6.3 Tre utvalgte konsepter
6.3.2 Selskap 5
O modo argumentativo constitui o processo através do qual é possível produzir argumentações20 sob diferentes formas. Esse modo permite a construção de explicações sobre asserções feitas acerca do mundo numa dupla perspectiva de razão demonstrativa e razão persuasiva (CHARAUDEAU, 1992).
20A argumentação se caracteriza por uma relação triangular na qual se situa um sujeito argumentante que, a partir
de uma tese sobre o mundo, se dirige a um sujeito alvo, sendo, portanto, uma atividade discursiva que, do ponto de vista do sujeito argumentante, participa de dupla busca: i) uma busca da racionalidade que tende a um ideal de verdade quanto à explicação de fenômenos do universo; ii) uma busca de influência que tende a um ideal de persuasão, o qual consiste em compartilhar com outro certo universo de discurso até o ponto em que este último seja levado a ter as mesmas propostas (CHARAUDEAU, 1992).
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Nesta perspectiva, o sujeito argumentante busca explicar uma verdade em uma visão racionalizante, para exercer influência sobre o interlocutor. Assim, ele possui dupla finalidade: busca de uma racionalidade que sirva como um ideal de verdade quanto à explicação dos fenômenos do universo e de uma influência como ideal de persuasão, cuja finalidade é fazer com que o outro compartilhe certo universo discursivo.
Portanto, o sujeito argumentante desenvolve um conjunto de atividades linguageiras que consistem em algumas atitudes. Primeiramente, em dizer propósitos sobre o mundo e inscrevê-los em um quadro de questionamento que poderá gerar um ato de persuasão. Já em segundo momento, consiste em tomar uma posição em relação a esses propósitos. Por fim, justificar a sua posição no que diz respeito à sua argumentação e para ter êxito melhor em seu objetivo de persuasão.
Conforme procedemos na exposição do modo narrativo, aqui também teceremos considerações apenas sobre as categorias analisadas, as quais se resumem aos procedimentos lingüísticos, semânticos e discursivos agenciados pelo indiciado durante o evento.
O sujeito argumentante põe em cena procedimentos lingüísticos, semânticos, discursivos e organizacionais que servem ao seu projeto de comunicação em função da situação e da maneira como o interlocutor o percebe. Esses têm a função essencial de validar sua argumentação, ou seja, de mostrar que o quadro de questionamento (proposta) é justificável. Quanto aos procedimentos semânticos, ele agencia argumentos que se apóiam sobre um consenso social pelo fato de os membros de um grupo sociocultural ter certos valores, em certos domínios de avaliação, como o da verdade, o da ética, o do pragmático, o do hedônico. O domínio da verdade, que define de maneira absoluta, em termos de verdade e de falsidade, por um lado o que se refere à existência de estar na sua originalidade, na sua autenticidade e na sua unicidade; por outro, o que é da competência do saber como princípio único de explicação dos fenômenos do mundo.
O domínio da estética define em termos de beleza e feiúra os seres da natureza, as representações que os homens dão (a expressão artística) aos objetos que fabricam.
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O domínio da ética define em termos de bem e de mal quais devem ser os comportamentos humanos em relação a uma moral externa (as regras de comportamento são impostas a indivíduos pelas leis do consenso social) ou interna (o indivíduo dá-se as suas próprias regras de comportamento). Tato em um caso como no outro, o indivíduo deve agir de certa maneira. O domínio do hedônico define em termos de agradável e desagradável o que é da competência dos sentidos que procuram o prazer em relação aos projetos e às ações humanas. Este prazer é suscitado pela satisfação de um fim desejado no momento mesmo de sua realização.
Já o domínio do pragmático define em termos de útil/inútil o que aumenta um cálculo. Este cálculo consiste em medir os projetos e os resultantes das ações humanas em função das necessidades racionais dos sujeitos agentes que o realizam (mesmo se devem passar por fases desagradáveis) É este o domínio do interesse, no qual, pelo contrário da ética, o argumento é posto como conseqüência de uma ação.
Por fim o domínio do dever e da obrigação (combina o ético e o pragmático), no qual, pelo contrário do pragmático, o argumento é posto como origem de uma ação. Esta se realiza em nome de um princípio, e este princípio é o argumento dele mesmo.
Os valores correspondem às normas de representação social, que são construídas em cada domínio de avaliação: i) no que respeita ao domínio da verdade; ii) no que respeita ao domínio da estética; iii) no que respeita ao domínio da ética tais como, solidariedade, fidelidade, disciplina, honestidade e lealdade, responsabilidade, esforço e superação, justiça, bondade etc.; iii) concernentes ao domínio do pragmático: fundados sobre a experiência que se apóia às vezes sobre o que é habitual, durável, freqüente, e se inscrevem dentro de um quadro de comportamento, às vezes sobre o que é singular, original, único e, por conseguinte, dentro de uma diferença em relação à norma de comportamento; iv) no que diz respeito aos domínios do pragmático e da ética: estes dois domínios podem combinar-se à medida que uma regra de comportamento tem sua eficácia medida e verificada (pragmático) dentro de um modelo de conduta (ética); vi) no que diz respeito ao domínio do hedônico.
