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7. Influential Sectors in the Asian Stock Markets

7.2 Sector Influence on Asian Countries’ Systematic Risk

Todos os professores que entrevistei, quando solicitei que contassem um pouco de sua história e profissão, reportaram-se logo a infância e vida familiar, como se lá estivessem guardados os motivos do sucesso. No caso de Deise, quando diz que aprendeu quase tudo na família, com os pais, posso entender que para ela, o “quase” parece representar o tudo, pela alegria e orgulho com que se refere à própria vida familiar: “Nesta família aprendi quase tudo o que sei e o que sou. Meu pai sempre diz que a nossa família é medieval...acho que é por que é uma família de mais velhos”(DEISE COSTA). O fato de admitir ou valorizar os referenciais poderão ter conduzido a professora ao desejo de ser também uma referência para seus alunos. E mais, ser referência implica ser bom, ser competente e amável para ser admirado, relacionar-se bem, interagir e influenciar. É preciso cuidar de si para cuidar dos outros. Não se trata de cópia, mas de desenvolver a capacidade de inventar-se como pessoa, a partir de algumas vivências, que pela reflexão, já aparecem como experiências constitutivas, estão incorporadas no ser e consumadas, legitimadas como formadoras: “...alguns valores que recebi desde pequena: estudo, honestidade, caridade e resiliência por parte de pai. Energia, trabalho, alegria e coragem por parte de mãe”(DEISE COSTA). São valores e habilidades aqui presentes, como aprendidas e vivenciadas na família. São muito claras e constam como definidas pela professora como algo relevante para a vida: “todos descendentes de italianos e com uma história de muito trabalho, privações e fé” (DEISE COSTA). Isto implica reconhecer-se como competente e responsável e, ser reconhecido por outros pelas características de uma pessoa comprometida, na perspectiva política do ser humano, de ter consciência do seu papel no mundo e na sociedade, de priorizar um fazer coerente e da dimensão ética que envolve o ser e o fazer dos professores:

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De qualquer forma essa gente, mesmo com poucos recursos, valorizava muito os livros. Meu bisavô (paterno) já tinha uma biblioteca no começo do século XX. Os livros vieram com o pai dele da Itália e permanecem até hoje na casa da família (DEISE COSTA).

O sentido que atribui ao fato de ter convivido com a biblioteca da família está muito claro; livros que parecem representar valores e ao falar sobre isso posso dizer que pretende justificar sua escolha pelo caminho da intelectualidade a partir dos valores que a família cultivou. Assim também se refere ao aprendizado das Línguas, como algo importante: “e os três filhos, minha vó e seus dois irmãos, aprenderam a ler, bem pequenos, em latim, italiano e português...(DEISE COSTA)”.

Os laços afetivos e estreitos com o pai, envolvendo inclusive uma profunda admiração não apenas estão presentes na identidade, mas adquiriram um sentido muito significativo no gosto pela leitura e pelo estudo e constitui-se, a meu ver, uma característica importante na vida do professor. Ser professor implica gostar de ler e de aventurar-se pelos livros:

Sempre fui apaixonada pelo meu pai, que com sua voz grossa me apresentou todas as estórias infantis e depois outros livros que aprendi a gostar por meio dele e de sua grande capacidade de contar estórias. (DEISE COSTA).

Essa paixão e admiração não estão apenas na narrativa da professora, está no olhar, nos gestos de orgulho que faz quando se refere ao pai. Em certo momento de nossa conversa chegou a dizer que o namorado, o companheiro tem muita semelhança com seu pai. “Grande parte de mim devo a minha avó paterna e aos outros velhinhos da família (pessoas maravilhosas e difíceis). Aliás, todos na família são dificílimos, inclusive eu” (DEISE COSTA).

