102 Vale lembrar que, conforme Wey (2002), a implantação desse Projeto veio acompanhada de uma série de medidas de ordem administrativa e pedagógica, de organização da escola e disponibilidade de recursos em sala de aula, de condições materiais e estímulo aos docentes.
103 Segundo Wey (2002), o total de carga horária das capacitações destinadas aos supervisores, ATPs, diretores, professores coordenadores e professores dos diversos componentes curriculares, no âmbito do “Ensinar e Aprender: construindo uma proposta”, foi, no início de sua implantação, de 160 horas.
104 Ver: < http://www.cenpec.org.br/memoria/index.php?mod=projetos.view.0&id=106>.
105 Vale lembrar que, a partir dos encontros realizados com os professores, no âmbito da primeira aplicação do Projeto no Paraná, em 1997, nasceram duas publicações: Ensinar e Aprender: Relatos de Prática (1998), que reuniu experiências desenvolvidas por professores e alunos das turmas de Correção de Fluxo, e Ensinar e
aprender: reflexão e criação (1998), elaboração conjunta entre professores aplicadores do Projeto e a equipe do
CENPEC. No Estado de São Paulo também foram produzidos diferentes documentos, a partir de sua implantação, tanto no ciclo I quanto no II. É importante ressaltar que a implementação dessas classes tem despertado o interesse em diferentes pesquisadores, em especial nos da área da educação.
Em 2000, o Projeto começa a ser desenvolvido no ciclo II106 como um projeto piloto, contando com a participação de 37 Diretorias de Ensino, 371 escolas, 913 classes, 32.113 alunos e 5.194 professores. Em 2001, ele foi estendido para todas as Diretorias de Ensino existentes na época, compreendendo um total de 89, envolvendo 890 escolas, 2.670 classes, 110.000 alunos e 15.000 professores, expandindo-se também para a educação de jovens e adultos em 27 Diretorias de Ensino, em 189 escolas, com 422 classes, 15.920 alunos e 3.000 professores.107
Conforme já se mencionou, o principal objetivo desse Projeto é contribuir para a regularização do fluxo escolar, com vistas a diminuir os altos índices de reprovação e de abandono, racionalizando a aplicação dos recursos públicos da educação, que segundo Neubauer (2000) teria um custo altíssimo: o equivalente a um bilhão de reais por ano, sem contar os prejuízos humanos inestimáveis que reforçavam ainda mais a desigualdade social.
No período em que foi implantado pela primeira vez em São Paulo, o ciclo de “dois anos de aprendizagem” deveria ser constituído com a mesma carga horária e funcionamento das classes regulares, com exceção de sua proposta didático-pedagógica que, na perspectiva da SEE/SP, é diferenciada. Ao final de um ano de inserção nessas classes, os alunos deveriam ser encaminhados para a 8ª série em continuidade. Caso os alunos, ao final dos dois anos, ainda permanecessem com dificuldades que os impedissem de “continuar a sua trajetória escolar”, as escolas deveriam instalar as classes de recuperação do ciclo I e/ou II.
Em 200/2001, estiveram envolvidos no desenvolvimento desse Projeto vários profissionais da educação das Diretorias de Ensino (supervisores e assistentes técnicos pedagógicos)108 e das unidades escolares (professores das diversas áreas do currículo, diretores e professores coordenadores), bem como da equipe de Língua Portuguesa da CENP e de pesquisadores e especialistas do CENPEC.
106 Essas informações foram extraídas do documento Ensinar e Aprender: corrigindo o fluxo do ciclo II: o projeto em 2001 (slides), no qual são apresentados resultados da aplicação desse Projeto, com base na avaliação da equipe envolvida em seu processo de implementação em 2000. O material foi cedido por Sebastiana Teodoro Barbosa, na época, supervisora desse Projeto na Diretoria de Ensino de Ourinhos.
107 Vale a pena lembrar que esses números podem encontrar variações. De acordo com Wey (2002), o Projeto em 2000, no âmbito do Ciclo II, atingiu 368 escolas, 988 classes e 39.580 alunos e, em 2001, teria atingido 904 escolas, 1.698 classes e 57.222 alunos.