Em termos discursivos, o sujeito argumentante usa, pontual ou sistematicamente, algumas categorias da língua ou os procedimentos de outros modos de organização do discurso para,
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no âmbito de uma argumentação, produzir certos efeitos de persuasão tais como, a definição, a comparação, a citação, a descrição narrativa, a reiteração e o questionamento.
A definição é uma atividade lingüística que pertence à categoria da qualificação e ao modo de organização descritivo. Consiste em descrever as características semânticas que caracterizam um nome próprio, em dado contexto. No âmbito de uma argumentação, a definição é utilizada para fins estratégicos, assim como o fez Roberto Jefferson durante o evento da CPMI dos Correios, ao tecer atributos a seus amigos e inimigos. Mesmo não se tratando de uma definição verdadeira (dá-se a aparência de uma definição), serve para produzir efeito de evidência e de saber para o sujeito que argumenta.
A definição pode ser consensual (saber popular) ou científica (saber do conhecimento). Temos: i) uma que consiste em definir um ser (objeto, pessoa, noção abstrata, palavra etc.); ii) uma que consiste em definir um comportamento. Roberto Jefferson, por exemplo, definiu, ao longo do evento, o comportamento do PT antes e depois de chegar ao poder, tendo em vista comparar os governos de Lula e de Collor (na realidade queria mostrar que ambos eram corruptos, mas o de Lula era ainda mais corrupto).
A comparação participa ao mesmo tempo de duas categorias de língua: da qualificação e da quantificação. Da qualificação porque na maior parte do tempo as propriedades mostram a semelhança ou diferença. Há quantificação porque quantidades são comparadas ou porque a comparação das propriedades é graduada. No âmbito de uma argumentação, a comparação é utilizada para reforçar previsão de uma conclusão ou de um julgamento, produzindo quer um efeito pedagógico (comparar para ilustrar e melhor fazer compreender) quando a comparação é objetiva; quer um efeito de “cegueira” (desviar a atenção do interlocutor para outro fato analógico), quando a comparação é subjetiva. As marcas da comparação são diversas: i) palavras gramaticais: como, como, tal, assim como... do mesmo modo, assim, como se, da mesma maneira (que), mais que..., menos que...; ii) palavras lexicais: assemelhar-se (comparação entre x e y), parecer, corresponder (correspondência entre x e y), aproximar (aproximação entre x e y), comparar (comparável, comparação entre), ter conjuntamente, ter diferente, diferenciar (diferença), opor (oposição entre). A comparação pode ser entre diferenças ou coisas iguais, e pode ser objetiva ou subjetiva.
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Na descrição narrativa, os procedimentos se aparentam à comparação, à medida que é descrito um fato ou é contada uma história para reforçar uma prova ou um lugar comum. Entretanto este procedimento tem uma existência própria: pode servir para desenvolver todo um raciocínio dito por analogia que produz efeito de exemplificação.
A citação participa do fenômeno lingüístico chamado discurso relatado. Serve para narrar fatos, dados, precisões, números, detalhes para reforçar um argumento. Corresponde à categoria da descrição. Consiste em trazer, o mais fielmente possível (ou pelo menos dando uma impressão de exatidão), os propósitos escritos ou orais, emitidos por um locutor diferente do que cita, para produzir na argumentação um efeito de autenticidade. A citação lida com a regra de verdade que testemunha uma declaração, uma experiência, um saber: i) de uma declaração, quando traz as declarações acerca de um simplesmente para provar a veracidade, para constatar, ou para sublinhar a exatidão; ii) de uma experiência, quando a citação traz as declarações acerca de uma testemunha que viu ou entendeu; iii) de um saber, quando a citação traz um propósito científico, ou que emana da pessoa que tem autoridade.
A acumulação consiste em utilizar vários argumentos para servir a uma mesma prova. Pode ser feito por: i) uma simples acumulação (que pode parecer suspeita quando se trata de uma desculpa); ii) uma escalada: (falsa) uma tautologia.
O questionamento consiste em pôr em questão um propósito, tendo em vista que a realização depende da resposta (real ou suposto) do interlocutor. Questionamento ao valor argumentativo corresponde a um tipo de validação hipotético. Pode ter várias finalidades: i) de estímulo a fazer algo, a pergunta destaca uma falta, uma insuficiência, e chama a preencher esta fala; ii) de proposição de uma escolha, a pergunta corresponde a uma oferta, que é feita ao interlocutor. Da resposta deste, ou seja, da escolha que ele terá feito, dependerá ao mesmo tempo a realização da oferta, e o que se encontra expresso na conseqüência; iii) de verificação do saber: quando os dois interlocutores se encontram numa situação de troca argumentativa (debate contraditório, discussão, face a face), o questionamento argumentativo permite ao questionador mostrar que sabe e se assegurar eventualmente do controle sobre o que é questionado. Da resposta, boa ou má, dependerá a sanção positiva ou negativa; iv) de provocação: questionamento comporta uma apreciação sobre o questionado. Esse é chamado a responder. Esta resposta pode consistir numa rejeição pura e simples da apreciação, ou uma justificação. Este tipo de questionamento é, freqüentemente, usado nas entrevistas, quando o
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entrevistador, sob diferentes formas: a notar que a apreciação pode ser particularmente longa, que pode ter por efeito de obstruir o entrevistado, e conduzi-lo a responder com modéstia; vi) de recusa: questionamento consiste em propor um argumento que é rejeitado por adiantamento, no mesmo tempo que é feita a pergunta.