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A reorganização interna da produção agrícola na comunidade rural de Lajedo de Timbaúba e suas transformações de ordem estrutural, política e social, constituídas sob a perspectiva de Desenvolvimento Rural Sustentável, são os temas abordados neste capítulo.

Assim, a primeira parte deste capítulo, A nova configuração local, analisa essas transformações a partir do processo de configuração do espaço como um produto de adoção de várias alternativas tecnológicas para a convivência com as secas, implementadas por agentes externos: as ONGs. Aqui, deixamos registradas todas as experiências por estas proporcionadas. Trata-se do reflexo do modo como as práticas tecnológicas têm sido capazes de imprimir novos significados ao lócus de reprodução de variados interesses articulados.

Na segunda parte deste capitulo, A relação dos saberes na prática cotidiana: os agricultores e as alternativas tecnológicas, abordamos a problemática do trato dos saberes nas práticas cotidianas dos agricultores e sua relação com os saberes externos. Tal questão é enfocada a partir do entendimento de que tecnologia é um fator primordial para qualquer processo produtivo, no entanto, o que está em jogo é o modo de como produzi-la, difundi-la e aplicá-la. Assim, analisamos o modo como os agricultores familiares se apropriam dos conhecimentos que vêm de fora, como se articulam com os mesmos e que sentidos são atribuídos a esses saberes.

As condições em que os agricultores entram nesse processo de interação e como as transformam em estratégias de reprodução e resistência no conjunto de múltiplas e complexas relações serão objeto de nossas análises na terceira parte do capítulo Agricultores e técnicos: os confrontos, as resistências e os conflitos de uma relação. Nesta parte, analisamos as estratégias de apropriação/interação/recriação de saberes, constituídas em práticas de resistência e afirmação dos saberes internos, que orientam as práticas tecnológicas dos agricultores e o modo do seu fazer.

Na quarta parte deste capítulo, O imaginário local e a noção de desenvolvimento sustentável, discutimos o significado atribuído pelos agricultores às práticas tecnológicas adotadas no processo de produção, como modos de sentir, pensar e agir próprios à sua lógica de existência. Analisamos tais práticas como organicamente vinculadas ao imaginário local e mediante a produção simbólica, que expressa concretamente a vivência dos agricultores. Esses agricultores vão absorver, alterar ou modificar os novos conhecimentos de maneira compatível e a partir da maneira como a realidade é percebida.

4.1- A Nova Configuração Local:

A comunidade de Lajedo de Timbaúba, já descrita no primeiro capítulo, organizada em torno de alternativas tecnológicas de convivência com o semi-árido, caracteriza-se como modelo de comunidade rural em experiência de construção de Desenvolvimento Rural Sustentável. Importantes transformações de ordens estrutural, política e social têm se delineado nesse ambiente.

O processo de transformação iniciado nos primórdios da década de 90 tem se intensificado nos últimos anos. O aparecimento de Organizações Não- Governamentais na comunidade possibilitou aos agricultores locais a apropriação de novos conhecimentos, que favoreceram as mudanças ocorridas na comunidade, e a sua consequente transformação. Delineiam-se, portanto, neste espaço, o fortalecimento dos agricultores familiares e um aspecto aparentemente bem sucedido do modelo de desenvolvimento rural sustentável.

Do ponto de vista econômico, as unidades de produção têm perfilado agricultores e espaços modificados que se complementam no seu conjunto. As experiências revelam como as famílias agricultoras superam as dificuldades para melhor conviver com as condições locais. Essas modificações são explicitadas sob várias formas e expressas no modo de sentir, de pensar e de agir de seus atores. Neste aspecto, é comum escutar dos agricultores expressões tais como:

A comunidade melhorou muito depois que veio esse pessoal de fora, antigamente pra gente viver aqui era um caso sério, eu tava canso de dizer aos meninos, às vezes a gente se lembra as condição de vida da gente aqui quando era de primeiro, dá vontade até de chorar. Era muito, muito difícil. Pra quem não tinha ganho ainda era mais. (M.J.S., entrevista, agosto de 2007).

