5. Primærforbrytelsene og lovbryterne
5.3 Sakene
Os resultados são apresentados na mesma seqüência dos objetivos propostos, discutidos de maneira simultânea para melhor compreensão. Inicialmente são abordados os comportamentos observados nas variáveis de crescimento físico dos adolescentes, por gênero e nível sócio-econômico. Em seguida, as variáveis da AFRS são apresentadas e discutidas entre os gêneros e os NSE e, ainda, conforme as proporções de quem atingiu e não atingiu os critérios-referenciado da AAHPERD (1988), por gênero e nível sócio-econômico.
4.1. Crescimento físico entre os gêneros e idade
A TABELA 1 apresenta os valores médios, desvios-padrão e estatística F do crescimento físico de rapazes e moças, por idade. Em relação à massa corporal, nota-se vantagem dos rapazes em relação às moças, com diferenças significativas nas três idades. Esse comportamento confirma a tendência de superioridade dos rapazes em relação às moças, conforme observado em outros estudos. FARIAS & SALVADOR (2005), em amostra de adolescentes de Porto Velho - RO, entre 11 e 15 anos, verificam diferenças entre os gêneros aos 13 e 15 anos. Em estudo realizado com adolescentes de Londrina - PR, diferenças significativas são observadas aos 16 e 17 anos (GUEDES, D. 1994); em estudo com gaúchos e catarinenses, diferenças são verificadas aos 15 e 17 anos (GLANER, 2002). Já em adolescentes de Florianópolis - SC, os rapazes demonstram superioridade quando comparados às moças, aos 15, 16 e 17 anos (PIRES & LOPES, 2004), tendência esta também observada no estudo longitudinal misto de WALTRICK & DUARTE (2000), embora não tenham realizado testes estatísticos entre os gêneros.
TABELA 1 – Valores médios, desvio-padrão e estatística F para as variáveis de crescimento físico entre os gêneros, por idade.
* p ≤0,05.
Massa corporal (kg) Estatura (cm)
Idade
(anos) Rapazes Moças F* Rapazes Moças F*
15 54,88 ± 10,15 52,14 ± 8,14 5,77 166,25 ± 8,08 160,27 ± 6,35 43,98 16 56,77 ± 12,65 50,09 ± 6,23 10,14 168,76 ± 8,11 160,15 ± 4,51 38,67 17 64,24 ± 10,45 52,46 ± 6,91 25,69 171,60 ± 8,73 160,91 ± 6,93 26,39
Índice de massa corporal - IMC (Kg/m²)
Rapazes Moças F
15 19,75 ± 2,70 20,28 ± 2,84 2,31
16 19,77 ± 3,06 19,52 ± 2,26 0,19
17 21,73 ± 2,65 20,29 ± 2,66 4,17*
Na estatura corporal também são verificadas diferenças estatisticamente significantes nas três idades, em favor dos rapazes (TABELA 1). O mesmo comportamento pode ser observado nos estudos de GUEDES, D. (1994), GLANER (2002), WALTRICK & DUARTE (2000) e PIRES & LOPES (2004), todos realizados na região sul do Brasil, enquanto que para adolescentes entre 11 e 15 anos, de Porto Velho-RO, diferenças estatísticas são observadas aos 13 e aos 15 anos (FARIAS & SALVADOR, 2005).
Os resultados referentes ao IMC do presente estudo demonstram semelhança entre os rapazes e as moças, aos 15 e 16 anos. Aos 17 anos os rapazes obtêm médias significativamente superiores às moças. O estudo de GUEDES, D. (1994) não demonstra diferenças significativas para o IMC, entre rapazes e moças. Por outro lado, diferenças aos 15 e aos 16 anos são verificadas em favor das moças estudadas por GLANER (2002). Como o IMC é decorrente das informações da massa corporal e estatura, diferenças entre gêneros e idades podem ser decorrentes de possíveis oscilações que estas variáveis sofrem dos fatores genéticos, ambientais ou, ainda, diferentes fases de maturação biológica.
