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Sekvens 4: Debatten mellom Bohr og Einstein om tolkningen av

DEL II KVANTEFYSIKKENS OPPRINNELSE OG UTVIKLING

10. Prosjektet: ”Kvantefysikkens historie i klasserommet”

10.8. Sekvens 4: Debatten mellom Bohr og Einstein om tolkningen av

dentro do contexto comunicativo mais amplo em que eles ocorrem como tópico, foco, etc.

A expressão linguística é determinada por esses níveis funcionais e, mais, tanto a forma quanto o conteúdo semântico das expressões linguísticas podem variar de acordo com a atribuição de funções diferentes aos constituintes em cada um dos três níveis funcionais.

Depreende-se dessa compreensão que a linguística funcional credita em seus postulados a ideia de não-arbitrariedade, assumindo que a linguagem tem caráter icônico e, portanto, que as variações e mudanças ocorrem porque são motivadas por necessidades comunicativas ou cognitivas do homem. Discorro sobre esse aspecto na próxima seção.

2.2 O PRINCÍPIO DE ICONICIDADE

Aos olhos dos funcionalistas, a estrutura é dependente do uso e as formas linguísticas são moldáveis; isto é, são susceptíveis às variações e mudanças produzidas pela rotatividade do uso em diferentes situações comunicativas reais.

Para eles, as palavras e frases (forma) assumem seus significados no contexto e surgem para satisfazer às necessidades do homem. Em outras palavras, a linguagem/estrutura é determinada pela ação intencional do homem ao fazer uso dos termos linguísticos. Esta ação intencional gera alterações no léxico e na gramática, seja no nível fonológico, morfológico, sintático, semântico ou discursivo, possibilitando a funcionalidade do sistema. Portanto, existe uma correlação icônica entre linguagem e uso. Isso significa admitir haver uma relação natural entre discurso e gramática, como foi proposta por Lichtenberk (1991).

Na abordagem funcionalista, costuma-se explicar essa relação através do princípio de iconicidade.

Martelotta (2003) salienta que a arbitrariedade separa, no signo linguístico, o significante (a forma, o visível) do significado (seu correlato mental, o invisível), entendendo significado como referência externa. Continuando, ele argumenta que essa postura nega,

inclusive, a existência de pensamento ou de qualquer estrutura mental organizada preexistente à linguagem.

Linguisticamente, a iconicidade é definida como a correlação natural entre forma e função, entre o código linguístico (expressão) e seu conteúdo. Para os funcionalistas, a estrutura linguística reflete de algum modo a estrutura da experiência humana. Isto significa que as formas linguísticas não são criadas aleatoriamente.

Ulmann (1977) mostra através do exemplo “pé de mesa” que a criação de novas formas ou sons não é arbitrária, há uma motivação semântica, pois o falante recorre sempre ao material já conhecido na língua e estende o seu sentido.

Givón (1984) correlaciona a iconicidade na linguagem com os princípios que governam as correlações naturais entre forma e função nas ciências biológicas. Para ele,

O uso da forma linguística é motivado e a extensão ou complexidade (em maior ou menor grau) dos elementos de uma representação linguística reflete a extensão ou a complexidade da natureza conceptual. (GIVÓN, 1984, p. 30)

Para Croft (1990, p. 164), “existe uma relação não-arbitrária entre forma e função, ou entre código e mensagem na linguagem humana, e que a estrutura da língua reflete de algum modo a estrutura da experiência”.

Hopper e Traugott (1993, p. 26) vêem-na “como uma propriedade de similaridade entre um item e outro, o que garante a não arbitrariedade da estrutura linguística”.

Bolinger considera dois tipos de iconicidade na língua: uma forte, defendendo que “a condição natural de uma língua é preservar uma forma para um significado e um significado para uma forma”; outra branda, admitindo “a existência de um continuum de transparência que pode evoluir até atingir níveis extremos de opacidade, nos quais não mais se torna possível a depreensão formal pelo papel funcional” (BOLINGER, 1977 apud HAIMAN, 1985, p.21).

O princípio de iconicidade está cognitivamente associado à transferência metafórica. Segundo esse princípio, em sua versão forte, há, na codificação linguística, a relação motivada de um-para-um entre expressão/forma e conteúdo, em situação oposta à arbitrariedade. Essa relação é assimétrica, uma vez que o conteúdo determina a forma, e não vice-versa. Em sua formulação branda, a relação de um-para-um entre forma e conteúdo se insere num continuum entre os pólos transparência e opacidade (GIVÓN, 1995).

