4. South Africa
4.2 Selling sexual services
A soja é uma planta originária da região denominada Manchúria, que fica no nordeste da China, tendo sido levada para a Europa no século XVII, durante o período conhecido como das grandes navegações, onde permaneceu por mais de 200 anos apenas como uma curiosidade botânica, nos jardins botânicos das cortes europeias. Chegou aos Estados Unidos da América por volta do ano 1890 onde era cultivada como forrageira. Na década de 1940 a soja chegou ao Paraguai e na década de 1950 ao México e Argentina. A primeira referência sobre soja brasileira data de 1882, na Bahia. As cultivares introduzidas dos Estados Unidos não tiveram boa adaptação numa latitude em torno de 12 graus Sul (Bahia). Mais tarde, em 1891, novas cultivares foram introduzidas na latitude de 22 graus Sul (Campinas), apresentando melhor desempenho (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 1997).
No que diz respeito à produção de soja, no Brasil convivem modelos distintos de produção: o cultivo em grandes áreas e a agricultura familiar. Bazotti et al (2017) indicam que o mercado consolidado, aliado à liquidez do produto, proporcionado tanto por cerealistas quanto por cooperativas, contribuem para a viabilidade da sojicultora na agricultura familiar, com garantias de produção e venda. Este entendimento contraria a tendência de estudos econômicos sobre o meio rural, que aludem à relação entre eficiência e tamanho da área explorada para explicar a especialização produtiva dos agricultores, no qual haveria uma unanimidade quanto à necessidade de grandes áreas para a produção lucrativa da soja, nas quais o custo médio atingiria seu ponto mínimo e os ganhos decorrentes da escala o ponto máximo.
34 O entendimento quanto à necessidade de especialização e o emprego de grandes áreas é corroborado por Conte & Ferreira Filho (2006), como resultado de estudo que indicou a existência de economia de escala na produção de soja, e por Carneiro et al (2017), que consideraram a escala e a utilização de capacidade fatores determinantes do custo da produção de soja, tendo em vista os altos valores investidos em máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, além do elevado custo da terra, elementos que conferem maior eficiência quando são utilizados em nível de produção grande o suficiente para diluir esses custos fixos pela produção obtida. Por sua vez, Zanon et al (2009) ressalvam que as duas maiores regiões produtoras do Brasil, Sul e Centro-Oeste, apresentam propriedades com tamanho médio muito diferentes, destacando que a viabilidade de fazendas de pequena escala no cultivo da soja no Sul do país, em contraposição ao modelo encontrado no Centro-Oeste, teria como fatores determinantes a ocorrência, de maneira mais expressiva, de propriedades arrendadas, da atuação de cooperativas de crédito e à diversidade de culturas plantadas.
Ao largo da discussão sobre o tamanho das propriedades rurais produtoras de soja e as particularidades dessas áreas em função da localização geográfica, a demanda internacional pela soja brasileira se mostra crescente no decorrer dos últimos vinte anos, com o país disputando o mercado internacional com os Estados Unidos e a Argentina. Ao longo do período mencionado, o Brasil ampliou significativamente sua participação no mercado produtor, alcançando 28,75% do montante produzido em 20162, já se aproximando dos Estados Unidos, que concentram 35% do total da soja colhida no mundo, conforme evidenciado no Gráfico 4.1.
Gráfico 4.1: Participação dos países no mercado mundial da soja
Fonte: Elaborado pelo autor, a partir de dados da FAO
2 Até a conclusão deste trabalho não estavam disponíveis os dados referentes à 2017.
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60%
35 Cabe destacar que no período entre 1997 e 2016, a produção mundial de soja apresentou quinze períodos anuais de crescimento, passando de 144 milhões de tonelada em 1997 para 334 milhões de toneladas em 2016, com os países anteriormente mencionados, Estados Unidos, Brasil e Argentina, nesta ordem, tendo concentrado 81% da produção mundial em 2016, conforme pode ser verificado no Gráfico 4.2, a partir de dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, do inglês Food and Agriculture Organization).
Gráfico 4.2: Evolução da produção mundial de soja
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados da FAO; Em milhões de toneladas
O regular incremento da participação brasileira na produção de soja está, em parte, associado à expansão das fronteiras agrícolas, exemplificada pela elevação em quase 200% da área de plantio da soja no país, conforme pode ser verificado no Tabela 4.1.