Ainda na TABELA 1 pode-se observar as variáveis de crescimento físico por gênero. Nos rapazes, a MC demonstra resultados quase idênticos aos de GUEDES, D. (1994) e
GLANER (2002), aos 15 e 16 anos, com ligeira superioridade dos pares deste estudo aos 17 anos. Valores quase idênticos aos deste estudo também são observados por EISENMANN, PIVARNIK & MALINA (2001) com americanos e de DEHEEGER, BELLISLE & ROLLAND-CACHERA (2002) com franceses. No estudo de WALTRICK & DUARTE (2000) e de PIRES & LOPES (2004), os rapazes catarinenses apresentam superioridade entre 3% e 12% em todas as idades, enquanto que nos moçambicanos estudados por PRISTA et al. (2003), nota-se inferioridade próxima de 8%, todos comparados ao presente estudo.
Considerando a estatura corporal, as variações observadas são menores que 1% entre as mesmas idades quando este estudo foi comparado aos de GUEDES, D. (1994) e GLANER (2002), realizados na região sul do Brasil e aos de PRISTA et al. (2003), em moçambicanos, enquanto que para os estudos de WALTRIK & DUARTE (2000) e PIRES & LOPES (2004) em catarinenses, EISENMANN, PIVARNIK & MALINA (2001) em americanos e DEHEEGER, BELLISLE & ROLLAND-CACHERA (2002) em franceses, as médias de estatura corporal são superiores às do presente estudo, entre 2% e 3,5%.
O IMC dos rapazes deste estudo são praticamente idênticos aos achados de GUEDES, D. (1994), GLANER (2002) e DEHEEGER, BELLISLE & ROLLAND-CACHERA (2002) e, discretamente superiores aos de PRISTA et al. (2003).
A MC das moças (TABELA 1) deste estudo apresenta superioridade de 4%, quando comparadas ao estudo de GUEDES, C. (1994) aos 15 anos e, igualdade para as demais idades; quando a MC das moças desse estudo foi comparada às de GLANER (2002) e WALTRICK & DUARTE (2000), valores idênticos são observados aos 15 anos, enquanto que aos 16 e 17 anos destes mesmos estudos e nas três idades daquelas estudadas por PIRES & LOPES (2004), as médias de MC são superiores entre 5 % e 10% superiores; já as moças quando as moças do presente estudo foram comparadas às estudadas por PRISTA et al. (2003), demonstraram superioridade próxima de 6% aos 15 anos e valores quase idênticos aos 16 e 17
anos, comparadas ao presente estudo.
Ao observar a estatura corporal, nota-se que as moças do presente estudo possuem médias similares a vários estudos realizados na região sul do Brasil, como GUEDES, D. (1994), WALTRIK & DUARTE (2000), GLANER (2002) e PIRES & LOPES (2004) e, ainda, com as francesas de DEHEEGER, BELLISLE & ROLLAND-CACHERA (2002) e as moçambicanas de PRISTA et al. (2003), com variações máximas de 2,5 cm entre os diferentes estudos.
O IMC das moças, apresentado na TABELA 1, também demonstra ligeiro equilíbrio entre as médias, quando comparado aos estudos de GUEDES, D. (1994), GLANER (2002), DEHEEGER, BELLISLE & ROLLAND-CACHERA (2002) e de PRISTA et al. (2003).
A TABELA 2 apresenta o comportamento anual das variáveis do crescimento físico de rapazes e moças. Estes resultados apontam para uma discreta evolução entre os rapazes, na massa corporal, estatura e IMC e, aumento de aproximadamente 15% na massa corporal dos rapazes entre 16 e 17 anos. Essa tendência também pode ser observada nos estudos de GUEDES, D. (1994) e GLANER (2002).
TABELA 2 – Comportamento anual das variáveis de crescimento físico (massa corporal – MC, estatura e índice de massa corporal – IMC) de rapazes e moças.