Entretanto, apesar do clima de solidariedade entre os funcionalistas em torno da questão, não se pode afirmar que tudo na língua seja icônico, ou seja, não se pode afirmar que os fatos são 100% icônicos. Por isso, a iconicidade é frequentemente debatida pelos estudiosos da linguagem que insistem em assegurar a relatividade na motivação.

Reconhecendo a relatividade dessa relação, Bolinger (1975) defende que as línguas são em parte arbitrárias (não-motivadas, livres de intenção, involuntárias) e em parte, icônicas ou não-arbitrárias (motivadas, intencionais). Pierce (1940), para quem a linguagem humana é motivada, ou seja, não-arbitrária, afirmou o seguinte: a iconicidade na sintaxe não é absoluta.

Givón (1995) chega também a essa conclusão. Ele confirma não haver uma relação categórica de um-para–um entre forma e função. Segundo ele, as línguas estão sujeitas às pressões diacrônicas as quais provocam desgastes fonéticos nas formas. Isso pode gerar neutralizações e expansões de sentido e até alterações de mensagem. É possível, portanto, se encontrar nas línguas uma só forma desempenhando muitas funções. Apesar dessa constatação, o autor defende que o natural da língua é preservar uma forma para um significado e um significado para uma forma (GIVÓN, 1995, p. 106).

Investigando fragmentos de textos, Martelotta et al (1996) observam que nem sempre a motivação entre forma e significado é evidente; primeiro, existem partes em que a opacidade das formas linguísticas é aparentemente arbitrária. Segundo, o princípio de iconicidade só não se verifica em alguns contextos que são opacos, porque resultam de convenções especiais, e nas fases iniciais e terminais dos processos de mudança. Nas fases iniciais, não se verifica tal fenômeno porque os falantes ainda não os gramaticalizaram; e nas terminais, porque as formas entram em processo de desgramaticalização, liberando-se de suas restrições selecionais.

No entendimento dos referidos autores, a relação forma e significado se realiza, processualmente, em três estágios:

i) é o momento em que o processo se origina e se consolida através de nova associação metafórica entre forma e significado;

ii) momento de estabilização aparente da forma; processo de gramaticalização ativo regulando a relação forma e significado;

iii) as relações entre forma e significado mostram-se desgastadas, com liberdade progressiva da forma em termos de restrição de ocorrência, e

com liberdade progressiva do significado em termos de empalidecimento e mesmo de esvaziamento semântico. (MARTELOTTA, 1996, p. 39).

Diante disso, na abordagem dos fatos, é aconselhável que se considere a existência de um continuum entre os pólos transparência e opacidade, observando-se as alterações da estrutura/forma na sua evolução como orientam Bolinger (1977) e Givón (1995).

A literatura linguística evidencia vários tipos de iconicidade. Porém, segundo Neves (2001), a que mais tem influenciado os estudos funcionalistas é a diagramática de Pierce (1940), que diz respeito à iconicidade no arranjo dos signos linguísticos no enunciado. Para ele, a ordem da narrativa é seguir a ordem dos eventos, observando-se a seqüência dos fatos. Trata-se de um comportamento icônico, ou seja, motivado, porque está na intenção do falante. O princípio de iconicidade manifesta três subprincípios na efetivação do fenômeno icônico:

. O subprincípio da quantidade relaciona forma e conteúdo, isto é, diz respeito à complexidade cognitiva, estabelecendo que quanto maior o texto/informação maior será a quantidade de forma. Isto significa que a complexidade de pensamento tende a refletir-se na complexidade da expressão; o que é mais simples e esperado expressa-se com o mecanismo morfológico e gramatical menos complexo.

. O subprincípio de distância ou proximidade diz que a distância linguística entre expressões corresponde à distância conceitual entre elas. Em outras palavras, os conteúdos que estão mais próximos cognitivamente também estarão mais integrados no nível da codificação – o que está mentalmente junto coloca-se sintaticamente junto.

. O subprincípio de ordenação linear diz que o grau de importância atribuído aos conteúdos de um texto pelo falante, numa determinada situação de interação, determina a ordenação das formas, seja no nível oracional ou no nível da organização do texto; assim, a informação mais importante tende a ocupar o primeiro lugar da cadeia sintática.

Como opção teórica, o princípio de iconicidade, em sua formulação atenuada, permite uma investigação das condições que regem o uso dos recursos de codificação morfossintática da língua. O conceito de gramática, até então considerado como sistema organizado e invulnerável, fechado em si mesmo, passa por uma reformulação.

Na sequência deste capítulo, abordo assuntos importantes para o funcionalismo: o conceito de gramática, a gramaticalização (a discursivização) e os princípios que lhe são caros.