Tardif, Lessard e Lahaye (1991) referem-se ao saber docente como um saber plural pela diversidade do que os professores aprendem e pela proveniência social dessas diversas aprendizagens: “ah, uma coisa que eu acho bom e que me ajuda muito é conviver com pessoas que eu admiro” (DEISE COSTA). Como proveniência social, a família, a vida escolar, os cursos de formação de professores e de aperfeiçoamento, os instrumentos de trabalho, como os livros, por exemplo, e a prática em sala com alunos e colegas de trabalho: “sempre tive pessoas que me ajudaram já te falei isso eu acho...”(DEISE COSTA). E continua interagindo com colegas, comprovando o aprendizado com os pares que também caracterizam a

profissionalização: “ hoje a Luciana, uma colega de trabalho, ainda me ajuda muito, me ajudou no mestrado e até hoje estudamos juntas” (DEISE COSTA).

Quando entramos na página de sua vida universitária e dialogamos sobre a sua profissão de professora, Deise Costa reativa a reflexão e entra num processo de explicação e de autodenominação do sujeito, na busca reflexiva do que foi formador na trajetória: “tem muita coisa aí Nivia: eu sempre quis fazer hotelaria, mas não tinha na universidade pública... nunca pensei em ser professora” (DEISE COSTA). Deise Costa fala de suas dificuldades até terminar o curso de Turismo; cursou um pouco de Pedagogia e Letras por serem cursos oferecidos na instituição pública, e cita alguns aprendizados importantes, mas acabou desistindo por uma gravidez inesperada. Admite, contudo, que gostava muito das discussões do curso de Pedagogia, cita Durkhein como um teórico que ficou na lembrança. Sobre a graduação em Turismo diz: “aproveitei muito pouco daquela graduação, pois não me identificava com aquele ambiente, vivi um conflito até me formar” (DEISE COSTA). Esta reflexão pela narrativa instigante a conduz a um movimento da consciência e define as dificuldades presentes: “é sempre assim na minha vida, as coisas não acontecem na hora que eu quero, depois caem na minha mão” (DEISE COSTA). A professora continua explicando, num lindo depoimento sobre o gosto e a paixão pela profissão, ao mesmo tempo em que se defronta com as dificuldades do ofício de professor, permitindo-se entrar plenamente na situação das situações e experiências que atualmente vive:

Uma delícia porque a gente trabalha aprendendo, estudando, se aprimorando. Não é um trabalho mecânico, é muito desafiador sempre. Outro aspecto é permitir o contato com a juventude, com a diferença de comportamento, de pensamento. Eu gosto disso. De me testar, de me buscar, de pensar sobre (DEISE COSTA).

A consciência de si individual e coletiva, quando a possibilidade de invenção de si inscreve-se também a partir de um contexto social (ABRAHÃO, 2010 in: JOSSO, 2010), tendo um projeto de ser, um vir a ser constante. Processo proporcionado e proporcionando inclusive rupturas epistemológicas que abrem outras perspectivas de ser para si e para o contexto, por meio de aprendizagens diversas: “diria que o doutorado melhorou muito minha vida profissional, inclusive no Curso de Turismo. Nunca havia estudado economia, mas obtive ajuda de colegas das ciências contábeis” (DEISE COSTA). E também sobre o que é projetado a partir do presente: “em primeiro lugar quero conseguir me fazer como pesquisadora. Já consegui conquistar meu espaço como professora; gosto muito de dar aulas e sou muito feliz” (DEISE COSTA).

142 As dificuldades também ensinam os professores no processo de construção da autonomia: “Este ano tive um conflito com uma colega por ter falado que não pensa em ser professora até o final da vida” (DEISE COSTA). E continua dizendo, indignada: “assim não dá, nada vai para frente nem a universidade, nem Dourados nem o Brasil” (risos): “Eu era muito formatada pela educação que tive na família” (DEISE COSTA) . Muito claro aqui, assim o percebo, os momentos significativos da vida profissional de Deise Costa que ao os interpretar confirma a contínua busca do seu ser, presente em potência no mundo para a