3. Internasjonale tiltak
3.2 Lover, konvensjoner og direktiver mot hvitvasking
Vamos entrar na festa do povo e vivê-la em sua ludicidade, a festa esportiva, a festa do futebol.
O que é a festa do futebol? Um movimento de massa? Uma construção de identidades? Um êxtase capaz de unir pessoas sob símbolos comuns?
A festa da torcida do Gama começou antes mesmo de a bola rolar. Na entrada do time, os jogadores foram recebidos com fogos de artifícios, gritos de: “é campeão, é campeão” e o desfile do periquito gigante seguia (Caderno de Esportes do Correio Braziliense - 19/12/1998)
O “periquito gigante” tornou-se um símbolo para a população gamense, uma espécie de brasão, o sinal pelo qual o grupo se afirma e se (distingue) distinguia dos demais.
O ser humano é um ser emotivo e festivo, um ser em movimento constante, “habita um mundo que está em constante modificação, e em tal mundo o festival e a fantasia são indispensáveis à sobrevivência” (COX, 1973).
Podemos utilizar a definição de festividade como “uma ocasião socialmente aprovada para expressar sentimentos normalmente reprimidos ou negligenciados.” (COX, 1973, p.26), e as pessoas que delas participam saiam mais descontraídas, com mais energia e motivadas.
Entendemos que a festa ou o festejar se constitui em um momento que as pessoas rompem com sua rotina de trabalho, quebram paradigmas da vida cotidiana e partem para os momentos de lazer e de sociabilidade, ou de simplesmente fortalecer e nutrir laços sociais e afetivos. Sobre esse momento da festa ou do festejo, Assumpção (2004) nos ensina que “é uma situação extraordinária, um momento em que são transgredidas as regras da vida cotidiana. Corresponde a um momento especial, que se manifesta por atitudes e comportamentos contrastantes com as rotinas diárias.” (p. 198) ou ainda “a festa tem (mesmo que pequeno) certo poder de ‘instaurar relações de pessoas’” (JÚNIOR, 1982, p.50)
As festas rejuvenescem o espírito fatigado por aquilo que há de muito constrangedor no trabalho cotidiano. Por alguns momentos os indivíduos têm acesso a uma vida menos tensa, mais livre, a um mundo onde sua imaginação está mais à vontade (Durkheim, 1996 p.546).
Portanto, observa-se que, por meio da festa, os indivíduos sociais reafirmam concepções, valores de vida, identidades, permitindo, assim, um percurso de conhecimento e possibilidades de valorização de grupos sociais até então invisíveis à sociedade em geral.
A festa manifesta a glória da coletividade: o esbanjamento, o desperdício, os excessos exprimem a força do grupo em um momento de comunhão. A função latente desses atos é recompor as forças sociais para que renasça uma ordem social nova e revigorada. A festa contribui para eliminar os resíduos produzidos pelos constrangimentos e pelas relações hierárquicas do mundo cotidiano. Como comemoração é um símbolo, pois reafirma a coletividade e fortalece a coesão social (Assumpção, 2004, p. 201).
As festas, portanto, são momentos em que, junto à afirmação de rituais, tradições, simbolismos, fantasias, magia, crenças e hábitos, é, sem dúvida, uma das manifestações culturais importantes e presentes na construção de uma identidade cultural. Outro importante componente cultural da festa é a “crítica social” que dela surge. Assim, a identidade se constrói e “se nutre das raízes culturais, da memória coletiva, dos valores e vivências já inseridos na história do grupo, das crenças mágico- místicas.” (JÚNIOR, 1982, p. 27), possibilitando a construção de um espaço repleto de manifestações culturais e simbólicas.
Na festa, grupos de pessoas encontram-se para expressar o que pensam, o que desejam realizar e o que desejam modificar no âmbito pessoal e grupal. “A expressividade dos indivíduos, do povo, torna-se concisa.” (JÚNIOR, 1982, p.23).
É importar ressaltar que a festa une diversidades; onde essas diversidades são respeitadas, respeitam-se também diversidades de pensamentos durante os diálogos. A festa foge da subjetividade e se torna coletiva, promovendo, assim, o congraçamento entre jovens, idosos, crianças e adultos jovens, numa ação intergeracional.
