Em cada um dos quatro volumes há um texto de apresentação, sendo o mesmo nos cinco fascículos destinados às cinco disciplinas básicas do currículo: Matemática, Português, Ciências, Geografia e História, para as quais o material de apoio foi elaborado. Em geral, os textos abordam questões que justificam os objetivos, necessidades e urgência de implantação do projeto “Ensinar e Aprender: construindo uma proposta” e também apresentam sua proposta didático-pedagógica, materializada nos quatro volumes do Ensinar e Aprender, além de aspectos relativos à organização geral dos quatros volumes, orientações didáticas gerais a ser desenvolvidas pelo docente na esfera dos cinco componentes curriculares, bem como atitudes a ser incorporadas pelo docente para o sucesso do Projeto. É na apresentação que também está inscrito o quadro-síntese das propostas de trabalho de cada componente curricular a ser desenvolvido durante todo o Projeto.
Elaborado pela equipe do CENPEC, os quatro textos de apresentação possuem uma linguagem bem próxima de seu interlocutor - o professor -, usa pronomes de tratamento e vocativos, como “você” e “caro professor”, conforme podemos ler a seguir:
Sua experiência com essas classes, caro professor, pode também, apontar caminhos para as demais séries da escola, possibilitando evitar a produção continuada do fracasso e acertar o passo com um trabalho pedagógico de melhor qualidade. No trajeto, você e os alunos vêm se fortalecendo e podem contribuir de forma decisiva para que a escola se torne mais acolhedora, competente e democrática. (SÃO PAULO, [2000?], v. 3, p. 11)
Esse tipo de linguagem permite uma maior aproximação com o professor e, consequentemente, uma maior possibilidade de ele se identificar com a proposta didática ali defendida, já que o material o tempo todo defende que o sucesso do Projeto depende muito de seu envolvimento. O texto de “Apresentação” do Ensinar e Aprender: impulso inicial é o mais longo, com 19 páginas; nos três volumes seguintes, há cinco páginas cada um. A “Apresentação” do primeiro volume traz as informações mais relevantes acerca dos objetivos gerais e específicos do Projeto; os demais vão apenas retomando e/ou confirmando o conteúdo teórico do primeiro livro. Assim, o primeiro volume apresenta o “Ensinar e Aprender: construindo uma proposta”, propõe ao professor reflexões sobre a realidade do fracasso escolar, denunciado pelos altos índices de evasão e repetência da segunda metade da década de 1990, com base em dados estatísticos e de estudos científicos, chamando a sua atenção para a necessidade de se enfrentar o problema com base na renovação da proposta didática.
Embora justifique que à escola não caberia a responsabilidade total por todos os problemas ocorridos nesse período, especialmente os relacionados ao mercado de trabalho, lembra aos docentes que, ao reprovar e excluir grande parte de sua clientela, a escola estaria contribuindo para que muitas pessoas ficassem sem acesso aos conhecimentos mínimos, “tanto para a compreensão e inserção na sociedade contemporânea quanto para a disputa das escassas vagas de emprego” (SÃO PAULO, [2000?], p. 9).
O texto de “Apresentação” do Ensinar e Aprender: impulso inicial está dividido em oito tópicos, nos quais aparecem reflexões referentes aos novos conceitos educacionais a ser incorporados pelo sistema escolar, além das orientações sobre a organização do material de apoio e atuação docente, sendo eles: “O Projeto Correção de Fluxo: proposta pedagógica”; “A seleção de conteúdos de ensino”; “Autoconceito, motivação e aprendizagem”; “Avaliação”; “O material de apoio e a atuação docente”; “Trabalho com classe heterogênea”; “Diagnóstico inicial” e “O Projeto, o sistema de ensino, a escola e a comunidade”.
É interessante observar que, por ter sido produzido com base na realidade escolar paranaense, vez ou outra, aparecem vocábulos confirmando o seu público-alvo: os docentes daquele Estado, como podemos observar nos trechos que seguem: “A Secretaria de Estado da
Educação do Paraná iniciou a partir de 1995 uma série de ações, dentre as quais o Projeto Correção de Fluxo” (SÃO PAULO, [2000?], p. 11); “A seleção de conteúdos adotada, partindo de uma clara concepção de cada uma das disciplinas, tem como referência central o Currículo básico para a escola pública do Estado do Paraná” (SÃO PAULO, [2000?], p. 14).