Rapazes Moças Idade (anos) MC (kg) Estatura (cm) IMC (kg/m²) MC (kg) Estatura (cm) IMC (kg/m²) 15-16 1,90 2,50 0,01 -2,05 -0,11 -0,80 16-17 7,50 2,85 2,00 2,40 0,75 0,80
As variações da massa corporal, estatura e IMC das moças, entre 15 e 16 anos apresentam ligeiro decréscimo e, equilíbrio entre os 16 e 17 anos. A instabilidade observada pode ser explicada diante das variações na duração, magnitude e no momento em que ocorre o estirão do crescimento (MALINA & BOUCHARD, 2002) ou, ainda, devido ao número de
sujeitos de cada grupo ser muito diferente entre as idades (ver QUADRO 1 – página 24). Diante dessas evidências, confirma-se a tendência de estabilização da estatura corporal próxima de dezesseis anos para as moças, enquanto os rapazes tendem a atingir a estabilidade aproximadamente aos dezoito anos GUEDES, D. (1994), WALTRIK & DUARTE (2000), GLANER (2002), GALLAHUE (2003) e PIRES & LOPES (2004).
4.2. Crescimento físico entre diferentes níveis sócio-econômicos
O comportamento das variáveis do crescimento físico entre os NSE, por idade e gênero é apresentado a seguir. Na TABELA 3 pode ser observado que a massa corporal os rapazes difere estatisticamente aos 15 anos, entre os NSE alto e baixo e, aos 17 anos, entre os NSE médio e baixo, com variação de 18% e 15%, respectivamente. Os rapazes aos 16 anos e as moças nas três idades não apresentam diferenças estatísticas entre os NSE.
TABELA 3 – Valores médios, desvio-padrão e estatística F para a variável massa corporal entre níveis sócio-econômicos (NSE), por idade e gênero.
Rapazes Idade
(anos) Alto NSE Médio NSE Baixo NSE F
15 61,42a ± 10,23 54,78ab ± 10,30 52,16b ± 8,67 4,90 16 63,10a ± 12,98 57,40a ± 13,36 50,52a ± 7,19 1,69 17 66,58ab ± 9,29 67,10a ± 8,69 54,78b ± 11,47 3,86 Moças 15 54a,75 ± 5,40 52,58a ± 8,41 50,04 a ± 7,40 1,42 16 48a,70 ± 8,01 50,75a ± 6,55 49,74a ± 5,44 0,29 17 61a,00** 52,36a ± 7,28 51,84a ± 6,39 0,49 **Apenas uma moça foi classificada como NSE alto pelo questionário da ANEP (1996). ab letras iguais não indicam diferenças estatísticas (p >0,05).
Embora os rapazes aos 16 anos e as moças em todas as idades não demonstrem diferenças estatísticas, nota-se a tendência geral de médias de MC menores para aqueles oriundos de NSE mais baixo em relação ao NSE médio e alto. Desse modo, as médias de MC
do presente estudo seguem a tendência evidenciada por MALINA (1990) para crianças latino- americanas, por GUEDES, C. (2002) para adolescentes gaúchos e PIRES & LOPES (2004), em estudo realizado em adolescentes de Santa Catarina, oriundos de escola pública e particular.
Por outro lado, considerando que a MC é a variável do crescimento físico que pode sofrer alterações mais evidentes dos aspectos ambientais, decorrentes principalmente dos níveis de atividade física e hábitos alimentares, pode-se inferir que os NSE não interferem em intensidade ou magnitude suficientes para que haja diferenças.
A estatura corporal de rapazes e moças é apresentada na TABELA 4, entre os NSE, por idade. As diferenças estatísticas são verificadas nos rapazes aos 17 anos, entre os NSE alto e médio em relação ao NSE baixo e, para as moças, aos 15 anos entre os NSE médio e baixo, enquanto o NSE alto não difere dos demais.
Os rapazes aos 15 e 16 anos e as moças aos 16 e 17 anos, mesmo não apresentando diferenças estatísticas, demonstram médias de estatura corporal superiores no NSE alto e médio, quando comparados ao NSE baixo, superioridade esta entre 2% e 8% entre os rapazes.
TABELA 4 – Valores médios, desvio-padrão e estatística F para a variável estatura entre os níveis sócio-econômicos (NSE), por idade e gênero.
