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DEL II KVANTEFYSIKKENS OPPRINNELSE OG UTVIKLING

10. Prosjektet: ”Kvantefysikkens historie i klasserommet”

10.9. Muntlig test

Embora ajustada aos postulados funcionalistas, a gramaticalização foi por muito tempo esquecida nos centros acadêmicos, uma vez que estava relacionada, primordialmente, com os aspectos diacrônicos da mudança linguística, dimensão de estudo não privilegiada pelos estudiosos formalistas da língua.

Meillet foi quem pela primeira vez chamou a atenção para o assunto ao introduzir o termo “gramaticalização”, no âmbito da ciência linguística, referindo-se à atribuição de um

caráter gramatical a uma palavra anteriormente autônoma (MEILLET, 1912, apud NEVES, 2001, p. 113). Ele assegura que em todos os casos em que se podia conhecer a fonte primeira de uma forma gramatical, essa fonte era sempre uma palavra lexical, e que a transição é sempre uma espécie de continuum, ou melhor, desenvolve-se de forma processual.

Porém, Meillet via a gramaticalização como ferramenta da linguística histórica, com a qual se podia dar conta das origens e das mudanças típicas envolvendo morfemas gramaticais, vindo complementar, assim, o campo da etimologia e da evolução histórica das palavras. Para ele, palavras de uma categoria lexical plena (nomes, verbos e adjetivos) podem passar a integrar a classe das categorias gramaticais (preposições, advérbios e auxiliares) ou, até se tornarem afixos, em momento posterior. Ou seja, a gramaticalização envolve a passagem do [léxico] > [gramática] em seus domínios sintático e morfológico.

Outros pesquisadores aderiram posteriormente essa convicção, vendo-o, inicialmente, como um processo diacrônico de mudança, como assinala Heine et al (1991). Para eles, a gramaticalização consiste no avanço do lexical para o gramatical ou do menos gramatical para o mais gramatical. Segundo Heine, uma estrutura lexical passa funcionar como item gramatical ou um item já gramatical passa a exercer uma função ainda mais gramatical, ou seja, subentende-se uma sucessão de mudanças numa cadeia evolutiva.

Até então, a gramaticalização é vista, principalmente, como um dos fatores responsáveis pela mudança lingüística, ou seja, como um estudo diacrônico.

Givón (1971) correlacionando o conceito de gramaticalização às mudanças estruturais, mostra, através de evidências em várias línguas africanas, que formas verbais que são agora radicais com afixos podem ser encontradas nas colocações antigas de pronomes e verbos independentes. Diante dessa constatação, ele declarou que “a morfologia de hoje é a sintaxe de ontem” (GIVÓN, 1971, p. 413), assinalando uma natureza cíclica da evolução linguística. Esse fato despertou o interesse de outros pesquisadores para o fenômeno, abrindo espaços para diferentes estudos sobre a gramaticalização.

Mais tarde, revisando esta colocação, Givón (1979) assume um novo paradigma na evolução linguística, introduzindo, em definitivo, o aspecto sincrônico no estudo da gramaticalização. Destacando o papel do “discurso” no estudo dos fenômenos linguísticos, ele defende que a linguagem humana teria evoluído do modo pragmático para o sintático, parafraseando, por conseguinte, seu próprio slogan para “a sintaxe de hoje é o discurso pragmático de ontem”. Em seu livro On Understanding Grammar (1979, p.208-209), ele

enfatizou a função essencial de dependência das regras e categorias linguísticas, colocando o “discurso” como desencadeador da mudança.

Instaurando uma nova fase nos estudos sobre mudança, esse enfoque no seio da gramaticalização abriu uma perspectiva de análise que leva em consideração tanto a forma (construção) linguística e suas múltiplas manifestações (funções) no discurso em tempo real (estudo sincrônico), quanto às mudanças ocorridas com as expressões linguísticas no decorrer do tempo (estudo diacrônico). A gramaticalização passa a ser considerada, também, um parâmetro explanatório para a compreensão da gramática sincrônica.

