• No results found

11 SEQUENCE STRATIGRAPHIC APPROACH

11.3 Sequence stratigraphic interpretation of the studied succession

2.1 O ÍNICIO

Ceilândia foi criada, em 1971, como um desmembramento de Taguatinga, à época chamada “cidade-satélite”. Hoje, as “cidades satélites” são designadas, oficialmente pelo GDF, de Regiões Administrativas.

As Regiões Administrativas IX (Ceilândia), III (Taguatinga) e XII (Samambaia) a- brigam juntas aproximadamente 900.000 habitantes, correspondendo a 39,7% da população do Distrito Federal41, constituindo a segunda maior arrecadação fiscal depois da Região Ad- ministrativa I Brasília,42.onde situa-se o Plano Piloto (CP), conforme citado na pg. 20.

A constituição de Ceilândia teve o objetivo de transferir moradores de invasões pró- ximas ao Distrito Federal que ocupavam áreas na época consideradas impróprias à habitação, por comprometerem a região limítrofe ao Lago Paranoá. Foi assim que teve início a transfe- rência da conhecida invasão do IAPI, e, posteriormente, os agrupamentos favelados denomi- nados Vila Tenório, Vila Esperança, Vila Bernardo Sayão e Morro do Querosene.

Esses aglomerados juntos contavam com mais de 80.000 habitantes, vivendo em, a- proximadamente, 15.000 barracos, ou seja, em condições subumanas. Consta nos anexos uma série de reportagens sobre esse período. (ANEXO D21)

Para resolver o problema gerado pelo aumento no número de favelas, fenômeno que nos anos 60 ocorreu em várias capitais brasileiras, o governo federal, aqui no DF, através do GDF criou, em 1970, a Campanha de Erradicação das Invasões – CEI, sob a coordenação do então Governador Hélio Prates da Silveira, à época governador indicado pelo governo militar, e tendo sua esposa, Vera Prates da Silveira, como presidente do “Comitê de Senhoras”, que participaram da campanha. Essas senhoras faziam parte da elite de Brasília e eram na maioria esposas de políticos ou de funcionários públicos que vieram morar na capital, conforme des- crição das reportagens do jornal local Correio Brasiliense. (ANEXO B1, B2, D16 e D11)

A área escolhida para o assentamento dessa população ocupou terras que antes per- tenciam ao município de Luziânia, de propriedade da Fazenda Guariroba, sendo parte do imó- vel desapropriada pelo Estado de Goiás, transferida à União e cedida ao Governo do Distrito Federal para a implantação da nova cidade. De acordo com artigos do Correio Brasiliense, essa remoção teve início no dia 27 de março de 1971. (ANEXO B3,D18, D19, D20)

41 IBGE/2000 – dados preliminares. 42 Codeplan/1996.

Reportagens da época descrevem o quanto esta campanha contou com a forte colabo- ração das Igrejas locais: católicas, espíritas e protestantes. A relação entre Igrejas e GDF fica bem visível com a entrega dos primeiros lotes destinados à construção das sedes religiosas, antes mesmo da chegada das primeiras famílias. Isso parece ter dado à campanha um aspecto assistencialista, cujo primeiro ímpeto seria o de levar às famílias que viviam em condições precárias uma melhor qualidade de vida. (ANEXO B4, D12 e D20)

2.2 COMO SE DESENVOLVEU A URBANIZAÇÃO

A urbanização da ”satélite” Ceilândia ocorreu vagarosamente, sendo que, conforme os dados do memorial histórico do PDL de 1997, grande parte ainda não foi concluída.

Pelas reportagens pesquisadas no Correio Brasiliense, em matérias da época, a cria- ção de Ceilândia foi fortemente divulgada como um grande feito do governo do DF em prol dos mais carentes. A infra-estrutura, como a construção de vias de acesso para a mudança dos moradores, foi feita em tempo recorde, bem como os estudos e o projeto, que levou metade do tempo previsto. Houve pressa para propiciar a mudança.