Ao decorrer da festa, pode-se cair na rotina “ao tornar consciente e socialmente abrangentes as vivências setorizadas de micro grupos, a festa pode tornar-se uma ocasião de síntese e integração” (JÚNIOR, 1982, p. 55).
Nas ruas, praças, quadras esportivas, campos de futebol de várzea, até em suntuosos estádios de futebol a vida está sempre em movimento, inesgotavelmente rica em movimento, anunciando os festejos, uma tradição, uma partida de futebol entre amigos (a famosa “pelada”), um embate esportivo oficial, uma responsabilidade social, “que são unicamente destinadas a divertir, a provocar o riso pelo riso” (DURKHEIM, 1996, p. 542), as festas que acontecem nesses espaços vem acompanhadas de risos, danças, músicas dos mais diversos estilos e gritos, “a reunião de muitos indivíduos, seus movimentos, as danças, os cantos, os gritos, tudo contribui para a produção de grande quantidade de energia, que é redistribuída para todos os participantes.” (VIANA, 1988, p.53). A ordem e o poder nesse momento é ser feliz.
Essa felicidade Cox (1973) vê como resultado da capacidade peculiar do homem de incorporar em sua própria vida as alegrias. A festividade é uma forma humana de folguedo, mediante a qual a gente insere na experiência própria uma extensa área da vida, inclusive o passado.
Toda festa, mesmo que puramente laica em suas origens, tem certas características, pois, em todos os casos, ela tem por efeito aproximar os indivíduos, colocar em movimento as massas, suscitar assim um estado de efervescência. Fazem perder de vista o limite que separa o lícito do ilícito, necessidade de violar as regras ordinariamente mais respeitosamente não exista divertimento onde a vida séria não tenha qualquer eco (Durkheim, 1996, p. 547/8).
As festas, comemorações e rememorações, sejam de ordem popular ou particular, sempre fizeram parte da vida do homem. “O homem é transportado para fora de si, distraído de suas ocupações e de suas preocupações ordinárias” (DURKHEIM, 1996, p. 547) ou, ainda, segundo Viana (1988, p.52), “essa oposição entre vida séria e divertimento reaparece em todas as ‘teorias de festa’, mesmo que os termos empregados e as ‘intenções’ sejam diferentes” em todas as classes sociais. Logo após as festividades, percebemos que voltamos à vida séria com mais entusiasmo e vigor.
A festividade tem de ostentar contrastes. Deve ser notoriamente diferente da “vida de cada dia”. Não pode a festividade reduzir-se meramente ao incomum. Não consiste só em não trabalhar; inclui celebração e excesso. Mas a natureza real da festividade está em função duma alternância com o programa de trabalho diário, da convenção, da medianidade (Cox, 1973, p.27-28).
Só o homem é capaz de celebrar/festejar. Comemorar significa, então, reviver de forma coletiva a memória de um acontecimento considerado como ato fundador, a sacralização dos grandes valores e ideais de uma comunidade constituindo-se no objetivo principal (SILVA, 2002).
Dessa forma, percebemos o papel importante das festas, para consolidar um grupo ou uma comunidade. Assim, as comemorações e celebrações surgem como medidas que visam criar nova vitalidade, bem como para o fortalecimento e construção de traços identitários, de relações sociais, aproximando, dessa forma, o grupo ou a comunidade da sua própria história e memória. “As utilizações sociais da memória são visíveis nesse fenômeno das comemorações que, em todas as partes do mundo, vêm se impondo” (SILVA, 2002, p.432).
Os eventos que buscamos comemorar “são históricos, passado ou futuro, tanto assim que nos ajuda a rememorar” (COX, 1973, p.51).
Os esportes contribuem para os indivíduos reafirmarem laços, revelando seus traços identitários e valores sociais, “consagrando o universalismo dos valores de uma comunidade” (SILVA, 2002, p.432).
Percebe-se, por intermédio da mídia, que países novos e em desenvolvimento, obtêm um grande proveito com a capacidade festiva do esporte de transcender as divergências entre grupos e criar uma imagem nacional unificada e positiva.
Para Murad (1995), no mundo contemporâneo, os esportes, de uma maneira geral, redefiniram seu lugar como instituição social. No pós-Segunda Guerra, e especialmente nos últimos cinquenta anos, readquiriram importância de ponta, numa escala crescente.
