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Service discovery models for context-aware systems

3.3 Industry and consortia supported models for service discoverydiscovery

3.3.5 Web service discovery

Um dos maiores exemplos de expressão nativista na música paraense, que marca a resistência da cena local à tendência de uma identificação mais fluída, é a música ―Belém -

26 Esse material se encontra entre os gráficos e registros coletados na pesquisa. É uma material avulso não datado e apenas

estimado. O primeiro não é assinado. O segundo é assinado por Luiz ―Barata‖ Cichetto, editor da webzine

www.abarata.com.br. A citação, provavelmente, diz respeito a uma resenha publicada na coluna de Edgar Augusto Proença no jornal Diário do Pará. Edgar Augusto é radialista e um dos colunistas musicais mais tradicionais da cena musical de Belém mantendo também colunas e programas radiofônicos na Rádio Cultura FM e na Rádio Clube de Belém.

Pará - Brasil‖. Composta pela banda paraense Mosaico de Ravena em meados dos anos 1980, ela se tornou uma espécie de hit nas rádios locais, sendo interpretada com frequência em bares e shows, por outros artistas, sempre carregada de um sentimento inato de orgulho regional. Acompanhando a letra na íntegra podemos ter a noção precisa dessa manifestação:

Vão destruir o Ver-o-Peso Pra construir um Shopping Center

Vão derrubar o Palacete Pinho Pra fazer um Condomínio Coitada da Cidade Velha, Que foi vendida pra Hollywood, Pra ser usada como um albergue

No novo filme do Spielberg Quem quiser venha ver Mas só um de cada vez

Não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês A culpa é da mentalidade

Criada sobre a região Por que é que tanta gente teme?

Norte não é com M

Nossos índios não comem ninguém Agora é só hambúrguer Por que ninguém nos leva a sério?

Só o nosso minério (...)

Aqui a gente toma guaraná Quando não tem Coca-Cola Chega das coisas da terra Que o que é bom vem lá de fora

Transformados até a alma Sem cultura e opinião O nortista só queria fazer

Parte da Nação Ah! chega de malfeituras Ah! chega de tristes rimas Devolvam a nossa cultura! Queremos o Norte lá em cima!

Por quê? Onde já se viu? Isso é Belém!

Isso é Pará! Isso é Brasil! 27

Percebe-se a partir do texto, uma ―escala‖, um estágio, uma ―etapa‖ nacional marcante, como que delimitando o espaço entre as dimensões local e global do artista amazônico. É como se, antes de ter uma dimensão global, a música paraense precisasse ser reconhecida pelo Brasil nacional. Também se pode perceber que essa dimensão latente da música que quer ser nacional se vê refletida nos estereótipos da cultura nacional sobre a

região. Esses estereótipos são marcados pelas imagens grotescas e icônicas da localidade na percepção dos brasileiros médios de outras regiões, como na imagem dos jacarés andando pelas ruas da cidade de Belém. Essas imagens estão em contraponto com imagens igualmente icônicas da percepção local sobre a exploração nacional. Em vez de reconhecer nossa ―cultura‖, os brasileiros exploram o ―nosso minério‖.

Percebemos, em certos momentos, alguma ironia na letra, mas o tom grandiloquente do arranjo, que faz referência ao rock progressivo, por vezes, faz a canção ganhar um sentido de missa solene, reforçado pela voz empostada do cantor. Diferentemente de outras canções claramente irônicas28, o cantor Edmar Farias imprimiu uma interpretação solene a essa música

e ela acabou por ganhar ares de protesto que marcaram as interpretações correntes após o lançamento da gravação original, no álbum Cave Canen, demonstrando que essa vontade de pertencimento é ―coisa séria‖ para os paraenses.

Ademais, pode-se aferir que a dimensão nacional do sentimento nativista presente na canção não exclui uma percepção global, universal, na/da Amazônia, ainda que ela seja latente na percepção local. Esta se manifesta nas expressões de ícones ou marcas mundialmente identificadas como a Coca-cola ou o diretor de cinema norte-americano Steven Spielberg. Essa identificação global se dá por uma aproximação dúbia de afeto (algo de que se gosta mas a qual se critica, como o consumo de Coca-cola ao invés de um refrigerante regional) e sempre numa perspectiva de exploração do regional pelo que ―vem lá de fora‖. Seja a opção pelo refrigerante mais consumido, seja o uso do patrimônio histórico local como referência para a cultura cinematográfica comercial de Hollywood29.

Ao final da música, a presença do carimbó tocado por um dos grupos parafolclóricos30

mais conhecidos de Belém, o Tamba Tajá, marca e acentua a reedição do sentimento nativista na música regional paraense. Porém, não deixa de ser usado como uma espécie de recurso de marketing, que se anuncia como uma espécie de soft power31 da música regional que seria

amplamente explorada mais tarde – como veremos.

28 A ironia era uma característica fundamental na produção da banda Mosaico de Ravena, segundo registros do jornalista

Ismael Machado no livro Decibéis Sob Mangueiras (2004).

29 A Cidade Velha é o primeiro bairro de Belém, fundado em 1616 por Francisco Caldeira Castelo Branco como parte de um

projeto histórico de ocupação da foz do Amazonas pelos portugueses. O Forte do Castelo, localizado na orla irregular de Belém, foi a primeira edificação da cidade, que cresceu em seu entorno. Sua intenção era surpreender os franceses e outros estrangeiros que exploravam a região àquela época.

30 No Pará, os grupos que tocam música folclórica, como carimbó, síria, lundu e outros ritmos, são chamados grupos

―parafolclóricos‖. Normalmente são grupos que se apresentam em eventos sociais como uma ―amostra‖ da cultura local típica. São grupos comerciais que mantém uma logística um pouco melhor estruturada do que os grupos familiares do interior onde a cultura do carimbó se desenvolveu como arte comunitária.

31 Para o sentido de Soft Power que aplico aqui, ver MARTEL (2012). Vamos esclarecer melhor a aplicabilidade deste