Essa nova configuração se estabeleceu, portanto, a partir da relação cotidiana entre antigos e novos sujeitos. Saberes diversos se articulam e se relacionam neste ambiente. Mudanças significativas também são percebidas no modo de relacionamento entre os agricultores. Há uma maior interação entre eles, o que não acontecia antes, pois ficava restrita a cada família; adquiriram e produziram novos conhecimentos e, através dessa nova ordem estabelecida, sentem-se mais seguros na comunidade. Como relatou um dos participantes da pesquisa:

Hoje são poucos os que saem da comunidade pra outros lugar, comparado com outras comunidades. E já voltou mais. Lajedo de Timbaúba já tinha casa fechada, chegou uma época que nós tava com 22 morador. Pra trinta... aqueles que foram pra rua atrás de oportunidade volta pra plantar aqui, morando aqui. As pessoas vai tomando gosto das coisas e vai voltando. (J.C.G., entrevista, agosto de 2007).

Logo, se Lajedo de Timbaúba pode ser visto como um espaço e se o espaço pode ser compreendido como um lugar praticado onde as práticas e os movimentos cotidianos operam (CERTEAU, 2008), ele vai se construindo como produto social e com uma dimensão política e estratégica (idem, ibidem). Querendo entender pela ótica do agricultor familiar as transformações atuais na localidade, o modo de pensar e de agir diverso e as falas dos agricultores familiares, parecem indicar a construção de novos espaços geoeconômicos e políticos-culturais. São valores que se opõem, se complementam, se enfrentam e vão se conformando, dialeticamente, com o novo perfil de comunidade rural, com novas identidades e novos sujeitos sociais.

Este processo tem se caracterizado por uma lógica trazida por agentes externos à comunidade. Incorporando o aspecto estratégico de formação do espaço que tem nele o seu caráter específico como um lugar praticado, onde as práticas sociais somente se articulam a partir de um lugar organizado e configurado por grupos com interesses econômico, social e ideológico bem definidos. Este enunciado nos ajuda a entender a reação de um dos nossos entrevistados, ao se referir às ONGs:

Eles (os técnicos) vieram com umas coisas novas, ensinando assim como você plantar. Começou com as barragem subterrânea, ninguém acreditava que aquilo dava certo, ai começaram a trazer novas técnicas pra gente fazer o plantio, você planta isso, planta aquilo e por aí a gente saiu semeando.(A.G.M., entrevista, agosto de 2007).

A nova configuração representa, portanto, uma nova lógica e uma nova ordem que se estabelece. Os primeiros passos dessa transformação foram dados pelo sindicato dos trabalhadores rurais e pela Igreja (já tratados no primeiro capítulo). Entretanto, para o presidente da associação, essa transformação se deve principalmente à coragem dos agricultores de participar das ações:

Qualquer comunidade pode ter qualquer ajuda, mas se não tiver a coragem de enfrentar as coisas não funciona. Pra você ter uma ideia do que acontece, nós iniciamos com... os primeiros passos que nós demo foi com o sindicato e o sindicato buscou parceria com o PATAC que trouxe as novas tecnologias que as comunidades pudessem desenvolver, que era as cisterna de placa e os campos consorciado de palma que pode ser cultivado com vários tipos de cultura, e outras coisas que a gente discutia. Hoje a gente ta sabendo que 1 hectare de palma pode plantar 70 milheiros de palma e ainda pode plantar milho e feijão dentro. É somente aprender a nova tecnologia, tudo isso a gente já tá sabendo, mas por que a gente tá sabendo? Porque tá participando dentro dos movimentos. (I.T., entrevista, agosto de 2007).

As primeiras ações de ONGs em Lajedo de Timbaúba foram direcionadas à captação de água: poços artesianos e cisternas de placas. A experiência mais conhecida do PATAC (Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas às Comunidades) é a de cisternas de placas, que armazenam água das chuvas para o consumo humano. Implantadas na comunidade desde 1993, essas cisternas facilitam a convivência dos agricultores com as estiagens prolongadas. Essas cisternas são mais resistentes e de menor custo que as tradicionais cisternas quadradas de tijolos.