De modo geral, as capacitações foram realizadas em São Paulo sob a coordenação da equipe do CENPEC, destinada aos profissionais das Diretorias de Ensino, que tinham a responsabilidade de disseminar ou de repassar a proposta didático-pedagógica do “Ensinar e Aprender: construindo uma proposta” para os diretores, coordenadores pedagógicos e professores, de cada Diretoria de Ensino, e esses, por sua vez, deveriam colocar em prática o conteúdo desses encontros na sala de aula.
Nas DEs, os encontros aconteciam de forma regular, a partir do conteúdo das capacitações ocorridas em São Paulo. Os assistentes técnicos pedagógicos trabalhavam com os professores todas as orientações didáticas recebidas da equipe do CENPEC e da CENP, no âmbito dos procedimentos didáticos a serem adotados em cada projeto de leitura e de escrita. Ao professor cabia o desenvolvimento direto da proposta didático-pedagógica do “Ensinar a aprender: construindo uma proposta”, e ao professor coordenador, a função de acompanhar o seu desenvolvimento, apoiando o docente em suas dificuldades. Segundo o CENPEC (1998), as capacitações oferecidas aos professores estavam em consonância com as discussões educacionais da década de 1990.
Para o desenvolvimento desse Projeto, o CENPEC elaborou um material de apoio pedagógico específico, composto de cinco fascículos, destinados para cada disciplina básica do currículo: Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e Ciências.109 O kit do professor foi composto de quatro volumes, com a mesma denominação: Ensinar e Aprender: impulso inicial, Ensinar e Aprender: volume 1, Ensinar e Aprender: volume 2 e, Ensinar e Aprender: volume 3. O kit do aluno foi composto de cartazetes, fichas de grupo, fichas individuais e jogos, de acordo com as especificidades de cada disciplina. Posteriormente, essas fichas foram agrupadas, formando também quatro volumes destinados aos alunos, contendo as atividades a ser desenvolvidas no contorno das cinco disciplinas básicas.
Vale lembrar que, de acordo com o CENPEC (on-line),110 no Paraná, os materiais de Educação Física, Inglês e Arte deveriam ser elaborados por alguns professores das universidades estaduais de Ponta Grossa e de Londrina, e da Federal do Paraná, respectivamente, sendo a capacitação, nesses últimos componentes curriculares, feita pelos próprios autores. Em São Paulo, o próprio CENPEC elaborou esse material e também capacitou os professores dessas disciplinas.
109 Como podemos notar, esse Projeto não foi criado especificamente para a disciplina de Língua Portuguesa. Ele envolvia todas as disciplinas do currículo de 5ª a 8ª série.
110 Ver: <http://www.cenpec.org.br/memoria/index.php?mod=projetos.view.0&id=106 >. Acesso em: 19 nov. 2008.
Segundo o CENPEC (on-line), com base em novos princípios de avaliação e de aprendizagem, o material Ensinar e Aprender procurou organizar os conteúdos presentes no currículo oficial em torno de grandes eixos: unidades temáticas, temas ou projetos. Esses eixos metodológicos, organizados conforme as especificidades de cada disciplina procuraram, segundo o CENPEC (on-line), privilegiar em todas as disciplinas, o trabalho com as habilidades de leitura e escrita, visando a uma perspectiva de trabalho coletivo, em determinados momentos, individual, em dupla ou em grupos, em outros momentos, e até interdisciplinar.
Ainda segundo esse centro de pesquisa, ao contrário do modelo vigente, a “proposta metodológica” do “Ensinar e Aprender” considerou as diferenças dos alunos, procurando valorizar e ouvir a sua voz, investigando e valorizando seus conhecimentos prévios com o intuito de promover avanços para níveis mais elevados, respeitando suas limitações, acreditando que todas as situações de ensino seriam situações de aprendizagem.
No que tange à disciplina de Língua Portuguesa, a proposta de trabalho foi organizada em projetos de leitura e escrita, de longa e curta duração. Vale relembrar que a leitura e a escrita foram concebidas como eixos articuladores de todos os componentes curriculares.