria mensagem a ser emitida, uma vez que neste momento o emissor se compromete em agradar o receptor, ainda representando, mas trazendo à tona as necessidades emocionais desse consumidor-sujeito, isto é, alguém que é entendido pela comunicação/publicidade primeiro como consumidor e depois como um sujeito, mas que deixou de ser o “objeto” que deveria consumir o que fora anunciado.
A partir desse ponto, os anúncios deverão acompanhar a nova percepção para então conseguirem atingir a atenção do emissor na receptividade da mensagem.
2O“ACHATAMENTO”CULTURAL
“(...) ‘É sempre o fim do mundo’, disse Russell Grandinetti, um dos principais executivos da Amazon. Ele ressaltou, porém, que a paisagem estava mudando pela primeira vez desde que Gutenberg inventou o livro moderno, há quase 600 anos. ‘As únicas pessoas realmente necessárias no processo de edição hoje são o escritor e o leitor’, afirmou ele. ‘Todos que ficam entre esses dois têm riscos e oportunidades’”36.
A epígrafe deste capítulo nos serve como reflexão diante dos caminhos a serem percorridos pela tese. Qual o significado da afirmação feita, quando se observa que, para a existência de algum “conteúdo” (texto) somente são necessários seu emissor (autor) e seu receptor (leitor)?
A notícia trata da decisão da Amazon.com37 – que já havia “ensinado” que leitores não precisam de livrarias –, de oferecer a edição direta de livros sem a necessidade de qualquer intermediário ou relação comunicativa face-a-face entre o “escritor” e o “leitor”, ou seja, sem a necessidade da editora, do crítico ou do agente literário.
Mais ainda, o site procura por meio de e-mail e chats aproximar e estimular a comunicação virtual entre os autores e os seus leitores, na verdade uma prática comum dentro do mercado editorial tradicional, a comunicação direta ocorre apenas nos momentos de lançamento de livros como parte do seu esforço promocional.
A maneira pela qual a notícia foi recebida também merece atenção, através de um
app38 para smartphone, o iPhone, oferecido gratuitamente pela revista Veja onde o usuário
(da informação) pode dispor do pequeno aplicativo para receber diretamente em seu device39 (dispositivo tecnológico) as últimas notícias disponibilizadas através do site da revista. Um misto entre veículo tecnológico e vínculo comunicativo permite que a publicação obtenha informações sobre os hábitos de consumo midiático do usuário, suas preferências
36 Notícia disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/amazon-poe-em-alerta-as-editoras-
tradicionais. Verificado em 30/10/2011.
37 Informação disponível em: Direct Publishing, www.amazon.com, http://www.webpronews.com/kdp-payouts-
up-2012-01. Verificado em 15/01/2012.
38 São os aplicativos/programas que desenvolvidos para serem utlizados no iPhone, vários deles vem localizados
na sua tela inicial, utilizam para sua instalação a transmissão por Wi-fi, EDGE ou 3G.
39Device é qualquer equipamento ou componente tecnológico anexado a um computador; são exemplos os discos
rígidos, impressoras e mouses. No espaço comportamental contemporâneo como a cibercultura, os diferentes
relacionadas ao serviço de troca, sua localização geográfica, entre outros dados, e que seja também um “alvo” preferencial para as estratégias de venda de assinaturas e outros serviços da Editora Abril, proprietária da revista Veja, com algum outro dos seus produtos editoriais.
Através dessa notícia, somos informados de que a Amazon.com está oferecendo a autores, conhecidos ou não, a oportunidade da publicação e comercialização dos seus livros diretamente pelos serviços oferecidos em site. Para tanto, criou uma linha de produtos editoriais em formato digital e impresso, para lançar marcas específicas de ficção e não- ficção onde os “novos” autores poderiam disponibilizar seu títulos e também dispor de informações qualificadas de vendas e audiência, antes uma informação restrita e de uso exclusivo do universo das empresas editoriais e da sua estrutura de funcionamento.
Interessados na informação, resolvemos “postá-la” numa conta do microblog40
twitter41, publicá-la num blog42, compartilhá-la através do Facebook43 e Google+44. Espaços
em que outros, conhecidos ou não, poderiam também interessar-se por ela, comentá-la, ou simplesmente deixá-la à disposição para outra decisão qualquer, a de excluí-la, inclusive.
A sociedade contemporânea (1990 – 2010) e nela as modas e modos da publicidade, têm sofrido mudanças importantes e muitas vezes repentinas, tornando cada vez mais difícil percebê-las em função do vetor que as determina, a velocidade.