De acordo com artigo do Correio Brasiliense de março de 1971, os estudos e as o- bras de infraestrutura foram concluídos com três meses de antecedência em relação ao prazo previsto para tal intento. (ANEXO D13)

Após a transferência dos moradores das invasões, outros grupos de migrantes foram agregando-se a cidade no decorrer da década de 70, aumentando em muito a demanda origi- nal. O projeto inicial previa que a cidade seria para acomodar por volta de 300.000 habitantes. Ceilândia foi projetada seguindo os moldes de Brasília, ou seja, como cidade-jardim. Contudo, ao contrário da capital, não teve a implantação de seu projeto urbanístico concluído.

Quando da chegada das primeiras famílias, as avenidas principais já haviam sido a- bertas. Os lotes destinados para as casas e outros fins (escolas, igrejas, comércio etc.) foram desmatados e demarcados. As primeiras seis escolas foram concluídas antes da transferência das famílias. Algumas casas tiveram água instalada, mas isso não chegou a 10% do total en- tregue na época. (ANEXOS B6, B7 e B8)

Conforme se observa nas imagens posteriores, as primeiras casas construídas eram do estilo “casas de madeira” (Figura 4), sendo logo substituídas pelas de alvenaria (Figura

5). Posteriormente, estas últimas foram sendo ampliadas com estruturas de madeira, que mui-

Em meados da década de 70, os lotes eram entregues com as construções de alvena- ria próprias do Banco Nacional da Habitação (BNH).

Figura 4 – Casas de Madeiras

Logo após a transferência das primeiras 80.000 pessoas, as obras de infraestrutura básica foram reduzidas. A rapidez com que as primeiras obras foram concluídas não foi regra no processo de urbanização.

Mara Resende fala sobre esses problemas de infraestrutura urbana:

[...] é preciso insistir que Ceilândia foi prometida a uma população favelada como sendo um espaço digno de habitabilidade. Há que se dizer, contudo, que somente seis anos depois de cri- ada é que Ceilândia oferece água encanada aos seus moradores e, a partir de 1983, a rede de esgotos começa a ser instalada.43

A autora continua:

Contornados alguns problemas, criados e recriados outros tantos, Ceilândia exibe, ainda hoje, toda a sorte de carências (hospitais, espaços de lazer, pavimentação, etc.) decorrentes da falta de assistência, por parte de nossas autoridades. Como os problemas vividos pertencem a todos, constituem-se também o foco da mobilização dos moradores.44

Com o desmatamento e a demora nas obras de urbanização, a camada vegetal foi sendo gradativamente retirada — ora pela própria população, ora pelo GDF através da admi- nistração — para evitar o perigo da incidência de cobras e outros tipos de animais, assim co- mo para tornar as áreas mais transitáveis. Com isso durante as duas primeiras décadas — e em algumas quadras até hoje — a população teve de aprender a conviver com muita poeira, du- rante os períodos de seca, e com a lama das enxurradas, durante a temporada das chuvas. As erosões da região, melhor descritas no item sobre a análise geomorfológica, ainda foram agra- vadas por obras que abriam enormes valas para a passagem de esgotos, quando das obras para a rede pluvial ou mesmo para rede de água potável. Como as obras demoravam muito a ser concluídas, às vezes anos, a estas valas somavam-se as erosões, que, em época de chuvas, chegaram até a causar a morte de indivíduos, afogados nos buracos.

Conforme descrito no memorial do PDL e pelo administrador interino de Ceilândia, em entrevista, até hoje várias áreas ainda não contam com a conclusão das obras da rede plu- vial, e a existente encontra-se em estado de péssima conservação, sendo necessária a imple- mentação de uma nova rede mais moderna e capaz de suprir a demanda.

Passeando por Ceilândia, observa-se que a proposta de cidade-jardim nem chegou a ser implantada. O que deveria ser área verde, gramada e/ou jardinada, ainda constituem gran- des descampados, expondo o solo vermelho sem proteção. (ANEXO B9)

43 RESENDE, Mara. Op. cit. p. 219. 44Ibidem. p. 219-220.

Assim sendo a urbanização da cidade ainda não se encontra concluída. E o aumento dos setores de expansão — com isso o aumento populacional — levou a intensificação dos problemas e o surgimento de novas demandas. Por isso o PDL trouxe o redirecionamento das propostas iniciais do projeto de Ceilândia.