Dissertação de Mestrado
Página 57 PPGG/UFRN
Os vários experimentos realizados permitiram melhorar o conhecimento da arquitetura de semigráben por meio da modelagem física da tectônica distensional. Os trabalhos focaram mais especificamente no desenvolvimento espaço-temporal (4D) das falhas principais e internas das bacias, explorando a sua relação com alguns parâmetros, tais como a obliquidade do semigráben em relação à direção de distensão, que por sua vez é influenciada pela trama e/ou descontinuidades antigas no seu substrato.
Uma característica comum em todos os experimentos é que as falhas são nucleadas a partir de segmentos que podem exibir pequenas variações na direção e que coalescem durante a progressão da deformação; este tipo de evolução é exemplificado pela figura 13 do capítulo 5. Quando a geração dos semigráben ortogonal e oblíquo ocorre de modo simultâneo, o semigráben ortogonal inicia o seu desenvolvimento primeiro, e posteriormente evolui em conjunto com o oblíquo, à semelhança do análogo natural, a Bacia do Rio do Peixe. Contudo, existe uma certa diferença na sua complexidade, referente à quantidade da falhas e a própria geometria final dos semigráben ortogonais e oblíquos, sugerindo uma partição da deformação entre ambos.
No estágio final, os modelos de desenvolvimento sincrônico precisaram de maior magnitude da deformação para adquirir uma geometria final semelhante à dos modelos individuais, como ilustrado na figura 6.1 para o caso de semigráben ortogonais à direção de distensão. No caso particular do semigráben oblíquo, desenvolvido simultaneamente com o ortogonal, a sua geometria final, em superfície, é mais simples que a do semigráben ortogonal. Muitas das falhas geradas nos estágios precoces não se propagaram até a superfície, ficando, nos estágios finais, encobertas pelas camadas sintectônicas (figura 6.3). Isto sugere que seria necessário uma maior magnitude de deformação para que o semigráben oblíquo sincrônico se tornasse semelhante ao modelo de formação isolada deste tipo de semigráben. Em subsuperficie, os perfis obtidos dos modelos físicos individuais e simultâneos também exibiram diferenças. No modelo de desenvolvimento isolado, tanto o semigráben ortogonal como o oblíquo apresentaram profundidades constantes do depocentro ao longo de todo o seu comprimento (figura 9 para o semigráben ortogonal; figura 12 para o semigráben oblíquo, no capitulo 5).
Em relação aos perfis dos modelos de geração simultânea, o semigráben ortogonal apresenta- se mais amplo e, embora haja variação entre os perfis, seu depocentro é mais raso, comparativamente ao modelo individual. Quanto ao semigrabem oblíquo, apresenta o depocentro com profundidade decrescente de leste para oeste e sempre mais raso que quando gerado de forma individual. De um modo geral, o desenvolvimento destes dois semigráben, gerados de
Capítulo 7 – Discussões e Conclusões Blanco, A.
modo simultâneo, apresentou variação de profundidade entre si; quando um se torna mais profundo, o outro se torna mais raso (figura 20 do capítulo 5).
Na interpretação da linha sísmica 0295-2090 (figura 6.6a), é ilustrada a geometria lístrica das falhas de borda dos dois semigráben. No caso do semigráben de Brejo das Freiras (análogo para a abertura ortogonal), observa-se que a falha de borda é ramificada, uma maior profundidade do depocentro e a presença de um sistema de falhas antitéticas na margem flexural, afetando o embasamento, tal como acontece no modelamento simultâneo, onde o semigráben ortogonal desenvolve maior profundidade, em comparação com o oblíquo. As falhas de borda, nucleadas sob o controle da anisotropia pré-existente, exibem geometria lístrica e com degraus escalonados, deslocando o topo do embasamento (figura 6.6a e 6.7a).
Os exemplos acima e no texto desta dissertação demonstram como a modelagem física pode fornecer informações sobre a evolução e localização de depocentros dos semigráben, o desenvolvimento de rampas de revezamento (que constituem uma importante estrutura para o aporte sedimentar da bacia e a migração de hidrocarbonetos), e a geometria da falha de borda, controladora da arquitetura dos semigráben. Todas estas feições justificam a importância da aplicação da modelagem estrutural física para a interpretação da evolução de bacias sedimentares.
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