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3. Literature on International Investments

3.3 Home Bias: Failure to Exploit Benefits of International Diversification

A busca de estilos de vida, tão diferentes uns dos outros, me parece um dos pontos pelos quais a busca contemporânea pode se inaugurar antigamente em grupos singulares”65

Michel Foucault Um dos grandes desafios da educação atual é proporcionar uma reflexão para uma criação de si com autonomia e liberdade, pois como escreve Josso (2004) o professor precisa cuidar de si para cuidar dos outros e cuidar dos outros para construir-se em liberdade como professor autônomo. No exercício de si mesmo pela prática de liberdade, o professor poderá adquirir habilidades para a subjetivação para que eduque a si mesmo. Porém esta prática só se concretiza na coletividade e nas relações interpessoais, como escreve Deleuze (1991) que a estética da existência na atualidade requer uma subjetivação coletiva em que as pessoas interagem e influenciam-se em todo o tempo e espaço, ensinando e vivendo a liberdade de

65 Da obra Ética, sexualidade e política (Ditos & Escritos V) de Michel Foucault. Organização e seleção de textos Manoel Barros de Motta; tradução de Elisa Monteiro e Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

108 cuidar-se, de educar-se e de inventar-se. Nesta perspectiva é que analiso e ajudo a reconstruir as histórias de vida dos professores universitários da UEMS.

Por conceber que a biografia educativa consiste em instrumento para a compreensão dos processos de formação do ponto de vista dos sujeitos, optei por dar início ao processo de investigação a partir de indagações bem amplas e generalizadas pelos sujeitos desta pesquisa sobre si, quando utilizei a primeira entrevista, com intuito de proporcionar um processo de reflexão que ocorre em paralelo ao ato da narrativa. No processo de investigação narrativa surge a possibilidade de uma vivência diferenciada na profissionalização do professor, que na verdade contrapõe-se à formação e sujeição da educação de professores da Modernidade. As instituições universitárias por vezes criam regras, preceitos, normas e identidades previamente determinadas que impedem a relação consigo, o cuidado de si e a possibilidade do professor dar uma forma estética a sua formação e a si mesmo. A prática da liberdade presente na narrativa, como um cuidado consigo mesmo, promove a reflexão e a experienciação das vivências que raramente são oportunizadas por regras e normas.

Apesar de se tratar de um inquérito dirigido, como o são as narrativas autobiográficas, o que por vezes intimida ou retrai as pessoas ao falar de si, pela exposição que esta ação envolve, e pelo poder implícito na relação de investigador e pesquisados. Há sempre um poder permeando as relações humanas (Foucault, 1984). Neste caso, a relação que mantenho com os sujeitos investigados, por se tratar de colegas de trabalho, facilitou o desenvolvimento das entrevistas, oportunizando um diálogo franco e aberto. No intuito de colocá-los à vontade e de resguardar sua privacidade e disponibilidade, ao propor a entrevista narrativa, fui agendando os encontros individualmente, conforme as possibilidades de cada um. Expliquei que falaríamos sobre o desenvolvimento profissional dos professores, o papel das universidades diante desse processo, e da formação pessoal de cada um, especificamente da vida. As entrevistas sempre foram permeadas por cumplicidade e descontração oportunizando outros questionamentos e minha interferência quando necessário. Em alguns momentos ouvi de uma professora: “difícil Nívia, mas que interessante esta forma de fazer pesquisa” (DEISE COSTA), depois foi fluindo, fomos nos ajudando na construção das histórias.

Uma vez delimitado o espaço da pesquisa, iniciei o trabalho de campo, propriamente dito, em setembro de 2008. Dei inicio ao processo, solicitando aos professores, individualmente, que descrevessem a sua história, a partir de questões sobre identificação,

formação e família. Expliquei que gostaria de saber como se deu o processo de profissionalização, mas que poderiam dizer apenas o que julgassem ser mais importante e o que lhes agradasse.

