Chapter 5 Cost analysis for LNG transport
5.4 Economic analysis and optimization
5.5.2 Sensitivity analysis
A indústria de software é caracterizada como uma atividade altamente dependente de inovações (SEBRAE, 2007). Nessa indústria, o surgimento de inovações é apontado por Mendes (2006, p. 16) como “um pressuposto básico da competitividade, do crescimento e do desenvolvimento econômico no contexto de acirrada concorrência internacional”. Especificamente no contexto da indústria de software, em que as soluções e os produtos desenvolvidos se tornam obsoletos com rapidez significativa, a permanência de uma firma no mercado em longo prazo está diretamente relacionada à sua capacidade de inovar (ABES, 2006).
Gutierrez e Alexandre (2001, p. 31) identificam duas estratégias de entrada possíveis para novas firmas na indústria de software. A primeira consistiria no desenvolvimento de “inovações complementares aos produtos existentes, reforçando o padrão e se beneficiando de toda a rede de valor envolvida”, enquanto a segunda se refere à inserção de “uma inovação descontínua, que se propõe uma mudança de padrão com uma tecnologia inovadora tirando proveito de um mercado ainda em construção”.
Em relação ao conceito de inovação descontínua, cabe apresentar a definição de Bessant, Tidd e Pavitt (2008, p. 37), para quem as inovações descontínuas não envolvem necessariamente “incremento estável de produtos ou processos” e nem “uso do conhecimento acumulado”, mas que também não significam necessariamente remodelagem de fontes de conhecimento e configurações de um produto (BESSANT; TIDD; PAVITT, 2008, p. 37). Por fim, Bessant, Tidd e Pavitt (2008, p. 37) afirmam que as inovações descontínuas podem surgir como “resposta a necessidades de grupos diferentes de usuários”, o que, no contexto do setor de software, pode significar o desenvolvimento de um produto que não traga soluções inteiramente novas, mas que forneça a adaptação de uma solução já conhecida às necessidades de um novo grupo de consumidores no mercado.
Duarte (2003, p. 45) demonstra, ainda, que o tipo de inovação a ser desenvolvido por uma empresa na indústria de software é determinado pelas características do segmento em que ela atua. Empresas que atuam no segmento horizontal devem “ser capazes de gerar inovações radicais, levando em conta o risco que representa esse tipo de investimento, uma vez que não se sabe ao certo como o mercado reagirá diante do novo produto”, enquanto as empresas que já possuem atuação no mercado horizontal e possuem condição monopolista podem “lançar mão da inovação incremental para manter ou até expandir o seu mercado”. As inovações incrementais seriam, também, adequadas à entrada de uma firma no segmento vertical.
Campos, Nicolau e Simioni (2002, p. 205) identificam três estratégias possíveis no tocante ao desenvolvimento de inovações por empresas que atuam na indústria de software. Em primeiro lugar, os autores apresentam a introdução de inovações radicais. Na seqüência, apresentam “o contínuo melhoramento e as modificações nos softwares que as empresas já produzem”, apresentando, por fim, a possibilidade de “introdução de pequenas melhoramentos pela imitação de softwares produzidos por outras empresas”.
Para analisar a dinâmica de inovações no contexto da indústria de software, é preciso retomar três características inerentes a ela. Nesse sentido, é possível considerar:
• A organização da indústria ocorre em plataformas, com várias firmas produzindo diferentes softwares pautados por requisitos comuns (BRESNAHAN; GREENSTEIN, 1999).
• Ao desenvolver um software e conseguir estabelecê-lo como padrão de mercado, com larga aceitação pelo consumidor, a firma responsável por essa produção criará uma barreira à entrada de novos concorrentes, tornando-se o first mover e assumindo (ainda que temporariamente) uma posição monopolística (ROSELINO, 1998). A barreira concorrencial será estabelecida em função do alto custo de
desenvolvimento unitário associado à produção de um software. As outras firmas, ao invés de realizarem o mesmo investimento elevado para desenvolver um produto substituto e concorrer diretamente com o first mover, tenderão a desenvolver produtos complementares ou, então, com propósitos inteiramente diferentes do produto original.
