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O documento Hora da Leitura foi disponibilizado no ambiente virtual do Projeto. Ele é constituído de 12 páginas, divididas em dez subtópicos: descrição, justificativa, objetivos, perfil dos docentes, metodologia, avaliação, desenvolvimento, conteúdo, organização e proposta de trabalho. Pela sua leitura é possível obter informações claras e objetivas acerca de como o Projeto deveria funcionar, do conteúdo a ser trabalhado nas aulas semanais, elaborado a partir do agrupamento de gêneros textuais proposto pelos PCNs de Língua Portuguesa para ciclo II, das justificativas acerca da necessidade de sua implantação, do perfil dos docentes que deveriam ministrar essas aulas, da proposta de organização didática, da orientação de que e como avaliar os alunos, sugestões de organização do trabalho pedagógico, orientações para a socialização das atividades desenvolvidas e dos exemplos de como o professor poderia organizar didaticamente o trabalho com gêneros textuais

Com base nesse documento, é possível observar que o “Hora da Leitura” propôs um trabalho pautado em três agrupamentos de gêneros: literários (orais e escritos), publicitários e de imprensa. O documento apresentou ainda uma proposta didática para cada um desses três gêneros.

Em geral, esses exemplos seguiram o mesmo formato textual: breve introdução sobre a proposta de trabalho apresentada, objetivos com relação às competências e habilidades a serem desenvolvidas nos alunos com as atividades propostas, recursos didáticos, caderno de registro, organização da sala de aula, etapas do trabalho, avaliação dos alunos, sugestões de outras leituras para a ampliação dos conhecimentos dos alunos sobre o gênero estudado, e a bibliografia que sustenta a proposta de trabalho. No âmbito das três propostas didáticas encontram-se um total de nove títulos.

Os três exemplos de atividades foram denominados “Roda de Leitura com Contos”, “Olha o Jornal: Quem Vai Querer?” e “O Texto Publicitário”. Abaixo segue uma síntese de cada proposta de trabalho.

“Roda de Leitura com Contos”

Essa proposta de atividade pretendeu otimizar o acervo do módulo ficção do PNLD 2005, e foi elaborada a partir da modalidade organizativa atividade permanente. Lançando mão do procedimento didático leitura compartilhada, o objetivo dessa proposta de trabalho foi

criar condições para que o aluno pudesse ter contato regular com diferentes contos, com a ajuda do professor, que deveria ler, discutir e construir sentidos juntamente com os estudantes.

O docente deveria selecionar os títulos do módulo ficção para desenvolver um trabalho voltado para a leitura em pequenos grupos, trio ou em dupla, com ênfase no desenvolvimento do gosto pela leitura e no exercício das quatro práticas básicas a serem desenvolvidas nesse nível de ensino: ler/escrever, falar/ouvir, com vistas a levar o aluno a compreender “que ler é uma negociação de sentidos, a partir da articulação das experiências e conhecimentos dos leitores, as especificidades de cada texto/autor e as características dos gêneros e seus usos sociais” (SÃO PAULO, 2005, p. 5).

Ao final dessa atividade, cada dupla/trio/pequeno grupo deveria produzir uma história, fazendo uma “Salada de Contos”, utilizando as anotações feitas pelos alunos em cada etapa do trabalho. A ideia era misturar todas as histórias lidas, de forma a criar uma nova e, posteriormente, a classe deveria organizar uma “Roda de Leitores” com as produções dos alunos.

Os livros Para ler os clássicos , de Ítalo Calvino; Como e por que ler os clássicos universais desde cedo, de Ana Maria Machado; Estética da criação verbal, de Mikhail Bakhtin; e Estratégias de leitura, de Isabel Solé foram apresentados como fundamento teórico dessa proposta de trabalho.

“Olha o Jornal: Quem Vai Querer?”

A sugestão de atividade proposta para o trabalho com o gênero de imprensa pretendeu contribuir para a formação do aluno no âmbito do exercício de sua cidadania, por intermédio da leitura crítica de jornais impressos e televisivos. A ideia era colocar os alunos em contato com esse gênero de texto, objetivando desenvolver neles algumas habilidades e competências, como a percepção crítica do conceito de “fato”; a compreensão da importância de manter-se informado e do papel que a informação representa nas escolhas pessoais; a conscientização do papel que o jornal representa no mundo atual e na formação de opinião do público; o reconhecimento do tipo de conteúdo veiculado num jornal e de sua organização textual.

O trabalho propunha ainda levar os alunos a se aprofundarem no estudo do gênero notícia, levando-os a reconhecerem as características desse texto em relação a outros, como os aspectos relacionados à sua composição e ao seu contexto de produção, conteúdos pertinentes a uma notícia, sua estrutura, e as marcas linguísticas que a definem enquanto um gênero.

Além de ainda proporcionar a leitura e a análise comparativa entre o jornal televiso e o impresso.

Ao final de todas as etapas do trabalho os alunos poderiam, organizados em pequenos grupos, elaborar jornais falados, com base nas notícias lidas durante o processo de desenvolvimento das atividades. Nessa proposta foram apresentadas duas bibliografias de referência: Como usar a televisão em sala de aula, de Marcos Napolitano e Para ler e fazer o jornal na sala de aula, de Maria Alice Faria e Juvenal Zanchetta Jr..

“O Texto Publicitário”

A última sugestão de atividade objetivou levar os alunos a serem capazes de compreender não apenas as finalidades e características linguísticas e textuais do texto publicitário, como também levá-lo a tornar-se um consumidor “mais atento e crítico”, por meio do conhecimento dos elementos de persuasão que a publicidade usa para conquistar o seu público. Para atingir esse fim, o professor deveria possibilitar a seus alunos o contato com propagandas de diferentes marcas, logotipos, público, slogans, de maneira que eles também pudessem criar as suas próprias propagandas, a partir das características do gênero.

Ao final do trabalho o professor deveria organizar junto com os alunos a divulgação das propagandas elaboradas e pesquisar os endereços das marcas/produtos, com o objetivo de enviar as propagandas feitas pelos alunos aos respectivos fabricantes. A ideia era criar condições para que os alunos pudessem vivenciar uma situação de produção de texto com interlocutores reais. A bibliografia de referência dessa proposta de atividade foi composta de três livros. Sendo eles, o livro Publicidade: a linguagem da sedução, de Nelly de Carvalho; A linguagem da propaganda, de Antônio Sandman; e A linguagem da propaganda, de Torben Vestergaard e Kim Schroder.

A linguagem dessas três propostas de atividades, assim como a das orientações didáticas, é de caráter explicativo ao que se refere à apresentação e descrição da proposta de trabalho e instrucional ao que se refere ao encaminhamento prático das atividades em sala de aula (solicite, escolha, organize). É interessante ainda chamar atenção para uma certa convicção apresentada pelo documento ao que se refere à aprendizagem dos alunos com a realização dessas propostas de atividades, especialmente no caso dessa última, conforme podemos observar pela fragmento a seguir: “Ao longo do desenvolvimento desta proposta de trabalho, o aluno acaba por estabelecer uma relação entre o mundo e a sala de aula,

compreendendo que o texto de propaganda tem importância na escola porque é importante fora dela” (SÃO PAULO, 2005, p. 11).