Rapazes Idade
(anos) Alto NSE Médio NSE Baixo NSE F
15 168,50a ± 7,33 167,00a ± 8,55 163,79a ± 7,00 2,65 16 173,20a ± 5,92 169,59a ± 8,11 163,00a ± 6,88 3,23 17 173,08a ± 6,81 175,50a ± 5,11 160,38b ± 8,84 12,08
Moças
Alto NSE Médio NSE Baixo NSE F
15 161,16ab ± 3,29 161,10a ± 6,35 157,19b ± 6,02 4,56 16 163,41a ± 6,18 160,06a ± 4,62 159,18a ± 3,38 2,08 17 167,00* 162,27a ± 6,25 158,13a ± 7,59 1,11 **Apenas uma moça foi classificada como NSE alto pelo questionário da ANEP (1996). ab letras iguais não indicam diferenças estatísticas (p >0,05).
Essa tendência é observada em estudo com adolescentes gaúchos (GUEDES, C. (2002), com catarinenses de escola pública e particular (PIRES & LOPES, 2004), confirmando que as crianças e adolescentes de NSE mais baixo tendem a crescer menos que as demais (MALINA, 1990). Embora MALINA & BOUCHARD (2002) atribuam forte influência genética ao crescimento estatural, no presente estudo, especificamente, parece que o NSE não influenciou essa variável, para os rapazes de 15 e 16 anos e para as moças nas três idades).
Na TABELA 5 é apresentado o comportamento do IMC, entre os NSE, por idade e gênero. Os rapazes apresentam diferenças estatísticas apenas aos 15 anos, entre os NSE alto e baixo; estas diferenças podem ser explicadas porque a discrepância da massa corporal no NSE alto e baixo é proporcionalmente maior do que a discrepância da estatura para os mesmos NSE. Para os demais rapazes e todas as moças não foi verificada nenhuma diferença estatística.
TABELA 5 – Valores médios, desvio-padrão e estatística F para o índice de massa corporal (IMC) entre os níveis sócio-econômicos (NSE), por idade e gênero.
Rapazes Idade
(anos) Alto NSE Médio NSE Baixo NSE F
15 21,61a ± 3,17 19,52ab ± 2,54 19,37b ± 2,52 4,62 16 20,95a ± 3,76 19,80a ± 3,30 18,91a ± 1,19 0,67 17 22,32a ± 3,71 21,74a ± 2,25 21,12a ± 2,79 0,28
Moças
Alto NSE Médio NSE Baixo NSE F
15 21,07a ±1,97 20,24a ±2,92 20,24a ±2,72 0,24 16 18,14a ±1,90 19,80a ±2,41 19,63a ±2,11 1,32 17 21,87* 19,90a ±2,78 20,78a ±2,56 0,14 **Apenas uma moça foi classificada como NSE alto pelo questionário da ANEP (1996). ab letras iguais não indicam diferenças estatísticas (p >0,05).
O estudo de FARIAS JUNIOR & LOPES (2003) em adolescentes de Florianópolis - SC indica discreta vantagem, em torno de 2% e, favor dos rapazes de NSE alto, ao mesmo
tempo em que nas moças são observadas médias de IMC mais elevadas para as oriundas de NSE mais baixo, de aproximadamente 5%.
Observando os NSE alto, médio e baixo, nas três idades, nota-se que as médias de IMC são quase idênticas aos encontrados por GUEDES et al. (2002) para rapazes e moças, oriundos de NSE muito similares ao presente estudo. SOUZA et al. (2003), em estudo com crianças obesas, encontraram discreta superioridade para aquelas oriundas de NSE mais alto.
MALINA (1990) observou que crianças e adolescentes oriundos de famílias com menor poder aquisitivo tendem a crescer menos e apresentar menor massa corporal. No presente estudo, esse comportamento é observado na massa corporal dos rapazes, aos 15 e aos 17 anos e, na estatura dos rapazes aos 17 anos e das moças aos15 anos. Por outro lado, o equilíbrio na MC e no IMC das moças é semelhante ao observado por VEIGA et al. (1992). GORDON-LARSEN, ADAIR & POPKIN (2003), estudando obesidade em crianças e adolescentes americanos de diferentes etnias, renda e escolaridade, observaram que, para o gênero feminino, à medida que aumenta a escolaridade e renda, os níveis de obesidade diminuem, comportamento este não constatado para o gênero masculino do mesmo grupo.
