4.8 Spørreundersøkelse blant deltakerne
4.8.1 Segmentering basert på bosted
Assim, as comunidades quilombolas são expressões das lutas políticas dos povos negros rurais sobre um sistema que se produz por meio da exploração e da exclusão social daqueles que historicamente foram negados os direitos a terra e a expressão de seus modos de vida. Desde a formação dos primeiros quilombos, que se organizavam para a luta contra o sistema escra- vocrata, ainda hoje as comunidades quilombolas enfrentam a dominação frente a chegada
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violenta e avassaladora, como pontua Leite (2008), do capital transnacional e dos empreendi- mentos da agroindústria no território brasileiro.
No Brasil a detenção do poder e as artimanhas da dominação situam-se nos entremeios da luta agrária. O não acesso a terra é um impasse histórico que marginaliza e exclui milhares de comunidades rurais e campesinos no Brasil. Esta realidade excludente é fruto do processo colonial, que tem na lei de terras de 1850, sua expressão emblemática, a qual formaliza a aquisição da terra como propriedade exclusivamente por meio da compra e venda. A quem foi destinado esta lei? Quem tinha o poder de compra da terra naquele momento histórico, já que negros e índio estavam submetidos a mais de 350 anos a um processo de dominação? A lei de terras privilegiou aos senhores e negou a grande maioria da população, constituída de negros e índios, o acesso a terra, que por não deter poder de compra ou venda de títulos, icaram a margem do acesso a este bem, e sem ele marginalizados frente as negociações políticas e so- ciais presentes na sociedade brasileira.
A continuidade deste processo de exclusão agrária no Brasil se deu pelo Estatuto da Terra aprovado em 1964 pelo regime militar, que buscou investir grandes recursos, instrumental técnico e insumos modernos nas propriedades dos latifúndios presentes no país. Tal proces- so, denominado também de Revolução Verde, permitiu a modernização e agregou capital ao latifúndio, aumentando ainda mais o fosso no acesso e a democratização da terra no país (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2013).
Assim, a terra torna-se mercadoria e ter acesso a ela não signiica apenas espaço para a pro- dução, mas detenção de capital e poder. Poder que se desdobra em relações políticas locais a decisões nacionais. A luta pelo acesso e permanência na terra às comunidades tradicionais, incluindo os quilombolas, é uma luta não apenas para sobrevivência dos modos de vida destes povos, mas também uma conquista política de ação direta nas relações de poder presentes nas localidades destas comunidades e na estrutura da sociedade brasileira.
Amparados por esta história de resistência as formas de marginalização e violência sofridas aos seus modos de vida, cultura e trabalho, que os negros rurais do passado, por meio de seus sucessores no presente reivindicam os direitos que os foram negados historicamente e o bus- cam por meio do reconhecimento jurídico-político enquanto quilombolas. Reconhecimento que deve atuar no fortalecimento de suas identidades e na garantia do acesso a terra como bem necessário a manutenção de seu modo de vida.
Esta conquista por direitos estabelece uma luta por reconhecimento, a este grupo social que vive situações de preconceito, discriminação e marginalização frente a posição social ocupada no mundo do trabalho. Estes traços distintivos, ligados a marcadores étnico-raciais e da divi- são social do trabalho, deinem o acesso destes povos aos direitos, bem como, as formas com que são reconhecidos por outros em suas relações cotidianas. Como airma Honeth (2009), o processo de deinição do sujeito se faz no campo intersubjetivo de reconhecimento por outros.
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Sugestão de Atividade:
Quem sou Eu? Eu, outro nos grupos. Primeira Etapa
Pedir aos alunos que em uma folha de papel, em menos de três linhas, coloquem uma deinição de si. Após esta deinição, peça para eles que fechem os olhos e realiza uma imaginação ativa, guiando os mesmos para lembrar dos grupos os quais eles passaram desde sua infância até hoje. Quais grupos ele pertenceu? Que instituições frequentou? Desde grupos religiosos, políticos, de lazer, de estudos, de amizade, entre ou- tros. Percebendo que a deinição que ele traz de si, de quem ele é hoje, não é inerente a ele, mas dos variados grupos, instituições e relações a qual ele experienciou.
Segunda Etapa
Peça para abrir os olhos e que coloque no mesmo papel, disposto ao ní- vel de importância os grupos que ele rememorou. Depois faça com que eles confrontem os grupos apresentados sua importância e como ele se concebe hoje.
Proponha uma discussão que tenha como tema o eu como a diversidade dos grupos instituições e relações que se estabeleceu no decorrer da vida, buscando entender este eu, não como algo inerente a si, mas sem- pre interpelado pelo outro, ou os outros sociais que nos fundam.
Estas relações de reconhecimento nem sempre ocorre de forma direta e estão permeadas por relações de poder e de dominação, que por vezes, negam o reconhecimento a determinados grupos e sujeitos, que experienciam em suas vidas situações de depreciação. Nestas vivências de desrespeito, os grupos marginalizados buscam o reconhecimento devido, para serem res- peitados em sua dignidade como pessoa: em seus valores e modos de vida. Assim, quem luta por reconhecimento apresenta-se em uma situação assimétrica de recursos e poder, encon- tram-se a margem enquanto sujeito de direitos, e garantir tais direitos torna-se exigência para superação das desigualdades, fruto das relações de dominação.
Este processo de reconhecimento impulsionam três mecanismos de ação sobre as identidades quilombolas: 1) o campo dos afetos, na potencialização de relações de amizade e autoconian- ça entre seus membros; 2) mobiliza a construção de uma categoria jurídica, comunidades qui- lombolas, como forma de reconhecê-los como sujeitos de direitos, com o auto respeito a estes grupos pertencentes a sociedade brasileira; e 3) valorização da comunidade em seus vínculos de solidariedade, suas formas de trabalho, atividades e modos de vida. (HONETH, 2009).
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