Tabela 4.1: Área de plantio de soja
Ano Área (em
milhões de ha) Ano milhões de ha) Área (em
1997 11,49 2007 20,57 1998 13,30 2008 21,25 1999 13,06 2009 21,75 2000 13,66 2010 23,33 2001 13,99 2011 23,97 2002 16,36 2012 24,98 2003 18,52 2013 27,91 2004 21,54 2014 30,27 0 50 100 150 200 250 300 350 400
36 Tabela 4.1: Área de plantio de soja
Ano Área (em
milhões de ha) Ano milhões de ha) Área (em
2005 22,95 2015 32,18
2006 22,05 2016 33,15
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados da FAO
Além disso, verificou-se a melhoria da produtividade brasileira no período analisado, passando de 2.297 kg/ha em 1997, para 2.904 kg/há em 2016, desempenho este que acompanha a produtividade dos principais competidores, como mostrado no Gráfico 4.3.
Gráfico 4.3: Evolução da produtividade dos países exportadores de soja
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados da FAO
Entretanto, em que pese os ganhos de produtividade, e os respectivos ganhos competitivos deles decorrentes, o Brasil ainda não conseguiu se igualar ao seu principal competidor neste quesito, os Estados Unidos, como pode ser verificado na Tabela 4.2, o que aumenta o interesse na investigação dos demais fatores envolvidos no ciclo produtivo, dentre eles a infraestrutura e os custos de transporte para exportação da produção, elementos que contribuem para o aumento/diminuição da competitividade do país e a consequente elevação/redução da sua participação no mercado.
Tabela 4.2: Indicadores de produção de soja para 2016
Países Área plantada (ha) Produtividade (hg/ha) Produção (t)
Argentina 19.504.648 30.146 58.799.258
Brasil 33.153.679 29.046 96.296.714
Estados Unidos 33.482.430 35.006 117.208.380
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados da FAO 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
37 O aumento da produção e da participação na matriz de exportações brasileira do complexo soja ocorreu a partir de um processo de interiorização, conforme registrado por Almeida et al (2016), trazendo, em contrapartida, grandes desafios para se transportar percentuais significativos das safras para o litoral, tendo em vista que os principais produtores de soja estão localizados no interior do país, especialmente nas regiões Sul e Centro-Oeste. Em 2017, nos municípios dessas regiões foram produzidas 79,55% da soja nacional, sendo originárias dessas regiões 78,92% do total dessa commodity agrícola enviada ao exterior, conforme mostrado na Tabela 4.3:
Tabela 4.3: Distribuição regional da produção e exportação da soja em 2017 Região % Produção de soja* % Exportação de soja
Centro-Oeste 43,96 41,53
Nordeste 8,45 8,15
Norte 4,85 4,99
Sudeste 7,15 7,75
Sul 35,58 37,39
Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Agrostat - MAPA (2018) e Conab (2018) * Safra 2016/2017
Tendo em vista que a concentração das lavouras é localizada, principalmente, na região central do país, as distâncias entre a região de plantio e o porto exportador da commodity tornaram-se maiores, o que acarretou, consequentemente, maiores custos logísticos. Kussano & Batalha (2012) estimaram os custos logísticos para três alternativas possíveis de fluxos entre os produtores e os portos exportadores, identificando que o somatório das despesas com o frete, armazenagem, transbordo intermodal, quebras no transporte, etc., podem alcançar percentuais que variam entre 28% e 34% do valor da soja, com a ressalva de que a cotação do produto flutua diariamente em função de fatores internos e externos.
Integrante dessa cadeia logística, os investimentos na ampliação da capacidade operacional dos complexos portuários crescem em proporção inferior à evolução dos volumes de exportação dos granéis vegetais, conforme mencionado no Capítulo 1, o que pode representar mais um risco para o setor, com possível elevação dos custos logísticos, em especial do transporte até o porto e da espera dos navios (demurrage ou sobrestadia), com reflexos na competitividade da soja brasileira e, por consequência, nos indicadores macroeconômicos, em especial na balança comercial e no Produto Interno Bruto.
38