Antes deste projeto, os agricultores usavam água de cacimba ou compravam água de outros municípios com alto custo, fosse para os agricultores ou para a prefeitura do município, que fazia o abastecimento de água com carros-pipa. As poucas cisternas existentes no município eram quadradas, com custo alto e seus donos eram os grandes fazendeiros. A proposta do PATAC era a construção de cisternas populares, redondas, usando placas de cimento feitas pelos próprios agricultores. Assim, os agricultores foram capacitados na profissão de “construtores de cisternas”, de maneira que a técnica já faz parte da cultura local.

Outra experiência implementada na comunidade pelas ONGs e apontada pelos agricultores como de grande importância é a dos Bancos de Semente Comunitários - BSC. PRACASA e PATAC, que começaram a atuar na comunidade quase na mesma época, perceberam, que, após uma seca ou uma estiagem prolongada, não sobravam sementes para a época do plantio. Também havia o problema do atraso na distribuição de sementes pelos órgãos oficiais, como relata um agricultor:

A história das sementes... do banco de semente comunitário... que não seja um banco de semente estrutural de governo. Como a gente sabe o que a CONAB faz, ela pega a semente, recolhe num depósito, ela recebe as sementes e fica no controle dela, quando chove vai ter dificuldade pra trazer pra comunidade novamente, e vai demorar as pessoas plantar, as vez quando chega numa comunidade as chuvas têm passado. (J.A.C., entrevista, agosto de 2007).

Assim, além da falta de sementes na comunidade para o plantio e do atraso na liberação pelos órgãos públicos, havia também um grave problema na distribuição das sementes por estes últimos: “as sementes certificadas não são adaptadas ao ecossistema local nem ao gosto do consumidor da região; sendo híbridas, elas não se reproduzem, tornando o produtor dependente dos fornecedores”. (PRACASA, 2000, p.3, Relatório).

Outra experiência e talvez o grande achado do PATAC em Lajedo de Timbaúba foi a barragem subterrânea27. Em vez de construir um barreiro ou pequeno açude que impede a agricultura na área coberta pela água e favorece a evaporação, a barragem é construída no subsolo. É um pouco como se fosse criado um lençol freático ou uma enorme esponja impregnada de água a pouca distância abaixo da superfície do solo, onde as plantas se desenvolvem em plena seca, pois suas raízes têm acesso à água. Além de resolver o problema da água para os animais, ainda possibilita a plantação, na barragem, de forragens, fruteiras, verduras e legumes bem no meio de uma caatinga seca e que atende às necessidades essenciais dos agricultores familiares. A importância dessa técnica pode ser observada no relato de um agricultor:

Graças à barragem subterrânea, um agricultor que todo ano ia procurar trabalho no Rio ou em São Paulo na época de seca, hoje se mantém e produz para sua família o ano todo; deixa de comprar muita coisa, inclusive o pão,que a gente substitui por batata doce e inhame...o que não se gasta é lucro, né?Eu era uma pessoa que pouco acreditava, que eu só acredito no que vejo, quando vi as primeiras, vi que se as pessoas for trabalhador dá pra quebrar um galho, agora não dá pra sustentar uma família, é um complemento familiar em uma família pra se alimentar e pra criação animal dá muita renda. Por exemplo, até hoje eu sustento a criação através da barragem subterrânea, sempre tem ração. (A.M.A., entrevista, agosto de 2007).

27

Hoje são sete barragens subterrâneas em Lajedo de Timbaúba. Seis feita pelo projeto do PATAC e uma com 60% de devolução das seis que participaram do sistema rotativo.

Este relato demonstra a importância que a barragem subterrânea representa para os agricultores locais: além de fornecer alimentos para as famílias durante o ano todo, favorece a permanência dos mesmos na comunidade, evitando, assim, que muitos desses agricultores, tenham que ir para outras regiões em busca da sobrevivência. Acreditamos que a não aceitação inicial das barragens subterrâneas por parte dos agricultores se deveu à novidade, pois os agricultores nunca tinham visto coisa igual ou, talvez, à falta de clareza na exposição do projeto, o que dificultou o entendimento do mesmo. Em outros relatos veremos expressões do tipo: “quando eles explicaram, a gente achou muito difícil, a história era muito difícil” ou, ainda, “eu não acreditava, porque nunca tinha visto”.