No intuito de preparar os professores para a continuidade do processo de entrevistas- narrativas que seriam posteriormente realizadas e de instalar o processo de reflexão sobre a trajetória de vida nos aspectos pessoal e profissional, analisando progressos, dificuldades, acertos, erros de percurso, caminhando assim para a compreensão do próprio processo formativo ultrapassando a dimensão evocativa da história da vida, que é uma habilidade possivelmente desenvolvida no momento do indivíduo fazer a leitura ou a reflexão do que foi por ele mesmo falado ou narrado sobre si, iniciei, como já referi anteriormente, com uma questão bem geral sobre a trajetória de vida, solicitando que me contassem um pouco de suas vidas, e deixei que falassem sem minha interferência. Ao estabelecer um tempo consideravelmente longo para cada entrevista, a preocupação foi a de respeitar o ritmo dos sujeitos, seus medos, suas inseguranças ao narrar algo sobre si ou expor-se, mas também de alongar-se se assim o preferisse, pois tive presente que buscava recolher aspectos, fatos e saberes específicos dos sujeitos, devendo recensear todas as informações e aprofundamentos, garantindo a singularidade dos discursos, e finalmente, na interpretação, buscar a pluralidade que os constitui. Esta etapa concluiu-se em meados de Fevereiro de 2009, dando início aos primeiros contatos com os professores para a leitura crítica do material transcrito. Estes momentos são ricos em reflexão.

Assim procedendo, realizei as entrevistas narrativas em momentos e lugares diversificados. No relatório optei por apresentar a análise das narrativas de três professores: Deise Costa, Amanda Cabrália e Clementino David com os quais mantive um diálogo muito interessante, e em alguns casos também me encantando com narrativas apaixonadas, pela forma como falavam da família, da vida e da profissão. Ao analisar, procurei ir além dos dados explícitos e além das dimensões, fiz algumas conexões e relacionamentos para não perder informações que considerei relevantes no desenvolvimento da profissionalização de professores.

Em pesquisas de abordagem qualitativa como esta, a ênfase está na construção de dimensões pelo método indutivo, classificando ou não os dados. A classificação serve para agrupar os dados em dimensões similares, portanto os dados são separados, classificados, analisados e agrupados em dimensões comuns para que não se perca o foco da investigação

110 no momento da análise. As dimensões aglutinam dados comuns que emergem, porém não predeterminados. Optando pela investigação-narrativa de casos individuais, não tenho a intenção de obrigatoriamente chegar às generalizações e nem identificar casos segundo dimensões, mas conferir importância às vivências e à trajetória de cada indivíduo, vivências expressas em suas narrativas com o sentido singular atribuído pelo sujeito e argumentação específica. Pois, como escreve Bruner (1988), tanto a investigação narrativa que trabalha com a classificação de dados em categorias, como aqueles que trabalham com a análise de sentidos singulares consistem em formas legítimas de conhecimento científico, cada tipo reivindica um tipo de análise.

Portanto, baseada nas narrativas dos professores, levantei aspectos ou fatores decisivos no desenvolvimento da profissionalização. O que importa aqui são as reflexões sobre o desenvolvimento do processo de profissionalização, enquanto autoformação na perspectiva da estética da existência.

Analisei as narrativas autobiográficas dos três professores como algo que dá vida às histórias, como geradoras de um projeto de vida e do desejo de vir a ser. Os acontecimentos individuais de cada trajetória na singularidade que encerram, ao serem organizados segundo a sua dimensão temporal, ou o eu no decorrer do tempo passado e do presente, abre a perspectiva de uma dimensão de futuro, atribuindo sentido ao que foi vivido e o transformando em experiências de vida, na articulação de passado e futuro.

Nesta ótica, adotei postura colaborativa de construir conhecimento em conjunto com os professores valorizando suas experiências vividas e procurando agir de forma que pudéssemos construir e reconstruir suas histórias de vida, sempre atentando para a vida profissional, para que refletissem sobre seu trabalho e construíssem uma compreensão de sua própria vida e profissionalização, exercendo o direito de falar sobre si. Conforme Bolívar, Domingos e Fernandez (2001) as histórias de vida poderão colaborar na construção de conhecimento.

Esclareço que todas as entrevistas narrativas foram realizadas individualmente, em tempos e espaços diferenciados, gravadas e transcritas, sendo devolvidas aos entrevistados para validação. Construídos os textos a partir da narrativa autobiográfica dos sujeitos, na perspectiva de contar a história de vida dos professores, emergiram dimensões, as quais representam a vida dos professores e sua profissionalização.

4.2- VIDAS DE PROFESSORES E PROFISSIONALIZAÇÃO: UMA