4.3. Aptidão física relacionada à saúde entre os gêneros
Considerando que todos os sujeitos da amostra auto-avaliaram-se nos estágios 4 ou 5 de TANNER (1962), os componentes da AFRS serão apresentados e analisados com as idades agrupadas, por NSE e gênero.
A TABELA 6 apresenta os valores médios dos componentes da AFRS entre os gêneros. Para o componente de gordura corporal, diferenças estatisticamente significativa são observadas, evidenciando uma maior quantidade da gordura nas moças em relação aos rapazes. Pelo fato de rapazes e moças estarem classificados nos estágios finais da maturação
biológica, justifica-se o aumento de gordura corporal nas moças e da massa magra para os rapazes (MALINA & BOUCHARD, 2002). A mesma tendência é observada por GLANER (2002), utilizando as mesmas dobras cutâneas e por GUEDES, D. (1994), WALTRICK & DUARTE (2000) e FARIAS & SALVADOR (2005), com outras combinações de dobras cutâneas.
No componente cardiorrespiratório (TABELA 6), os rapazes demonstram superioridade entre 30% a 40% em relação às moças, indicando diferenças estatísticas. Esse comportamento é idêntico ao encontrado por GUEDES, D. (1994) e GLANER (2002), em adolescentes com as mesmas idades e, GUEDES, C. (2002), em estudo realizado com crianças e adolescentes até 14 anos. Confirma-se aqui a tendência de que o sistema cardiorrespiratório se desenvolve proporcionalmente à estatura corporal, de acordo com as indicações de MALINA & BOUCHARD (2002), fato que pode ser observado na TABELA 2, indicando maior incremento de estatura para os rapazes.
TABELA 6 – Valores médios, desvio-padrão, estatística F para os componentes da aptidão física relacionada à saúde entre os gêneros.
Xrapazes X moças F TR+PA (mm) 20,95 ± 9,82 35,06 ± 10,65 189,74* 1600 m (min) 8:19 ± 1:37 10:59 ± 1:53 303,97* Abdominal 34,03 ± 7,93 22,41 ± 6,93 246,28* Barra modificada 15,94 ± 6,21 5,57 ± 3,51 436,80* Sentar e alcançar (cm) 29,66 ± 7,07 30,72 ± 6,77 2,357 * p < 0,05.
Desse modo, em condições idênticas, um melhor desempenho na aptidão cardiorrespiratória do gênero masculino pode ser explicado porque o homem possui entre 20% e 25% de massa isenta de gordura a mais do que a mulher a partir da adolescência (ASTRAND, 1992; WILMORE & COSTILL, 2001), justificando, desse modo, os resultados observados.
(abdominal), apresentado na TABELA 6, nota-se vantagem de aproximadamente 55 % dos rapazes em relação às moças, evidenciando diferenças estatísticas.
O componente de força/resistência da parte superior do tronco e braços (barra modificada) difere estatisticamente entre os gêneros, com vantagem de aproximadamente 170% em favor dos rapazes. A superioridade dos rapazes observada em ambos os testes de força/resistência é justificado por um maior volume muscular evidenciado a partir da maturação biológica (MALINA & BOUCHARD, 2002), com superioridade entre 20% e 25% de massa isenta de gordura, comparado ao gênero feminino (ASTRAND, 1992; WILMORE & COSTILL, 2001).
A superioridade dos rapazes também é verificada nos estudos de GUEDES, D. (1994) e GLANER (2002) para as mesmas idades, pois com a maturação biológica há um maior crescimento físico dos rapazes, associado a maior quantidade de massa magra, resultando em maior força/resistência muscular (MALINA & BOUCHARD, 2002).
A flexibilidade (TABELA 6) é o único componente da AFRS que não apresenta diferença estatística entre os gêneros. Este componente está relacionado a alterações e adaptações funcionais e motoras das articulações ocorridas durante o crescimento (MALINA & BOUCHARD, 2002).