O Projeto de Caprinocultura teve início ainda no final dos anos de 1990, com o incentivo do PRACASA. Entretanto, uma grande seca impossibilitou o desenvolvimento deste projeto. Muitos dos agricultores beneficiados tiveram que vender a criação para sobreviverem ao período crítico, enquanto outros perderam a criação por falta de água e alimento. Portanto, o projeto de caprinocultura posto em prática pelo PRACASA não vingou.

O projeto atual de caprinocultura em Lajedo de Timbaúba foi implementado em 2006 e é financiado pelo Projeto Dom Helder. Foram comprados 96 animais para serem distribuídos entre dezoito famílias. Cada família recebeu cinco cabras; quem preferiu ovelha, recebeu seis ovelhas. Aí se formou um grupo de cinco famílias com criação de ovelha e treze famílias com criação de cabra, em fundo rotativo para que outras famílias tivessem também a oportunidade de criar esses animais. Quando completa um ano, cada família repassa uma cria. A que recebe essa cria, com um ano entra no repasse também. Desse projeto, Lajedo de Timbaúba conta hoje com 246 criações de cabras e ovelhas.

É interessante perceber que todas as ações empreendidas na comunidade são vistas pelos agricultores como de grande importância. Entretanto, os agricultores demonstram certa determinação em acreditar que todas essas ações somente se concretizam devido à coragem, à participação e a organização de todos eles:

É aquela história que eu acho que a comunidade, quando a gente trabalha junto pode crescer e muito. Esse tanque de pedra por exemplo, quando fizemos os cálculos lá no PATAC, se fosse comprar tudo, areia, pedra, mão de obra, só a contra- partida da gente dava 6.000 reais e o projeto só gastou 2.000 com cimento. Quando fizemos a avaliação o rapaz da Petrobrás que financia o projeto, ele perguntou

tá faltando só isso? Porque ele viu que a nossa ação foi mais do que a da Petrobrás, a Petrobrás gastou só 2 mil, e nós na comunidade gastamos em valor, se fosse comprar tudo isso? Foi isso que eles entenderam e facilitou mais ainda os contrato novo. E aqui a gente tem feito sempre isso. Nós faz o serviço de forrageira em grupo, é aquela ração estocada. Zé tava com o capim e não ia precisar e mandou tirar pra troca ficar mais fácil, aproveitamos tudo isso. Aí eu fiz os cálculos dos custos, como se juntamos em grupo não gastamos quase nada. (I.T., entrevista, agosto de 2007).

Nesse relato, percebemos a importância que os agricultores familiares de Lajedo de Timbaúba atribuem à organização, principalmente quando se referem à associação local. Demonstram que a importância da associação para eles se apresenta não só em termos técnicos, sociais e econômicos, mas também em termos jurídicos:

Participo da associação através da agricultura familiar e principalmente de... através de mais tarde me aposentar pela associação e pela programação que a gente faz no Banco do Nordeste... A gente recebe uma segunda via com assinatura de quatro assinaturas de vizinhos que é o caminho pra aposentadoria. Mas depois disso, quero continuar minhas lutas porque acho bom. (A.G.M., entrevista, agosto de 2007).

É através da organização, portanto, que os agricultores familiares de Lajedo de Timbaúba se sentem mais seguros e independentes. Outro importante fator de organização percebido na comunidade é o Fundo Solidário Rotativo - FSR. Para explicar seu funcionamento, utilizaremos o exemplo dos Fundos Rotativos de Cisternas. Um grupo de produtores rurais se reúne para trabalhar em mutirão. A construção da primeira cisterna serve de treinamento. O grupo recebe o material necessário e vai pagando esse material em prestações e segundo o ritmo decidido inicialmente (pode mudar de grupo para grupo segundo as possibilidades de cada um). À medida que o retorno do dinheiro permite comprar o material da segunda cisterna, o mutirão recomeça e assim por diante, até que todos os membros do grupo tenham cada um sua cisterna.