O esporte organizado predomina em toda parte e desenvolveu-se com maior evidência, no último século, de um elemento relativamente menor da cultura brasileira para uma instituição social ampla e com prestígio nacional.
O desenvolvimento dos esportes em nosso país, pelo menos até nossos dias, tem sido prescindível, em face de outros problemas considerados mais importantes. Embora polêmico (e talvez por isso mesmo), este é um assunto recorrente nos congressos, simpósios ou mesas-redondas que pretendem discutir o esporte brasileiro (Caldas, 1994, p. 25)
O esporte promove a comunicação; envolve as pessoas numa participação conjunta: “sendo de bem, doutor ou bandido, ali todos se igualaram no riso, no choro e no calão” (TOUGUINHÓ, 1998); oferecendo ao torcedor símbolos comuns, uma identidade coletiva e uma razão para a solidariedade, existindo uma comunhão de ideias e emoções, com sensações agradáveis.
O esporte tem o poder de igualar as pessoas, independentemente de classe social, poder econômico, gênero, raça ou credo; poder de unir bons e maus. Somos todos iguais na prática do esporte, na torcida pelo nosso time favorito, na torcida pelos nossos representantes nas competições oficiais seja nacionais ou internacionais.
Essa força e poder do esporte ficam bem nítidos no livro de Oldemário Touguinhó (1998), quando ele se refere ao futebol, o esporte considerado paixão nacional:
O futebol é uma paixão tão forte para o brasileiro, uma emoção tão verdadeira, que não existe diretor de cinema que consiga levar para a tela história igual. No futebol todos são reais. Não existe filme, que possa ser tão emocionante, por melhor que seja o diretor, como a
verdade de um jogo de futebol. Drama, tristeza ou alegria. Os personagens estão no gramado ou nas arquibancadas (p. 8-9).
Festejar uma vitória seja de ganho pessoal por algo que conseguiu ou uma vitória esportiva da sua equipe favorita, é uma festa, uma “ocasião especial em que se abandonam as atividades ordinárias e se celebra um determinado evento, afira a simples bondade que existe, ou guarda a memória de um deus ou herói, é uma atividade especificamente humana” (COX, 1973, p.14).
Os eventos esportivos são momentos de festividade, de celebração, de lazer, “parte integrante da vida cotidiana das pessoas constituindo, sem dúvida, o lado mais agradável e descontraído de sua rotina semanal.” (MAGNANI, 1984).
O envolvimento do ser humano com o esporte vem desde tempos remotos. Festejar e praticar qualquer atividade esportiva em cada sociedade, em cada contexto histórico-cultural, compreende desenvolver as etapas da vida humana, definindo a duração delas, suas características e direitos legais como: de praticar esportes, de brincar, de divertir-se, de desfrutar de momentos de lazer e de expressar opiniões próprias, o esporte é uma atividade primária e prazerosa desenvolvida pelo homem e ocupa um lugar privilegiado no cotidiano humano.
Os momentos de celebração e comemoração contribuem para “habilitar o homem a ampliar sua experiência, revivendo eventos do passado, constitui a fantasia uma forma lúdica, alargando as fronteiras do futuro” (COX, 1973, p.14)
É por intermédio dessas manifestações que grupos sociais homenageiam, honram, ovacionam, rememoram seus ídolos ou acontecimentos com os quais eles se identificam. O que é relevante nesses momentos é que o tempo dispensado na festa esportiva nos permite um distanciamento das preocupações pessoais, familiares e do trabalho que nos acompanham diariamente. “A festividade propicia-nos uma breve dispensa das convenções e, sem o elemento da infração de normas de comportamento comum, socialmente aprovada, a festividade nem festividade seria” (COX, 1973, p.27).
A manifestação explosiva de alegria por uma conquista ou um gol decisivo do time favorito aproxima indivíduos, movimenta massas, suscita estados de delírio.
Nessas manifestações, as relações sociais são construídas, ajudando a erigir novas identidades. A “identidade popular se constrói enfrentando repressões, respondendo a desafios e descontaminando-se de suas inegáveis alienações.” (JÚNIOR, 1982, p. 21).