Hopper e Traugott descrevem a gramaticalização

[...] como o processo pelo qual itens lexicais passam em determinados contextos linguísticos a servir a funções gramaticais, e uma vez gramaticalizados, continuam a desenvolver novas funções gramaticais, apresentando-se mais previsíveis no que diz respeito a seu uso. (HOPPER e TRAUGOTT 1993, p. 7)

Portanto, tratam-na como um processo sincrônico, voltado para o estudo dos fenômenos sintáticos, pragmáticos e discursivos sob o ponto de vista dos padrões fluidos do uso da linguagem.

Segundo Heine, Claudi e Hünnemeyer (1991), a gramaticalização pode ser descrita, alteranativamente, tanto como um fenômeno diacrônico quanto sincrônico. Numa perspectiva diacrônica, a mudança desenvolve-se no eixo do tempo. Sincronicamente, a gramaticalização está relacionada às mudanças discretas das categorias dentro de um continuum (HEINE, CLAUDI e HÜNNEMEYER, 1991, p.2-3)

Da mesma forma, Traugott e Heine (1991) defendem que a gramaticalização remete tanto a um processo sincrônico quanto diacrônico de organização categorial e de codificação e consideram impraticável uma separação rígida entre diacronia e sincronia; para eles, uma não pode ser entendida independentemente da outra.

Givón (1991) explica que, do ponto de vista diacrônico, a gramaticalização mostra que uma construção pode desenvolver-se gradualmente no tempo. Do ponto de vista cognitivo, a gramaticalização é um processo instantâneo, envolvendo um ato mental pelo qual uma relação de similaridade é reconhecida e é explorada. Assim sendo, a um item, primitivamente, lexical pode-se dar um uso gramatical em um novo contexto, e no momento mesmo em que, num determinado esquema, um item lexical está sendo usado, ele se gramaticaliza.

Martelotta, Votre e Cesário (1996) entendem a gramaticalização como um processo que leva os itens lexicais e construções sintáticas a assumirem funções referentes a organização interna do discurso ou a estratégias comunicativas.

Castilho (1997) concebe gramaticalização como:

Um trajeto empreendido por um item lexical, ao longo do qual ele muda de categoria sintática (recategorização), recebe propriedades funcionais na sentença, sofre alterações morfológicas, fonológicas e semânticas, deixa de ser uma forma livre, estágio em que pode até mesmo desaparecer, como consequência de uma cristalização extrema. (CASTILHO, 1997, p. 3)

Hoje, a integração de estudos sincrônicos e diacrônicos tem sido estimulada pelos funcionalistas, assegurando que o estudo pancrônico vai possibilitar a correlação entre o sistema linguístico e o uso e entre a natureza fluida da gramática e a importância da história para a compreensão da gramática sincrônica.

Metodologicamente, a abordagem pancrônica se constituiu uma possibilidade de análise dos fenômenos linguísticos nas duas perspectivas: diacrônica, se a preocupação é a explicar como as formas gramaticais surgem e se desenvolvem na língua e sincrônica, se a preocupação for identificar os graus de gramaticalidade que uma forma linguística desenvolve sob um enfoque discursivo-pragmático.

Nessa perspectiva, Ferreira (2003, p.73-74), trabalhando com itens lexicais a partir de análise contrastiva de enunciados representativos de diferentes sincronias do português e do latim, assegura que “a estabilidade semântico-sintática das palavras está relacionada, assim como a mudança, a princípios gerais, de caráter atemporal, que refletem processos contínuos, regulares e estáveis na mente dos falantes, que os atualizam a cada enunciado, há muitos séculos atrás”.

Reconhecendo também a importância dessa integração para os estudos linguísticos, Silva (2005) declara que:

[...] a história das formas gramaticais está diretamente relacionada à compreensão do fenômeno da variação linguística, e mais, pode funcionar como importante ferramenta para a compreensão de caracteres profundos que permeiam aspectos intrínsecos às relações sociais, revelando a feição cognitiva dos homens. (SILVA, 2005, p. 53).

Hopper (1994), objetivando contribuir com os estudos sobre a gramaticalização, reúne em forma de princípios, resultados e conhecimentos de muitas pesquisas sobre a mudança linguística. A próxima seção descreve esses princípios.