Por esse sistema, o trabalho se alastra. À medida que cada grupo termina a última cisterna, o retorno das últimas parcelas dá início a um novo fundo rotativo para outro grupo e novos pedreiros de cisternas estão sendo treinados e se tornam por sua vez produtores/instrutores ou multiplicadores para iniciar novos grupos. Isso assegura a

sustentabilidade do trabalho, bem como a garantia do reforço dos laços de solidariedade e de gestão coletiva, a compreensão da capacidade de suas potencialidades e criatividades, a garantia, a auto-estima e a descoberta da capacidade de construir um bem por conta própria, sem depender dos “favores” de um político.

As visitas de intercâmbio são apontadas como importante fator de participação. Nessas, os agricultores vão conhecer experiências em outras cidades ou estados ao mesmo tempo em que vão mostrar suas experiências. Relatam satisfeitos e com entusiasmo essa troca de experiência:

Eles (se referindo à agricultores de outras regiões) ficam muito ansiosos pra conhecer o projeto nosso de beneficiamento de fruta e o trabalho geral que a gente faz como a estocagem de água, silagem a proteção dos animais no período seco, o banco de semente. O deles é diferente. Eles fazem do tipo mutirão, aquelas sementes eles guardam, o da gente, cada agricultor tem direito a sua semente do jeito que ele quiser plantar e da forma que ele guardar. Nós faz a divisão por agricultor, ele traz a semente dele, vai ter o nome dele na semente. Quando ele procurar com um ano 2 ou 3 ou não procurar a semente dele se mantém com aquele mesmo nome. Já lá eles colocam tudo junto não tem como selecionar (J.C.G.,entrevista, agosto de 2007).

Assim, as visitas de intercâmbio permitem a troca de ideias e a discussão de diversos tipos de inovações ou adaptações. “É uma viagem de troca de experiência, avaliação do que eles fazem lá alguma coisa de diferente do que nós faz aqui e que nós podemos melhorar aqui, e eles melhoram através da gente aqui” (I.T., entrevista, agosto de 2007). Os intercâmbios passam do nível local ao regional ou mesmo ao interestadual. As primeiras comunidades – como é o caso de Lajedo de Timbaúba – se tornam referência e as iniciativas aí desenvolvidas vão abrir caminho para orientar debates e manifestações sobre políticas públicas nos encontros regionais. A isso retornaremos mais adiante.

A silagem é outro tipo de experiência implementada na comunidade. É um processo impermeável para conservar cereal ou forragem verde. Permite armazenar todo tipo de vegetação: restolhos de culturas, folhagens da mata, pasto – constituindo toneladas de reservas de alimentos que se mantêm de um ano para o outro ou até mais.

Certas plantas nativas, como a maniçoba e a catingueira, e outras não nativas, mas que se adaptam bem, como a gliricídia, dão um excelente farelo que dispensa a

compra, sempre cara, de torta ou outra ração industrial. No que pudemos observar, é um método inovador para o agricultor guardar o alimento para o seu rebanho nos períodos de seca. Uma espécie de trincheira é cavada e colocada uma lona de plástico na vala, onde as plantas são “empacotadas” e enterradas para serem consumidas pelos animais nos períodos de estiagens.

Pudemos observar, entretanto, que os agricultores têm certo receio de fazer a silagem. A rejeição, no entanto, não significa recusa absoluta ao ensilamento, mas ao grande dispêndio de trabalho, principalmente, ao cuidado extremo que se deve ter ao se adotar essa técnica:

Eu só fiz uma vez, eu não faço porque eu não crio muito gado, é pouco, e não preciso de silo porque o silo é uma coisa que você abre essa semana e é danado pra perder a ração todinha, qualquer coisa perde. Até um bicho que furar a lona perde a ração todinha. Eu acho melhor deixar o capim, só cortando e os bichos comendo é mais simples... Eu também tenho uma maquinazinha de moer a forragem, pra mim tá mais fácil as coisas. (A.G.M., entrevista, agosto de 2007)

Outro projeto implementado na comunidade é o de apicultura, o qual vem se desenvolvendo desde 2001 com abelhas jandaíra. Através do incentivo também do PATAC, os apicultores locais aprendem desde a técnica da criação ao uso de determinadas plantas que serão necessárias à fabricação do mel. O produto é vendido individualmente por cada produtor, dentro e fora município. Além de aumentar a renda