Os números apresentados a respeito dos altos índices de evasão e repetência da época também foram extraídos do documento Projeto Correção de Fluxo Escolar: dados de identificação, produzido no Paraná:
No Estado do Paraná, a situação não é diferente. Tomando-se dados dos alunos matriculados em 1993 da 1ª à 8ª séries na rede estadual de ensino , observamos que, dos 822.618 matriculados na rede urbana, 422.136 estavam fora da faixa etária prevista para a série que cursavam, o que equivale a 51,3% de distorção. Na zona rural, eram 31.421 matriculados, dos quais 18.691 fora da faixa etária, o que corresponde a 59/5%. [...] Considerando o quadro geral do estado, os alunos nessa situação eram 43/8% dos matriculados. (SÃO PAULO, [2000?], p. 11)
Embora tal aspecto não comprometa diretamente o bom desempenho do Projeto, é inegável que isso pode causar alguns transtornos aos professores paulistas. Além de ser um pouco estranho que um projeto no qual é proposto um trabalho, cujo ponto de partida seja a realidade do aluno, em determinados momentos, essa realidade seja a de outro estado. No material de língua portuguesa isso é bastante visível no Ensinar e Aprender: volume 1, cujos projetos de trabalhos propostos para serem desenvolvidos com os alunos trazem, especificamente, textos voltados para a realidade paranaense. No projeto de trabalho “Correspondência”, por exemplo, 90% dos textos estudados apresentam tal característica. Nos modelos de ofício, de carta familiar, telegrama, contas a pagar, carta comercial, currículo e requerimento, os destinatários, remetentes e algumas informações específicas são da realidade paranaense. Isso também acontece no projeto de trabalho “Jornal”, cujo suporte principal para o seu desenvolvimento é o jornal paranaense Folha de Londrina (1997).
O fato, entretanto, de um aluno do Estado de São Paulo estudar uma conta de água ou de luz do Estado do Paraná não é um fator complicador para que este deixe de aprender a organização textual e aspectos morfossintáticos desse tipo de texto ou de qualquer outro. Vale lembrar que os professores poderiam fazer as adequações necessárias para a realidade paulista e de suas escolas. Também é interessante considerar, que não há tantas diferenças nas orientações curriculares e pedagógicas de um estado para outro e, apesar de a proposta pedagógica ter sido criada a partir do currículo oficial do Paraná, os procedimentos teórico- metodológicos que a sustentam estão pautados em orientações dadas, em especial, por documentos produzidos pelo Estado de São Paulo.
Os quatro textos de “Apresentação” escritos em cada um dos quatro volumes do Ensinar e Aprender estabelecem uma relação de continuidade, conforme o desenvolvimento previsto para o projeto “Ensinar a Aprender: construindo uma proposta”. Em cada volume é feita uma retomada da proposta de trabalho apresentada no volume anterior. O texto dialoga com o professor prevendo algumas situações de aprendizagem, bem como as possíveis dificuldades que o docente poderia enfrentar no decorrer do desenvolvimento do Projeto, além, de também orientar os registros acerca de avanços e dificuldades dos alunos. É nesse texto que também se apresentam orientações gerais sobre os objetivos de cada volume, e de cada componente curricular, sempre enfatizando a importância do professor para o sucesso da proposta pedagógica apresentada no material didático, como podemos observar nos fragmentos abaixo:
Este primeiro volume de Ensinar e aprender pretende subsidiar o trabalho em sala de aula das classes do Projeto de Correção de Fluxo fundamentando-se nas ideias apresentadas e discutidas no texto Impulso inicial.
O Projeto, voltado à solução de problemas dos alunos com defasagem idade-série das escolas da rede estadual do Paraná, pretende mudar a qualidade do trabalho escolar, confiando, como pressuposto, nas possibilidades de aprendizagem dos alunos e na competência dos educadores para a realização de um melhor atendimento à clientela. (SÃO PAULO, [2000?], v.1, p. 9)
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Este volume de Ensinar e aprender chega às suas mãos em pleno desenvolvimento do Projeto Correção de Fluxo, quando você e seus alunos já realizaram progressos e talvez tenham novas perguntas e expectativas a serem atendidas. (SÃO PAULO, [2000?], v.2, p. 9)
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Com este volume de Ensinar e aprender, encerramos o material pensado como apoio a seu trabalho com as classes de Correção de Fluxo. (SÃO PAULO, [2000?], v.3, p. 9)