A quarta categoria, e as suas subdimensões foram analisadas como indicadores e unidade de registro estabelecendo as seguintes, conforme quadro abaixo:
Quadro 5 - Categoria IV – Administrador da heterogeneidade
C omp etê nc ia ap re se ntad a por P er re nou d (2002)
Categoria Indicador Unidade de Registro
Administrador da Heterogeneidade Conflitos; Relações Interpessoais; Distante Aproximidade Conflitos Ética Moral Mudança Fonte: Elaborado pela autora.
A seguir, fala-se das unidades de contextos, das falas propriamente ditas dos discentes acerca da quarta categoria.
O indicador Conflitos e Relações Interpessoais representados pela unidade de registro apresentam o distanciamento percebido pelos discentes com relação às relações interpessoais, em algumas vezes falta uma ligação de negociação para amenizar os possíveis conflitos que aparecem. Também os discentes demonstram a abertura para novas mudanças. Assim, registraram-se as percepções dos discentes e afirmativas acerca da administração de conflitos. Alguns entrevistados expõem suas inquietações acerca dos conflitos e sugerem uma nova proposta de mudança na relação docente e discente. Abaixo trechos transcritos das entrevistas:
A relação entre os docentes em geral é muito distante [...] (F1)
que tem professores que não conseguiu lidar com aquela situação, levou isso muito pro lado pessoal. (F2)
Os conflitos entre um aluno e professor geralmente quando aconteceu comigo foi levado de uma forma de brincadeira pelo professor e mais tarde resultou em penalidades para mim. (F3)
[...] o que você gostou mais, só que a gente vê que nos semestres posteriores é a mesma coisa, a mesma aula e apenas alguns absorvem o que foi criticado e mudam. (F4)
Assim, a percepção dos discentes no que diz respeito às relações interpessoais foi transmitida como havendo falta de abertura nas negociações de conflitos em sala de aula, apesar de não acontecer com frequência. Propõem uma possibilidade de negociação por parte dos docentes de forma passiva e acolhedora.
A autoridade do professor é importante em sala de aula, mas é preciso saber compartilhar com os discentes, vivenciar de forma democrática e participativa as relações interpessoais.
Nesse sentido, Fulani (2000) destaca um modelo democrático constituído pelo diálogo; desenvolvido e elaborado por meio da interação em que o discente tem também o direito de falar. Sem serem controlados os múltiplos sentidos, tanto limites, abrindo um canal aberto para essa construção.
Ao observar o conceito de competência organizacional pode-se ver essa relação de conflito, que é apresentada como a capacidade em que o sujeito tem de enfrentar uma determinada situação. Muitas vezes esses conflitos são gerados por falta de negociação e pela falta de eficiência em lidar com a situação.
A esse respeito Le Botef (2003) aponta que a competência caracteriza-se pela capacidade que o sujeito tem de enfrentar uma determinada situação, e que essa está relacionada com os recursos de que dispõe para mobilizá-lo em ações pertinentes. Dessa forma, a competência se refere à eficiência, qualidade total, desempenho global e a capacidade de elaborar e de conduzir um projeto. Cada etapa se inicia em um novo contexto, que avalia para que se comece um novo processo. Se não for desejado o resultado, retoma-se o começo do processo.
Podendo ser visto na educação na relação discente e docente que em seu cotidiano perpassa por muitas situações de conflitos, seja na negociação de tempo, horário, conteúdo, avaliação, relação interpessoal. Essa relação discente versos docente se leva para vida pessoal, social e profissional do discente. Estabelecer uma relação da boa convivência traz muitos benefícios para todos, seja discente ou docente. Preparar o discente para o mercado de trabalho requer estabelecer novos caminhos que amenizem as situações de conflitos existentes por toda sua trajetória.
Com relação a situações de conflitos, Perrenoud (2002) diz que para enfrentar e analisar um conjunto de situações complexas, práticas e problemas com os discentes é preciso trabalhar a causa, o verdadeiro trabalho começa quando os envolvidos se afastam do muro das lamentações, ou seja, das desculpas, é preciso agir, utilizando a autonomia e capacidade de ação. Ainda a esse respeito, o mesmo autor aponta que para administrar crises e conflitos interpessoais é preciso abandonar a ilusão dos discursos sobre a paz e harmonia. O conflito faz parte da vida e pode ser visto como aprendizado para o discente, fortalecendo suas bases para a formação profissional.
Considerando a importância das relações interpessoais, observa-se que é norteador na vida dos discentes e docentes. Por meio do bom convívio em sala de aula, definem-se as estratégias para o trabalho a ser realizado nesse ambiente. Nessa perspectiva, Furlani (2000) aponta três bases de relacionamento para construir uma relação saudável com os discentes; desconstruir o modelo autoritário que se expressa pela ausência de dialogo. Adiante o modelo permissivo, é a liberdade de expressão, tudo ocorre de maneira espontânea, sem limite, nesse modelo não há um comprometimento com a aprendizagem e a instituição, o aluno é ouvido, mas não há ajuste didático. Por último o modelo democrático caracterizado pelo diálogo, conhecimento, o docente encontra um canal de comunicação em propiciar momentos de descoberta, o discente é incentivado a refletir suas dificuldades que são levadas a uma avaliação de seu comportamento.
Inovar e renovar o ambiente em sala de aula não é uma conquista fácil. Saber enfrentar uma situação de ameaça ou conflito, em algumas vezes requer o desenrolar dos saberes e habilidade da prática docente. A esse respeito, Pérez (1992) exprime que a vida cotidiana de qualquer profissional prático depende do conhecimento tácito que mobiliza e elabora durante a sua própria ação.
Sem perder de vista a formação do discente e os percursos que irão levá-lo para o mercado de trabalho. O que já estava previsto pela proposta de Perenoud (2002) da pesquisa na quinta categoria. Apresentados na próxima categoria.