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O Seridó potiguar que tem sua ocupação favorecida inicialmente pela atividade da pecuária atravessará ao longo de sua conformação, momentos de vitalidade e de estagnação. Mais recentemente, porém será Morais (2005) que aponta , tomando como referencia o século XX, três fases importantes acerca da estruturação dessa região, posteriormente Vila do Príncipe, como sede do poder civil da freguesia. Se a religião católica está presente na fundação territorial do Seridó, ela se impregna também no imaginário, fundando poderosas chaves explicativas para a realidade regional, que até hoje estão presentes na subjetividade sertaneja. (PDSS; 2000, p.84).

55 sendo elas: A primeira, entre 1940 e 1970, formada pelo tripé algodão-pecuária- mineração; a segunda, entre 1970 e 1980, com a crise da sua base produtiva e a terceira, nas últimas décadas do século XX e inicio do XXI chamada de reestruturação regional.

Reconhecidamente as atividades da cotonicultura e mineradora no Seridó Potiguar, assumiram papel fundamental no desenvolvimento dessa região (MORAIS; 2005). Após a seca de 1845, o Rio Grande do Norte, que tem sua principal base produtiva abalada, a pecuária, buscará na agricultura uma alternativa ao enfrentamento da crise. Em especial a atividade da cotonicultura, que alternará momentos de vitalidade e inserção no mercado nacional e internacional, favorecida por crises políticas nos Estados Unidos, será para o Seridó potiguar pelos anos seguintes, a atividade responsável pela sustentação da economia regional e modelagem do espaço urbano e rural seridoense (AZEVEDO, 2005).

O algodão será até a década de setenta do século vinte, “a principal fonte de emprego e renda no Estado e da Região do Seridó. As atividades agropecuárias participavam com 45% do PIB estadual e o algodão isoladamente, contribuía com um percentual médio de 32%, no período de 1962-1971” (MELO apud MORAIS; 2005; p.72).

O algodão nordestino, e junto a essa a cotonicultura do Seridó, entra em crise devido a fatores que se conformaram a partir da década de 30, ainda no século vinte. Sendo alguns deles: a produção do algodão no Estado de São Paulo que ultrapassa a do país como um todo; O surgimento da fibra sintética e as secas entre 1960 e 1980 (PDSS; 2000, p 90).

A mineração no Seridó Norte-rio-grandense, introduzida pelo menos dez anos após as primeiras indicações de viabilidade exploratória nos anos 20 do século vinte, serviu-se grandemente da procura internacional nos anos que antecedem a segunda guerra mundial (PDSS; 2000). Para a região, essa atividade que logrou absorver mão de obra em grande número no Estado do Rio Grande do Norte, pôs o Seridó no cenário político-partidário em destaque novamente e ainda criou as condições para o desenvolvimento de outros setores industriais bem como a ampliação do setor de serviços (MORAIS; 2005).

Sua crise após a década de setenta, período de franco desenvolvimento do setor no Rio Grande do Norte e no Seridó, desenhava-se a partir “das transformações no mercado mundial de matéria de prima, a queda dos preços de alguns produtos,

56 chegada de produtos de países concorrentes” (PDSS; 2000, p. 70), entre outros fatores de ordem interna.

No que se refere à segunda fase apontada por Morais (2005), é ainda dito por Tânia Bacelar de Araújo (2011, p.10), que

Nos anos 80, a crise da economia algodoeira, que afetou também a rentabilidade da pecuária, coincidiu com a da economia mineradora. Ruíram, a um só tempo, os pilares da economia regional. A partir daí, as atividades tradicionais, as que produziram riqueza e poder na região, apresentam pouco dinamismo.

Apesar do cenário pouco promissor que desponta após esse período de crise no Seridó, na terceira fase descrita como reestruturação regional por Morais (2005) e reestruturação produtiva por Araújo (2011), sobressaem-se na atualidade da região, atividades de agro-indústria (beneficiamento de leite), indústria cerâmica e de confecções, artesanato e comércio. Some-se a isso, ainda a marca dos produtos Seridó que é responsável pela identificação positiva da qualidade do que ali é produzido e que tem atualmente assegurado um mercado, dentro e fora do estado do Rio Grande do Norte. Há, portanto uma proeminente diversificação das atividades econômicas na região, que tem confirmado a idéia de reestruturação de suas bases produtivas.

Ao lado da ocorrência do soerguimento de sua economia, a região do Seridó Potiguar, tem-se mostrado também singular do ponto de vista da evolução de importantes indicadores sociais nos últimos vinte anos. Portanto a importância da avaliação de indicadores como demografia, educação e renda, justifica-se por serem essas também algumas das sinalizações do modo como a reestruturação econômica no Seridó, tem se traduzido na melhoria ou não, das condições de vida de seus habitantes.

A consideração de indicadores que apontem a melhoria nas condições de vida das populações é um dos desdobramentos mais importantes do debate travado entre os defendem a elevação das taxas de crescimento, antes da distribuição dos ganhos e os que acreditam que a melhoria desses indicadores pode ser conseguida antes de processos de retomada de crescimento. Assim entende Amartya Sen (2000), ao considerar o crescimento da economia de mercado chinês assentado sobre o desenvolvimento social, e que segundo ele, teria sido beneficiado (o crescimento da economia) pela reforma agrária, alfabetização e ampliação de seu sistema de saúde.

57 Essas reformas teriam segundo Amartya Sen (2000, p. 42), produzido um “efeito

favorável no crescimento econômico” e estariam associadas “a melhoria da produtividade e das possibilidades de emprego das pessoas envolvidas”. Por essa razão,

é que importa para este trabalho o levantamento de alguns indicadores da região do Seridó potiguar, com fins de sua caracterização.