• Na indústria de software, age sob o desenvolvimento de novos produtos uma força centrífuga “agindo no sentido de criar oportunidades para empresas entrantes com a abertura de novos campos de atuação e aplicações para as tecnologias de
software” (ROSELINO, 1998, p. 70). Esse fenômeno gera oportunidades para a prestação de novos serviços e para o fornecimento de novos produtos.
As características da indústria de software retomadas nesta seção permitem compreender de que forma surgem as inovações no setor. Ao considerá-las, é possível descrever as inovações no setor com base nas seguintes características:
• A maior parte das inovações não consiste no desenvolvimento de soluções inteiramente novas (inovações radicais), mas no aperfeiçoamento de soluções já existentes (inovações incrementais) e no desenvolvimento de produtos e serviços complementares.
• A introdução de uma mudança tecnológica significativa (um novo hardware ou uma nova plataforma, por exemplo) abre espaço para o desenvolvimento de softwares inovadores, sejam eles soluções inteiramente novas ou mesmo softwares que venham a preencher lacunas já previstas com o lançamento da mudança inicial.
Ao considerar a inovação no contexto da indústria de software no Brasil, cabe considerar os dados da PINTEC – Pesquisa de Inovação Tecnológica, que mensuram o total de “empresas que implementaram inovações e / ou projetos” no período entre 2003 e 2005. A PINTEC mensura, tradicionalmente, o surgimento de inovações tecnológicas na indústria e, a partir do ano de 2005, também passa a apresentar a mensuração do surgimento de inovações em atividades de serviços, considerando, inclusive, “Atividades de informática e serviços relacionados”, “Consultoria em software” e “Outras atividades de informática e serviços relacionados” (PINTEC, 2005).
Tabela 2 - Empresas, total e as que implementaram inovações e/ou com projetos, segundo atividades selecionadas dos serviços - Brasil - período 2003-2005
Atividades selecionadas da
indústria e dos serviços
Empresas
Total
Que implementaram inovações de
Total Produto Processo Produto e processo Total Novo para a empresa Novo para o mercado nacional Total Novo para a empresa Novo para o mercado nacional Serviços 4 246 2 418 1 886 1 548 432 1 773 1 618 231 1 240 Telecomunicações 393 180 158 141 25 147 130 21 125 Atividades de informática e serviços relacionados 3 811 2 197 1 689 1 374 374 1 590 1 461 181 1 082 Consultoria em software 1 082 843 726 540 229 580 529 70 463 Outras atividades de informática e serviços relacionados 2 729 1 354 963 834 145 1 010 932 111 619 Pesquisa e desenvolvimento 42 41 39 33 33 36 27 29 34 Fonte: PINTEC (2005).
Os dados apresentados na pesquisa permitem identificar o surgimento de inovações nas atividades de informática e serviços relacionados. Do total de empresas pesquisadas (3.811), aproximadamente 57% (2.197) apresentaram inovações de produtos ou processos no período entre 2003 e 2005. É possível inferir, ainda, que 44% (1.689) das empresas apresentaram inovações em produtos, enquanto 41% (1.590) apresentaram inovações em processos. Apenas 28% (1.082) das empresas apresentaram simultaneamente inovações em produtos e processos.
Em relação aos dados da PINTEC, cabe estabelecer comentário quanto à segmentação das atividades de informática, tendo em vista que apenas uma categoria dos chamados serviços de software (consultoria em software) tem seus dados apresentados de forma independente das demais. Embora as dados da pesquisa contribuam para a compreensão do montante de inovações nas empresas de informática, o agrupamento das categorias não permite identificar com exatidão o total de inovações observadas somente nos serviços de