Virilio (1996) notava os efeitos da velocidade e da tecnologia (na pós-Modernidade) como geradoras de um espaço de vivência social e política onde ela, a velocidade, se manifesta no que chamava de “circulação habitável”, ou a incorporação das mais diversas tecnologias em todas as esferas da vida humana, possibilitando a “presença” na “não- presença” dos corpos, um movimento em que se “está” e se “é” ao mesmo tempo e em qualquer lugar.
É o “presente contínuo”, gerador de um tipo de dinamismo que passaria a fazer parte das características da vida humana. Não percebemos tais mudanças, a “velocidade da velocidade” presente em nosso dia-a-dia cria um novo vetor resultante das observações feitas
40 Micro-blogging é uma forma de publicação de blog que permite atualizações breves de texto – em torno de
140 caracteres - e publicá-las para que sejam vistas publicamente ou apenas por um grupo restrito escolhido pelo usuário. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Microblogging. Acesso em 11/11/2011.
41 http://www.twitter.com/wbekesas ou @wbekesas.
42 http://wbekesas.tumblr.com/ e < http://wbekesas.blogspot.com. 43 http://www.facebook.com/wbekesas.
por Virilio. Cria o vetor aceleração, que provocaria, segundo o autor, um achatamento cultural responsável por eliminar a percepção do tempo/espaço, fundamentais para a consciência social e da cultura, desenvolvendo então uma realidade em que se torna possível conhecer as particularidades de algum lugar em tempo real, sem estar fisicamente lá. O mundo virtual passaria a ser mais “real” que as próprias experiências do sujeito..
As palavras de Virilio são importantes justamente porque o autor preocupou-se com a análise mais crítica dos efeitos que a “revolução cibernética” e seus resultados poderiam provocar na sociedade.
Porém, distante de gerar tal “achatamento”, o mundo contemporâneo assiste a uma disseminação de referentes culturais. A explosão comunicativa cria o “presente contínuo” de Virilio e há que considerar os efeitos de tal expansão de linguagens na diversificação e constituição da própria cultura global.
Lembremos que Virilio (1993) foi também crítico “feroz” do processo de digitalização da sociedade e relacionava à imagem, ou à representação (digital) da cidade contemporânea, à empresa digital, como uma manifestação de ação/dominação do capital. Virilio questionava se a cidade ainda teria uma localização ou posição geográfica, uma vez que estaria imersa numa realidade em que as noções de centro e periferia, urbe e campo, tinham sido transformadas por uma outra imagem, onde a dissolução de fronteiras resultaria numa nova face da arquitetura da cidade.
“Se no século XIX a atração cidade/campo esvaziou o espaço agrário de sua substância (cultural e social), no final do século XX é a vez do espaço urbano perder sua realidade geopolítica em benefício único de sistemas instantâneos de deportação cuja intensidade tecnológica perturba incessantemente as estruturas sociais; deportação de pessoas no remanejamento da produção, do face a face humano, do contato urbano para a interface homem/máquina” (VIRILIO, 1993, p.12).
Somos nós que habitamos essa superfície extensa, como uma nova arquitetura do espaço informacional em que uma interface homem/máquina constrói-se tão próxima (e permeável) que nos envolve no ambiente, agora um ambiente comunicativo.
São os espaços abertos dentro da aceleração do espaço também virtualizado, como desdobramentos da linguagem da apresentação em meio à comunicação e, dentro dela, a publicidade como a atividade condutora do processo, agora “fluxo” (CASTELLS, 2001; DELEUZE, G. e GUATTARI, F., 1996).
“Assim, proponho a ideia de que há uma nova forma espacial característica das práticas sociais que dominam e molduram a sociedade em rede: o espaço dos fluxos. O espaço dos fluxos é a organização material das práticas sociais em tempo compartilhado que funcionam por meio de fluxos” (CASTELLS, 2001, p. 501).
A partir desse momento, o vetor aceleração será nossa companhia constante e pressiona nossas certezas obrigando-nos, dada sua força, a conviver com a dúvida e alguma indeterminação relacionada aos conceitos que utilizaremos.
O capítulo discute a velocidade e a aceleração mas as propõe como parte do “espaço dos fluxos”, agora informacional: a cibercultura. Também a comunicação com bases tecnológicas e como o bios midiático tem sido capaz de envolver mesmo “as zonas menos determinadas da socialidade” (SODRÉ, 2002, p. 238), é aqui que vislumbramos o nascimento das redes sociais online como fenômeno antecipatório dos processos de imersão/imersividade no bios midiático acompanhado de maneira distinta pela “interatividade”, espécie de commodity das mídias digitais, em que ambas manifestações cumprem o papel de transformarem-se em presença “banal” e obrigatória no cotidiano contemporâneo.