O futebol está impregnado de um sentimento lúdico, do âmbito da festa e do entretenimento, mas também vivenciado cotidianamente, muitas vezes consubstanciado em um comportamento transgressor, com desordem nas ruas e, ainda, despertando interesses políticos variados. Inscreve-se na cidade, através do futebol e de suas torcidas, uma variada gama de emoções, preferências clubísticas, adesão a grupos, que traduzem no nível social determinadas regras, padrões de comportamento que transcendem os limites das partidas e jogos em si (TOLEDO, 1996, p. 12).
O ambiente esportivo é um ambiente de festa, existindo nesses momentos a alegria e comemoração da vitória antes mesmo de se saber o time vitorioso, a partir da mobilização coletiva e do encontro entre torcedores a festa já se inicia. Bandeiras, apitos, camisas do time, caras pintadas, bonés, chapéus com as cores e símbolos do clube fazem-se presentes no estádio ou em volta dos campos. Em pé ou sentados, a animação, a alegria, a emoção encontram-se em plena ação.
O futebol é mais do que um passatempo. É uma forma de fornecer um “comentário metassocial’ sobre a sociedade brasileira. É uma história sobre os homens e a sociedade brasileira que eles contam e recontam a si mesmos através do futebol. Por se tratar de um mecanismo de utilização da emoção para fins cognitivos, o futebol no Brasil seria como uma espécie de “educação sentimental”. O futebol é uma forma de experimentação, vivência e reflexão sobre determinados sentimentos e emoções necessários ao homem brasileiro (Daolio, 1997, p. 124).
A mobilização para os eventos futebolísticos começa “desde cedo é intenso o movimento nas imediações do campo: moças, rapazes e crianças circulam entre barraquinhas de milho verde, vendedores de sorvete, pipoca, cervejas, refrigerantes, água” (MAGNANI, 1984, p.148).
A agitação, os preparativos para a festa, se iniciam antes do evento tão esperado; convidamos amigos para participar; ruas e calçadas ficam embandeiradas com as cores dos clubes. Comemorações, celebrações, acontecem em todos os
lugares. “Nos fins de semana a casa estava sempre cheia de gente - colegas e parentes, o toca-discos e a televisão, sempre ligados” (MAGNANI, 1984). O amigo ou parente, mesmo não sendo torcedor do time compartilha solidariamente conosco aquele momento de ansiedade. O sofrimento prazeroso inicia-se.
Nessas ocasiões festivas, exageramos de propósito. Vivemos intensamente, ficamos mais acordados por mais tempo, comemos e bebemos mais e gastamos mais dinheiro do que em dias comuns. Ás vezes rimos, outras choramos, ou fazemos as duas coisas juntas (COX, 1973, p. 26-27).
Na vitória ou na derrota do time querido a festa:
é um importante fator para a homogeneização da sociedade, colocando de lado as diferenças e enfatizando o sentimento de unidade, sendo um território propício para a construção de sua identidade enquanto grupo a reafirmação de valores comuns ou a elaboração coletiva de novos valores, incluindo a contestação, inversão ou transgressão das normas que organizam a vida social e cultural desse grupo (Viana, 1988, p. 64-65).
O imenso valor simbólico da festa, um todo imaginário, torna-a irresistível como contexto do desenvolvimento humano, “instante mágico e estético do comportamento” (MURAD, 1995). Seu valor agregado a paixões pela vida, inteligentemente apreciado e vivido, é altamente útil para todos e para cada um, nos torna próximos e iguais.
Podemos arriscar dizer que não há entre tantos outros fenômenos da cultura contemporânea que leve tanto prazer a tanta gente como as festas estão entre as principais: particulares (para um pequeno grupo), para milhares de pessoas (carnaval, as festas religiosas ou de cultura local), esportivas (Copa do Mundo, Olimpíadas). Desde a sua organização até sua realização efetiva, empolgam e envolvem do jogo infantil, a recreação livre ou profissionalização, o evento casual e a livre expressão da vida cultural até os encontros coletivos, comunitários e cívicos.
Viana (1988) diz que quando uma massa se forma é o momento de densidade máxima onde praticamente não existe mais espaço entre as pessoas, os corpos se pressionam uns contra os outros, e cada um fica tão perto do outro como de si mesmo. Podemos dizer que os campeonatos futebolísticos, sejam oficiais ou amadores, em estádios gramados ou em campos de várzea, são uma festa de massa:
“a festa dos loucos” (de alegria). “Nessa manifestação colorida, cidadãos ordeiros cantam” (COX, 1973, p.11).