A flexibilidade é o componente da AFRS que necessita de mais estudos que evidenciem a sua relação com a saúde em diferentes populações, visto que poucos resultados são decorrentes de estudos bem elaborados (NIEMAN, 1999). Os resultados deste estudo revelam pequenas variações quando comparados a outros. GUEDES, D. (1994) não encontrou diferenças estatisticamente significante entre os gêneros, nas mesmas idades do presente estudo, enquanto que as moças avaliadas por GLANER (2002) foram estatisticamente mais flexíveis que os rapazes aos 15 e 17 anos.
gênero masculino, em situações de igualdade, pode explicar o fato de o gênero feminino possuir maior flexibilidade, visto que este componente é resultante da inter-relação de músculos, tendões, ligamentos, pele e da própria articulação (WILMORE & COSTILL, 2001). Destaca-se, ainda, que pessoas com maior flexibilidade, demonstram maior facilidade para realizar tarefas diárias devido à maior mobilidade articular, maior resistência às lesões, menor possibilidade de lombalgias e outras dores musculares (NIEMAN, 1999).
4.4. Aptidão física relacionada à saúde entre diferentes níveis sócio-econômicos
Os valores médios, desvio-padrão e estatística F para as variáveis da AFRS dos rapazes, entre os NSE, são apresentados na TABELA 7. Para o componente de gordura corporal, o NSE alto difere estatisticamente dos NSE médio e baixo.
Diferenças no componente de gordura corporal também foram observadas por GUEDES, C. (2002), em estudo realizado com adolescentes gaúchos aos 14 anos e, por RONQUE (2003) e OKANO et al. (2001), respectivamente para crianças de Londrina – PR, de NSE alto e baixo, utilizando o IMC como parâmetro de avaliação.
A aptidão cardiorrespiratória (1600 m) dos rapazes, apresentada na TABELA 7, não difere estatisticamente entre os NSE. Em estudo realizado com adolescentes gaúchos, de 14 anos, GUEDES, C. (2002) observou melhores resultados no NSE baixo, utilizando o teste de correr/caminhar 9 minutos. GLANER (2002) encontrou melhor desempenho em adolescentes rurais, comparados a urbanos, enquanto que no presente estudo, parece que o NSE não se mostrou capaz de promover diferenças estatísticas no componente cardiorrespiratório.
Conforme MALINA & BOUCHARD (2002), a atribuição de melhor desempenho na aptidão física para os NSE mais baixos pode estar associada a um estilo de criação e disponibilidade de espaços físicos com maior liberdade, fato esse que parece não ter
influenciado na amostra do presente estudo.
TABELA 7 – Valores médios, desvio-padrão e estatística F para os componentes da aptidão física relacionada à saúde de rapazes entre níveis sócio-econômicos (NSE).
Alto NSE Médio NSE Baixo NSE F
TR+PA (mm) 26,46a ± 13,60 21,12 b ± 9,70 17,58b ± 5,56 7,713 1600 m (min) 8:15a ± 1:45 8:10a ± 1:29 8:40 a ± 1:49 1,678 Abdominal 35,52a ± 7,57 33,82a ± 8,09 33,72 a ± 7,83 0,553 Barra modificada 15,19a ± 6,70 16,05a ± 6,11 16,08a ± 6,27 0,229 Sentar e alcançar (cm) 30,74a ± 5,91 29,16a ± 7,23 30,23a ± 7,26 0,759 ab letras iguais não indicam diferenças estatísticas (p >0,05).
Para os achados sobre o componente de força da parte inferior do tronco (abdominal), apresentados na TABELA 7, nota-se um forte equilíbrio entre os NSE, sendo que o NSE alto mostra-se apenas discretamente superior aos demais. Em estudo realizado por GUEDES et al. (2002), com adolescentes de Londrina - PR, oriundos de NSE similares a este, os resultados encontrados são em média 15% superiores aos do presente estudo para o componente de força/resistência inferior do tronco. Nesta mesma cidade, em dois estudos realizados com crianças de NSE alto (RONQUE, 2003) e NSE baixo (OKANO et al., 2001), é observada maior força/resistência inferior do tronco em meninos de NSE baixo. Por outro lado, em estudo realizado por GUEDES, C. (2002) com adolescentes gaúchos, é observada maior força/resistência inferior do tronco para os rapazes de NSE alto.
