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A partir de agora destacaremos uma legislação mais específica na

formação de professores de Matemática.

No parecer Nº 1.302, o Conselho Nacional de Educação / Câmara de

Educação Superior em 6 de novembro de 2001, institui as Diretrizes Curriculares

Nacionais para o curso de Bacharelado e Licenciatura em Matemática.

Inicialmente esse parecer destaca que os cursos de Bacharelado em

Matemática existem para preparar profissionais para a carreira de Ensino

Superior e pesquisa, enquanto os cursos de Licenciatura em Matemática têm

como meta principal à formação de professores para a Educação Básica.

Assim, nesse documento, são traçados alguns objetivos:

! servir como orientação para melhorias e transformações na formação do

Bacharel e do Licenciado em Matemática;

! assegurar que os egressos dos cursos credenciados de Bacharelado e

Licenciatura em Matemática tenham sido adequadamente preparados para

uma carreira na qual a Matemática seja utilizada de modo essencial, assim

como para um processo contínuo de aprendizagem.

No item “Perfil dos Formandos”, duas características esperadas dos

egressos dos cursos de Bacharelado em Matemática:

1. uma sólida formação de conteúdos de Matemática;

2. uma formação que lhes prepare para enfrentar os desafios das rápidas

transformações da sociedade, do mercado de trabalho e das condições de

exercício profissional.

Por outro lado, desejam-se as seguintes características para o Licenciado

em Matemática:

1. visão de seu papel social de educador e capacidade de se inserir em

diversas realidades com sensibilidade para interpretar as ações dos

educandos;

2. visão da contribuição que a aprendizagem da Matemática pode oferecer à

formação dos indivíduos para o exercício de sua cidadania;

3. visão de que o conhecimento matemático pode e deve ser acessível a

todos, e consciência de seu papel na superação dos preconceitos,

traduzidos pela angústia, inércia ou rejeição, que muitas vezes ainda estão

presentes no ensino-aprendizagem da disciplina.

No próximo item, as diretrizes propõem onze competências e habilidades

que deveriam ser desenvolvidas nos cursos de Bacharelado.

Competências e habilidades comuns aos dois cursos:

a) capacidade de expressar-se escrita e oralmente com clareza e precisão;

b) capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinar;

c) capacidade de compreender, criticar e utilizar novas idéias e tecnologias

para a resolução de problemas;

d) capacidade de aprendizagem continuada, sendo sua prática profissional

também fonte de produção de conhecimento;

e) habilidade de identificar, formular e resolver problemas na sua área de

aplicação, utilizando rigor lógico-científico na análise da situação-problema;

f) estabelecer relações entre a Matemática e outras áreas do conhecimento;

g) conhecimento de questões contemporâneas;

h) educação abrangente necessária ao entendimento do impacto das

soluções encontradas num contexto global e social;

i) participar de programas de formação continuada;

j) realizar estudos de pós-graduação;

k) trabalhar na interface da Matemática com outros campos de saber.

Para Silva (2004), em nenhum momento essas competências propostas

para o futuro professor apropriam-se da idéia de competência de Perrenoud, pois

os verbos “conhecer”, “encontrar”, “realizar” , “participar” indicam que esses itens

se relacionam muito mais a “ações e decisões dos licenciandos” do que

competências a serem desenvolvidas aos professores.

É curioso notar que enquanto o perfil dos formandos as instruções eram

distintas aos cursos de Bacharelado e Licenciatura, as competências e

habilidades listadas anteriormente são comuns aos dois cursos. Há também seis

competências e habilidades indicadas como específicas ao educador matemático:

a) elaborar propostas de ensino-aprendizagem de Matemática para a

Educação Básica;

b) analisar, selecionar e produzir materiais didáticos;

c) analisar criticamente propostas curriculares de Matemática para a

Educação Básica;

d) desenvolver estratégias de ensino que favoreçam a criatividade, a

autonomia e a flexibilidade do pensamento matemático dos educandos,

buscando trabalhar com mais ênfase nos conceitos do que nas técnicas,

fórmulas e algoritmos;

e) perceber a prática docente de Matemática como um processo dinâmico,

carregado de incertezas e conflitos, um espaço de criação e reflexão, onde

novos conhecimentos são gerados e modificados continuamente;

f) contribuir para a realização de projetos coletivos dentro da escola básica.

Essas diretrizes ainda tratam dos “Conteúdos Curriculares” obrigatórios em

cada um dos cursos de Licenciatura e Bacharelado que deverão ser distribuídos

ao longo do curso. Apresentamos a seguir uma tabela que coloca lado a lado

esses “Conteúdos Curriculares” obrigatórios nos respectivos cursos:

Para Silva (2004), as diretrizes específicas configuram a Licenciatura em

Matemática como sendo um curso “mais fácil” que o Bacharelado, pois fica

evidente que o conhecimento e domínio do conteúdo matemático nos cursos de

Licenciatura é depreciado em relação aos cursos de bacharelado. Ele argumenta

que na Licenciatura aparece o termo “fundamentos”, uma provável indicação de

que os assuntos, nesses cursos, não precisam ser aprofundados como em cursos

de bacharelado.

Ainda neste documento, há um comentário breve indicando que os

conteúdos devam incluir “conteúdos matemáticos presentes na Educação Básica

nas áreas de álgebra, Geometria e Análise”.

A inclusão dos conteúdos do Ensino Básico presente no curso de

Licenciatura em Matemática não é muito bem definido nesta legislação, pois não

conseguimos verificar a exposição da real necessidade da abordagem desses

conteúdos no curso de Licenciatura em Matemática, já que os conteúdos são

objetos de ensino do futuro professor.

Portanto, como o foco deste trabalho envolve essa abordagem nos cursos

de Licenciatura em Matemática, neste momento refletiremos sobre algumas

considerações importantes a respeito do conhecimento do professor e da

necessidade da abordagem dos conteúdos matemáticos presentes na Educação

Básica no curso de formação de docentes.

TABELA 2.2 – ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS CURRICULARES

OBRIGATÓRIOS, COMUNS A TODOS OS CURSOS DE

BACHARELADO E LICENCIATURA EM MATEMÁTICA

BACHARELADO

LICENCIATURA

Cálculo Diferencial e Integral Cálculo Diferencial e Integral Álgebra Linear Álgebra Linear

Topologia Fundamentos da Álgebra Análise Matemática Fundamentos da Análise Geometria Diferencial Fundamentos da Geometria

Análise Complexa Geometria Analítica Álgebra Ciência da Educação Probabilidade e Estatística História

Física Geral Filosofia das Ciências Noções de Física Moderna Filosofia da Matemática

2.4 Formação Inicial de Professores de Matemática: o debate na