O futebol é uma festa do povo. Povo de economia regrada, de cotidiano de labuta, de lazer quase inexistente, não economiza energia, emoções, vibrações e efervescência nas realizações de festividades. As realizações das festas se dão pelo prazer de homenagear alguém que se ama ou algo que o satisfaça, até mesmo a vitória do time do coração. A festa torna-se um passado coletivo para quem viveu cada momento da festividade de uma conquista significativa para um determinado grupo ou indivíduo.
Um dos esportes com o qual o povo brasileiro mais se identifica é o futebol, por ser fácil sua prática e de baixo custo econômico. Embora tenha sido importado, vindo da Inglaterra, temos no futebol o “nosso” esporte, reinventado e atualizado pelo brasileiro.
O futebol assume uma importante dimensão social, cultural e simbólica, podendo mesmo ser pensado como uma manifestação de nossa identidade enquanto nação, tão bem relatado por Murad (1995):
O futebol é a maior paixão popular do planeta e, no caso brasileiro, assume dimensão ímpar, por ser uma das raízes centrais de nossa identidade, indispensável para uma compreensão globalizante de Brasil. O futebol é um esporte repleto de significados, de simbologias, de valores para a existência humana em geral e, de forma singular, para os modos históricos de sua manifestação no interior da sociedade e da cultura brasileira. Logo, é impostergável a sua assimilação à pesquisa e análise sociológica permanente, como parcela integrante e necessária de nosso cotidiano. O futebol é um instante muito especial das celebrações ritualísticas da cultura brasileira e por isso tem capacidade e envergadura para metaforizar o país (p. 108).
Dos pontos mais extremos do Brasil - Oiapoque/AM e Chuí/RS - uma enorme quantidade de pessoas joga futebol, uns sem habilidade outros com mais habilidade; o importante é que a maioria do povo brasileiro joga ou mesmo gosta de futebol. Muito difícil existir nos dias atuais quem nunca jogou futebol ou quem não conhece suas regras, seja num jogo oficial ou em uma “pelada” - aquele gostoso futebol de rua, em que usam-se as regras oficiais ou criam-se suas regras, dependendo da situação em que o futebol está sendo jogado.
A invenção ou a transformação de uma prática esportiva não depende unicamente da transformação das convenções definindo as regras explícitas do jogo (por exemplo, para o futebol, o tamanho dos gols, a duração da partida, o número de jogadores, a lista das “faltas” sancionadas, ou ainda a famosa regra do impedimento ou off-side), ela tem implicações nas condições materiais e financeiras mas também “morais” de sucesso, conjunto de fatores que Mário Filho, um dos inventores desse novo jogo social, soube aperfeiçoar reinventando ao mesmo tempo sua própria profissão (Lopes, 1994).
As pessoas param os seus afazeres para assistirem seu time jogar, e, se é decisão de campeonato embandeiram os seus carros, suas casas e suas ruas, vestem a camisa do seu time, se pintam com as cores do clube, se tornam verdadeiros outdoor móveis. “Nosso sentimentalismo e nossos anseios redundam do fato de nos terem sobrado tão poucos festivais, e os que ainda temos estão tremendamente atrofiados em seu ritual e seu vigor celebrativo” (COX, 1973, p. 15).
O futebol é um fenômeno capaz de produzir, de tempos em tempos, mitos e histórias representativas da comunidade, que são verdadeiros dramas sociais de extrema relevância para um entendimento das questões mais profundas de uma cultura. Símbolos, mitos, heróis, compõem o mundo futebolístico. Valorizamos nossos ídolos e símbolos. As partidas, gols e jogadas inesquecíveis - simultaneamente trágicas e esfuziantes, enfim, o futebol é pródigo em momentos “bons para pensarmos” (COELHO, 1995).
Festejar, confraternizar e “comemorar a historia e a memória coletiva, ao ressuscitar o passado e estabelecer as pontes que o une ao presente para, assim, resguardar e fortalecer a unidade da coletividade” (ASSUMPÇÃO, 2005, p.204).