Para a força/resistência superior do tronco (barra modificada), expostos na TABELA 7, os rapazes não apresentam diferenças significativas entre os diferentes NSE. O componente de força/resistência muscular é dependente, além de fatores genéticos, de influências relacionadas a um estilo de vida fisicamente ativo (MALINA & BOUCHARD, 2002). GLANER (2002) verificou maior força/resistência muscular em adolescentes rurais do que em urbanos, decorrentes de um estilo de vida mais ativo fisicamente. O mesmo
comportamento foi observado entre os estudos de OKANO et al. (2001) e RONQUE (2003), respectivamente para NSE baixo e alto e por GUEDES, C. (2002) entre adolescentes de NSE alto e baixo, comportamento, fenômeno este não verificado no presente estudo.
O comportamento da flexibilidade dos rapazes, apresentado na TABELA 7, demonstra que não existem diferenças estatísticas entre os NSE. Também não foram observadas diferenças significativas em crianças de Londrina – PR, de NSE alto, estudadas por RONQUE (2003) e de NSE baixo, estudadas por OKANO et al. (2001). Por outro lado, os achados de GUEDES, C. (2002) indicam maior flexibilidade para os rapazes de NSE baixo. No presente estudo, entretanto, os NSE não interferem nas modificações funcionais e motoras e, conseqüentemente, não influenciam na flexibilidade.
A TABELA 8 apresenta os valores médios, desvio-padrão, estatística F para as variáveis de AFRS das moças entre os NSE. A quantidade de gordura corporal não difere entre os NSE. Maior quantidade de gordura corporal em NSE baixo é observada por GUEDES, C.(2002), em adolescentes gaúchas e pelos estudos com crianças de Londrina – PR, de RONQUE (2003) e OKANO et al. (2001), respectivamente para NSE alto e baixo, utilizando o IMC como parâmetro de classificação de normalidade e sobrepeso.
Como a gordura corporal pode ser fortemente influenciada por diferentes níveis de atividade física habitual e hábitos alimentares (MALINA & BOUCHARD, 2002), parece que a amostra do presente estudo não possui um estilo de vida fisicamente ativo bem como hábitos alimentares diferenciados entre os NSE, capazes de provocar mudanças significativas neste componente. Em estudo realizado com moças gaúchas, rurais e urbanas, GLANER (2002) também não encontrou diferenças significativas.
Outro fator que pode ter contribuído para o equilíbrio da gordura corporal é que os espaços físicos disponíveis para a prática de diferentes atividades físicas podem receber pessoas de diferentes classes sociais, pois se trata de uma cidade de pequeno porte.
TABELA 8 – Valores médios, desvio-padrão e estatística F para os componentes da aptidão física relacionada à saúde de moças entre níveis sócio-econômicos (NSE).
Alto NSE Médio NSE Baixo NSE F* TR+PA (mm) 36,50 ± 9,42 35,89± 10,98 32,75 ± 9,90 1,926 1600 m (min) 10:59 ± 1:50 10:20 ± 1:52 11,36 ± 1:55 0,733 Abdominal 23,23 ± 7,15 23,05 ± 7,23 20,67 ± 5,87 1,926 Barra modificada 6,23 ± 4,21 5,33 ± 3,47 5,98 ± 3,44 0,952 Sentar e alcançar (cm) 32,34 ± 6,97 30,30 ± 6,63 31,37 ± 7,09 0,913 * p > 0,05.
A aptidão cardiorrespiratória não demonstra diferenças significativas entre os NSE (TABELA 8). A aptidão cardiorrespiratória pode ser influenciada por fatores genéticos, mas, principalmente é um componente que melhora à medida que se aumenta o nível de atividade física habitual (MALINA & BOUCHARD, 2002). GLANER (2002) constatou diferenças significantes na aptidão cardiorrespiratória, atribuídas às diferentes rotinas de atividade física em favor de adolescentes rurais comparadas às urbanas. Já em estudo realizado com gaúchas, GUEDES, C. (2002) encontrou melhores resultados no NSE alto, aos 14 anos. Desse modo, parece que as adolescentes dos três NSE do presente estudo não possuem rotinas de atividade física diferenciadas entre si, capazes de promover alterações na aptidão cardiorrespiratória.